O Ninja De Branco.
5 Capítulo 5 — O Reencontro.
MEU PAI ESTAVA À PORTA. EM FRENTE A UMA PORTA BRANCA E MUITO BEM CONTRUÍDA. Seus detalhes eram divinos, havia alguns traçados redondos e outros mais divinos que eu não conseguia decifrar. Eu não pude deixar de sorrir e abri meus braços para ele. Aquele era o dia mais feliz da minha vida. Reencontrar meu pai significava muito para mim. Significava o fim de uma visa miserável e desprezível com os Parkers. E o começo de uma vida de verdade.
A minha volta era tudo verde. Um bosque, talvez? Havia flores, capim, moitas, árvores, folhas ao vento...
Eu estava com a mesma roupa que eu havia saído da casa dos Parkers — e provavelmente no mesmo estado que eu havia saído de lá. Ou seja, com hematoma no rosto, costelas quebradas. Mas eu agradeci por eu ter tido aulas de esgrima, luta e defesa corporal — meu pai havia deixado às aulas pagas até eu finalizá-las, mas eu nunca cheguei a praticar um torneio oficial de esgrima antes, só as de luta e defesa corporal. Tá legal... há um tempo atrás, houve um torneio clandestino de esgrima e de luta e defesa corporal que eu havia participado... eu ganhei — após ter ficado completamente ferido e coberto de cicatrizes no corpo por conta das brigas. Mas ninguém sabia disso além de Jeremy.
Meu pai estava com uma blusa azul polo, com uma calça social branca, sapatos sociais em seus pés e ele tinha um suéter amarelo pendurado com as mangas em forma de X em seu peito. Ele estava com as mãos nos bolsos e me olhando curiosamente.
— Pai? — meus olhos começaram a lacrimejar quando corri até ele e lhe dei um abraço, mas ele não retribuiu. Parei o abraço e fiquei olhando-o.
Meu pai não me disse nada, mas quando me viu ele sorriu e me abraçou logo em seguida. Senti aquele abraço me encheu de esperança. Eu sabia que eu teria meu pai para tudo o que eu precisasse e ele me ajudaria em tudo o que pedisse. Eu sabia disso porque ele havia me contado da última vez que me vera.
De repente, senti suas mãos me afastando dele.
Aquilo me fez entrar em desespero. Meu coração não suportaria a ideia de eu ter viajado, abandonado Jeremy para chegar até ali e ele não me querer. Agora eu havia começado a chorar.
Meu pai me olhou por um breve momento e pude jurar que vi seus olhos encherem d’água. Ele inspirou fundo e soltara o ar devagar. Uma lágrima saiu de seu olho direito e ele me dera às costas e começara a andar para do outro lado da porta.
— Pai! — berrei, mas parecia que minha voz não saia som. Pus a mão em meu pescoço de incredulidade. — Pai...! — tentei berrar outra vez e nada. Meu pai adentrou a porta e sumira de minha vista, me deixando completamente sozinho...
Eu não acreditava naquilo. Meu próprio pai me abandonara sozinho. Sem ao menos quis dizer o porquê que ele havia feito àquilo comigo. Eu não sabia o que fazer a não ser chorar. Ajoelhei-me ao chão e comecei a chorar. A dor no coração que aquilo me causara foi intensa. Nem sei se a cena de Jeremy chorando conseguia superar aquela. Eu pensava que ele me amava e eu sabia que sim. Não aceitava essa resposta. Não dessa maneira.
Então engoli o choro por um breve momento e a raiva tomou conta de mim. Só conseguia sentir raiva de meu pai naquele momento e me levantei. Olhei em direção a porta, ela estava aberta, então eu tinha uma chance de ir atrás dele e saber a causa daquele abandono. Se ele nunca me abandonou, eu não o abandonaria.
Respirei fundo e andei em direção a porta aperta, mas a cada passo que eu dava, ela começara a se fechar. Mais um passo, mais um pouco aberta...
Corri.
Consegui correr, mas parecia que eu não saia do lugar. A porta continuava a se fechar e a agonia de não conseguir sair do mesmo lugar aera grande, pois eu sabia que eu estava correndo e muito. Era impossível eu ainda estar no mesmo lugar. Impossível.
Mas eu saltei para frente e consegui chegar mais perto. Saltei outra veze e a mesma coisa. Mais um salto que eu desse, e eu chegaria mais perto da porta — e ela não estava completamente fechada.
O último salto que eu dera, consegui pegar na maçaneta da porta e adentrar descobrindo...
