O Ninja De Branco.

7 Capítulo 7 — A Verdade.


— ENTÃO, ONDE ELE ESTÁ? — PERGUNTEI AINDA IRRITADO.

Minha mãe não sabia o que dizer. Oliver ficara com a boca aberta e não conseguia dizer nada. Por que será que era difícil de me dizer onde estava o meu pai? Não era difícil de achá-lo, era? Claro que não! Eu queria ver o meu pai e queria vê-lo agora!

Minha mãe se sentou no outro sofá com uma expressão de inquieta. Ela parecia estar procurando alguma coisa e a estudei por um momento, mas Oliver interrompeu minha concentração dizendo:

— Ele está morto.

Eu o olhei franzindo a testa sem entender aquela piada de mau gosto.

— Isso não tem graça, seu grandessíssimo idiota! Onde está o meu pai? Cadê ele? Onde ele está? — perguntei novamente e olhando para minha mãe e ela começara a chorar.

Aquilo não podia ser verdade. Não, não podia. Não e NÃO! Meu pai não estava morto, ele não podia estar. A razão de não poder tido tempo para me visitar era porque ele estava ocupado com algumas coisas em sua empresa, ele sempre dizia isso quando demorava a me ver nas datas comemorativas. Ele não havia morrido, ele devia estar na empresa. Só podia estar!

— Isso... é mentira. Ele não está morto. Não pode está. NÃO ESTÁ! — berrei olhando-os. Ambos estavam com a expressão triste. Minha mãe não parava de chorar e Oliver estava alisando seu braço.

Ele me olhou com a cara triste.

— Está. A verdade é essa. Ele morreu no naufrágio. Ele deu a vida para me salvar... ei, espera... aonde vai? Calma... — eu já havia corrido daquela sala e eu não conseguia ouvir mais nada.

Corri pela outra saída que havia na sala. Meus olhos já estavam cheios de lágrimas. Passei pela cozinha e vi alguns funcionários, eles pareceram assustados, mas eu não ligava para eles. Comecei a sentir dores em minhas costelas de tanto correr, mas eu preferia essa dor a sentir a dor de que eu havia perdido meu pai. Passei por mais um cômodo da casa que eu não reparei o que era, pois minha visão já estava embaçada por conta das lágrimas.

Mas eu continuei correndo até me deparar com uma porta de vidro que ligava a um jardim pequeno e bonito — ao menos era o que dava para enxergar; passei pela porta e adentrei no jardim imediatamente.

Continuei correndo pelo jardim e vi uma mesa com algumas cadeiras de ferro a minha frente e desviei delas por pouco. Avistei uma árvore grande e que dava uma grande sombra em boa parte do jardim, mas quando virei o pescoço para olhar até onde sua sombra estava projetando, foi quando eu vi dois memoriais sendo protegidos do sol pela sombra da grande árvore.

Andei até eles e, quando vi o nome do meu pai em uma delas, não consegui contar o grito que surgira em minha garganta.

A dor que eu senti em meu coração havia superado completamente a dor que eu sentia nas costelas, no rosto, de quando eu me cortava... de todas as dores que eu havia sentido em toda a minha vida. A dor de perder um ente querido nunca havia chegado para mim, mas com a notícia da morte de meu pai... essa dor eu não aguentava. Eu não conseguia suportar.

Meu pai estava morto e isso eu não podia negar e tampouco aceitar. Assim que me aproximei do memorial de meu pai, minhas lágrimas escorreram mais do que haviam sido escorridas por Jeremy. Meu pai era a única pessoa, fora Jeremy, com quem eu me preocupava, era o único que eu amava mesmo vendo poucas vezes em minha vida. Meu pai era um homem em que eu sempre iria sentir falta — claro que eu sentiria falta de Jeremy, mas a perda de meu pai... era como se meu coração estivesse sendo espremido por meus pulmões dentro de mim, o que me fez por a mão em meu peito e me ajoelhar diante de seu memorial.

Estiquei a mão para tocar em seu memorial.

Eu não sabia o que estava fazendo, mas minhas mãos alisavam o monumento de mármore com tal frequência que eu não compreendia. Eu não ligava para isso, tampouco. Meu pai estava em um memorial, seu corpo não estava presente e só era aquilo que chegava perto de ser ele. Era o único meio de vê-lo, de senti-lo, de conversar com ele.

