O Novo Amigo de Jon Snow

1 A Nova Residência dos Stark


Notas iniciais
Então, essa história é experimental e tem tudo para dar errado. Mas eu vou tentar haha.

Jon sobrevivera ao primeiro dia na nova residência da família Stark, e sentia-se bastante satisfeito consigo mesmo por isso. A senhora Stark tentara de todas as maneiras, como já lhe era esperado, fazê-lo sentir-se mal após a mudança, mas nada que aquela mulher tentasse poderia realmente atingí-lo naquele momento: tinha agora dezesseis anos e não podia mais se entristecer por nada que a mãe de seu meio-irmãos fizesse.

O quarto que fora escolhido para ele pela senhora Stark era no fundo da casa, onde dormiria a empregada, caso os Stark tivessem uma. Era pequeno e não tinha nenhuma janela, apenas uma cama de solteiro, um guarda roupa e um ventilador no teto. Já se imaginava olhando para as paletas desse ventilador, acompanhando seu movimento nas noites em que não conseguisse dormir. O pai, Eddard Stark, viera visitá-lo quando estava tirando suas coisas da caixa em que as guardara, e prometera que colocaria uma mesa onde Jon poderia estudar.

Não era fácil acordar e dormir pensando o tempo todo como era uma arrependimento para o pai, um deslize que não deveria ter acontecido, e, caso evitado, muitos dos problemas da família não existiriam. Quando conseguia não pensar nisso, o olhar cortante de Catelyn Stark e suas palavras que soavam como um chicote o lembravam de tudo: Catelyn Stark havia acabado de perder o primeiro filho de casal, o que os mergulhou numa profunda depressão, quando Eddard fora convidado para um evento que reuniria psiquiatras de todo o Reino Unido para discutir o tratamento de pacientes com transtornos comportamenais, o que era sua especialidade. Lá, conhecera uma jovem estudante de psiquiatria que se dizia muito admirada por seu trabalho. A tristeza causada pelo aborto, acompanhada pelas necessidades físicas de um homem e, Jon imaginava, embora ninguém nunca tivesse lhe dito isso, algumas doses de bebida, fizeram Eddard Stark por uma noite perder a sua honra e gerar um filho fora do casamento. A mãe de Jon nada falara para Eddard sobre o assunto durante toda a gravidez, tampouco Eddard dissera algo à senhora Stark. Até que certo dia um cesto com um bebê dentro fora deixado na porta do apartamento do casal, acompanhado de uma carta explicando tudo. A mãe nunca mais foi vista, mas um exame de DNA fora suficiente para que Eddard criasse a criança, algo que Catelyn nunca perdoara. Mais do que nunca, era importante para ela ter também um bebê, e assim nascera, depois de nove meses, Robb Stark, o filho legítimo de Eddard com Catelyn, que viera para clamar todos os direitos que Catelyn negara a Jon, incluindo o sobrenome de Eddard. Jon seria Jon Snow, nomeado assim após sua mãe, Lyanna Snow.

Após Robb, vieram também Sansa e Bran. Bran era uma criança amável de sete anos de idade, que não tratava Jon de maneira diferente da que tratava Robb, mas Sansa passava tempo demais preocupando-se com imagem e conduta para que aceitasse Jon tal como ele era e, assim, se esforçava para ser tão fria quanto a mãe Catelyn.

Apesar do problema Jon Snow, os Stark conseguiram ser felizes ao longo desses catorze anos. Até que Catelyn abortara mais uma vez: agora seria mais uma menina. A senhora Stark entrara em depressão mais uma vez, e Jon teve que ouvir coisas como "era pra ter sido você. Era para aquela prostituta ter lhe abortado". Como não sentia mais vontade de ir a lugar nenhum, apenas passar dias inteiros em sua cama, Eddard decidiu que era hora da família mudar para um lugar diferente daquele cujas paredes já haviam passado por dois abortos e um filho fora do casamento.

Mudaram para os Estados Unidos. Eddard queria passar mais tempo com a esposa, e decidiu que atenderia seus pacientes em sua nova casa, em Los Angeles.

Ouviu batidinhas em sua porta quando estava terminando de trocar de roupa. Havia acabado de tomar banho. O banheiro dos funcionários, além de apertado, tinha um chuveiro de onde não saía água quente. Mas não iria reclamar de uma bobagem dessas, não quando passara a vida inteira com as piores marcas de biscoito na sua lancheira enquanto Robb comia as melhores. E era Robb quem estava lá na porta, quando ele a abriu.

– Jon, vem jantar. Tio Benjen está aqui.

Jon sorriu. Benjen era irmão de Eddard e sempre tratara Jon com bastante carinho. Robb também fora um irmão bom, apesar de nunca chamar o irmão bastardo para as festas do colégio nem colocá-lo nos times de futebol.

Quando chegaram na sala de jantar, Jon sentou na ponta da mesa como era seu costume. Ficou contente pelo tio Benjen ter sentado ao seu lado, queria escutar todas as histórias que ele tinha para contar: servia a pátria no exército já muito antes de Jon nascer. Foi só quando Jon terminou de colocar no seu prato o peito de galinha e de encher a sua taça de vinho que reparou que Catelyn não estava na mesa. Isso era ótimo: poderia falar.