— Querido? — senti chacoalharem meu corpo. — Querido, acorde! Se você não acordar, vai voltar para Jackson City... acorde! — aquela voz feminina não era de meu pai. Meu pai havia uma voz grossa e masculina.
Abri meus olhos cautelosamente e vi uma senhora que aparentava ter 60 anos. Ela sorriu quando vira meus olhos se abrirem.
— Está tudo bem com você, querido? Parece que está seriamente ferido... — ela apontou para o meu rosto.
Droga!, pensei. Peguei rapidamente meus óculos dentro de minha mochila e levantei o capuz de minha blusa.
— Não... não foi nada, senhora. Só um pequeno acidente tentando manobrar com minha bicicleta. — sorri para ela. — Muito obrigado por me acordar, senhora. Agradeço muito. — realmente agradecia. Se não fosse por aquela alma bondosa, eu estaria de volta para a casa dos Parkers. Não queria nem pensar nisso, me causou repulsa.
Ela sorriu gentilmente para mim e disse:
— Não há de quê, meu jovem. Agora é melhor sair do trem antes que ele dê partida.
— Farei isso agora mesmo! — sorri simpaticamente para ela. Peguei minha mochila e a pus nas costas. Aproveitei e peguei a mala também e a seguirei firme em minha mão. Logo, logo eu estaria com meu pai e eu não conseguia esconder a felicidade. — Obrigado, senhora. — disse sorrindo.
— De nada, meu bem. — disse ela sorrindo e saindo do trem.
Saí logo em seguida.
Pisei com o pé direito no chão de Starling City. Eu não queria fazer feito. Agradeci muito por meu sonho ser apenas um sonho. Eu não sei se aguentaria se aquilo fosse verdade. Seria devastador e de matar para mim.
Fui ao banheiro, onde fiz minhas necessidades higiênicas: limpei meu rosto, escovei os dentes, usei o banheiro e tentei apagar a linda de sangue que estava de minha sobrancelha até meu queixo — me perguntei como Jeremy não havia reparado naquilo, era notável demais para ele não notar e ele reparava em tudo.
Após sair do banheiro, comprei algum sanduíche para enganar o estômago um pouco, com um copo de suco. Aquilo, pelo menos, me manteria sem fome até a hora do almoço.
Olhei para o relógio de meu celular e marcava exatamente dez da manhã. Eu ainda tinha um pouco de tempo antes de ir para a casa do meu pai, mas eu não podia hesitar. Eu tinha que ir de uma vez. Quanto cedo, melhor.
Saí da estação de trem e me deparei com uma pequena pracinha que havia ali. Era linda. Perfeitamente arrumada e sem nenhum resíduo de lixo ao chão. Havia uma barraquinha de pipoca, outra de cachorro-quente e até mesmo uma de algodão doce. Starling City realmente deve ser uma cidade em tanto., pensei. Consegui avistar uma banca de jornal e fui até ela. As manchetes sempre me manteriam informado. Principalmente se fosse sobre minha família verdadeira.
Assim que cheguei à banca, o primeiro jornal mostrava que meu suposto irmão havia saído da cadeia. Alguma advogada chamada Laurel conseguira fazer com que ele pagasse a pena em liberdade. O acusador era seu pai, o policial ou detetive da cidade. Eu não me importei com essa informação. Eu queria saber como fazia para chegar à casa do meu pai, mais nada.
Saindo da pequena praça, avistei uns táxis estacionados ali perto. Aproximei-me do primeiro táxi vago e adentrei no banco traseiro.
O motorista chegou e saudou-me. Disse que queria ir à mansão dos Queen e ele me olhou feio pelo retrovisor. Claro que todos os taxistas saberiam onde ficava a mansão de meu pai. Ele era conhecido na cidade e provavelmente um dos mais conhecidos aqui.
A nossa ida até a mansão demorara um pouco, mas eu não me importei muito com aquilo. O taxista fizera com que a viajem fosse perfeitamente aproveitável. Vi alguns pontos curiosos da cidade. Ele me dizia que a minha esquerda ficava a biblioteca municipal, a minha direita o parque da cidade, a minha esquerda ficava um dos melhores hotéis da cidade — o primeiro em que passamos realmente parecia ser o melhor hotel da cidade —, a minha direita ficava o melhor restaurante da cidade... ele parecia mais um guia turístico, não um taxista. Perguntei-me como ele sabia que eu era novo na cidade. Por causa da minha mala e mochila, talvez? Quem sabe?
