O Novato
2 Tentações
Notas iniciais

Após as apresentações formais, León e Violetta deram início a um ensurdecedor silêncio. Apenas Pablo tinha posse sobre as palavras e, com calma e certa paciência, começou a explicar as normas a serem seguidas pelo novato, que certamente não tinha a plenitude da existência das mesmas, sendo assim, era viável que fossem esclarecidas desde já.
— De acordo, Leonard? — questionou Pablo, após externar as regras para León, e com a cabeça inclinada em direção ao novato, que meneou a cabeça positivamente, mas não disse nada. — Tenho a absoluta certeza que Violetta será uma ótima monitora e o ajudará bastante em sua adaptação a universidade — sibilou, Pablo sorridente e Violetta mal pôde esconder sua satisfação ao ouvir seu nome com tanto carinho do reitor. — Ela é nossa melhor aluna do curso de arquitetura — emendou seus elogios e León arqueou as sobrancelhas ironicamente, porém ainda manteve-se em silêncio.
Tentando recuperar-se do susto, Violetta firmou os olhos no reitor da universidade e pediu desesperadamente em seu íntimo que tudo aquilo não passasse de um engano. A ideia de ser a encarregada de um novato superficialmente arrogante, não lhe pareceu nada boa, sem contar na reação do seu namorado ciumento, que certamente implicaria e não a deixaria em paz. Seu torpor parecia interminável, ela estava absorta demais, tanto que não ouviu nenhuma das palavras desenfreadas do reitor, este era o único interessado naquela conversa, que se alongava por demais.
León, ao contrário da garota, mantinha um largo sorriso sedutor nos lábios e não tirava os olhos da monitora por um só instante que fosse, parecia bem satisfeito com a proposta de ter alguém ao seu lado na readaptação, mas essa readaptação se estendia, pois o rapaz também havia mudado de país. Ele estava sentado ao lado de Violetta e a olhava de soslaio. Com o polegar passeando pelo queixo, deixou-se observar a requintada sala. Após longos instantes de conversa, Pablo finalmente deu permissão para que saíssem da sala e sem questionar nada, os dois saíram rapidamente do cômodo. Ainda meio sem jeito, León decidiu iniciar um diálogo, enquanto seguiam por um longo corredor:
— Novamente eu queria me desculpar por...
— Me polpe das suas desculpas! — trovejou, Violetta apressando o passo, sem ao menos dar a chance de León explicar-se ou ao menos tentar a proeza. — Não pense que vou ser sua babá nessa universidade, eu apenas...
— Já vi que educação não é seu forte. — ironizou com a voz moderada e ultrapassando-a com certa rapidez. Violetta parou de caminhar por um momento, ela parecia, e estava pensativa.
Percebendo que a garota não estava bem, León cessou seus passos e regrediu em sua direção.
— Você está bem, Violetta? — questionou gentilmente, mas não teve qualquer resposta que fosse. Ele aproximou-se ainda mais, ficando exatamente em sua frente, ele até podia até sentir o pesar de sua respiração. León gostava de ser intimidador, mas naquele momento, ele realmente estava preocupado com ela. — Violetta... é... você se sente bem? — Ele insistiu e, de repente a garota ficou tão branca quão um cadáver, deixando-o ainda mais preocupado.
— Não, eu estou bem, apenas um mal-estar passageiro. — Ela explicou com um meio sorriso, mas sentiu que não havia convencido-o de que estava bem, então emendou sua explicação: — Acho que não venho me alimentando muito bem ultimamente — León continuava com um semblante interrogativo e mantinha os olhos fixos aos seus. — Já falei que estou bem, se não acredita em mim o...
Violetta não chegou a completar seu raciocínio e titubeou um pouco e prevendo que a garota iria desmaiar, León preocupou-se em amortecer sua queda. Sem saber ao certo o que fazer de imediato e com uma garota inconsciente em seus braços, León permitiu-se entrar em desespero. Ele tentou acordá-la de diversas formas, mas todas foram inúteis.
