O Ninja De Branco.

6 Capítulo 6 — Uma Triste História.


— MÃE, VOCÊ PODE NOS DIZER O QUE ESTÁ ACONTECENDO AQUI? — PERGUNTOU THEA indo para ela, juntamente com Oliver.

— Precisamos de uma explicação. — afirmou Oliver.

Eu continuei com os braços cruzados. Eu sinta nojo da face daquela mulher. Olhá-la me dava náuseas e uma raiva tremenda.

— Conte-os, mamãe. — falei sério e num tom um tanto alto. Não consegui segurar. A repulsa e a raiva eram demais para mim. Tudo o que eu queria era que ela pagasse o preço que me fez passar. — Conte-os como uma mulher casada, bem educada e de ótimas condições abandonou o seu próprio filho na casa de estranhos. Conte-os! — dei um passo à frente. — Conte-os também que você só fez uma visita ao seu pequeno filho quando ele tinha oito anos. Aproveite e conte que você nunca ligou, nunca mandou recados por seu marido quando ele o visitava todas as datas comemorativas e principalmente em seu aniversário! CONTE! — gritei na última palavra e Oliver veio para perto de mim se colocando a minha frente e aquilo me fez rir.

Ele parecia ter a mesma estrutura de Jason, ou ele era maior? Não importa! Eu já havia enfrentado Jason algumas vezes, com Oliver não deveria ser difícil. Ele também não me colocava medo algum.

— Vá embora daqui. — disse ele sério.

— Não. — cruzei meus braços novamente.

— Vá ou chamarei a segurança...

— Só saio daqui até eu ver o meu pai. — falei encarando-o nos olhos e ele perdera o foco da conversa.

— Oliver... leve-o para dentro. Agora. — disse minha mãe ainda no chão.

— Mas, mãe... — começou Thea.

— Sem “mas”, levem-no. — finalizou minha mãe interrompendo Thea.

Thea levantou minha mãe e foi a um caminho. Oliver pegara em minhas costas e eu havia travado — a dor que aquilo me causara foi tão forte que eu prendi o grito que se formou em minha garganta, mas não disse nada. Tirei as mãos dele de mim, peguei minha mala, firmei minha mochila nas costas e adentrei na casa.

A sala era imensa. Tinha uma tevê de quarenta e duas polegadas, dois sofás longos e aconchegantes — posso dizer isso porque eu estava sentado em um —, algumas estantes com taças de vidros de cristais, algumas com uns livros. Havia grandes janelas ali, também, que davam vista para o jardim lateral da mansão. Havia um quadro na parede, atrás da estante da tevê e um do outro lado da sala. Eram obras caras, dava para ver, mas que tinham significado; acho impossível.

Ele ficou de pé perto da parede que dava acesso a sala e de braços cruzados. Olhando bem para ele, ele realmente lembrava o meu pai. Não sei se era o cabelo ou se era a atitude séria, mas ele parecia à cópia do meu pai, porém jovem e idiota. Completamente um idiota.

Não sei como Oliver conseguia deixar essa imagem para a minha família. Meu pai não havia conseguido toda essa fortuna à toa, ele trabalhada duro para conseguir tudo isso e ele gastava tudo com mulheres, festas, mulheres e mais festa? Isso não era certo. Não era.

— Bela casa... — falei num tom irônico, pegando minha mochila e pondo em meu colo. A abri para me certificar que o teste de DNA que eu tinha estava ali dentro e estava. Tudo o que eu precisava estava ali; o diário que meu pai havia me dado e o exame que indicava a minha maternidade e paternidade.

— Obrigado. — disse ele me olhando com um sorriso irônico. Eu me parecia com ele, também. O mesmo tom de cabelo, olhos, pele... ele também parecia ter a mesma personalidade que eu, porém ele era um idiota. Ou eu era mais parecido com a Thea? Meu voto vai para ela.

Passos, que presumi serem dois pares, começarem a se aproximar. A cada passo que davam, o tem deles aumentavam. Fiquei nervoso. Eu não queria que fosse Thea com minha mãe — eu não tinha nada contra Thea, eu só queria que fosse meu pai ao invés de minha mãe. Por em falar dele, onde ele estava? Será que eu havia feito mal em ter vindo aqui ao invés de ir à sua empresa? Ela não ficava longe daqui, ficava?

— A empresa do papai fica longe daqui? — perguntei olhando para ele. Juntei minhas mãos e comecei a esfregá-las. Só comecei a ter noção de que ambas estavam geladas quando as uni, talvez fosse o nervosismo.