Depois de termos passado por vários pontos bonitos e curiosos de Starling City, ele estacionou seu táxi em frente a um portão de ferro magnífico. Totalmente perfeito. Os detalhes em preto e dourado do portão era uma coisa indiscutível. Minha mãe tem gosto para essas coisas, tenho que admitir., pensei.
Saí do táxi e paguei a corrida, apesar de eu achar um tremendo absurdo ele cobrar mais do que eu acharia necessário — agradeci a Jeremy mentalmente por ele ter me dado esse dinheiro. Eu realmente precisaria dele e precisei.
Primeiramente, eu fiquei observando o portão, ele realmente era magnífico. Segundo, me aproximei mais dele e pude ver uma pequena campainha ali. Não hesitei e toquei. Esperei que me atendesse rapidamente, mas me enganei. Demoraram. Não demoraram muito, mas não fiquei contente em esperar.
O nervosismo tomou conta de mim. O que eu iria dizer? Que era filho do casal Queen e que deveriam me deixar entrar? Eu tinha a prova comigo. Mas isso não me parecia esperto. Eu tinha que vê-los para dar esse anúncio. Tinha que ser cara a cara, não por seguranças ou coisa do tipo.
Pude ver a casa dali e ela parecia bem maior do que a tevê apresentava-a. O jardim era imenso e o caminho para chegar até a casa era tão imenso quanto o jardim de entrada. Fico imaginado o que a minha querida mãezinha poderia fazer com o jardim dos fundos. Balancei em negativa a esse pensamento.
Vinha alguém de lá de perto da casa e eu fiquei mais nervoso. Eu não tinha o que falar e aquilo me preocupara. Um pouco, mas preocupou. Senti o friozinho na barriga me incomodar cada vez mais que a figura começava a aumentar em meu campo de visão. Ajeite o meu capuz em minha cabeça e meus óculos em meu rosto para que quem chegasse não visse o estrago que eu estava.
Depois de um minuto o segurança aparecera completamente em meu campo de visão. Um rapaz de pele morena, cabelos pretos e de terno preto e gravata. Senti pena por ele, pois ele parecia que estava com sono, pois ele vinha com os olhos totalmente cansados e vermelhos — provavelmente ele estava tirando um cochilo. Não o culpo pela demora, se for assim.
Ele chegou ao portão e pôs suas mãos nele.
— Em que posso ser útil? — perguntou ele, numa tamanha educação.
— Eu sou Theo, amigo da Thea. Eu vim fazer uma surpresa para ela. — falei e tentei soar mais confiante do que eu já estava. Realmente o improviso era meu amigo. — Só não conte a ela. Eu quero fazer uma surpresa. Sabe como é... ela não me vê faz tempos. — ri para soar mais confiante do que antes.
Ele me analisara de cima a baixo e aquilo fez o frio em minha barriga voltar. Mas eu sei que ele acreditara em mim, pois ele não disse nada de início e ele estava cansado. Provavelmente não queria fazer mais perguntas, ele queria ir dormir.
— Sim, entre... — ele abriu o portão. — Mas, se minha patroa vier reclamar comigo, eu digo que foi total e completamente sua culpa, garoto. O.K?
Soltei o ar aliviado e o frio em minha barriga havia desaparecido. Daqui por diante, eu só faria o que sempre planejei fazer: dar um abraço bem forte em meu pai. Desta vez, eu estava visitando-o e não ele a mim.
— Sem problemas, cara. Valeu, aí! — levantei o polegar para ele.
— Tá, tá, anda logo que eu tenho que fechar esse portão... — disse ele praticamente me pegando pelo braço e me passando para o lado de dentro da imensa residência dos Queen.
Caminhei por aquele jardim... o meu jardim. Aquilo tudo também me pertencia. Não que eu me gabasse por ter aquilo tudo, mas eu achava que merecia algo parecido por todos esses anos vivendo em anonimato no mundo. Até então, todos me conheciam como Theodor J. Parker, não Theodor J. Queen.
Eu já estava perto da porta de entrada da casa. E eu não acreditava que só o que me separava de meu pai, agora, era apenas alguns metros. Para mim, aquilo não parecia real, parecia mentira. Eu tinha que me lembrar para pedir a meu pai para me beliscar depois para ver se isso realmente não era um sonho.
Cheguei.
A porta estava diante a mim. De madeira com vidro ao seu meio. Minha mãe realmente tinha gosto para esse lance de arquitetura.