– Teve alguma experiência de quase morte dessa vez? — perguntou, como sempre, ávido por qualquer história do tio no trabalho.

– Sim, mas só se contar com quando comi aquela mulher numa estalagem no meio da estrada. Teria sido menos trabalhoso procurar minha carteira no mato para poder a conta da maneira tradicional do que foi encontrar a sua perseguida no meio daquele matagal que tinha entre as pernas. Pelo menos consegui que ela não chamasse a polícia. — contou, antes de levar a boca mais uma taça de vinho.

Os homens riram, até Bran, que provavelmente nada entendera, mas Sansa olhou o tio com cara de nojo e desprezo, se bem que Jon tantas vezes a via assim que temia que essa expressão já estivesse no seu rosto permanentemente.

– Isso é nojento. E inapropriado. Sou uma moça e Bran só tem sete anos.

– Cala a boca, Sansa. — disse Robb, que ainda estava rindo.

– Robb, não mande sua irmã calar a boca. — ordenou o pai. — E Sansa, seu tio está apenas querendo nos divertir. E ele merece se divertir também, já que passa a maior parte da vida nos protegendo dos muçulmanos.

– Não preciso ficar aqui ouvindo isso. Vou ficar com mamãe. Pelo menos eu me lembro ainda de cuidar dela depois do que aconteceu.

E se retirou da mesa furiosa. Os que ficaram esperaram apenas um minuto após a sua saída antes de retomar as conversas e as risadas.

Se havia algo que Jon desejava ter, era o apetite que o tio tinha por mulheres. Assim, seria uma cópia fiel dele e poderia se juntar a ele no exército sem medo. Vinha alimentando essa ideia já fazia uns três anos. Robb iria para a faculdade e depois faria medicina, isso, pelo que Jon entendia, estava decidido desde sempre. Mas o que faria um bastardo? Catelyn não deixara Eddard abrir uma poupança para Jon. Ele não tinha futuro nenhum em mente. Às vezes, sentia raiva do pai por nunca defendê-lo. Não teria sido melhor tê-lo abandonado, ao invés de criá-lo daquela maneira? A única esperança que tinha era o exército. E achava que já era hora de tocar no assunto pela primeira vez.

Eddard já havia subido para ficar com a esposa há algum tempo, e Robb brincava com Bran no videogame na sala de estar, quando Jon criou coragem de falar com o tio quando ele passava uma fatia de pão no molho da galinha que sobrara no prato.

– Tio Benjen.

– Hm?

– Eu... eu estou... Bem. Eu estou pensando em me alistar no exército. Como você fez.

O tio nunca o olhara tão seriamente como agora. Por um instante, sentiu medo, quase arrependido de até ter pensado na possibilidade.

– E por quê?

– Porque Robb vai para a faculdade. E eu não tenho para onde ir. E admiro muito o que você faz...

– O exército é um lugar para homens que querem servir a pátria e não para bastardos que não tem aonde ir.

Jon abaixou a cabeça. Não sabia o que dizer. Depois de um tempo, falou, por fim:

– Eu sou fascinado pelo que você faz. E espero fazer o mesmo. Eu quero ir para o exército. Eu quero servir a pátria. — tentou falar da maneira mais convincente possível.

– De qualquer forma, é novo demais para isso. Daqui a dois anos poderemos ter essa conversa novamente.

Jon foi dormir decepcionado com a conversa com o tio. Tanta expectativa criara para isso, e ele simplesmente derrubara todas as suas esperanças. Fazia calor naquele quarto, e ele demorou para conseguir chegar ao sono.

No dia seguinte, a escola fora bem dentro do esperado. As pessoas eram legais porém curiosas e queriam saber tudo da história de Jon. Contar o motivo de se chamar Jon Snow e não Jon Stark como o irmão não era o que ele mais queria fazer no primeiro dia. O que ele não esperava fora, ao chegar em casa, encontrar um garoto no seu quarto, sentando numa cadeira de frente a uma mesa que não estava lá na última vez que saíra de lá. Ele estava com os dois braços sobre a mesa, tocando na madeira como se estivesse checando sua qualidade. Quando ouviu a chegada de Jon, virou o rosto para ele e abriu um grande sorriso.

– A mesa está ótima, mas você talvez queira trocar essa cadeira. Uma das pernas não está nada boa.

Quis gritar com o garoto, perguntar o que ele estava fazendo em seu quarto, mas não conseguiu. Tinha um cabelo loiro bagunçado, olhos castanhos diferentes de qualquer outros que já vira e nunca ninguém lhe sorrira daquela maneira.

– Olá, eu sou Jon. — falou.

O garoto levantou-se e lhe estendeu a mão. Usava uma blusa preta com mangas compridas que lhe cobriam todo o braço.

– Prazer. Sou Tate.

Notas finais
Então, é isso. Haha (: