Notas iniciais
Bem, não sou bom com epílogos, mas espero que curtam esse. (:



Epílogo

Ernie



ASSIM QUE THEO DEIXOU O PEQUENO ERNIE EM SEU QG, ELE SAIU PELA PORTA COMO UM borrão novamente. Ernie sabia que ele tinha voltado para o Glades e desejou do fundo do seu coração que Theo não tivesse feito aquilo. Ernie não era gay, se é o que pensa, mas devia muito a Theo. Foi ele que tinha se arriscado a salvar a vida de Ernie na escola quando aqueles três garotos iriam bater nele, então o garoto se sentia totalmente agradecido por aquilo, por isso o ajudava em suas missões. Como forma de pagamento um pagamento que nunca acabaria se dependesse de Ernie. Mas agradecido não significava que queria ver o amigo correr o risco de morrer soterrado por algum prédio que desabou sobre ele ou coisa parecida.

Ernie se sentou em uma das duas cadeiras de couro que Theo havia comprado para eles dois e esperou que o terremoto parasse. O garoto sabia que o QG não desabaria sobre si, mas mesmo assim ficou com medo dessa possibilidade, pois ela sempre martelava em sua cabeça.

Ele pensou no irmão, Alex. Alex era um cara cujo coração era bondoso e ele era totalmente responsável a respeito de tudo sobre Ernie, e o garoto se sentiu um pouco melhor. Talvez a saudade do irmão o fizesse esquecer o quanto a tremedeira do lugar lhe incomodava. Ernie não via seu irmão fazia quatro dias, pois ele sempre estava ocupado com o seu trabalho e ele não gostava de ficar tão longe de Alex assim. A última palavra que o irmão dissera para ele foi: Cuide-se! e depois nunca mais o viu novamente. Todas as vezes que Alex chegava, Ernie estava dormindo e quando Ernie acordava para ir para a escola, Alex não estava. O coração de Ernie doeu quando o garoto lembrou-se daquelas coisas.

Mas aquilo não impediu do garoto pensar em Theo se arriscando no Glades e aquilo fez o coração de Ernie doer ainda mais. O garoto passou da poltrona de couro para o sofá que Theo também havia comprado para eles e se encolheu ali. Pensar em Theo se arriscando novamente fazia o garoto se sentir mal. Na verdade, ele se sentia assim todas as vezes que o amigo se arriscava em suas missões mas é claro que Ernie nunca contou isso, ele preferiria enfiar agulhas em seus olhos do que admitir aquilo para Theo, ou para qualquer outra pessoa. Mas ele se sentia assim, com o coração apertado e quando Theo voltava para o QG, o garoto se sentia mais aliviado. Mas, ali... era bem provável que Theo não voltasse. Ernie não duvidava que ele voltasse, mas as chances de alguma coisa desabar sobre Theo eram tão grandes e aquilo o assustava tanto, que o garoto quase chorou por pensar em Theo morto.

Mas Ernie não resistiu e chorou.

Ele não queria perder Theo. Theo era como se fosse um irmão para ele. Mais um irmão, na verdade. Um irmão que sempre podia estar com ele exceto na escola, porque Theo não estudava mais e que, de alguma maneira, cuidava dele e queria o seu bem e segurança, igualmente a Alex e era disso que Ernie mais sentia falta e encontrava no amigo. Theo havia provado isso quando tinha dito que não deixaria o garoto no Glades. Perder Theo faria o garoto sentir a mesma dor que sentiu quando seus pais morreram e Ernie não estava pronto para sentir aquela dor novamente, pois ele ainda sentia dor quando pensava nos pais constantemente.

O chão não parava de tremer e Ernie não parava de pensar nas piores coisas que poderiam acontecer com Theo. O garoto queria relaxar, mas a preocupação e o nervosismo foi tão grande, que ele tirou a mochila das costas, tirou o seu iPod de lá de dentro e o ligou. A tela mostrou o menu e, apertando em alguns lugares, Ernie tinha ativado a microcâmera que tinha no kimono do Ninja De Branco. Lá estava Theo. Ele olhava para Laurel a filha do detetive. Ernie apertou o dispositivo que estava em sua orelha, mas não conseguia ouvir o que Theo dizia por conta de todo o barulho que tinha no Glades e tampouco conseguia ouvir Laurel, ela só mexia os lábios. Porém, Ernie tentou fazer leitura labial no que Laurel dizia e só conseguiu identificar uma palavra, um nome. Laurel disse: Tommy. E aquilo foi o suficiente para Theo virar-se para um prédio quase totalmente demolido e seguir para ele como um borrão.

Ainda olhando pelo iPod, Ernie viu Theo entrar no CNRI onde Laurel supostamente trabalha/trabalhava e só ver destroços. Ernie não entendeu necessariamente o porquê estava vendo aquilo. Na verdade, ele sabia sim. Ele queria se certificar que Theo ficasse bem, mas ele não queria espionar o amigo sempre. Aquilo podia ser uma coisa não muito boa, porque, se Theo morresse e Ernie torcendo para que isso não acontecesse ele assistiria tudo. Mas ele aguentou, não sabia até quando, mas aguentou. Ernie precisava realmente ver se Theo estava bem. A tela mostrou Theo adentrando no prédio da CNRI e, depois de levantar alguns destroços e alguns pedaços pequenos de concreto, Tommy apareceu. Talvez Theo queira um momento a sós com ele, pensou Ernie com certa pena. Ernie sabia que Tommy não poderia ter minutos de vida, principalmente com uma barra de ferro atravessada bem no meio de seu peito. Pensando dessa maneira, Ernie desligou a microcâmera e logo em seguida desligou o iPod.

Aquilo era totalmente frustrante para Ernie. Ver que Theo estava bem fez o garoto relaxar um pouco, mas o que frustrou foi o momento em que ele desligou o iPod. Ernie queria ver como o amigo estava e queria se certificar que ele ficaria bem, mas ele sabia que Theo lhe pediria um momento a sós com Tommy, pois ele sabia que Tommy não iria sobreviver Ernie não era burro, ele sabia que Tommy não conseguiria sobreviver com aquele ferro atravessado no meio de seu peito. Se Theo quisesse um momento a sós, Ernie o daria. E foi isso o que ele fez. Ernie deixaria seu amigo... se despedir do namorado.

Depois de algum tempo, os tremores pararam. Ernie não acreditou no início, pois ele ainda tinha a sensação de tudo estar tremendo. Após ter tudo parado de tremer para ele, o garoto se levantou do sofá e foi até o computador. Ligou o mesmo e tentou rastrear Theo por ele. Felizmente, Theo estava vivo, pois a luzinha que indicava o dispositivo de localização que tinha no kimono de Theo se movia com rapidez na direção da casa dele. Ernie se sentiu mais aliviado, afinal, Theo estava vivo. Na poltrona de couro que ficava em frente ao computador, Ernie relaxou.

Mas o ponteiro sumiu na metade do caminho.

O desespero tomou conta de Ernie no mesmo segundo. O garoto tentou sincronizar o celular dele Ernie tinha colocado microchips em tudo o que Theo poderia usar um dia sem que o amigo soubesse , mas de nada adiantou. Ele tentou ver a câmera do kimono em seu iPod, mas a câmera não mostrou nada. Ernie ficou tão frustrado que ele chegou a por as mãos na cabeça e conseguir arrancar alguns fios de cabelo.

Onde estava Theo? Porque ele sumiu? Como ele sumiu? Para onde ele foi? E será que... que ele morreu? Ernie se perguntava, mas ele não quis acreditar na última pergunta. Ele sabia que o amigo era forte e durão e que estaria vivo. Theo não morreria, Theo não poderia morrer.

Em meio a todo o desespero, uma coisa acontece. Um sinal em seu ouvido apitou e Ernie soube o que aquilo significava na mesma hora.

