O Ninja De Branco.
11 Capítulo 11 — Natal.
NA VÉSPERA DE NATAL, HOJE PELA MANHÃ PRECISAMENTE, OLIVER HAVIA CONSEGUIDO por tudo em seus devidos lugares. Ele conseguiu organizar a casa inteira com os preparativos natalinos, o que eu me surpreendi bastante, pois o que eu sabia sobre ele era que ele era um menino riquinho metido a besta. Mas parecia que ele realmente estava levando esse lance de Natal a sério.
Ele havia conseguido por todos os enfeites de Natal dentro e fora da casa. Ele havia decorado as escadas, os corredores — os mais acessados —, a sala de estar e a nossa — se eu posso usar esse termo — sala de jantar e a entrada da casa. Eu devia dar um crédito a ele, pensei. Ele deveria ter passado a noite anterior preparando isso. Quem sabe? Talvez.
A noite se propagou cheia de toques na campainha, sussurros na sala e mais toques na campainha.
Eu estava colocando uma blusa social branca enquanto me olhava no espelho. Parei de abotoá-la ao ver a cicatriz que vinha da parte direita de minha virilha até a minha clavícula direita. Aquela era só mais uma das outra que eu tinha pelo corpo, isso dia do pé até a nuca. Alisei a cicatriz ao lembrar-me daquele momento em que a ganhei. Senti um pequeno tremor correr pela minha espinha ao lembrar-se da sensação da lâmina...
Chacoalhei a cabeça e comecei a abotoar a camisa social branca. Hoje era o grande dia, o dia em que eu passaria o primeiro Natal com a minha verdadeira família. Eu não podia estar mais feliz. Tudo o que eu queria, no momento, era que Jeremy estivesse aqui. Aí sim eu estaria mais feliz.
E eu sabia o que fazer...
Peguei o meu celular e mandei uma mensagem de texto:
Sinto sua falta... queria você aqui para aproveitar o Natal comigo e com minha família. Te amo!, enviei. Fiquei observando o celular por um momento. Eu sabia que ele não iria responder naquele momento...
O celular vibrou e fez o barulhinho de alerta de mensagem naquela mesma hora.
Eu fiquei nervoso.
Antes de eu checar a mensagem que havia chegado, eu pus o blazer, peguei o celular de volta — que estava na cama enquanto eu colocava o blazer —, me compliquei ao por a gravata — como eles aguentavam usar aquilo? Era irritante! —, e saí do meu quarto, andando pelo corredor que ligava o meu quarto ao quarto do Oliver — ideias de minha mãe me por no mesmo corredor que ele. Ridículo.
Cheguei o meu celular e dizia: “Você tem uma nova mensagem de: ‘Jeremy Schmidt. ♥’”.
Aquilo me fez sorrir de orelha a orelha.
Certifiquei-me de que não havia ninguém no corredor e comecei a andar lentamente por ele enquanto eu lia a mensagem de Jeremy:
Também sinto sua falta, meu amor. Também queria estar com você. Meu pai inventou de viajar no Natal esse ano. Daí eu não quis ir e estou sozinho em casa. ):., eu fiquei triste por ele. Ninguém merecia ficar sozinho em pleno Natal. Principalmente ele.
Vem aqui para minha casa! Você consegue chegar antes da meia-noite. Eu sei que consegue. Vem, Jeremy... é mais rápido vir de carro do que de trem. Vem?, mandei assim que esse primeiro pensamento veio à minha cabeça.
Eu já estava chegando perto das escadas que subiam mais um andar na casa e me sentei em seus degraus.
Eu tinha que trazer Jeremy para cá. Ele merecia ficar comigo e de uma conversa melhor sobre como ficaria o nosso relacionamento. A gente não tinha conversado sobre isso direito e a “conversa” que tivemos não foi do jeito que eu havia planejado.
O celular tremeu e fez o barulhinho de alerta de mensagem.
Abri a mensagem de Jeremy.
Onde você está?, perguntara ele.
Comecei a digitar rapidamente:
Estou na casa dos meus pais biológicos. Starling City. Na mansão Queen. Vem para cá que eu dou um jeito de te deixar entrar., enviei com mais pressa possível.
Ter a ideia de ver Jeremy mais uma vez me fazia bem e eu queria isso. O quanto cedo possível!
Tudo bem, eu estou indo. Quando eu chegar em frente a sua casa, eu te mando uma mensagem de texto, certo?, respondeu ele depois de uns longos segundos.
Certo!, respondi mordendo o lábio inferior e rindo ao ter a ideia de Jeremy por perto.
