O Ninja De Branco.

23 Capítulo 23 — Sacrifício.


Notas iniciais
Site não deixando por travessões. Perdoem :

AS SEMANAS SEGUINTES FORAM UM TURBILHÃO TREMENDO.

Primeiro de tudo, eu tinha voltado a usar meus óculos e Walter tinha terminado com minha mãe, se divorciado com ela. Ele era um tremendo idiota. O Vigilante e eu tínhamos acabado de salvar a vida dele ― ou quase isso ― e ele termina com Moira? Eu não queria que ele abandonasse minha mãe daquela maneira. Mesmo eu odiando o cara desde o primeiro dia em que tinha o visto, ele não tinha compaixão? Que seja! Para mim, que ele morra, eu não ligava. Antes minha mãe só do que má acompanhada, certo? Mas o ruim foi saber daquela notícia em pleno hospital e não poder fazer nada para a minha mãe ― eu já não tinha a mesma repulsa que eu tinha dela antes. Ter, ainda tinha. Mas não como antes.

As visitas que eu recebi no hospital haviam sido tremendamente estranhas. Thea quase não vinha me visitar, pois ela estava muito ocupada com alguém chamado Roy ― seu suposto namorado. Eu não a culpava. Eu sei como é se sentir preso com um namorado. Eu tive Jeremy e sabia o quanto nós queríamos ficar bastante ocupados vendo filmes, saindo e namorando; Moira vinha me visitar duas vezes no dia, de manhã e a tarde. Ela se sentia um pouco sozinha sem Walter e Thea por perto, mas eu também não a culpava. Ela deveria se sentir totalmente perdida sem alguém naquela enorme casa que mais parecia um castelo. Eu sentia pena dela; Oliver veio me visitar algumas vezes, mas eu não fiz muita questão das visitas do grande bobalhão-riquinho-metido-a-besta do Oliver Queen. Ele vinha me ver para saber como eu estava e me queria de volta trabalhando na Verdant, em sua boate. Como eu disse, por que dar atenção à suas visitas? Eram totalmente desnecessárias. Mas, apesar de tudo, ele era o meu irmão e realmente queria se aproximar de mim ― ao menos foi o que deu para reparar em seu tom de voz quando ele havia conversado comigo em uma das vezes que tinha vido me visitar ―, então eu disse que pensaria no assunto; Ernie me visitava todos os dias, me mantendo informado de tudo. Ele disse que eu tinha que me focar em Malcolm. Ele era o atual responsável pelo sequestro de Walter e tinha que por um fim naquilo, sem contar que ele tinha descoberto coisas de meus... ahn, digamos, sogro, que me fariam ficar de queixo caído. Porém, ele não me disse tudo assim. Ele guardou aquela parte sombria de Malcolm para me contar depois e com certeza eu iria querer saber, então minha recuperação tinha que ser rápida; Tommy sempre vinha me visitar à noite. Sempre. Ele sempre vinha com alguma comida bem melhor do que a do hospital, sempre me contava como seu dia havia sido exaustivo e que se sentia bem melhor quando vinha me ver no hospital. A última parte sempre me fazia rir e me sentir especial. Era bom ter Tommy para me distrair daquele drama e ação que era a minha vida. Com ele, parecia que nada daquilo existia. Somente eu e ele. Nada mais e nada menos. Somente nós dois.

Contudo, eu saí do hospital duas semanas depois que minha mãe tinha se divorciado de Walter. Eu não estava totalmente completo, mas conseguiria chutar o traseiro de Walter por ter deixado minha mãe sem esforço nenhum. Eu me sentia bem, porém ainda tinha que me submeter a repouso. Era totalmente agonizante receber essa ordem: repouso. Mas eu não repousava direito.

Enquanto todos pensavam que eu repousava em meu quarto, eu sempre conseguia escapar, sem que o povo da mansão Queen me visse, para ir ao meu QG com Ernie. Eu ainda estava com curativos, com pontos, ataduras enroladas em meu corpo, em meu braço e em minha perna, mas eu nem ligava. De uma maneira ou de outra, eu não ficaria tanto tempo parado, mesmo se eu quase morresse outra vez. Todas as vezes que eu chegava, ele me mantinha mais informado de tudo. Sua monitoração em Malcolm, em como ele estava ligado ao sequestro de Walter... tudo. Mas o que mais me intrigou, foi quando o baixinho disse que aquilo ligava a minha mãe.

Por mais que eu quisesse que Moira ficasse fora daquilo, eu tive que me submeter à por uma escuta e um mini GPS em quase todas as suas roupas quando ela saia de casa. Fazendo aquilo, Ernie conseguiria ouvi-la, saber onde ela estava e muitas outras coisas. Por mais que aquele garoto fosse baixo, ele era totalmente grande em sua cabeça. Um verdadeiro gênio.

Contudo, se passou uma longa semana depois que cheguei em casa e eu estava quase completo de minha recuperação. Fora a parte em que eu ainda precisava tomar medicamentos e ficar de repouso, eu estava quase completo. Essa semana foi um pouco melhor, porque eu, já e infelizmente de lentes, consegui fazer algumas visitas apenas três. Mas eu consegui deter um ladrão dos fundos de uma empresa que estava começando, fazendo com que ele devolvesse o dinheiro. Outra vez era um chefão de uma gangue que queria dominar as gangues do Glades. Eu tive que matá-lo, mas eu não me importei com esse fato. A terceira vez que saí, consegui deter, matando-o também, um advogado que queria sexo em troca de dinheiro com seus clientes. Fossem eles homens ou mulheres. Nojento. Por isso, o matei.

Ernie não gostava dessa atitude de matar. Ele dizia que era totalmente desnecessário, porque eles, apesar de tudo, eram seres humanos e mereciam viver. Mas quem disse que alguém que praticamente fazia uma pessoa de escravo sexual, chefão de gangue que mata pessoas inocentes para dominar um bairro, e um ladrão que roubava fundos de uma empresa em iniciativa eram considerados humanos? Para mim, eles não eram. Então a morte era a melhor opção.

Eu tive que contar a ele que comecei a matar quando eu vi que realmente tinha... necessidade. Isso foi em quatorze anos.

Era a última luta do torneiro de luta livre em que eu estava após as vinte e quatro que aconteceram. Eu estava totalmente exausto, pois havia lutado doze vezes para consegui chegar a final com James. James Worthnore (mas era conhecido como Fox porque ele era tão traiçoeiro quanto uma raposa) contra Theodor Parker (mas conhecido como Trovão porque eu era o mais rápido de toda a competição) não me pergunte o porquê e na época, eu tinha o sobrenome daquela família nojenta.

Quando a luta começou, Fox tinha partido para cima de mim como um louco com o seu sabre, mas eu consegui desviar e lhe dar um soco na boca do estômago e lhe dado um bom chute nas costas. Ele odiou aquilo.

Em um vacilo meu, ele havia conseguido me acertar com o sabre, cortando um pedaço da minha pele no bíceps direito e cortando meu antebraço esquerdo. Aquilo tirou uma boa parcela de meu sangue, mas eu consegui rebater. Eu havia aproximado dele como um borrão eu já tinha algum tempo de treinamento com Tashikiro-Sensei para me movimentar daquela maneira , lhe dado um murro na cara, quebrado seu braço esquerdo e lhe dado um bom chute na boca do estômago, que o fez vomitar sangue.

Fox não deixou barato. Ele, ainda com as partes boas e com a hemorragia, veio para cima de mim com se fosse uma raposa faminta e feroz, mas eu tinha as minhas habilidades. Quando ele veio para perto de mim com seu sabre apontado para o meu rosto, eu desviei, agachando-me, mas seu sabre atingiu meu peito, perfurando-o. Aquilo me fez gritar e meu sangue jorrar, mas eu consegui ignorar.

Quando eu havia conseguido acertar a cara dele com uma de minhas espadas, lhe dando um bom corte que pegava do queixo até a sobrancelha esquerda cortando totalmente seu nariz , Fox havia se jogado no chão e eu tinha achado que a luta tinha terminado. Mas Fox era sujo.

Ele levantou com um pulo, me dando uma rasteira e eu caí. Quando cheguei ao chão, ele cravou o sabre em minha virilha e passou por ele de lá até meu mamilo direito. Foi o pior corte que ele havia me feito. Aquilo não só fez meu sangue jorrar, como também ganhei uma boa cicatriz em meu corpo e perdi uma pequena porcentagem de pele no tronco. Como eu disse, ele era sujo.

Mas eu não deixei barato, eu havia conseguido arrancar um olho dele, dois dedos e quebrado sua perna, com um movimento rápido e preciso. Como? Eu lhe dei uma rasteira quando ele menos esperou e, antes que ele caísse, eu lhe dei um soco na sua cara deformada e ele caiu no chão. Assim que ele chegou ao chão, lhe arranquei um olho, quebrei sua perna, pisando em seu joelho, peguei minha espada e arranquei dois de seus dedos. Depois disso, passei a espada de seu pé até seu rosto novamente, fazendo com que o velório de James Worthnore (ou Fox, se você preferir) fosse o mais feio possível.

Fox e eu tínhamos travado uma luta bem feia. O resultado tinha sido assim: ele tinha conseguido tirar uma boa parcela de sangue de mim e arrancado pedaços de minha pele com seu sabre, mas eu consegui lhe deformar a cara, arrancar um olho, quebrar uma de suas pernas a qual eu não me importei de saber , dois dedos de uma de suas mãos da qual eu também não me importei em saber.

Mas, de alguma maneira, Fox ainda estava vivo. Ele ainda respirava e conseguia falar, porém, tudo o que eu conseguia era ouvir sua palavras se embolando quando ele engasgava com o próprio sangue.

Eu tinha que matá-lo. Metade do povo que estava ao redor do pequeno pentágono de madeira queria que eu o deixasse vivo e a outra metade queria que eu o matasse. Mas eu não estava ligando para eles. Fox tinha que morrer porque ele tinha tirado carne de mim. Eu tinha ficado tão irritado com aquilo que passei a minha espada por sua garganta, tirando a cabeça do corpo e ela rolou para o lado.

Desde aquele dia, eu fui considerado o lutador mais frio e veloz de Jackson City.

Quando eu tinha terminado de contar aquela história para Ernie, ele quis ver minhas cicatrizes. O que eu tive que fazer? Mostrar, pois ele já estava começando a me encher o saco perguntando se podia vê-las.

Ernie nunca tinha visto minhas cicatrizes antes e assim que levantei minha camisa já sem as ataduras , ele tinha tomado um grande susto. Provavelmente se assustou por eu ter vinte por cento do corpo coberto por cicatrizes e pedaços faltando. Eu tinha dito que ficaríamos conversando o dia inteiro se fosse contar sobre as longas histórias sobre cada cicatriz e pedaços que faltavam. Já tinha sido difícil explicar a Tommy sobre as cicatrizes quando tínhamos dormido juntos, dizendo que tinha tido uma infância difícil com os Parkers e que as cicatrizes foram consequências de quedas, travessuras e muitas outras coisas que as crianças fazem eu não tinha certeza se ele tinha engolido aquela história, mas ele apenas assentiu.

Eu não queria reviver as histórias novamente. Eu tinha contado a Ernie como tinha conseguido apenas a maior cicatriz que eu tinha e os pedaços que faltavam em meu tronco por conta do sabre de Fox. Eu não tinha contado como tinha perdido pedaços dos meus bíceps, pernas, coxas, cicatrizes nos braços, antebraços, pulsos, costas, tríceps e minhas queimaduras. Ernie não precisava saber de todos os torneios que passei, por todos os treinamentos caóticos que recebi com Tashikiro-Sensei (ele nem podia saber sobre Tashikiro-Sensei). Meu passado caótico com sabres me perfurando, espadas de dois gumes me cortando, de fogo me queimando, de navalhas me cortando profundamente, meu quase afogamento para ter mais fôlego embaixo da água... ele não precisava saber das torturas que eu sofria com meu treinamento e com os torneios que eu passava.

De qualquer maneira, eu consegui me recuperar por completo na semana seguinte que tinha contado sobre o tornei com Fox para Ernie. Então eu peguei no trabalho, na Verdant, no mesmo dia em que eu me declarei completo. Não foi nada agradável, pois o setor financeiro de Oliver estava completamente bagunçado. Eu não sabia como ele conseguia administrar aquela boate daquela maneira. Tudo estava de cabeça para baixo. Números em lugares errados, nomes em lugares errados, contas para pagar... tudo estava errado.

Contudo, quando eu conseguir amenizar a situação no computador, eu comecei a ouvir uma discussão do lado de fora da sala em que eu estava. Aquilo me deixou antenado, pois eu tinha ouvido a voz de Tommy falar.

Segui seu conselho disse ele. Fui até a Laurel para lutar por ela. Então imagine a minha surpresa em te ver lá, a beijando! a voz de Tommy aumentou de tom no mesmo instante o barulho de alguma coisa se chocando aconteceu.

Eu não me incomodei com aquele lance da Laurel eu não podia me importar, porque eu sabia que no fundo, no fundo, Tommy ainda tinha sentimentos por ela. Eu não podia julgá-lo. Eu sentia mesma coisa ao longo das primeiras semanas a respeito de Jeremy quando realmente tinha terminado com ele.

Sinto muito ouvi a voz de Oliver dizer.

Oliver? Mas... verdade! Oliver ainda tinha uma queda pela sua ex-namorada. Não me surpreendo por ele ter, digamos, reatado com ela. Mas o que ele queria que Tommy fizesse? Se Oliver Queen tinha dito para Tommy lutar pela mulher que ele amava, porque o melhor amigo a tinha fisgado primeiro? Meu irmão podia ser todas as coisas do mundo, mas eu não sabia que ele era tão duas caras e um canalha como ele parecia ser.

De fininho, levantei-me da cadeira sem fazer barulho, abri a porta, agradecendo por ela não ter rangido, e fiquei na escuridão que uma escada me proporcionava para poder ver aquela cena.

Tommy parecia bêbado. Ele estava com um terno preto, porém sem gravata e com a blusa social aberta só até o primeiro botão de cima para baixo do ângulo em que eu estava, dava para notar aquilo. Meu irmão vestia um suéter preto por cima de uma blusa que eu não conseguia ver, calça jeans preta e seu relógio de pulso no pulso direito.

Não, não sente disse Tommy em tom normal.

Oliver se aproximou dele e o encarou por um instante.

Algo está acontecendo, e seu pai está envolvido disse ele.

Tommy apontou para ele e disse:

Deixe meu pai fora disso...

Os nossos pais não era o que pensávamos que foram interrompeu Oliver. Eles fizeram um plano para destruir o Glades.

Tommy o encarou como se ele fosse um louco e eu concordava.

Eu não me surpreendi como tom de voz de Tommy quando ele pediu para Oliver livrar o pai da conversa. Tommy havia me dito, em uma das vezes que havia me visitado no hospital, que seu pai havia pedido perdão e queria se aproximar de Tommy e ele deixou. Ele, no fundo, no fundo, queria se aproximar do pai. Desde a morte da mãe, o pai nunca havia lhe dado mais atenção. Eu também deixaria meu pai voltar para mim daquela maneira se ele nunca tivesse me dada devida a atenção. Ele estava feliz por conta do pai querer reconciliar com ele. Por isso eu não me surpreendi.

Mas o que Oliver estava pensando? O que ele queria dizer com os nossos pais? Será que ele se ligava que aquilo incluiria o nosso pai? Meu pai não planejou destruir nada. Ele nunca pensou ou mencionou a palavra destruir perto de mim. Ao menos não que eu tenha me lembrado. O que Oliver queria realmente dizer com aquilo? Fazer com que o sobrenome do nosso pai virasse piada? Com certeza eu iria acabar com ele depois.

Você tem alguma ideia o que está parecendo agora? perguntou Tommy se aproximando de Oliver, ainda com a testa franzida.

O seu pai vai fazer isso a voz de Oliver mais parecia um sussurro. Ele deu um passo na frente de Tommy e o encarou sério. Porque ele pensa que vingará a morte da sua mãe.

Não fale da minha mãe! disse Tommy com raiva.

Ele tentou dar um soco em Oliver, mas meu irmão conseguiu desviar com facilidade de seu golpe, fazendo com que Tommy caísse no chão a um metro de distância de Oliver e meu coração se apertou em meu peito.

Por mais que eu possa ser durão em minhas visitas e com Ernie e com todo o resto ao redor de mim, eu não conseguia ignorar o sentimento que eu tinha por Tommy. Eu não o queria machucado e tampouco daquela maneira. Oliver estava humilhando meu quase-namorado e eu não deixaria isso assim.

Eu estava com os punhos fechados e tremendo quando Oliver se virou para Tommy e ele pareceu ter se machucado com certeza ele negaria isso para mim depois. Tommy podia ser um rapaz sorridente e brincalhão, mas ele não assumiria com facilidade o que sentia, mesmo sendo dor sei disso porque ele também havia me confessado em uma de suas visitas no hospital em que eu estava.

Oliver se aproximou de Tommy e se ajoelhou em sua frente.

A diferença entre nós, Tommy, é que eu descobri a verdade sobre meu pai tarde demais disse Oliver. Mas você sempre soube, bem no fundo, o tipo de homem que ele é.

Já chega! falei em tom mais alto que os dois.

Saí da escuridão que a escada me proporcionava e, em passos largos e fortes, cheguei perto de Tommy, ajoelhando-me ao seu lado. Segurei em sua mão e o olhei com afeto, como quem dizia está tudo bem? e ele me olhou com certo espanto, mas logo suavizou o olhar para mim. Olhei para Oliver com extrema raiva, mas logo voltei a olhar para Tommy. Eu estava mais preocupado pelo cara em que eu gostava do que um sujeito de meu próprio sangue que insultava o nosso pai.

Tommy se apoiou em minha mão, se inclinou para Oliver e disse:

Queria que você tivesse morrido naquela ilha.

Olhei para Tommy em choque. Por mais que eu achasse meu irmão um tremendo idiota, eu não queria que ele tivesse morrido. Ele, no fundo, era uma pessoa bacana mesmo ele não tendo mostrado esse seu lado bacana para mim muitas vezes e com bom coração, eu acho. Aquilo me deixou sem jeito para olhar para Tommy novamente, mas eu o olhei.

Tommy... o que... minha voz falhou.

Desculpe, Theo disse ele. Mas é como eu me sinto agora.

Oliver olhou para mim e Tommy e nos observou com atenção. Tommy se levantou e eu me levantei com ele. Ele me beijou rapidamente e saiu da boate, me deixando com o meu querido irmão mais velho.

Quando o fitei, ele estava com os olhos arregalados, mas depois voltou a sua expressão normal.

O que foi aquilo, afinal? perguntei com raiva.

Você e Tommy...

Não fuja do assunto! gritei com ele. Dei um passo em sua direção. O que você quis dizer com aquele os nossos pais? perguntei fazendo aspas no ar.

Ele respirou fundo e dei um passo em minha direção.

Theo... começou ele. O nosso pai não era quem você pensava ser.

Como assim? Você é louco? O que nosso pai tem haver com Malcolm Merlyn? eu estava praticamente berrando novamente. O meu pai não iria causar uma destruição no Glades. O meu pai não concordaria com isso. Tenho cem por cento de certeza que ele não queria isso.

Não dei tempo para ele falar e comecei a sair da boate. Mas sua mão tocou em meu ombro e, em um movimento rápido, me livrei de sua mão, lhe dei uma chave de braço, fazendo com que ele ficasse de costas para mim e lhe liberei lhe dando um chute em suas costas. Ele voou alguns metros à frente.

Não me toque! falei rispidamente. Não quero que alguém como você, que insulta o nosso próprio pai, me toque novamente.

Theo... ele se levantou, pois tinha caído no chão. Nosso pai realmente não era quem você pensava ser. Acredite em mim ele me olhou com cara de quem pedisse misericórdia.

Mas eu não deixei aquilo me abalar. A repulsa veio logo em seguida quando eu disse:

Você me dá nojo, Oliver Queen.

Virei às costas para ele e saí da boate Verdant de Oliver Queen sem olhar para trás.

No instante seguinte em que saí da boate, a primeira coisa que eu fiz foi ligar para Ernie e pedir para ele descobrir tudo o que podia ser descoberto sobre o Malcolm Merlyn, a destruição do Glades e, por mais que aquilo me doesse, meu pai podia estar envolvido.

Não demorou muito tempo para que ele me respondesse. Ernie tinha dito que Malcolm tinha planejado, sim, destruir o Glades com uma máquina que causava terremotos da Indústria Unidac. E, em um contrato que meu pai não notou (ou havia sido obrigado), havia assinado e participado daquilo.

Ele havia descoberto que Gambit (o barco em que meu pai e Oliver haviam saído para uma viagem antes de naufragarem) havia sido sabotado por Malcolm. Todo o horror de não ter tido meu pai por perto durante cinco anos havia sido causado por Malcolm. Um ódio mortal havia me dominado a respeito do pai de Tommy que, misturando a raiva que eu estava de Oliver, eu queria acabar com ele naquele mesmo instante.

Mas não parou por aí. Quando eu cheguei em casa para ter uma conversa com minha mãe sobre o assunto, Oliver tinha chegado primeiro. Pus-me a espreita, parando perto da porta e olhando os dois dentro do quarto dela.

Falei com o Malcolm disse Oliver.

O quê? perguntou Moira. Ele podia ter te matado. Ele matou seu pai.

Mais um motivo para eu acabar com Malcolm. Por conta de sua sabotagem no barco de meu pai, eu tinha perdido o melhor homem da minha vida. Minhas mãos começaram a tremer de raiva, mas tudo parou quando Oliver disse:

Não matou. Depois que o Gambit afundou, papai e eu fomos para o bote ele fez uma pequena pausa e prosseguiu: Flutuamos durante dias. No fim, não havia comida para nós dois.

Onde Oliver queria chegar? Eu fitava o nada com os olhos completamente arregalados. Eu só ouvia e aquilo estava me deixando completamente agoniado.

Ele deu um tiro na cabeça finalizou ele.

Não quero ouvir isso disse minha mãe.

Ele se sacrificou para que eu vivesse disse Oliver mais sério. Acha mesmo que eu poderia viver sabendo que você sacrificou milhares por mim?

Outra pequena pausa.

Mãe, por favor. Precisa me ajudar a impedi Malcolm disse Oliver ainda mais serio. Precisamos saber onde está o aparelho.

Eu não acreditei...

O homem que eu mais amei no mundo havia se sacrificado por conta de um riquinho-metido-a-besta? Por quê? Meu pai não tinha bom senso? Ele quem tinha que viver. Por mim, Oliver que morresse. Oliver tinha que morrer por querer sujar o nome de meu pai, não o contrário.

Meu pai, meu querido pai... havia feito um sacrifício por ele? Se sacrificado por ele? Por um Zé-Ninguém? Por quê?! Eu não tinha respostas para isso e com certeza ficando ali, eu não iria tê-las. Mas, quando eu resolvi sair, um celular tocou minha mãe disse:

Malcolm aquilo chamou toda a minha atenção e eu não me atrevi a me mexer. Como posso te ajudar? perguntou ela um tanto abalada. Entendo. Sim. Obrigado por ligar.

O que foi? perguntou Oliver sério no mesmo instante em que minha mãe parou de falar.

Malcolm adiantou a operação disse ela. O empreendimento... acontecerá hoje à noite.

Mais uma pausa.

Aonde você vai? perguntou ela.

Alguém dessa família precisa encerrar isso disse Oliver. Custe o que custar.