Ele levantou uma sobrancelha, abriu a boca e disse:

— Quem você pensa que é para chamar o meu pai, de papai? — ele descruzara os braços e viera em direção a mim. Não me mexi, só o encarei. Eu não tinha medo dele. Ele não me dava medo. Já aprendi a lidar com pessoas como Oliver na vida, eu já havia lidado com Jason e seus amiguinhos idiotas na vida, eu sabia como lidar com ele, principalmente com o meu treinamento.

— Seu irmão caçula, Oliver. — disse minha mãe, mais recomposta, entrando na sala com Thea. Thea parecia mais abalada do que Oliver. Ela parecia não saber o que fazer. Se ela achava aquilo uma boa ou má notícia.

Olhei rapidamente para Thea e seguido para minha mãe, desviei o olhar dela rapidamente. Eu não queria vê-la de maneira nenhuma.

Oliver a olhou e fiquei do lado direito de minha mãe. Thea estava ao seu lado esquerdo, mas minha mãe não parecia se importar com os dois naquele momento. Ela veio até a minha frente, ficando defronte a tevê que estava passando um VT do jogo da noite anterior, não gostei dela estar em minha frente. Estava interrompendo a minha visão do jogo.

Olhei para ela, de vez; Ela estava com uma mão nos lábios e a outra em sua barriga. Seus olhos estavam vermelhos e começaram a lacrimejar enquanto ela me olhava nos olhos. Eu poderia sentir pena dela se ela tivesse sido diferente no passado. Se tivesse ido me visitar mais alguma vez além de meu aniversário, eu poderia perdoá-la, mas, por ela não ter feito, eu só conseguia sentir... ódio.

Ela se ajoelhou em minha frente e, a mão que estava em seus lábios, esticou-a para tocar meu rosto, mas eu recuei a sua tentativa de toca e ela pôs a mão de volta em seus lábios, mas depois ficou segurando-a com a outra.

Inquieta, ela começou a me olhar de cima a baixo. Procurando algo de estranho em mim durante esses oito anos sem me ver, talvez. Ela não precisaria disso se me visse mais. Acho que ela já tinha esquecido a minha voz. Tenho certeza.

Ela jogou a cabeça de lado e olhou para o meu rosto, franzindo a testa. Olhei fixamente para ela e estranhei a sua reação. Droga! Ela reparou em meu rosto. Mas que...

— O que houve com seu rosto? — ela aproximou sua mão de mim novamente para tocar em meu rosto, mas eu a tirei do caminho.

Ela insistiu novamente e tentei tirar outra vez, mas ela lutou comigo contra isso e eu acabei não resistindo mais. Ela tirou meus óculos de meu rosto e triou o capuz de minha cabeça, revelando meu possível hematoma no rosto, que eu diria que estava grande perto de meu olho e bochecha.

Tirei sua mão de mim novamente e perguntei:

— Desde quando você se importa?

— Desde o dia em que você nasceu...

— Ah, isso explica o seu sumiço de oito anos de minha vida, não é, mamãe? — interrompi perguntando com menosprezo.

Ela abriu a boca e fechou-a logo em seguida completamente sem graça. Ela se levantou devagar e sentou-se no outro sofá da sala. Thea e Oliver, que estavam nos assistindo — presumo, eu —, se sentaram ao lado dela. Exceto Oliver, ele ficou de pé no lado direito do sofá. Thea afagava a mão de minha mãe a todo o momento, ela não parava. Minha mãe parecia gostar daquilo, pois ela olhou para Thea e sorriu brevemente — eu me pergunto como eles não conseguiam ficar com raiva dela; esconder um irmão deles durante dezesseis anos de suas vidas. Eu realmente não conseguia entender.

Houve silêncio por um breve momento.

— Então... — Oliver interrompeu o silêncio.

— Por que não nos conta quem realmente ele é, mãe? — perguntou Thea.

Ela me olhou de um jeito curioso, não parecia repulsa, parecia que estava começando a analisar a ideia de ter um irmão mais novo, mas, de repente, a expressão dela mudou e ela fechou a cara. Mas a sua expressão variava de uma a outra a todo o momento; Oliver continuava como um idiota: braços cruzados e com expressão de quem não dormia ha dias.