Theo! disse ele um tanto aliviado. Finalmente! Como...

Estou vazando, Ernie falou Theo.

Ernie não sabia o que aquilo significava. Talvez o amigo estivesse abalado pela suposta morte de Tommy. Ele mudaria de ideia, com certeza.

Como assim? perguntou Ernie.

Estou caindo fora. Cansei de Ninja De Branco. Não quero isso mais... perdi quem eu amava no Glades. Eu... falhei.

Dizendo aquilo, Ernie sentiu lágrimas em seus olhos. Era difícil ouvir aquilo, mas se Theo realmente tinha falhado com o legado que tinha, era realmente difícil ver o amigo ter animação para continuar em Starling City. Theo não iria admitir um erro no legado que seu pai deixou para ele.

Theo, você não pode...

Adeus, Ernie cortou Theo. Cuide-se.

E assim, Theo desligou o mecanismo de comunicação e Ernie não ouviu mais nada.

Durante todo aquele período do sumiço de Theo, Ernie ficou completamente sozinho. O garoto não tinha amigos na escola, mal via seu irmão em casa e, quando ele realmente podia se sentir como se tivesse um amigo, era a irmã do seu melhor amigo, Thea. E, todas as vezes que Ernie falava com Thea Queen, mais lhe dava uma pontada no coração por não dizer a irmão do amigo que ele tinha fugido de Starling City por conta de uma vergonha boba ao menos era o que Ernie achava ser.

Na escolha, Ernie não era mais importunado por aqueles agressores eles mantinham distância de Ernie desde que Theo lhes dera uma surra e aquilo era sempre o motivo de Ernie por um sorriso no rosto. Ao menos assim eu consigo sorrir com uma lembrança boa de Theo, pensou o garoto.

Dentro de casa, Ernie só vivia em seu computador e alimentava sua cobra, Leonard, diariamente, mas, o que ele realmente queria, era ficar algum tempo com Alex. Eles não estavam tendo um bom tempo juntos, pois o emprego de Alex estava tomando todo o tempo dele e, quando ele chegava em casa, Ernie estava dormindo e quando Ernie saia para a escola, Alex já não estava mais em casa. Ernie sentia falta da presença do irmão em sua vida.

Ernie não se atrevera a entrar no QG já chegara perto dele algumas vezes, mas nunca entrou... não por covardia ou medo, mas por aquele local lhe trazer várias e várias lembranças do seu passado com o melhor amigo. Muitas vezes Ernie ficava frente à frente com a porta do QG, chorava e voltava para casa. Partia o coração de Ernie lembrar que ele e o amigo tinham feito tudo àquilo em vão.

Em seu quarto, Ernie sempre buscava alguma informação nova de Theo, por onde o amigo poderia estar, o que estava fazendo... mas nada. Nada encontrava. Ele não via mais o pontinho vermelho no uniforma do Ninja De Branco o que indicava que Theo poderia estar fazendo algumas visitas por aí. Ele não encontrou nada; aquele realmente parecia o fim do Ninja De Branco.

Mas depois de alguns meses, tudo isso mudou.

A maré de não ver seu irmão Alex tinha mudado. Alex tinha mudado de turno onde trabalhava e agora podia ver o irmão com mais frequência aquilo tampava o buraco da ausência de Theo. Ernie também tinha voltado a frequentar a mansão dos Queen para poder falar com Thea mais vezes e ambos rirem, falarem e tudo o que mais podiam sobre Theo, Oliver, Thea, Moira, Robert e até Walter mesmo Ernie não achando aquele cara um cara legal, mas ele aguentou... por Thea, é claro.

Tudo estava bem para Ernie até aquele momento, mas o julgamento de Moira estava por perto e o garoto precisava contar aquilo para Theo de qualquer maneira. E foi o que Ernie fez.

O garoto pegou suas coisas em uma tarde de segunda-feira, foi para o QG, olhou para porta, suspirou e fez o que tinha que ser feito.

Você chegou ao fim do livro. Parabéns!