Fiquei um minuto sentado na escada e lembrei-me do que meu pai havia falado. O sótão de casa tinha aquelas espadas que meu pai havia me mandado pegar. Ou que eu havia pensado ele ter me mandado. Sei lá! Aquele sonho foi mais real do que confuso, então eu tinha que ir lá.
Subindo as escadas, me deparei com uma enorme porta de madeira lisa e vernizada. Os empregados daqui realmente limpavam tudo nessa casa, pensei. Dei de ombros e girei a maçaneta da porta, adentrando nela.
Breu. Nada mais do que isso.
Procurei pelos interruptores e achei-os assim que tateei o lado esquerdo da parede. Assim que os apertei, as luzes revelaram, não só um sótão, mas um sótão duas vezes do tamanho do meu quarto, e o meu quarto era enorme!
Não foi difícil achar as espadas — apesar de todo o passado dos Queen estarem bem ali na minha frente (fotos, jornais, brinquedos, artefatos e outros tipos de objetos), mas eu não tinha tempo para isso. Jeremy estava a caminho e eu tinha que pegar essas espadas de uma vez. Ela estava em cima de uma maleta e dentro de sua capa branca no canto bem escondida no quarto. Fui até ela no mesmo momento e peguei-a.
Assim que a tirei de sua capa, as espadas se revelaram tendo dois gumes cada uma e sendo de uma mão, porém, era possível pegá-las com as duas mãos em seu punhal. Elas eram um pouco pesada — exatamente como o meu professor de esgrima havia me dito uma vez —, e parecia ter mais que um metro e meio. Eu não me importei com isso.
Depositei as espadas ao lado daquela maleta em que ela estava em cima e abri a maleta.
Roupas brancas. Era tudo que havia. Luvas brancas, capuz branco, um quimono branco e algo que eu não sabia o nome, para eu por em meu rosto, que seria extremamente precioso e bem vindo quando eu começasse a fazer os serviços que meu pai havia me pedido fazer.
Sorri ao ver tudo aquilo e agradeci ao meu pai em pensamentos por me deixar tudo aquilo.
Peguei as espadas e passei o braço nas alças que tinham em cada capa, peguei a maleta em uma mão e saí do sótão, desligando as luzes e dando as costas ao passado dos Queen, fechando a porta.
Desci as escadas rapidamente e parei no último degrau para ver se tinha alguém no corredor. Ninguém. Continuei andando e dei uma pequena corrida até o meu quarto, trancando a porta.
Guardei as espadas e a maleta em meu guarda-roupa — ninguém mexia ali a não ser eu. Eu já tinha a primeira parte do que meu pai queria de mim, agora só faltava à segunda parte. Mas isso era o de menos. Eu tinha que ir para aquela festa que Oliver havia programado. Querendo ou não, eu tinha que ir.
Peguei meu celular, que estava em meu bolso e pus no bolso dentro do paletó do blazer.
Saí do quarto tranquilamente e mais aliviado do que nunca. Eu tinha feito o que meu pai havia mandado, então eu estava bem. Agora, só faltava Jeremy para estar tudo mais completo.
Passei pelo corredor principal e iluminado, que ligava a escadaria para a porta de entrada da casa, e vi bastante gente naquele local, e alguns indo em direção à sala de estar.
Desci as escadas cuidadosamente para não chamar muita atenção, mas eu sabia o que falar para aqueles que perguntassem o que eu era dos Queen, então eu ficava menos preocupado.
O hall de entrada estava mais luminoso do que eu imaginava. Coberto de pisca-piscas, alguns outros enfeites natalinos... Oliver realmente havia se superado, pensei comigo mesmo e sorri.
Respirei fundo e terminei de descer as escadas e segui para a sala de estar, onde vi Thea, Oliver, Walter e minha querida mãe.
Fiquei atrás da pilastra de madeira que havia que separava o corredor do hall de entrada com a sala de estar.
— Oliver. — disse Walter.
— Vocês estão ótimos. — disse Oliver. — Feliz Natal.
— Feliz Natal — disseram Walter, minha mãe e Thea em uníssono.
— Feliz Natal... — sussurrei para mim mesmo percebendo que eles não notaram a minha presença.
Senti uma pequena dor no coração.
— Vamos tirar uma foto de Natal. — disse Oliver animado.
— Já enviei nossos cartões de Natal. — disse minha mãe.
— Mãe, vamos tirar uma foto só para a gente. — disse ele com certa tristeza na voz.
— Claro. — disse minha mãe em tom de concordância.
Adentrei na sala de estar bem a tempo de baterem a foto e os quatro me olharam.
Thea, Oliver e minha mãe ficaram sem saber o que fazer no momento, mas Thea me olhou com quem se desculpasse e eu a olhei e dei-lhe uma piscadela, e ela saiu da sala acompanhada de um garoto que eu não havia visto em minha vida, olhando para os outros que ficaram preocupados por me verem tirar a foto sem mim; Walter me olhara sério e, quem sabe ele estava contente por eu não estar na foto? Só o que eu pude fazer foi: sorrir, balançar a cabeça em negativa e saí dali.