—Bom... — começou minha mãe. — ele é seu irmão mais novo, Theodor. Ele nasceu no ano seguinte de seu nascimento, Thea. — ela olhou para Thea e afagou a sua mão. Thea a olhou e parecia curiosa. Oliver se sentara no braço do sofá e parara de me olhar, estava prestando atenção no que minha mãe contava. — Ele nasceu em Austin, Texas. Eu e seu pai estávamos de viagem por alguns dias. Ele é o suposto filho que eu havia perdido. Lembram de que eu estava grávida? — ela fez uma pausa, perguntando, e os dois assentiram. — Eu e o pai de vocês estávamos muito bem naquele fim de semana em Austin, mas havia algo errado com a tentativa de seu pai tentar por uma afiliada da empresa em Austin. Ele teve que vir para cá imediatamente e eu estava sozinha naquela casa alugada.

“Eu havia começado a entrar em trabalho de parto quando o pai de vocês voltou para cá. Eu não tinha ninguém, não tinha como chamar ajuda. Apenas uma mulher passou na rua naquela tarde de setembro. A única que eu consegui ajuda para me ajudar a fazer o parto. Eu gritei por ela da janela do quarto e ela me viu. Eu havia gritado para ela entrar em casa e chamar a emergência, mas Theo já estava começando a nascer e então ela me ajudou a trazer ele ao mundo.

“Ela me ajudou a tirá-lo de mim com vida, mas eu não tinha condições para trazer ele de volta para casa. Seu pai havia me deixado em casa com dinheiro para ficar mais alguns dias. Eu não podia arriscar. Ou eu vinha sem meu filho, ou eu o deixava com aquela mulher para ela cuidar dele, e ela havia me dito que queria uma criança.”

Ela soluçou uma vez e olhou para mim, mas minha expressão continuou a mesma: séria.

— Quando eu dei o dinheiro que seu pai havia me deixado para ela e você junto, ela disse que iria direto ao hospital. Mas eu pedi seu nome e telefone para que eu pudesse manter contato. Ela me deu o número e fora ao hospital, ao menos foi o que ela me disse.

“Como eu disse, eu havia pedido para ela chamar ajuda e ela chamou. Ouvi a sirene da ambulância depois de um tempo que ela havia partido. Eu estava péssima. Cansada, sentia frio e quando os paramédicos chegaram ao quarto, me disseram que eu estava com hemorragia. Levaram-me direto ao hospital central de Austin. Eu procurei por você lá depois de ser atendida e medicada, e não o achei. Liguei para seu pai assim que eu tive alta e ele apareceu em Austin no dia seguinte.

— Eu sou texano? — perguntei sem entender, interrompendo-a.

— Sim... você é. De Austin, precisamente. Capital. — disse ela dando um sorriso sem graça e voltou a continuar a história: — Assim que ele chegou, tomamos providência. Eu pedi para ele ligar para a moça que havia me ajudado e ele ligou. Ela atendeu e disse que a criança estava segura com ela e que morava perto daqui. Eu e seu pai fomos atrás dela e de você, mas quando te vi, eu não conseguia olhar para você. Eu não sabia o que havia me dado, mas eu não conseguia olhar para você. Eu me sentia mal, me sentia com náuseas. E foi assim que seu pai e eu descobrimos que tive depressão pós-parto. O motivo de eu ter deixado você com ela foi esse.

Ela engoliu o choro e enxugou as lágrimas que escorriam por seus olhos.

— Seu pai ia todas as datas comemorativas vê-lo...

— Eu sei bem disso. — falei sério, interrompendo-a e ela ficou sem graça.

Ela engoliu seco e continuou:

— E eu pensei que depois de um tempo isso passaria. Seu pai e eu fomos lhe ver quando você tinha oito anos, e quando vi você feliz ao ver seu pai... eu não sabia o porque sentir náuseas de uma criança adorável e meiga como você era. Mas eu não conseguia, Eu ainda tinha repulsa de olhar para você. Ainda sentia... nojo de você.

“Desde esse dia, eu nunca mais fui lhe visitar. Seu pai achou que isso já era bobagem minha, coisas de minha cabeça. E disse que eu estava cega e enganada pela minha própria cabeça, e continuaria te vendo e te amando como se nada tivesse acontecido. Ele tinha um amor por você que eu queria ter. Sempre o invejei nessa parte por ele conseguir te amar e eu nunca conseguir amar a criança que saiu de dentro de mim. A criança em que eu deveria amar incondicionalmente. Mas eu não conseguia.

Ela enxugou outra lágrima.