De onde eu estava, eu sussurrei:

E não será você.

Dizendo aquilo, virei para o corredor que tinha usado para ir ao quarto da minha mãe e corri em direção ao meu.

Malcolm tinha que morrer. Por culpa dele, eu ainda tinha Oliver em casa e meu pai longe dela. Por culpa de Malcolm, pessoas inocentes estavam prestes a morrer no Glades, então ele tinha que ser detido. Ele iria ser detido.

Eu mandei um torpedo para Ernie dizendo o que tinha escutado da conversa de Oliver e Moira ele disse que andou pesquisando e já estava por dentro do assunto e que iria me contar assim que eu tivesse entrado em contato com ele. Eu não gritei com ele, mesmo eu podendo, pois ele não tinha me contado nada. Ernie não tinha culpa. Provavelmente ele não queria tocar no assunto particular como aquele e eu o entendia completamente.

Comecei a arrumar minhas coisas... kimono, kunais, shurikens, o caderninho de meu pai... tudo! Eu juntei tudo que eu poderia usar para matar Malcolm e pus dentro de uma mochila só não pus as espadas porque elas estavam no QG. Quando eu vi que tudo estava comigo, saí de meu quarto, fechando a porta e segui no corredor.

Hey! a voz do Indesejável-Número-Um de minha lista de indesejáveis chegou aos meus ouvidos.

Parei de andar no mesmo instante, mas não me virei para ele.

O que você quer? perguntei com raiva. Ele estava me atrasando.

Olha, o que eu disse para você a respeito de nosso pa...

Não! o cortei. Não se atreva a falar dele em minha presença virei-me para ele. O meu pai podia ser esse homem que você diz que ele é, mas para mim, ele continuava sendo o mesmo de antes. E sempre será.

A emoção tomou conta de mim. Senti meu nariz arder, juntamente com meus olhos. Mas eu não iria chorar, não na frente de Oliver.

Eu sei disse ele. Nosso pai foi vítima de uma armação do Malcolm...

É, eu estou sabendo o cortei impaciente.

Como sabe? perguntou ele franzindo a testa.

Você tem suas fontes e eu tenho a minha falei ainda com raiva. Tchau.

Aonde vai?

Não é de sua conta.

Desci as escadas e me deparei com Laurel. Olhei para ela, soltei o meu sorriso mais convincente sem dizer nada e saí de casa.

Quando cheguei no QG, Ernie havia me dito que conseguiu monitorar todo o Glades. Ele havia conseguido todas as ruas e o subsolo, onde ele disse que provavelmente a máquina que causaria o terremoto estaria.

Pelo que ele me disse, o mapa geológico das placas tectônicas de Starling City tinha uma falha por debaixo do Glades, por 1,6km a falha e percorre a linha de metrô da Rua 10. Com isso, ele apostava que o aparelho estaria em algum lugar de lá.

Eu não sabia onde aquilo era. Eu nem ao menos estava no Glades, mas Ernie jurou que me guiaria até eu chegar no ponto certo e que me ajudaria a desmontar aquilo mesmo ele só sabendo desmontar uma bomba em vídeo games. Não poderia ser tão ruim assim.

Mas, antes que eu pudesse dizer alguma coisa, meu celular tocou e, quando eu o peguei, era Thea. Menos mal, eu não queria falar com Oliver.

Oi, Thea disse.

Olha, eu não sei como dizer isso, mas mamãe pirou disse ela. Ela chamou um monte de repórteres aqui em casa. Está dando uma coletiva de imprensa.

Qual canal? perguntei sério.

Parece que em todos disse ela.

O.K.. disse e desliguei o telefone. Ernie, ligue o computador no noticiário, por favor... rápido.

Tá ele assentiu e ligou no noticiário.

Pela tevê, minha mãe estava com um blazer vinho ou vermelho, eu não consegui distinguir pela qualidade do site em que estava rodando o noticiário. Uma faixa verde dizia Últimas Notícias do canal 7. Ela estava numa espécie de palco com um púlpito e um microfone.

Meu nome é Moira Dearden Queen começou minha mãe. Sou a presidente das Consolidações Queen. Que Deus me perdoe, mas eu desapontei a cidade ela fez uma pequena pausa. Pelos últimos cinco anos, com a minha família e minha vida sob ameaça, fui cúmplice em um empreendimento com um propósito terrível ela fez outra pausa e olhou para o seu lado direito. Destruir o Glades e seus moradores.

Dava para ouvir o tumulto dentro da sala de estar pelo computador os microfones ajudavam. Uns repórteres tiravam fotos e alguns ainda continuavam com seus braços estendidos com seus respectivos microfones apontados para a minha mãe.

Mas percebi que a segurança da minha família não significará nada se eu deixar isso acontecer prosseguiu ela. Vocês precisam saber que o arquiteto desse pesadelo... é Malcolm Merlyn revelou ela.

A imagem de Tommy veio diretamente em minha cabeça. Eu me preocupava com ele e estava preocupado com o que ele poderia estar pensando do pai naquele momento. E se ele estivesse com o pai?, perguntei a mim mesmo. Se ele estivesse, como ele estaria? O que ele faria? Tommy podia ser uma pessoa séria nesses assuntos, mas eu sabia que ele tinha um coração mole quando o assunto manifestava o nome do seu pai.

E eu tenho provas que ele matou muitos em busca dessa loucura. Adam Hunt, Frank Chen e meu marido, Robert disse ela.

Os outros nomes eu não sabia. Mas agora a ficha realmente estava caindo. Meu pai não havia assinado contrato algum. Ele tinha sido obrigado a cumprir aquilo. Ou ele cumpria, ou todos nós morreríamos. Senti-me totalmente culpado por conta disso. Eu tinha acusado Oliver injustamente enquanto ele queria falar comigo talvez fosse sobre aquele assunto, ou não. Eu era um idiota.

O silêncio tomou conta da minha casa naquele momento e os únicos barulhos eram dos flashes das câmeras. Minha mãe fitou algum local e o câmera do canal 7 seguiu seu olhar e ele mostrou Thea prestes a chorar.

Por favor, se você mora no Glades, precisa sair agora. As suas vidas e a de seus filhos dependem disso. Por favor.

Assim que minha mãe disse aquilo, ela saiu do púlpito em que estava e eu apertei o botão esc do teclado do computador e o noticiário saiu da tela do computador no mesmo instante.

Eu não tinha reparado que já era noite e o horário para matar Malcolm já estava se aproximando. Eu tinha que me preparar e foi o que eu fiz. Vesti meu kimono todo cortado e surrado era o único que eu tinha para usar e eu o usei nas três visitas anteriores que fiz, e ninguém conseguiu me identificar , e apareci de volta onde Ernie estava.

Você precisa de outro uniforme disse ele.

Não tenho tempo para isso falei.

Sinto muito disse ele me olhando com cara triste e com sinceridade.

Sorri para ele com gentileza.

Não sinta falei. É para aquelas pessoas do Glades que você tem que sentir muito, não eu.

Suspirei.

Tudo bem... disse ele. Vai mesmo usar essa roupa? perguntou ele ainda olhando para meu kimono.

É a única que eu tenho confessei. Provavelmente o Ninja De Preto estará lá e, se eu tiver sorte, o que eu duvido muito, conseguirei acabar com Malcolm e ele no mesmo dia.

O olhei sério e lhe dei uma piscadela. Virei-me de costas para ele pronto para sair do QG...

Alguma pista de quem o Ninja De Preto possa ser? perguntou ele.

Parei no mesmo instante. Eu tinha esquecido que não havia contado a ele sobre Darius.

Sim falei virando-me para olhá-lo. O Ninja De Preto se chama Darius e nos conhecemos desde criança.

Ele fez uma cara de espanto e expliquei tudo para ele.

Contei para ele que Darius havia sido o outro garoto que treinou comigo com eu também tive que revelar Tashikiro-Sensei. Por isso que ele sabia todos os meus movimentos e tinha quase a mesma velocidade do que eu como em nosso treinamento anos atrás, eu sempre era o mais rápido de nós dois. Depois de Tashikiro-Sensei, eu era o mais rápido e Darius sempre odiou esse fato, ele sempre deixara isso claro em suas expressões faciais quando eu o vencia em algum treinamento que envolvia velocidade.

Aproveitei para contar sobre como havia descoberto Tashikiro-Sensei e como ele treinou a mim e a Darius. Tashikiro-Sensei havia aparecido para mim e quando fui até ele e disse o que estava havendo comigo na escola e em todo o lugar em que eu pisava tudo por conta dos Parkers por me fazerem infeliz durante toda a minha infância , ele me aceitou como seu discípulo.

Também tive que contar para ele sobre os Parkers. Falei de todos, sem exceção e sobre como minha vida era horrível com eles. Por isso eu entrei nos torneiros de luta e foi um dos fatores que fizeram Tashikiro-Sensei me treinar.

Logo em seguida, um ano após já estar treinando secretamente com Tashikiro-Sensei, Darius apareceu. Eu o recebi como um irmão, como um igual. Mas a culpa não era minha se ele não conseguia fazer as tarefas com tanto êxito e precisão. Ele sempre alegava que era porque eu tinha mais tempo de treinamento, mas Tashikiro-Sensei sempre o repreendia dizendo que isso era besteira. Darius sempre foi o que levava as coisas para um lado sombrio e aquilo sempre o prejudicava, mas ele nunca via isso. Tashikiro-Sensei sempre dizia que o que ele nos ensinava era para o bem e nunca para o mal.

Quando terminei de falar, ele só conseguiu dizer:

Uau!

Ri.

Não é uma história que eu queria contar para os meus filhos, mas...

Você quer ter filhos? perguntou ele espantado.

Quero, oras franzi a testa. Por que a surpresa?

Sei lá disse ele dando de ombros. Você é gay.

E daí? arqueei uma sobrancelha gargalhando. Isso não quer dizer que eu não posso enlouquecer e ter um caso com uma menina, e ter um filho ou uma filha?

Ele pareceu chocado. Abriu a boca para falar, mas nada saiu dela.

Estou brincado ri da cara dele. Bem, eu quero ter filhos. Posso adotar um bebê futuramente ou engravidar uma garota, mas... quem sabe? dei de ombros. Enfim, tudo pronto para a minha saída?

Ele engoliu em seco.

Sim ele se virou para o computador. Corra para a direção do Glades e mantenha os dois dispositivos que tem em seu kimono ligados para que eu ver onde está e falar com você. Entendido?

Fechado falei levantando o polegar para ele.

Hein, Theo? chamou ele.

Virei-me para ele novamente.

Sim?

Tome cuidado disse ele.

Sorri de lado.

Eu sempre tomo, criança dei uma piscadela para ele. Mas tenho uma ideia melhor...

Como assim? perguntou ele franzindo a testa.

Pegue seu iPod e tudo de computador portátil que você tiver. Rápido.

Ele obedeceu sem questionar e segurou tudo na mão.

Agora ponha tudo isso nessa mochila falei abrindo a mochila que eu tinha para ele. Ele colocou tudo lá dentro e continuou me olhando sem entender nada. Pronto. Agora você irá ao Glades comigo.

Ficou louco? perguntou ele espantado.

Olhe, eu não tenho muito tempo. Não conseguirei desativar aquele treco e ir atrás de Malcolm e do Ninja De Preto a tempo. Você precisa me ajudar. É a sua primeira missão, Ernie. Tem que me ajudar implorei para ele com cara tristonha.

Mas...

Ernie... por favor?

Ele pareceu pensar no assunto.

O.K., eu irei disse ele e festejei mostrando o punho.

Suba aqui... falei inclinado para ele subir em minhas costas, para aninhar-se em minha corcunda.

Ele pôs a mochila em suas costas, subiu em minhas costas e o ajeitei em minha corcunda.

Pronto? perguntei.

Não, não mesmo respondeu ele com certo pânico em sua voz.

Tente ignorar o borrão que se formará, entendido?

Tudo bem.

O.K..

Verifiquei se Ernie realmente estava seguro em minhas costas, aninhando perfeitamente em minha corcunda para que ele realmente não caísse e ele estava. Sendo assim, parti para a porta caminhando. Assim que cheguei à porta de nosso QG, corri na direção do Glades como um borrão com Ernie em minhas costas e nada nos impediu de prosseguir para aquela direção.

O frio tomou conta das ruas de Starling City de tal maneira que eu nunca imaginei. Assim que eu pus os pés no Glades, eu parei de correr e consegui sentir o frio descomunal que estava fazendo. Ernie disse para seguirmos para o metrô do Glades, exatamente para a estação abandonada perto da Rua Puckett e imediatamente foi o que fiz. Ele ainda estava em minha corcunda quando pisei no Glades e não havia reclamado a viagem o Glades não era assim tão próximo do nosso QG, ficava a vinte minutos do nosso QG, mas como eu era rápido, o fiz em cinco minutos.

O Glades estava um caos. Pessoas corriam e gritavam desesperadamente. Algumas ateavam fogo em latas de lixo e algumas saqueavam algumas lojas e alguns carros para poderem evacuar do bairro. Era uma cena horrível. Helicópteros lançavam suas luzes de cima para a cidade em forma de iluminação porque alguns postes haviam caído e estavam no chão, fazendo com que algumas ruas ficassem escuras, e alguns ladrões roubavam pessoas distraídas por conta do caos.

Alguns carros corriam como se estivessem em um pega com pessoas andando na rua. Alguns andavam um ao lado do outro na rua e alguns andavam na contramão. Registrei um acidente ali, mas eu não pude parar de correr, Ernie estava em minhas costas e a segurança dele era mais importante do que aquelas pessoas. Por mais que eu quisesse salvá-las, Ernie tinha sua prioridade. Então eu tinha passado por eles sem eles me perceberem.

Quando cheguei à Rua Puckett, quebrei as tábuas de madeira que impediam o acesso ao subterrâneo que era o metrô e adentrei nele. Desci as escadas do local e quando cheguei lá embaixo, desci Ernie de minha corcunda e ele ficou completamente tonto, vomitando na lixeira mais próxima que ele viu no subterrâneo. Ele, com certeza, não tinha ignorado o borrão que tinha se formado ao nosso redor quando eu corri.

Você não ignorou o borrão, não é mesmo? perguntei.

Eu... ele vomitou novamente. Franzi o cenho. Eu fiquei curioso para ver como realmente era e... ele vomitou outra vez. E eu não consegui ficar de olhos fechados. Desculpe.

Tudo bem, eu te entendo falei.

E realmente entendia. Para quem corria, a sensação era outra. Era uma sensação de liberdade, de leveza... prazerosa. Era a melhor sensação do mundo, para mim e Ernie sabia disso. Mas para quem não corria e observava, a sensação era horrível. Tontura, ventania cortante e enjoo eram as sensações que lhe aguardavam. Claro que ele queria ver, eu não podia julgá-lo. Eu sentiria a mesma coisa se os nossos papéis fossem invertidos.

Bem, temos que começar disse ele limpando o rosto e a boca com uma garrafinha dágua que trouxe na mochila. Ele se levantou do chão, distanciando-se da lixeira e veio para perto de mim.

Por onde começamos? quis saber.

Ele tirou o iPod, um treco que parecia um controle remoto, uma lanterna e dois alicates da mochila. Ele ligou o iPod e a tela acendeu, mostrando todo o mapa do metrô do Glades na tela. Aproximei-me mais dele para ver.

A tela mostrava uma linha vermelha numa tela azul com alguns retângulos e quadrados que presumi serem as portas de saída do subterrâneo, e com mais algumas linhas restas na diagonal e horizontal, cruzadas e curvas, que presumi serem as ruas do Glades na parte de cima do metrô.

Bem, eu vi as especificações do aparelho que Malcolm está usando disse ele. Ele pode ser denotado por tempo ou por um transmissor.

Algo que Malcolm teria falei. Com certeza é um transmissor.

Ele deve estar por aqui ele começou a tocar na tela do iPod. Não deve estar muito longe. Aqui é o início dessa linha, olha... ele mostrou a ponta debaixo para cima da linha vermelha que era a do metrô. Estamos aqui. O dispositivo deve estar bem no meio, porque é onde fica o coração do Glades, digamos assim.

Entendi assenti. Temos que ir logo. Não podemos perder tempo. Malcolm pode começar o terremoto a qualquer momento.

Entendido disse ele e começamos a andar.

Eu não necessariamente precisei de lanterna para enxergar na escuridão porque eu conseguia enxergar bem eu tive um treinamento excelente para ter uma visão como aquela , mas Ernie precisou. Eu conseguia ouvir tudo perfeitamente um de meus treinamentos foi ter lutado em completa escuridão, com uma venda nos olhos e meu tato era bastante preciso, mas Ernie ligou a lanterna e aquilo facilitou um pouco mais. Afinal, sempre era bom ter iluminação em lugares escuros.

Os trilhos do metrô do Glades eram enormes. Aquela linha vermelha que Ernie tinha me mostrado parecia muito menor do que aquele caminho. Parecia que tínhamos andado horas quando conseguimos avistar alguma coisa metálica com uma luz azul-fluorescente a nossa frente.

Mas algo chamou a minha atenção. Tinha um homem que aparentava ter uns quarenta anos estava mexendo naquilo. Olhei para Ernie e ele me olhou e depois voltamos a fitar o cara. Eu pigarreei e ele se virou para mim no mesmo instante.

O que está fazendo aqui? falei sacando minhas espadas.

O homem se virou e eu quase abaixei a guarda. Aquele era o pai de Laurel, a ex-namorada/namorada de meu irmão.

Pelo amor de Deus! disse ele pondo a mão no coração.

Ele sacou a arma, mas eu, com um movimento rápido, dei um chute em sua mão e a arma voou longe.

O que querem aqui? perguntou ele. Mais um mascarado para atazanar essa cidade?

Ernie e eu nos encaramos e voltamos a olhar para ele.

O que está fazendo aqui? perguntei novamente.

O que acha que eu estou fazendo aqui? perguntou ele. Estou tentando desativar essa coisa... não, não é com você que eu estou falando, senhorita! disse ele para o nada. Ele deveria estar com algum dispositivo que fazia que ele pudesse conversar com alguém. Algum parecido com o que Ernie usava comigo. Um mascarado de branco está aqui e uma... uma criança! ele olhou para Ernie com cara de espanto. Quem é você, garoto? perguntou ele olhando para Ernie ainda espantado.

Meu nome não é importante disse o tal garoto que o pai da Laurel encarava, o Ernie.

Sem dizer mais nada, Ernie foi até o dispositivo e começou a mexer nele, como se o detetive Lance não estivesse ali. Ele não falou com o detetive Lance em momento algum ou tampouco respondeu suas perguntas desnecessárias como onde ele morava, quem ele era, quantos anos tinha e o que estava fazendo ali. A real, aquele cara estava começando a me irrita e eu queria nocauteá-lo.

Sete minutos... disse Ernie, após destampar um treco que parecia um circuito. Não será tão difícil.... disse ele mais para si mesmo do que para qualquer um de nós dois.

Ele começou a mexer em seu iPod novamente com uma mão e com a outra, pegou um de seus alicates e começou a passar pelos fios amarelos, azuis e verdes que tinha ali.

Mas algo aconteceu inesperadamente.

O detetive Lance se meteu no caminho de Ernie e cortou o fio azul.

Não! gritou Ernie. Seu burro! Olhe o que você fez!

Ernie apontou para o ponteiro que marcava os sete minutos que ele tinha dito e ele rodou em diversos números, parando em dois minutos e dois segundos. O dispositivo começou a apitar. A parte de cima do dispositivo que causaria o terremoto começou a descer e quando olhei para baixo, a ponta redonda dele estava começando a tocar no chão lentamente.

Me dê a sua escuta! pediu Ernie com urgência para o detetive Lance.

O quê? disse detetive Lance. Olhe com quem você está falando...

Me dê à droga da sua escuta! berrou Ernie com raiva.

Detetive Lance não questionou e passou a escuta para Ernie.

Olha, eu não sei quem você é, mas você mandou ele cortar o fio errado disse Ernie. Os minutos adiantaram e não posso cortar os outros fios, porque aí sim ativaria a maquina... O.K., também tentarei anulá-lo.

Ele jogou o alicate a sua frente voltou a mexer em seu iPod freneticamente. Eu nunca tinha visto Ernie tão concentrado assim daquela maneira. Ele realmente parecia estar uma fera com o detetive Lance e aquilo me fez rir, mas tive que segurar a risada.

O detetive Lance pegou seu celular e ligou para a filha, Laurel, e começou a conversar com ela, mas eu não prestei atenção. Eu tinha que me concentrar em Ernie, tirá-lo dali em segurança com o detetive Lance, agora, tinha que tirá-lo dali também , encontrar Malcolm e ir atrás do Ninja de Preto.

Eu, na verdade, não sabia como iria encontrá-lo, mas eu descobriria uma maneira. Se ele me encontrava em ocasiões em que eu menos esperava, eu também o encontraria em ocasiões em que ele menos esperava.

Darius sempre foi o mestre da escuridão. Ele sempre conseguia se esconder nas sombras como ninguém, mas eu sabia com identificá-lo como ninguém. Ele tinha uma certa falha em suas sombras uma mínima, minúscula, falha, mas era uma falha de qualquer maneira. Eram os seus ruídos. Ele era bom nas sombras, mas eu era bom com os ouvidos. Eu conseguia ouvir o som de sua respiração, de seus cautelosos toques, passos e por aí vai. Mas ele não estava ali, se ele estivesse, eu o teria visto. Darius não era, também, tolo de ficar em locais perigosos. Ele gostava de praticar o perigo, que era matar mesmo para mim, matar era perigoso, porque envolvia a vida de duas pessoas, a minha e a do meu adversário , mas não arriscaria a sua vida se não valesse a pena.

O.K.! disse Ernie ainda concentrado e voltei minha atenção para ele no mesmo instante.

Ele começou a mexer em seu iPod.

Detetive Lance disse ele , tome. A moça que se chama Felicity está querendo falar com você... rápido!

Ele entregou a escuta e o detetive Lance a pegou no mesmo instante, pondo-a no ouvido e começou a mexer nos fios novamente com um alicate que ele tinha. Ernie começou a dar informações para ele e ele fazia atentamente, mas eu jurava que estava ficando louco, pois recebia uma ordem em um ouvido e ouvia outra em outro. Se ele não estivesse ficando louco, eu prometi a mim mesmo que não duvidava da capacidade de um coroa de quarenta e tantos anos.

A demora estava começando a me deixar estressado e ansioso. Eu repetia Vamos, Ernie! Vamos, Ernie! várias e várias vezes em meu pensamento para que Ernie se apressasse, mas eu vi que não resolvia de nada. Eu não podia querer que um processo daquele fosse resolvido rapidamente, mas depois de alguns segundos, o detetive Lance cortou um fio e o dispositivo desligou.

Relaxei.

Por um minuto, todo o horror de ter a ideia de ter falhado com as pessoas do Glades, havia se esvaziado de mim e aquilo me deixou feliz. Significava que eu teria tempo para procurar Malcolm e Darius (ou o Ninja De Preto, se você preferir). Daria tempo e eu conseguiria pegá-lo.

Há outro dispositivo disse Ernie. Temos que sair daqui. Agora.

Ele se levantou do chão e virou-se para o detetive Lance e para mim.

Eu não pensei duas vezes. Pus as coisas de Ernie na mochila o mais rápido que pude, o coloquei de volta em minha corcunda em segurança, peguei no braço do detetive Lance, passei ele para o meu colo e corri dali, também como um borrão.

Quando pisei no Glades novamente, o chão começou a tremer. Pus o detetive Lance no chão e ele foi para a lixeira mais próxima para poder vomitar, mas não tirei Ernie de minhas costas quando ele fez menção em sair.

Não vou deixá-lo aqui falei para ele, olhando-o de rabo de olho. Fique aí.

Não... eu posso ficar disse ele. Você precisa encontrar Malcolm...

A sua segurança é mais importante do que Malcolm ou Darius o cortei. Não vou deixá-lo aqui.

Mas...

Sem mas, Ernie o cortei novamente. Virei-me para o detetive Lance, que ainda estava vomitando na lixeira mais próxima. Temos que ir.

Não... disse ele, terminando de vomitar e vindo até nós. Minha filha está na CNRI. Tenho que tirá-la de lá.

Mas o que a burra da sua filha está fazendo aqui?, eu quis perguntar para ele. O que ela estava pensando? Ela não viu o noticiário de hoje mais cedo quando minha mãe disse que Malcolm Merlyn planejava destruir o Glades?

Temos que tirá-lo daqui disse Ernie.

Não sem a minha filha disse detetive Lance. Vão vocês, eu vou procurá-la. Vou ficar bem.

Assenti para ele e ele correu na direção a nossa frente.

Segure-se falei para Ernie.

Ele apertou meu tronco com força. Aquilo era o sinal verde, então corri o mais rápido que eu pude.

Eu cheguei a sair do Glades, mas o bairro não foi o único a sofre o impacto do terremoto. Quando deixei Ernie em nosso QG, lá também estava tremendo e dando picos de luz. O QG não iria cair, mas ele estaria em segurança. Isso era o que importava.

Contudo, assim que deixei Ernie lá, segui de volta para o Glades para salvar o detetive Lance e sua filha. Eu não podia deixá-los naquele lugar, eles tinham apenas um ao outro, então eu não faria essa crueldade de deixar os dois morrerem ali. Pisei no Glades novamente e lá estava bem, mas bem, pior que o nosso QG.

O tremor era totalmente forte e preciso. Os postes caiam pelas ruas e as pessoas estavam mais loucas e histéricas do que antes. Alguns carros estavam de cabeça para baixo e pegando fogo. Algumas pessoas estavam mortas na beira da calçada de algumas ruas e algumas estavam soterradas nos destroços dos prédios caídos.

Corri na direção em que o detetive Lance havia tomado e corri o mais rápido que pude. De longe, o avistei conversando com uma garota, mas não era sua filha. Eles trocaram algumas palavras e ele entrou no prédio que deveria ser a CNRI.

Theo disse a voz de Ernie em meu ouvido , os tremores estão centrados pelo lado oeste, Rua Past Wells.

Eu estou nessa rua falei para ele quando avistei uma placa com o mesmo endereço que ele disse. Estou atrás do detetive e da filha. Depois nos falamos, Ernie.

Desliguei o dispositivo.

Detetive Lance não conseguiu entrar, provavelmente era covarde demais para tal coisa. Passei por ele e ele nem tinha percebido. Adentrei no prédio da CNRI e lá estava totalmente acabado.

Algumas paredes tinham sido demolidas por conta da força dos tremores. Algumas prateleiras estavam quebradas e alguns livros aos destroços no chão. As portas tinham sido arrancadas e cacos de vidro eram encontrados no chão.

Quando passei por um corredor, uma pessoa esbarrou em mim e a segurei com força no mesmo instante. Olhei para aquela garota de cabelos castanho-avermelhados e identifiquei Laurel no mesmo instante.

Quem é você? perguntou ela.

Isso não é importante rebati com minha voz distorcida. Vamos sair daqui!

Peguei-a no colo e corri para fora do prédio da CNRI e a coloquei no chão. Ela correu de encontro com o pai e o abraçou. Serviço feito.

Aproximei-me deles.

Temos que ir embora falei.

Tem um amigo meu lá dentro disse Laurel. Você pode ajudar?

Olhei para o resto do prédio da CNRI e voltei a olhá-la.

Posso afirmei. Quem está lá dentro?

Tommy disse ela com certo choro em sua voz.

E senti meu coração parar de bater.

Corri para dentro do local como um borrão no mesmo segundo, mas, antes que eu pudesse entrar, o prédio demoliu, fazendo com que os destroços do prédio da CNRI caísse em cima do meu quase-namorado.

Mas eu não me importei com isso. Tommy estava lá dentro e eu tinha que salvá-lo, custasse a minha vida, ou não.

Tommy?! gritei por ele. Tommy?!

Nada.

Pulei algumas montanhas de destroços e me deparei com uma sala completamente soterrada. Ele tinha que estar ali. Ali, pelo que me recordava, era a sala em que Laurel havia saído.

Adentrei no local e avistei o Vigilante saindo dali no mesmo segundo.

Eu não sabia o que aquele cara que vestia um capuz verde estava fazendo ali, mas se ele realmente era o que salvava as pessoas como a maioria de Starling City falava, porque ele não tinha chegado ali antes e tinha salvado Laurel? Seguido de Tommy? Ele falhou.

Mas eu não podia me importar com aquilo. Tommy ainda estava ali e eu tinha que encontrá-lo.

Tommy?! chamei-o novamente. TOMMY?! berrei seu nome sem o dispositivo.

Theo? o sussurro dele veio como sinos para meus ouvidos.

Olhei para baixo e ele estava completamente soterrado. Destroços e mais destroços estavam em cima dele. Ajoelhei-me ao seu lado e comecei a tirar o concreto que estava em cima dele e vi um ferro atravessado no meio de seu peito.

Eu tirei a minha mascara de Ninja De Branco no mesmo instante e comecei a chorar.

Por que você está vestido dessa maneira? perguntou ele em um sussurro quase inaudível e seus olhos começaram a se fechar.

Tommy comecei a dar tapinhas em seu rosto. Reage, por favor... não feche os olhos, Tommy! ele abriu os olhos. Minhas lágrimas jorraram. Não morra...

Seus lábios se abriram em um sorriso fraco e ele pegou em minha mão.

Theo, preciso lhe dizer uma coisa... sua voz estava mais firme, mas eu sabia que aquilo estava exigindo muito esforço dele, pois ele fez uma cara de quem sentia dor.

Eu preciso te tirar daqui... comecei a mexer nos destroços.

Pare disse ele me interrompendo , pare. Escuta-me.

Parei de mexer nos destroços e voltei a olhá-lo.

Eu te amei disse ele. Sim, eu tive ciúmes com do seu irmão com Laurel, mas aquilo era eu ciúme bobo ele fez uma cara de dor. Mas eu não menti quando falei de meus sentimentos por você. Eu realmente amei você e queria que soubesse disso.

Tommy...

Deixe-me terminar disse ele e ele apertou minha mão com mais força e afeto, e também apertei a dele com afeto. Eu fui feliz quando estive com você e foi muito mais do que eu podia imaginar. Eu nunca senti aquele carinho, amor e felicidade quando estava com Laurel. Eu realmente me senti vivo com você.

Eu também me senti muito melhor com você do que com Jeremy falei, o que era totalmente verdade.

Tommy havia desperto algo em minha que eu não conseguia explicar. Jeremy havia desperto o amor, mas Tommy havia desperto... desperto a paixão. Eu aprendi como realmente amar alguém com paixão e amor, não somente com amor. Era isso que ele havia desperto em mim: amor e paixão.

Isso me faz feliz disse ele com um sorriso fraco. Eu te amo, Theo e sinto muito por não poder mais dizer aos outros que você era o meu namorado ele fez ênfase no final da frase. Perdoe-me?

As palavras dele me fizeram descer mais lágrimas.

Não tem o que perdoar, Tommy falei em meio ao choro.

Meu pai causou isso tudo disse ele. Perdoe-me por isso, Theo. Por favor?

Claro, Tommy falei fungando e fazendo-me de desentendido.