— Nossa, que sorte! Meu primeiro dia na universidade nova e minha monitora decidiu desmaiar! — resmungou, León para si mesmo, enquanto segurava a face da garota entre as mãos. — Ela até que é bem bonita, mas é tão esquentadinha. Mas não reclamaria de tê-la em minha cama... que diabos eu estou falando? — indagou-se, León, rindo de si mesmo e de seus pensamentos pervertidos. Para o alívio do garoto, Violetta começou a se mexer, talvez estivesse recobrando sua consciência. — Acorda por favor! — ele praticamente implorou afagando seus cabelos e assim que percebeu onde estava e com quem estava, Violetta deu um sobressalto e logo pôs-se de pé novamente. — Você desmaiou por alguns minutos, acho melhor te levar até a enfermaria da universidade.
— Não é necessário, Vargas — murmurou um pouco mais dispersa e sua afirmativa não lhe transmitiu nenhuma veracidade. — É sério dessa vez, me sinto bem melhor — ela insistiu com sinceridade, deixando-o desconfiado. — Vêm... vou te mostrar a Universidade de Buenos Aires...
X X
Em passos assustadoramente lentos, Violetta chegou em frente a uma porta de largura grande e altura media. Delicadamente, empurrou-a, fazendo soar um brulho um pouco irritante ao ponto de vista das duas figuras ali presente.
— E aqui é o auditório... — disse a garota, quando já estavam por dentro da enorme sala. Cautelosamente, rolou os olhos por cada canto do lugar, e acabou parando-os no moreno a sua frente, que mantinha um sorriso irónico nos lábios. — Qual o seu problema? — questionou, com certa rispidez. Sentiu seu sangue ferver quando o mesmo revirou os olhos. Vargas parecia querer testar todos os sentidos de Violetta; e, curiosamente, ele estava conseguindo coloca-los a flor da pele, com apenas gestos. Sem pronunciar uma palavra se quer. — Se você não estiver gostando do tour, podemos parar por aqui mesmo. — sugeriu a ele, imitando o sorriso irônico que o rapaz esboçava, em seus lábios.
A distancia que havia entre os dois era demasiadamente pequena. E para a surpresa – e desespero – de Violetta, León foi se aproximando mais, de forma vagarosa.
— Por mim... — Deu de ombros, com a mão no bolso, ergueu a cabeça para o lado, enquanto tentava retirar o seu semblante sarcástico. Contudo, não obteve sucesso. — … nós podemos fazer algo bem mais divertido. — Sem nenhuma cautela, olhou para os lábios avermelhados da garota, e sorriu ao vê-la aparentemente nervosa. — Por curiosidade... o que aconteceria se eu te beijasse agora? — indagou, enquanto se aproximava mais da figura do sexo oposto.
Como resposta, ela permitiu-se apenas a dar alguns passos para trás, mas que foi o suficiente para que o tronco dela batesse no proscênio do enorme palco. Castilho engoliu a saliva com certa dificuldade ao ver que ambos já estavam pertos de mais. Sentiu uma enorme ânsia, ao dar-se conta que seu corpo não se movia. Ou se quer, obedecia aos seus comandos.
— É... — murmurou, com certa dificuldade. — Eu... — novamente, sua frase foi cortada, quando as mãos do individuo impudente, tocou sua cintura com certa força. E em instantes, percorreu uma de suas mãos, até as madeixas da garota, entrando com os dedos e puxando, delicadamente, alguns fios de seu cabelo. Instantaneamente, soltou um murmúrio de dor, disfarçado de um estranho prazer.
Esse ato a fez parar, e por um certo momento perdeu a consciência. Seus olhos castanhos queimavam de encontro com os esverdeado, e ela foi capaz de extinguir sua lucidez, entrando em uma espécie combate entre o certo e o errado.