— Ah, pai... — eu continuava a alisar o mármore. Eu sabia que meu pai não estava ali, mas eu alisava aquilo como se fosse seu rosto, como se ele estivesse ali. Mas, para mim, ele sempre estaria comigo, ele estava ali. — Perdoe-me se eu fiz algo que o senhor não tenha gostado, meu querido pai. Perdoe-me por eu não ser um exemplo que você queria que eu fosse. Perdoe-me por ser dessa forma. Perdoe-me por tudo que eu fiz a você, meu pai. — enxuguei meu nariz que estava escorrendo. — Vou sentir muito a sua falta. Sentirei falta de você quando bagunçava o meu cabelo quando me via em meus aniversários, de seus abraços. De quando você conversava comigo sobre meus irmãos, quando me dava broncas quando eu lhe mostrava o boletim com algumas notas vermelhas... — eu ri por um instante, mas fora substituído, completamente, por choro. — Sentirei falta de você dizer que me ama. Vou sentir muita saudade de sua voz, principalmente por eu não tê-la ouvido durante anos.

A visão de meu pai ter dito “eu te amo” para mim quando eu tinha oito anos veio em minha cabeça e me fez desabar sobre o mármore.

Eu só conseguia chorar, nada mais. Nada mais importava para mim, pois eu queria falar com meu pai, nem mesmo se um pedaço de mármore o representava. Eu não me importava se me chamasse de maluco ou coisa assim, se aquilo representava o meu pai, eu estaria falando com aquele mármore. Não importava se fosse outra coisa, o que importava ali era o mármore com a representação de meu pai, então eu me sentia grato de estar fazendo tais coisas.

As lembranças de meu pai bagunçando meu cabelo, me beijando ao rosto, me abraçando, conversando e até mesmo me dando bronca, vinham em minha cabeça. Eu sabia que não teria mais aquilo de novo, mas eu queria relembrar, ter o meu momento de luto — apesar desse naufrágio ter sido há cinco anos. Eu não sabia e eu queria ter o meu momento de luto e eu estava tendo. Não queria que ninguém me interrompesse. Nada era importante, senão aquele momento. O meu momento de luto.

— Eu te amo, pai. Sempre te amei e sempre irei te amar. Sempre te admirei e sempre irei te admirar. Mesmo com a sua morte, você sempre será o meu pai e nada mudará isso. Você sempre estará comigo em meu coração e em minhas lembranças. Tenha certeza disso, Sr. Queen. — ri entre o choro. Era assim como eu o chamava quando brincava com ele. Ele adorava isso. Sempre adorou. — Eu te amo, meu pai... meu papai — voltei a chorar sobre o memorial.

Meu pai havia morrido. Isso era fato. Eu tinha uma mãe que não se importou comigo presente em minha vida; um irmão mais velho completamente idiota e metido a riquinho; e tinha uma irmã que parecia ser igual a mim. Parecia que Thea tinha alguma conexão comigo, era como se ela não fosse tão ruim quanto a minha mãe e nem idiota como Oliver era. Eu não podia odiar Thea, ela lembrava o meu pai, porém numa versão bem feminina e jovem.

Eu fiquei jogado na grama. Eu não tinha para onde ir. A razão para que eu vira até aqui havia morrido. O que mais eu podia fazer? O que mais eu faria em minha vida sem meu pai? O que eu faria sem o homem que me dera razão para fugir dos Parkers? O que faria se o homem que me fez acreditar que um dia estaria, finalmente, com ele e minha família havia morrido?

Essa sensação era horrível. Parecia que eu estava sem chão, sem ter direção em minha vida. Sem um propósito para viver. A dor em meu peito doeu mais em pensar em todas essas coisas. Eu não sei se aguentaria viver sem meu pai. Ele era tudo para mim. Chorei novamente.

Eu sabia que estava chorando demais por um dia e aquilo me deixava horrível — uma das maneiras que eu não deixava Jeremy me ver chorando e verdade —, sabia que aquele choro meu pai, no lugar que ele estivesse, veria o meu luto por ele. Veria que eu vira atrás dele e de mais ninguém.

Os meus cinco minutos de luto foram interrompidos por uma mão que havia tocado em meu ombro.