— Theo, espera... — ouvi Oliver e minha mãe dizerem meu nome em uníssono, mas eu não liguei. Passei pelas pessoas que estavam em meu caminho, esbarrando nelas, e subindo as escadas e indo para o meu quarto.
Eu não iria mais aquela festa idiota. Eu entendi que eu não poderia levantar suspeita sobre “o filho morto da Sra. Queen ter ressuscitado”, mas fazer como se eu não existisse, já era outra conversa.
Tirei o celular do bolso do paletó do blazer, o pus na cama e tirei o blazer. Desabotoei os dois botões de cima para baixo da blusa social e me deitei na cama, ao lado do meu celular.
Até quando Jeremy iria ficar sem me mandar notícia? Ele já deveria estar por aqui, ele era rápido na estrada, mesmo eu o advertindo uma vez por conta disso. Mas ele sempre era rápido!
Peguei meu celular e mandei uma mensagem para ele que dizia “Venha rápido!”, e recebi a sua mensagem em resposta que dizia: “Já estou no portão de sua casa. Venha me buscar.”.
Minha felicidade se aumentou um pouco. Jeremy já estava aqui e nada poderia impedir aquele momento. Tudo estaria melhor com a presença dele e sim, tudo estaria fora do meu alcance, desde que ele estivesse comigo a todo o momento. O que eu mais me preocupava era ter que contar sobre minha opção sexual para a minha família. Isso eu não queria deixar de contar, mas eu não sabia como contar. Mas eu encontraria um jeito, não agora. Jeremy estava aqui e eu não impediria a minha felicidade por um detalhe bobo.
Levantei-me da cama, peguei o blazer e o vesti. Saí do quarto pondo o celular no bolso de dentro do blazer e caminhei pelo corredor.
Virei-me para a esquerda e me deparei com um garoto andando rapidamente em minha direção com as roupas nas mãos.
Passei por ele e, quando ele passou ao meu lado, estiquei meu braço esquerdo, que se encostou a seu pescoço e o fez cair na mesma hora.
Olhei bem para o rosto dele e me lembrei de ter o visto sair da sala de estar com Thea. Olhei para as roupas dele e pensei em Thea... pensei em Thea, pensei nele... pensei em Thea e ele...
— Se eu te ver aqui, nesta casa, novamente... — não consegui terminar a frase — some daqui. Some da minha frente. Agora! — apontei para o rosto dele e o olhei sério.
Ele fez que sim com a cabeça, se levantou, ajeitando suas roupas e terminando de se vestir, e saiu de minha vista.
Caminhei mais um pouco e me deparei com Thea e Oliver conversando. Bom, ao menos a conversa tinha acabado quando ela me viu e disse meu nome.
Oliver se virara e me olhara. Olhei-o sério e levantei o queixo, e saí dali.
— Theo. — ouvi a voz dele atrás de mim e, segundos depois, senti sua mão em meu braço, me apertando com força. — Espera...
Virei-me e o olhei.
— Está me machucando... — falei com certa raiva em minha voz e ele me soltou.
— Desculpe. — disse ele se recompondo. — Escuta, na sala de estar...
— Sem problemas, não posso levantar suspeita contra vocês. Eu entendi. — falei saindo dali.
— Não, espera... — disse ele dando uma pequena corrida e andando ao meu lado.
Senti o celular vibrar em meu bolso, tirei-o de lá e vi a mensagem de Jeremy, que dizia: “Cadê você?”. Respondi rapidamente dizendo: “Já estou chegando!”.
— Olha, não nos leve a mal, por favor? — pediu, Oliver.
— Aham, agora eu tenho que ir... tchau! — falei novamente e continuei andando.
— Espera... — disse ele novamente e virei-me para ele revirando os olhos.
— O quê? — falei suspirando.
— Para onde vai?
— No portão da frente de casa.
— Por quê?
— Meu namorado está me esperando. — ele ficou sem ter o que falar. Havia ficado parado, porém piscando os olhos. — Se é só isso, hasta la vista! — me despedi dele em espanhol rindo e indo em direção as escadas.
— Espera...
— Depois, Oliver... depois. — o interrompi e desci as escadas.
Passei pela porta de casa sem me importar com quem me visse, meu destino era Jeremy. Apenas Jeremy.
Perguntei-me o porquê nosso quintal de entrada era completamente imenso até o portão de entrada. Podia ser um pouco mais curto, não? Chacoalhei a cabeça com esse pensamento.