Contudo, todos os seus sentidos voltaram em um flash, quando deu-se conta de que seus lábios estavam perto de mais dos do Vargas; e em um ato involuntário, levou suas delicadas mãos, até o peitoral do mesmo.
— Tenha a certeza de que se cogitar essa ideia novamente, arrancarei fora a única coisa que faz de você um homem — sussurrou de forma ameaçadora, sorrindo ousada ao terminar a frase. Em seguida, virou seu corpo e pôs-se a andar para fora do magnifico auditório.
Pelo canto dos olhos observou o rapaz a seguir, abismado. Entretanto, não abandonava o sorriso irónico, que agora era também, maravilhado. Todavia, Violetta não se importou, apenas continuou a seguir seu caminho, como se ele não estivesse a poucos passos de distancia de si.
— Você é má, Castilho. — resmungou, divertidamente. — Mas sou obrigado a confessar que essa sua ameaça me excitou. — Gesticulou as mãos, levando-a até suas madeixas e as bagunçando, deixando-o com uma postura mais rebelde. Ergueu as sobrancelhas ao dar-se conta que a morena nem ao menos se interessou por suas palavras. Ou como ele esperava, resmungar, como fez, toda vez que ele abriu a boca. — Serio! Vai me ignorar? — olhou-a incrédulo, ao passo que se fixou ao lado da mesma. — Olha, se você acha que eu vou pedir desculpas, está terrivelmente enganada. — rangeu entre dentes, enquanto balançava a cabeça em negatividade. E, novamente, foi desprezado pela moça. — Você me ameaçou. E por mais que eu tenha ficado muito... encantado, você ainda sim me ameaçou — riu pelo nariz, ao vê-la revirar os olhos.
— Faça-me um favor?! — virou-se para ele que sorriu pelo fim do "gelo". Concordou, enquanto cruzava os braços. — Cala a boca! — rinhou, irritada.
Moveu-se, saindo em meio ao corredor, parando em frente a um, dos milhares de armários que continham naquela Universidade.
423
Mentalmente, leu o numero que estava exposto sobre o medio objeto de metal. Sorriu, abrindo-o em seguida.
— O que está fazendo? — uma voz, que já estava ficando extremamente reconhecível para Violetta, soou, segundos depois, atrás de si.
Revirou os olhos, e deu-se conta que ele não a deixaria em paz.
— Pegando meu material — murmurou, sem demostrar humor na voz. — Já perdi duas aulas, quero pegar pelo menos a metade da terceira. — Com certa força, empurrou a pequena porta do seu armário, girando seu corpo em seguida.
Todavia, foi arrebatada por um corpo maior que o seu. E o dono do corpo demostrava um sorriso mais do que satisfeito.
Santo Inferno!
Por mais irritante que aquele individuo fosse, ela não podia negar que o sorriso dele era maravilhosamente encantador. E esse sorriso estava causando efeitos nela que, definitivamente, não deveria.
— Você é muito certinha, garota. — mussitou, em repreensão. Entretanto, não pode deixar de ver o quão nervosa ela ficou com a proximidade de ambos, a ponto de prender a respiração. Querendo ver até que ponto ela o deixaria ir, ele ergueu a cabeça, colocando próxima ao seu ouvido. E com isso, ela suspirou; fazendo-o sorrir satisfeito. — Eu posso te proporcionar prazeres que você nem imagina. — disse com a voz rouca e um tanto falha. Violetta respondeu a esse ato, com um murmúrio. Porém o mesmo saiu tão baixo que ela duvidou que o moreno tivesse ouvido.
Mas ele ouviu.
E, com toda a certeza, tiraria proveito disso.
Com bastante cautela, León se afastou, observando o olhar frustrado e confuso de Violetta. Contudo, ele ignorou e se pôs a andar com um sorriso vitorioso nos lábios. E para o aumento do seu ego, ao se virar, viu que a garota continuava estática, com o mesmo olhar e semblante. Vargas apenas fungou o nariz, em uma tentativa falha de prender o riso.