— Eu não podia pegá-lo de volta porque havíamos contado a imprensa que você havia falecido durante o parto em Austin. Mas ver você aqui, diante de mim, eu me pergunto como eu posso amá-lo agora e não antes. Como eu não poderia amar uma criança tão bonita como você. O meu próprio filho. Como eu não poderia amá-lo? — ela pôs as mãos em seu rosto e começara a chorar.

Thea, um pouco emocionada, afagou os ombros de nossa mãe por um tempo e Oliver pegou em suas mãos, afagando-as também.

Era uma triste história, aquela que ela havia contado. Parecia todo o ódio que eu sentia por minha mãe havia se esvaziado, mas não por completo. Se ela realmente se sentia arrependida e queria remover esse sentimento de repulsa quando me olhava quando eu era mais novo, por que não me via mais vezes? Esse sentimento passaria alguma hora, não passaria? Pelo que eu sabia ter repulsa passava depois de um tempo e qualquer um poderia mudar de ideia, dependendo do consciente da pessoa, e minha mãe não parecia uma pessoa tola a esse ponto de não tentar. Mas, pelo o que eu acabara de ouvir, parecia que era.

Eu não expressei reação nenhuma quanto aquilo. Minha mãe tinha suas chances e jogara todas elas no lixo. Eu não sentiria pena dela só porque ela havia contado uma história sobre o meu nascimento. Isso não significava nada.

— Ele não pode ser seu filho. — disse alguém à entrada da sala. Olhei para lá imediatamente e avistei um homem moreno de terno azul, gravata azul-claro com pequenas bolinhas pretas, sapatos pretos, um relógio, que presumo ser, de ouro em seu pulso direito, juntamente com um anel de ouro em seu dedo. Ele não tinha cabelo, mas isso não tirava o seu charme e seu sotaque era bem forte. — Ele não pode ser um Queen, tampouco seu filho. Isso é uma calúnia, querida! — ele deu uns passos a frente e ficou parado diante de mim me olhando nos olhos.

Ele não me colocava medo e presumia que esse deveria ser o meu padrasto. Olhei para minha querida mãe — ela havia parado de chorar — e ela estava com os olhos vermelhos de tanto chorar, e com um lenço na mão. Ela não disse nada a respeito.

Ri daquilo e vi que meus irmãos não entenderam nada.

Abri a minha mochila que estava em meu colo e vasculhei a procura do exame de DNA que meu pai havia me deixado quando eu era criança, e o encontrei junto com o diário que meu pai me deixou — mas eu não cheguei a mostrar o diário e eu nem queria isso. Eu havia tirado uma xérox do exame — eu não era burro o suficiente para ter um exame só em minhas mãos — e joguei para ele.

— Eis aí a prova. — disse olhando-o nos olhos e com um sorriso no rosto. — Se duvida tanto, dê uma olhada nesse exame.

Ele pegou o papel no ar e ficou examinando-o. Ele o leu por algum tempo e arregalou os olhos ao final dele.

— Isso só pode ser mentira! É mentira! — dizia ele e eu só pude rir.

— Walter, não é. — afirmou minha mãe. — Ele é meu filho, só de olhar eu já sei. Ele não mudou nada desde criança, só está mais alto e forte. Ele é o meu filho. — disse minha mãe se pondo de pé.

Walter me olhou com certa raiva e eu não pude deixar de lhe lançar um sorriso de deboche.

Aquilo havia virado uma bagunça; minha mãe e Walter começaram a discutir sobre eu realmente ser filho dela com meu pai ou não. Minha mãe alterava a voz algumas vezes e Walter também, mas eu não ligava. Eu só queria ver o meu pai e mais nada.

Thea ficou analisando nossa mãe e Walter discutindo. De vez em quando ela olhava para mim, mas quando eu a olhava ela voltava a olhar minha mãe e Walter rapidamente; Oliver parecia mais perdido do que não sei o quê. Eu pensei se ele estaria imitando aquele lance de vampiros poderem parar de se mexer por quanto tempo quisesse do livro e filme Crepúsculo — ele não se mexia. Ele ficava mais focando o nada, do que fazia alguma coisa. A única coisa que provava que ele se mexia era a sua respiração. Mais nada.

Eu assistia aquilo de camarote; minha mãe pareceu não perceber a minha presença até que ela havia se desequilibrado e caído em cima de mim. Urrei de dor e a tirei de cima de mim, com cuidado, imediatamente. Coloquei-a ao meu lado e comecei a massagear as minhas costelas. As dores eram insuportáveis. Jason me pagaria por isso. E muito!