— Finalmente... achei... você... — disse Oliver ofegante. Eu o olhei, mas não disse nada, voltei a olhar para o memorial de meu pai. Aquilo me importava e não Oliver. — Puxa, você corre demais. Onde aprendeu a correr tanto assim? — perguntou ele, mas eu não respondi, continuei parado e olhando o memorial.

Senti o cheiro de comida no ar e não reparei que estava com fome até minha barriga roncar alto, a ponto de Oliver ouvir e rir.

— Venha, vamos comer... você deve realmente estar com fome. — ele falou e me puxou ao mesmo tempo, mas eu não saí de onde estava.

Estar perto de meu pai era mais importante do que qualquer refeição boba. Qualquer refeição que fosse (mesmo eu sabendo que era o almoço), não me interessava. Eu não queria sair de perto de meu pai de maneira alguma. Nada era mais importante do que estar com meu pai. Nada. Simplesmente nada.

Eu ainda estava processando a morte de meu pai. Era difícil saber que você viaja quilômetros para ver alguém que você ame e quando chega, receba a notícia que ela está morta. Isso era difícil de aceitar, mais precisamente quando a pessoa que havia morrido era de seu sangue, seu pai.

— Theo, meu filho, venha comer... — ouvi a voz de minha mãe, mas eu também não me mexi. Eu não queria vê-la, ela poderia ter me contado sobre a morte de seu parido, cujo pai, era meu.

Senti uma sensação de raiva e ódio por ela. Ela poderia ter me poupado de vir aqui, poderia ter me poupado de muitas coisas com um telefonema. Poderia ter me poupado de ter terminado com Jeremy, Tudo isso era culpa dela.

Virei-me para encará-la de cara feia, com raiva. E foi a primeira vez que eu havia me mexido por um grande momento, porque meus músculos se estralaram. Me pus de pé e comecei a avançar para ela.

— Você... — dei um passo em sua direção. — você poderia ter me poupado de ter vido aqui. Você poderia ter me dado um telefonema, uma visita. Sabe o que eu deixei para trás para vir até aqui para falar com o meu pai e ele está morto? Sabe o que eu deixei? Hein, mãezinha? Sabe? — dei outro passo em sua direção completamente furioso e levantei uma mão para empurrá-la, mas Oliver fora mais rápido.

Ele havia segurado a minha mão levantada com uma só mão e rapidamente, mas eu não deixaria isso dessa maneira. Eu peguei sua mão com a outra mão livre e a tirei de mim, me agachei e dei uma rasteira nele com a mesma velocidade que ele havia pegado minha mão, e ele caíra no chão.

— Não se mete em meu caminho. — rosnei para ele e ele se levantou em um pulo e ficou em posição de ataque.

Não deixei barato e também fiquei em posição de ataque. Encaramo-nos por um momento. Minha mãe havia se sentado na cadeira de ferro da mesa que havia no jardim com a expressão de quem passava mal e uma empregada lhe trouxe água com açúcar, mas eu não me importei com isso. Oliver era o meu alvo agora, mais ninguém.

Ele veio para me dar um soco e desviei com alta velocidade. Peguei seu braço no ar e o girei para jogá-lo no chão, mas ele me travou e me prendera em uma chave de braço, me pondo de costas para ele.

Senti seu queixo bater em minha cabeça. Isso era um bom sinal.

— Eu só quero conversar...

— Dane-se a sua conversa. — dei uma cabeçada em seu queixo e aquilo o fez ir para trás. Aproveitei para dar dois socos em sua barriga e em seu rosto, fazendo-o cair.

Mas ele tinha feito uma manobra e se levantou num salto. Passou a mão em seus lábios e ele limpou o sangue que ali se formava. Não pude deixar de lhe dar um risinho.

Ele veio para cima de mim como um urso, mas eu tinha as habilidades de um leão. Ele veio com tudo para cima de mim: com o punho fechado e preparou o soco, eu desviei de um, mas não vi o segundo e esse havia acertado direto o meu rosto — onde já estava roxo por causa de Jason. Aquilo me fez ficar tonto por um momento e não vi o seu chute em minhas costelas. Urrei de dor novamente.

— PAREM JÁ, VOCÊS DOIS! — berrara a nossa mãe, mas nenhum de nós prestou atenção nela.

Recompus-me e o vi sério, eu também estava. Encaramo-nos novamente.