— Vamos, Violetta! — chamou sua atenção, elevando a voz um pouco, apenas o suficiente para ser ouvido pela garota. — Estou ansioso para começarmos, querida monitora. — sorriu, maliciosamente, fazendo a garota tomar um rubor envergonhado, e irritado.
— Isso só pode ser brincadeira — resmungou, raivosa, enquanto finalmente erguia os passos.
— Você tem um cheiro bom. — comentou simplesmente, enquanto ela o alcançava, e em seguida passava e sua frente.
— Cala boca. — ordenou irritada. Ele apenas riu.
X X
Com o punho cerrado, Violetta bateu delicadamente na porta; e a mesma estremeceu ao passo que revirou os olhos com a respiração falha do moreno, ralando de encontro com a pele nua de sua nuca.
Por de trás da porta, ela ouviu um murmúrio, que não foi traduzido ou se quer identificado por eles. Suspirando com certa dificuldade, a morena empurrou a porta, fazendo toda a atenção se virar contra ela.
Merda
— Com licença, professora... — começou a se pronunciar, mas logo foi cortada pela figura feminina mais velha.
— Entre Srt. Castilho — pediu, com a voz serena. — Já fui comunicada pelo motivo do seu atraso. — afirmou, fazendo-a sorrir aliviada.
Moveu os pés para frente, permitindo-se dar apenas um passo. Contudo, logo recou ao ver que o moreno irritante, não a seguia. Soltou um pequeno suspirou cansada, e moveu-se para trás, pondo metade do seu corpo, para fora da sala.
— Ande logo, Vargas! — ordenou, em um múrmuro.
O garoto somente revirou os olhos e a seguiu. Todos os olhares se direcionaram a eles. Alguns curiosos, e outros surpresos; uns maliciosos e outros, raivosos.
Sem saber o motivo dos cochichos que foi criado, Violetta se apressou para sentar-se em uma das cadeiras vagas. E León, com um sorriso pequeno, mas divertido, nos lábios sentou-se atrás dela.
Violetta tentou ignorar todos os olhares que por um momento estava fixado em si. Tentou ignorar também o rapaz atrás dela, e que mesmo de costas, ela sabia que ele estava a olhando. Sentiu seu celular vibrar por dentro do bolso da saia, e cautelosamente ela o pegou, vendo que havia recebido uma mensagem de uma das suas melhores amigas.
"Eu poderia esperar a aula acabar para te perguntar, contudo minha curiosidade é demasiadamente grande.
Você estava se pegando com o novato?"
Ludmila, 10:14 min
A única filha dos Castilhos sentiu seus dedos formigarem e seus olhos castanhos se arregalarem ao ler a mensagem de texto. Rapidamente, e sem ao menos pensar, respondeu:
"O que?! Claro que não, Ludmila. Eu apenas estou ajudando-o a se estabilizar aqui."
Violetta, 10:14 min
"Tudo bem, eu acredito. O problema é que essa suas roupas amaçadas, e esses fios de cabelos desordenado, dizem outra coisa."
Ludmila, 10:16 min
— Se você quiser, podemos nos pegar agora — com a voz rouca, e em um sussurro, León disse em seu ouvido. — Pelo menos assim daremos um ótimo motivo para tanta atenção.
Apavorada
Essa simples palavra definiu a Castilho naquele momento. E ligeiramente, ela já estava passando as mãos em sua madeixa, arrumando-a, e em seguida sua roupa. Olhou curiosamente para o lado e percebeu que ninguém mais a olhava, e isso a fez respirar com mais tranquilidade.
O restante dá aula de matemática transcorreu bem; não se ouvia burburinhos; ninguém ousava a interromper a aula, por mais curiosos que estivessem. Por incrível que pudesse parecer, Violetta sentia-se incomodada com o silêncio do novato. Toda aquela calmaria era motivo de preocupação, já que, ele demonstrou-se um tanto prepotente e hiperativo. Uma vez ou outra o olhava de soslaio, mas o garoto parecia bem concentrado na aula, talvez não fosse apenas um mero rostinho bonito, afinal era o último período de arquitetura, sendo assim, alguma inteligência ele deveria ter, era uma questão de lógica.