Alguns segundos de caminhada, eu já conseguia avistá-lo e não pude deixar de conter meu sorriso de orelha a orelha.
Jeremy estava vestindo uma blusa social azul e um blazer azul-marinho, com sua calça azul-marinho e sapatos pretos. Ele estava lindo. Não dava para enxergar seus olhos por conta da escuridão da noite. Mas não havia problema, eu já sabia como os olhos dele fariam jus as suas roupas.
— Jer... — falei, abrindo o portão e me jogando nos braços dele, e lhe dando um beijo demorado.
Ele retribuiu o beijo e me abraçou logo em seguida. Eu sentia saudade dele e ele a minha. Dava para sentir que ele sentia falta de mim. Mas ele não sabia o quanto eu sentia falta dele.
Ele parou o beijo e me olhou.
— Se essa for à saudação para quem vem lhe visitar na mansão dos Queen, por favor, me diga que eu volto aqui novamente. — disse ele rindo. Como eu poderia ter conseguido esquecer a sua voz grossa? Era quase um crime esquecer isso!
Ri dele.
— Bobo... — e o beijei novamente. — Venha... vamos entrar. — Comecei a puxá-lo, mas ele não se moveu do lugar. — O quê?
— Acha certo? — perguntou ele. — Bom, eles sabem sobre você?
— Não... mas eu acabei de contar ao Oliver. Ele não teve algum tipo de reação diferente do que ficar parado e piscar. Por Deus, ele é um idiota, Jeremy. — falei passando a mão na testa e balançando-a em negativa. — Vem, Jeremy... — peguei em sua mão e o puxei.
O ouvi travar o carro com o a chave automática e me seguiu sem impedir de ser guiado.
Abri a porta e ele soltou a minha mão no mesmo instante, o que eu não gostei na hora, mas eu tentei ignorar porque eu sabia que ele fazia aquilo pelo meu bem e não porque tinha medo de se assumir em público.
Adentramos na casa e ele olhou cada detalhe boquiaberto — o que estranhei, a casa dele não era tão diferente que essa casa. A única diferença entre as duas é que esta tem três andares e um quintal maior, a dele não tinha um quintal tão grande e nem um terceiro andar. Por favor, eu morei em um sótão!
Consegui avistar minha mãe, ela estava de costas para mim e me irritei. Peguei a mão de Jeremy e subi as escadas com ele, ele tentou tirar as mãos de mim, mas eu não deixei. Segurei-a com firmeza e subimos as escadas, chegando ao segundo andar.
Passamos pelos corredores sem sermos vistos e, depois de alguns curtos segundos, chegamos ao meu quarto.
Ele o olhou de cima a baixo, examinou a tevê, o computador, o pequeno sofá e a enorme cama que tinha ali.
— Uau! — disse ele.
— Ah, para...
— Sério, seu quarto é incrível, amor... — fiquei feliz e sem graça quando ele havia me chamado daquilo. Aquilo só provava que ele ainda me amava. E eu o amava.
— Bom... — me sentei à cama e ele se sentou ao meu lado esquerdo. — Senti sua falta.
Ele sorriu.
— Eu também senti a sua falta, amor. — ele apertou minha mão esquerda.
Eu o beijei.
Não consegui me conter. Nós nos amávamos e sempre nos amaríamos. Eu o amava acima de tudo e ele estava ali comigo, como eu não poderia aproveitar a noite com ele?
Deitamo-nos a cama ainda nos beijando.
O beijo era intenso, calorento, delicioso e repleto de paixão. Jeremy havia passado uma de suas mãos em minhas costas e alisando-a; passei uma de minhas mãos em seus braços enquanto retribuía o beijo de língua em que estávamos. Entrelaçamos as outras mãos livres e nossas pernas também.
Comecei a tirar seu blazer e ele começou a desabotoar a minha blusa social; depois desabotoei sua blusa social e ele tirou meu blazer e minha blusa já desabotoada. Passei minha mão por seu peitoral liso e totalmente sarado que parecia mais ser desenhado do que meses de academia que ele havia me dito ter feito; ele começou a alisar minhas costas e seguido de meu cabelo. Arrepiei-me com o seu toque em minha nuca e ele me puxou mais para ele.
Comecei a desabotoar a sua calça e ele a minha; quando dei por mim, eu e ele já estávamos nus em cima da cama. Nossas mãos nos tocavam de uma maneira que eu havia me esquecido de ter tocá-lo daquela maneira.
— Eu te amo. — eu disse, o olhando nos olhos.
— Eu também te amo. — disse ele me olhando nos olhos também.
Então, Jeremy e eu tivemos nossa noite de amor em pleno Natal. Uma noite coberta de desejo, amor e paixão.
Fale com o autor