Nós dois fomos um para cima do outro. Ele veio para dar um soco em meu estômago, mas eu me joguei no chão antes e dei uma rasteira e, assim que ele caiu, chutei suas costelas com o dobro de força que ele havia me dado. Levantei-me e o olhei no chão. Ele começara a se levantar devagar... dei outro chute e ele caiu ao chão novamente. Ele tentou se levantar novamente, mas eu peguei em seu rosto e dei dois socos em sua face. Ele caiu ao chão novamente e cuspira sangue dessa vez.

Aquilo me fez sentir minhas mãos tremerem de raiva. Eu queria descontar a minha raiva de minha mãe em alguém e Oliver não era capaz de me enfrentar? Patético.

Ele se levantara e preparei o chute e soco, caso ele viesse de surpresa...

— Chega! — disse ele ofegante e eu tomei consciência do que eu havia feito.

Olhei ao nosso redor e vi minha mãe sendo socorrida pelos empregados, pois ela parecia estar desmaiada; Oliver havia se levantado e havia uma linha de sangue percorrendo sua sobrancelha e outra em um de seus lábios; minhas mãos haviam parado de tremer, mas voltaram logo em seguida, mas não de raiva, mas por outra razão da qual eu não sabia o porquê da tremedeira.

— Olha... eu não sei o que meu pai tinha com você...

— Ele era meu pai, também. — o interrompi sério.

Ele assentiu ainda ofegante.

— Tudo bem... o que quer que nosso pai tinha com você — ele se corrigiu me olhando —, ele não iria querer que você ficasse com raiva de nossa mãe. Ela não tem culpa de nada. Ela é tão inocente nessa história quanto você. — ele se pôs de pé e se recompôs. — Tente perdoá-la, ou ao menos dê a ela uma chance de se perdoar. Assim como eu peço a mim e a Thea que...

— Thea não tem nada a ver com essa história. Ela não tem o que se desculpar. Ela não me fez nada. — falei seriamente.

— Tudo bem. — disse ele e se aproximou de nossa mãe. Ele disse algo para ela e para os empregados e eles saíram do jardim. Oliver veio até a mim e ficara diante de mim, apenas um passo nos distanciava. — Olhe, nos dê uma chance. Eu não vou brigar com você ou lutar com você. Serei o mesmo que sou com a Thea e ela será com você a mesma coisa que é comigo. Só nos dê uma chance? — pedira ele e me olhara com a cara séria e ao mesmo tempo de quem realmente pedira uma chance.

Ele parecia se responsabilizar por essa chance. Mas ele era Oliver Queen, ele nunca falaria sério. Ele estendera a mão para eu poder apertá-la.

— Irmãos? — perguntou ele, ainda com a mão estendida. Ri daquilo e dei de ombros.

Olhei para ele com expressão séria e com um pouco de desconfiança. Ele não poderia realmente estar falando sério, mas valeria a pena tentar isso, afinal.

— Irmãos. — apertei sua mão e ele riu.

— Ótimo! — disse ele e me puxando, com cuidado, para entrarmos em sua casa. — Agora você tem de me dizer onde aprendeu aqueles movimentos. — ele riu brincalhão.

— Isso você jamais irá saber. — ri com ele.

Adentramos na casa, mas ao dar o segundo passo algo me prendeu.

Uma dor absurda cravou em minhas costelas. Era como se Oliver e Jason tivessem as chutado novamente, porém com mais força. Aquilo me fez cuspir muito sangue ao chão e por minhas mãos em minhas costelas. A dor era muito grande que me fez cair ao chão.

— Alguém... ajuda! — ouvi Oliver chamar por ajuda. — Theo, aguenta... alguém já está vindo... — disse ele e gritou novamente: — Alguém! AJUDA!

Seus gritos não me incomodavam, apesar de serem bem altos. Sua tentativa inútil de gritar por ajuda dentro de casa e tendo um celular no bolso era ridícula e me fez rir por um breve momento.

Senti minhas mãos ficarem geladas e mais sangue vir por minha garganta e me virei para o lado oposto de Oliver e cuspi o sangue de minha boca no chão novamente, misturando-se com o antigo sangue no chão e formando uma grande poça de sangue no chão.

Minha vista começara a ficar escura e tentei procurar voz para falar com ele, mas eu não consegui. Eu havia desmaiado antes que eu pudesse ter dito alguma coisa.