Com pensamentos conflituantes, a garota limitou-se a prestar atenção na aula, que por sinal estava cansativa, sendo que era sua primeira aula naquele dia, o que ela mais queria era ir embora. Sabia que logo teria que dar explicações sobre o seu atraso e isso não resumia-se apenas as suas amigas, que certamente a interrogaria, como ao seu namorado, esse sim era motivo de preocupação, embora tivesse a consciência limpa.
Assim que o sinal de encerramento da aula foi tocado, Violetta começou arrumar todo o seu material com certa pressa, entretanto, não concluiu a ação. Sentiu seu braço ser pressionado e ao voltar seu corpo para trás, deparou-se com, Tomás ao seu lado. O rapaz parecia furioso.
— Vem comigo! — balbuciou, Tomás em posse do braço da namorada e pressionando-o com certa intensidade. — Você me deve explicações! — ele parecia fora de si no momento e possuía certo desdenho na voz esganiçada. Seu peito inflava, como se o houve prendido por um longo momento.
Sem reclamar, Violetta acompanhou o namorado até o corredor que dava aceso a sua sala. Pensara em várias justificativas, todavia, nenhuma lhe pareceu plausível, sendo assim optou pela verdade e ele teria que compreender sua posição.
— Tomás eu posso explicar e...
— Só preciso que me responda duas perguntas simples: Porque ignorou minhas ligações? E por que entrou na sala acompanhada do aluno novo? — foi firme em suas indagações e praticamente encurralou a namorada na parede do corredor.
— Primeiro não me recordo de ligação alguma e segundo, como monitora-chefe, é quase uma obrigação situar os alunos novos e isso abrange, Leonard Vargas — bradou estarrecida e ouviu um suspiro de alívio do namorado, como se acabasse de retirar um peso enorme das suas costas. — Se o interrogatório idiota terminou, eu preciso voltar à sala e guardar meu material — sua voz estava embargada, agora e ao subir seu olhar ao do namorado, notou que seu semblante havia suavizando-se.
— Me perdoe meu amor, não quis te ofender com suposições... eu só...
— Depois conversamos, Tomás — disse com o olhar lívido e deu as costas ao namorado para ir embora, mas novamente sentiu seu braço sendo pressionado, isso a deixou demasiadamente irritada. — Tomás, preciso ir embora... — sua voz virou um sussurro e por mais que ela quisesse, não conseguiu sair do lugar, de alguma forma estava presa ali.
— Antes... antes eu quero um beijo — sussurrou malicioso, não escondendo suas segundas intenções e Violetta sorriu meio que sem querer, porém nada disse, ainda estava irritada com o namorado. — Vamos... só assim saberei que estamos bem — interpelou um tanto persuasivo e sentiu que a namorada estava quase cedendo, sendo assim, resolveu que a convenceria de uma forma ou de outra. — Um único beijo... e a deixarei em paz... por enquanto.
Com cautela, Tomás pressionou suas mãos na cintura do namorada e a trouxe para mais próximo de si, deixando-a colada ao seu corpo. Com delicadeza, ele cobriu os lábios da garota e deu início ao beijo, beijo este que foi ganhando um pouco de intensidade, mas assim que, Violetta percebeu o olhar do novato sobre si, sutilmente empurrou o namorado e tratou de recompor-se.
Tomás ainda não entendendo a reação adversa da namorada, que estava estranha, ficou lhe encarando por um momento sem questionar nada. León passou pelos dois e os ignorou completamente, mas não perdeu a chance de irritar, Tomás, fingindo um esbarrão e nem se deu o trabalho de pedir desculpas.
— Esse tapado é cego, ou quê?! — ralhou, Tomás exasperado e Violetta manteve-se em silêncio por um momento, de repente as propostas indecentes do novato faziam-se presentes em sua mente, o que a fez recuar.