Oliver havia se mexido e pegou minha mãe pelo braço, delicadamente e a pôs de pé novamente; Thea havia se posto de pé e foi até a outra saída da sala. Ela voltou com um copo com água e, pelo que deu para enxergar, havia açúcar no fim do copo e entregou para a nossa mãe. Ela bebeu alguns goles, entregou o copo a Thea, e voltou a discutir com Walter.

Volta e meia, minha mãe olhava para mim de relance, acredito que era para ver se eu não escapava da casa, mas eu não iria fazer isso. Não até meu pai aparecer e eu poder falar com ele. Minha mãe notou depois que me olhou mais de quinze vezes — eu realmente contei —, que meus olhos se encheram de lágrimas quando eu joguei a cabeça para trás massageando as costelas e havia tirado o meus óculos, de tanta dor.

Passaram-se mais alguns minutos e minhas costelas ainda estavam doendo, mas minha mãe terminou de conversar com Walter e ele havia ido para a empresa — o que eu ache extremamente estranho, porque se meu pai estava por aqui, por que Walter havia ido para a empresa? Isso não tinha lógica —, e olhou para mim com cara de preocupação.

— O que há com suas costelas, querido? — ela sentou-se ao meu lado e tentou afagar meu ombro, mas eu me recolhi à tentativa de seu toque. Meus irmãos se sentaram no outro sofá e prestaram atenção em nós, mas minha mãe os interrompeu de nos assistir: — Thea, não era a hora de você estar na escola? — Thea havia aberto a boca para começar a argumentar, mas minha mãe interrompeu: — Sem “mas”, vá para a escola.

— Não é justo! — Thea se levantou do sofá em reprovação ao que nossa mãe havia falado. — Eu vou para a escola e Oliver fica aqui? — ela cruzou os braços.

— Sim. — disse minha mãe séria. — Vá e não se atrase, quando voltar, conversamos... eu disse para ir, Thea! — ela levantou o tom de voz quando Thea tentou se sentar no sofá novamente.

Thea levantou-se numa pressa e com expressão raivosa para minha mãe, e saiu da sala pela entrada em que entramos — só notei que ela estava de uniforme escolar quando ela passou pela minha frente me lançando um olhar curioso antes de realmente sair pela entrada; Oliver se sentou no lugar de Thea e, pelo meu campo de visão, dava para vê-lo melhor e me perguntei se ele podia me ver melhor, também.

— Você ainda não me disse o que há com suas costelas, quer...

— Já disse que não foi nada. — a interrompi secamente.

De início, ela pareceu chocada pelo meu tom de voz, mas depois ela fechou a cara para mim.

— Ah, não... com certeza não é nada. Oliver me ajude a tirar... a camisa... dele... ande... — disse ela lutando comigo e completamente irritada para tirar o meu casaco e minha blusa, mas o que ela tentou fazer só me trouxe mais dor.

Oliver veio até a mim e me prendeu com os braços numa velocidade que eu não entendi e de um modo que eu nunca havia aprendido antes. Tentei estudar aquela imobilização e ele me olhou. O encarei e nos olhamos olho a olho. Ele realmente tinha o mesmo tom de olho que eu tinha, tinha o mesmo tom de cabelo, cor de pele, formato do rosto...

Minha mãe, por eu estar imobilizado, conseguiu tirar meu casaco e minha blusa que eu havia por baixo, revelando os hematomas que eu havia nas costelas. Eram alguns roxos pequenos e grandes em algumas partes e uma enorme mancha verde perto do peito. Agradeci por não verem as cicatrizes que eu tinha no corpo. Revirei os olhos quando vi que Oliver e ela haviam arregalados os olhos para mim. Fiquei grato quando Oliver me soltou e pude sentar no sofá. Minha mãe se recostou em Oliver. Eles me olharam, mas minha mãe estava com uma mão em sua boca.

— Feliz? — perguntei revirando os olhos para os dois e pondo minhas blusas de volta.

— O-o qu-que houve com você? — perguntou Oliver ainda de olhos em mim. O olhei por um momento e ele parecia sério.

— E isso importa? — perguntei completamente irritado. — Onde está o meu pai? — perguntei pela a única pessoa que eu queria ver naquela casa e os olhei com os olhos serrados.

Eles dois arregalaram os olhos por um momento e se olharam logo em seguida, e depois voltaram a olhar para mim completamente sem jeito.