Mas o que eu faria? Bateria na porta ou tocava o interruptor da campainha? Se eu tocasse, seria bastante alto? Meu pai que abriria a porta? Seria a Thea? Ou seria a minha desprezível mãe? Ou, quem sabe, o meu padrasto? O que me fez pensar: se minha mãe estava com um padrasto, então significava que ele e minha mãe haviam se separado e meu pai não estaria ali?, pensei. Bufei. É claro que meu pai estava ali, afinal, a casa era dele, não era? Ri com esse pensamento ridículo e toquei a campainha.
De início não ouvi nada, mas depois comecei a ouvir passos do lado de dentro. O frio em minha barriga havia voltado e com mais intensidade do que antes. Dessa vez era diferente, era mais forte, mais nauseante, mais... incontrolável.
A maçaneta virou e a porta se abriu, revelando meu irmão mais velho, Oliver. Ele estava com uma blusa social cinza, calça jeans e um sapato. Reparei que ele tinha um treco esquisito e mecânico na perna. Estranho.
As semelhanças que ele tinha com meu pai eram indiscutíveis. Eles se pareciam tanto, que se colocassem meu pai e ele juntos, poderia dizer que ambos eram irmãos. Ele me olhou por um breve momento. Ele uniu as sobrancelhas franzindo-as e depois relaxou a sua expressão.
Ele parecia um idiota.
— Em que posso ajudar? — perguntou ele pondo os lábios para dentro de sua boca e levantando as sobrancelhas para mim.
Definitivamente ele era um idiota.
— Olá, irmão. — falei sério e dei um sorriso torto com certa malícia.
Ele levantou uma sobrancelha e ficara uma estátua.
Ouvi mais passos descendo as escadas e cada vez mais se aproximando.
— Oliver, você viu o meu... quem é esse? — perguntou ela também franzindo a testa, mas continuou me olhando.
Oliver não disse nada, ele continuava uma estátua, não se movia. Parecia que esse choque realmente o pegara de surpresa.
Thea ficara ao lado do irmão o tempo todo, provavelmente tentando receber uma resposta de mim, já que Oliver não disse nada, ainda.
— Olá, irmã. — também havia dito sério e com um sorriso torto com certa malícia, e ela também ficara em choque.
Thea estava do outro lado da porta. Ela se encostou do lado direito e Oliver continuava parado que nem uma estátua de mármore à esquerda.
— O-o quê? C-como...? — ela parou de falar enquanto eu ri balançando a cabeça em negativa. Não era de se esperar que meu pai não houvesse dito nada de mim para eles. Não era a toa que eu era mantido longe deles.
Mais passos invadiram a minha audição e, pelo que dava para reparar, era saltos e lá vinha a minha querida mãe. Eu não sabia como conversar ou olhar em seu rosto. Não sei se eu teria coragem o suficiente para falar com ela ou para voar em seu pescoço por me abandonar na casa de estranhos que só me maltratavam ao invés de me dar amor materno. E dizem que amor materno é o amor inexplicável. Eu duvidava disso.
De repente, ela entrou em meu campo de visão, ela era linda. Igualmente de como eu me lembrava dela. Ela não havia mudado. Cabelos louros até a altura de seus ombros, pele branca, não tão alta — provavelmente deveria ter a mesma altura de Thea e Thea não era baixa e nem tão alta. Ela estava vestindo um vestido azul-escuro, um tom que chegava quase a ser preto, muito lindo, com sapatos altos pretos. Usava brincos pequenos de bolinhas em suas orelhas e alguns anéis em seus dedos, mas não eram muito vistos, pois ela estava carregando um vaso de flores em suas mãos.
Ela me olhara fixamente nos olhos e deixara o vaso que estava em sua mão cair, fazendo Oliver finalmente se mover para vê-la, juntamente com Thea. Ela levou a mão a sua boca e a outra em sua barriga, alisando-a. Provavelmente se lembrara de que eu havia saído de dentro dela, de dentro daquela barriga.
O encontro com meus irmãos fora totalmente um choque, não só para eles, mas para mim também. Mas o reencontro que tive com minha mãe fora mais forte. Eu não queria ver seu rosto de início, eu tinha repulsa. Eu não aceitava de que ela, a mulher que nunca me procurou, de que nunca havia vindo falar comigo de maneira alguma tivesse o meu sangue; aliás, de que eu tinha o seu sangue.
— Ai, meu Deus... — disse ela e minha cara se fechou imediatamente.
— Olá, mamãe. — falei secamente para ela e numa expressão totalmente raivosa.
Ela se jogou no chão e começara a chorar. Só pude cruzar os braços e assistir o seu teatrinho com a maior repulsa que eu tinha.
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