— Eu preciso ir... é... depois nos falamos, Tomás — murmurou, Violetta com a voz trêmula, estava desconcertada com a situação inusitada e saiu do corredor, sem dar a chance do namorado questionar sua reação exagerada.
Chegando na sala de aula, Violetta sentou-se em sua cadeira e suspirou fechando os olhos. Seu único desejo era um pouco de paz, aquele dia não estava sendo nada fácil e a tendência era piorar... apenas piorar. Como era o horário de intervalo para o almoço decidiu ir até o restaurante da universidade para a devida refeição, até porque não queria desmaiar e ao recordar o episódio percebeu que devia procurar o novato para terminar de apresentar as instalações do prédio que estava longe de ser algo pequeno e modesto. Violetta começou sua busca em todos lugares onde ele possivelmente estaria e não o encontrou em lugar algum.
"Onde o filho da mãe se meteu?"
Cansada de suas buscas, que não deram em nada, Violetta decidiu ir até o restaurante, onde encontrou, Ludmila. Ela sentou-se ao lado da amiga que lhe observava com um semblante interrogativo, segurou o cardápio, deixando-o na altura dos olhos e antes que, Ludmila tivesse a chance de interroga-la, Violetta antecipou-se:
— Se for fazer insinuações descabidas, é melhor que não fale nada! — desaforou com o olhar fixo ao cardápio e só então acenou para o garçon, que prontamente anotou seu pedido e afastou-se da mesa. — Depois quero suas anotações das primeiras aulas — murmurou passeando o olhar pelo ambiente. Ludmila continuava com aquele semblante de quem estava dizendo: "eu sei o que você fez no verão passado", e isso deixou a amiga irritada. — Porque tá me olhando assim, Ludmila?
— Não é óbvio, Vilu? — disparou sarcástica com as sobrancelhas arqueadas e aproximou sua cadeira da mesa, para falar mais abertamente. — Me conte tudo sobre o gato do Leonard Vargas, a mais nova atração masculina da universidade! — Violetta que já estava irritada, fechou a cara para a amiga e bufou. — Vamos, Vilu, nós duas sabemos que você...
— Não fala besteira! — reclamou com a voz alterada e Ludmila rolou os olhos. — Não quero falar do novato idiota, que por sinal sumiu e sei que isso me renderá reclamações do reitor, já que sua adaptação dependia de mim — seu semblante mudou de repente, indo do irritado para o preocupado em questão de segundos. — Juro que vou matar aquele infeliz! — trovejou com veemência e Ludmila não pôde conter o riso.
— Calma, ele vai aparecer... uma hora ele vai ter que aparecer — disse tentando confortar a amiga, que inalou abruptamente.
X X
Após sua conversação com Ludmila, Violetta decidiu ir até a biblioteca cumprimentar a responsável pela mesma de nome Lavínia. Após pegar alguns livros, a garota seguiu até seu armário para guardar os livros e quando direcionou-se ao corredor que daria acesso a sala onde seria sua próxima aula, foi abordada por alguém que fechou seus olhos com as mãos. Ela sorriu e em nenhum momento reclamou, só podia tratar-se de Tomás, seu namorado. Mas ao ouvir a rouquidão da sua voz, ela teve certeza que quem a segurava não era seu namorado
— Estava me procurando, Violetta? — sussurrou-lhe sedutor, roçando os lábios em seus ouvidos e prensando o seu corpo sobre o dela. Violetta ainda tinha os olhos assustados, e pelo movimento de seu corpo, León percebia o quanto a respiração dela estava irregular e isso o estimulou a ir mais fundo em sua investida. — Sabe, Violetta... não reajo muito bem a ameaças e acho que você deve ser castigada adequadamente por tal ousadia. — León deslizava as costas dos dedos pela face da garota que sequer se movia, agora era ele que estava lhe ameaçando. — Ninguém diz não a Leonard Vargas, querida...
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