Prometa-me que não irá matá-lo.

Eu assenti, mas eu não podia falar algo que eu não cumpriria. Eu iria matar Malcolm de qualquer maneira. Ele era o causador da sabotagem do Gambit, ele tinha que pagar. E ele estava sendo responsável por tirar a vida do próprio filho... aquilo era imperdoável.

Tommy havia dito namorado. Namorado. Ele havia dito namorado e não quase-namorado. Tommy realmente tinha um namorado e era eu. Aquilo era uma felicidade no meio da tristeza em que eu estava. Mas eu não podia ficar feliz. Eu estava prestes a perder o meu namorado e, como eu não queria aquilo, eu não consegui sorrir de verdade, apenas com pouca sinceridade.

Ele assentiu devagar, para não causar mais dor do que ele estava sentindo.

Posso te pedir um último desejo? perguntou ele.

Não fala assim...

Posso? interrompeu-me ele. Por favor?

Olhei em seus olhos magníficos e confirmei com a cabeça.

Pode.

Me beija? perguntou ele e dessa vez ele não gaguejou como da primeira vez.

Inclinei-me até sua boca e o beijei levemente, pois eu sabia que se eu fizesse força, poderia machucá-lo ainda mais. Mas ele não pareceu se importar com a dor. Ele me beijou com da primeira vez: com carinho, amor, paixão e desejo. Tommy tinha o melhor beijo que eu tinha experimentado (mesmo eu tendo apenas beijado uma boca além da dele) e eu duvidava que alguém teria o mesmo beijo especial que ele tinha.

Eu continuei com meus lábios nos lábios dele, mas, depois de algum tempo, Tommy não reagiu mais ao beijo. Sua cabeça inclinou para o lado e seus olhos estavam fechados.

Tommy? o olhei e ele não se mexia. Tommy, acorda! dei algumas batidinhas em seu rosto. Mas nada dele. Tommy, por favor, reage. Tommy, por favor... acorda! falei sacudindo-o levemente com lágrimas caindo de meus olhos. Mas nada dele novamente.

Tommy estava morto.

Eu gritei de raiva, tristeza e muitas outras coisas para qual alguém podia gritar quando alguém que se amava morria. Abracei o corpo de Tommy pela última vez e, por mais que me doía, o deixei ali, e saí do prédio da CNRI.

Já com a máscara do Ninja de Branco e do lado de fora, o caos continuava o mesmo no Glades. Pessoas histéricas gritavam pela cidade. Latas de lixos e carros estavam incendiados. Alguns cidadãos estavam mortos no chão e alguns carros simplesmente passavam por cima dos cadáveres.

Mas os tremores acabaram logo em seguida. De alguma maneira, eles haviam cessado. Nada estava tremendo mais. A destruição do Glades estava completa e ele não tremia mais, então aquilo significava que o dispositivo havia sido desativado. Menos mal.

Avistei Laurel, o detetive Lance e mais aquela garota que eu não sabia o nome a alguns metros do que tinha restado da CNRI. Aproximei-me deles em silêncio e Laurel se aproximou mais de mim.

Cadê o Tommy? perguntou ela.

Apenas balancei a cabeça em negativa para ela com meus olhos cheios de lágrimas e agradeci por estar de noite e ela não notar aquilo.

Não! gritou ela.

Mas aquilo que ela estava demonstrando não era nada comparado ao que eu estava me sentindo por dentro. Por dentro, eu estava bem mais destroçado do que os destroços do prédio da CNRI. Por dentro, eu estava bem mais destroçado que todo o Glades, porque eu tinha perdido o meu namorado.

Corri para minha casa. Eu sabia que nem Thea e nem minha mãe estariam lá provavelmente Thea estaria indo para a cadeia com minha mãe para dá-la apoio moral ou coisa do tipo. Afinal, eu sabia que minha mãe tinha sido presa e com isso, quase ninguém estaria em casa a não ser os funcionários.

Chegando no quintal, pulei o portão com facilidade e, como um borrão, passei pela porta da frente sem ser notado e corri para o meu quarto. Fácil e como eu esperava, ninguém em casa. Nem mesmo Oliver, Thea, minha mãe óbvio ou qualquer outro funcionário. A casa parecia estar completamente vazia.

Em meu quarto, eu ativei o mecanismo de comunicação para falar com Ernie e a voz dele veio no segundo seguinte.

Theo! disse ele um tanto aliviado. Finalmente! Como...

Estou vazando, Ernie falei.

Peguei uma mochila e comecei a por algumas roupas dentro dela.

Como assim? perguntou ele.

Estou caindo fora. Cansei de Ninja De Branco. Não quero isso mais... perdi quem eu amava no Glades. Eu... falhei.

Dizendo aquilo, eu senti lágrimas em meus olhos. Era difícil admitir aquilo, mas eu tinha falhado com o legado que meu pai queria para mim e aquilo era inadmissível para mim. Eu não podia vestir mais aquele quimono. Era... errado agora.

Theo, você não pode...

Adeus, Ernie o cortei. Cuide-se.

Desliguei o mecanismo de comunicação.

Peguei minha carteira em cima da mesinha de cabeceira (contendo meus documentos até os falsos que eu precisei usar algumas vezes , dinheiro e cartões de crédito e débito), meus óculos, pondo-o no rosto, deixei meu celular em cima da cama, tomei um breve banho e troquei de roupa. Eu pensei em deixar o quimono, mas aquilo levantaria muita suspeita e eu não podia dar aquele mole. Assim que peguei minha mochila com algumas peças de roupa, peguei o quimono, e saí do meu quarto.

Assim que desci as escadas, fui até a cozinha, peguei álcool e uma caixa de fósforo. Ainda com meu quimono na mão, peguei as coisas e fui até o quintal, onde joguei o quimono no chão, perto da lápide de meu pai, joguei o álcool nele e ateei fogo logo em seguida. Aquele era o fim do Ninja De Branco.

Sinto muito, pai... falei com certas lágrimas em meus olhos. Eu... falhei com o senhor.

Suspirei duas vezes e corri, como um borrão novamente, saindo de casa e indo em direção ao Glades novamente para ver como estava o local.

Como antes, o Glades estava um caos. Ainda havia cidadãos mortos no chão, alguns correndo e outros berrando a procura de ajuda; ainda havia carros pegando fogo, alguns andando pela contramão, calçada e fazendo zigue-zagues nas ruas. Tinha um ônibus virado de cabeça para baixo, mas por sorte não tinha nenhum ferido dentro dele e nem aos arredores dele; algumas pessoas estavam saqueando algumas lojas, mas aquilo era de se esperar. Em qualquer lugar aquilo aconteceria.

Como eu disse, estava como antes. O Glades não mudou e duvidava que mudaria. Os prédios reduzidos a pó e alguns a destroços. Ainda tinha alguns inteiros, mas quando eu pensava que alguém podia se refugiar neles, eles acabavam desabando. Era totalmente horrível de ver aquela loucura no Glades, que me fez abaixar a cabeça e chorar novamente.

Chorar porque eu tinha falhado com o meu pai. Aquilo era completamente horrível para mim. Eu me sentia um lixo. Um completo lixo. Eu não tinha orgulhado ele, eu não tinha conseguido impedir Malcolm para não ter aquele estrago. E eu tinha perdido o meu namorado, o Tommy. Eu não queria admitir aquilo, mas Tommy estava morto e tudo por minha culpa. Tudo por minha incompetência.

Levantei a cabeça, olhei para a direção em que eu estava e ali tinha um caminho que saia do Glades e, por sorte, levava para fora da cidade. Eu queria sair de Starling City e nunca mais voltar a pisar na cidade em que o homem que matou meu namorado vivia, cujo qual, o meu namorado, era seu filho. Corri como um borrão, porém, dessa vez, bem mais rápido que eu costumava a correr para sair de Starling City.

E foi o que eu fiz sem pensar duas vezes e sem nem olhar para trás.

Fim do Ninja de Branco.

Por enquanto...