O Ninja De Branco.

8 Capítulo 8 — O Primeiro Sonho.


MEU PAI ESTAVA SENTADO A UM BANCO BRANCO EM UM LUGAR MUITO BONITO. COM flores vermelhas caindo, árvores ficando sem folhas, grama verde e havia uma mesa branca a sua frente também. Parecia o parque que ele me levava em meu aniversário quando eu era criança, aliás, aquele era o parque que ele me levava quando era criança.

Ele sorrira a me ver e fizera um aceno para eu me sentar com ele no banco. Eu sorri. Meu pai estava comigo, estava presente e estava feliz em me ver. Eu não podia estar mais feliz. Nem o homem mais feliz da face da Terra era mais feliz do que eu, como eu era naquele momento. Eu estava com meu pai e isso era tudo para mim.

Eu fui até ele com um sorriso em meu rosto. Ele também estava sorrindo e isso era ótimo. A cada passo que eu dava, as folhas caídas se espalhavam pelo chão, fazendo com que eu tenha uma boa visão de outono. Eu sempre gostei do outono, honestamente. Ele fazia eu me lembrar-se de quando ele vinha me visitar em meus aniversários sempre era outono em meus aniversários.

Sentei-me ao seu lado e ele pôs uma de suas mãos em meu ombro afagando-o. Senti-me maravilhado, o toque de meu pai em meu ombro me fazia tão bem que parecia surreal essa sensação. Meu pai era tudo para mim, absolutamente tudo. E ele estava comigo. Ele apertou meu ombro uma vez e senti algumas lágrimas escorrerem por minhas bochechas e o abracei com força.

Meu pai retribuiu o abraço, também com força e beijo meu rosto. Seu toque era mais que real, eu tinha a sensação de que aquilo era real, era ótima. A sensação de ter sido beijado por ele mais uma vez, Fez com que eu me esquecesse de tudo, de sua morte. Para mim ele não havia mesmo morrido. Era como se todos os meus problemas haviam sido esquecidos, tudo o que importava era estar com o meu pai.

Paramos de nos abraçar e ele e eu nos olhamos sorridentes.

É tão bom ver o senhor, pai... disse eu, segurando sua mão. Eu sabia que aquilo era tremendamente infantil, mas meu pai não ligava para isso. Ele até gostava. Ele sorriu ao meu toque.

É bom ver você também, meu filho. disse ele e me olhou. Eu tenho algo a dizer para você, Theo. E quero que preste muita atenção, meu filho. dizia ele e eu assenti. Você precisa monitorar o que eu havia te deixado.

Eu franzi a testa, eu não entendi. O que meu pai havia me deixado a não ser o diário e o exame de DNA que ele havia deixado comigo? Havia algo mais?

Mas, pai... eu não entendo. O que o senhor deixou para eu monitorar? perguntei com a testa franzida de preocupação. Eu não queria ter a ideia de ter desaponta-lo. Isso seria demais para mim. Ele rira de mim e eu não entendi o porquê daquela risada. Desapontar o meu pai era a última coisa que eu queria fazer na vida e isso não tinha nenhuma graça. Com todo respeito, pai... não tem a menor graça. falei com certa raiva na voz, mas eu olhava para o chão para não poder vê-lo.

Não, Theo... ele rira de novo é que eu nunca havia te visto preocupado e é engraçado. Faz lembrar-me seu irmão... o olhei e ele fitara o chão e suspirara. Bem, o que eu quero de você, meu filho eu amava quando ele me chamava de meu filho, fazia eu me sentir integrado em sua família , é que faça justiça.

Meu pai me olhara de uma forma que eu nunca o vira me olhar antes. Ele havia penetrado seus olhos nos meus de uma forma que me fizera encolher meus ombros. Eu não sabia absolutamente do que meu pai estava falando. Justiça? Que tipo de justiça? Meu pai queria que eu virasse um justiceiro ou coisa do tipo? A única coisa que eu sabia era lutar e usar uma espada. O que meu eu poderia de fazer? Meu pai estava louco.

Eu o olhei com a testa franzida, eu não sabia como perguntar aquilo, mas tive que tentar:

O que quer dizer, pai? Quer que eu...

É exatamente o que eu quero que você faça. ele me interrompera e me olhara penetrante novamente.

Eu engolira seco. Ele parecera tão certo de que aquilo não era uma brincadeira que eu prendi o riso que se formara em minha garganta. Eu o olhara novamente e mantinha a expressão séria e penetrante. Meu pai não poderia estar falando sério.

Pai, o senhor não pode...

Estou, Theo. ele me interrompera como se estivesse previsto minhas palavras. É exatamente o que estou pedindo. Você tem de purificar Starling City. Ela precisa voltar como era antes. Precisa ser limpa de novo, Theo. Não cometa os mesmos erros que eu cometi, meu filho. Você é mais do que isso. Você precisa fazer isso. ele finalizara com cara de quem pedia ajuda. Mas aquele rosto se transformara em seriedade. Você não me disse que queria me honrar? perguntara ele.

Aquilo me fizera olhá-lo de imediato. Mas é claro que eu queria honrar o nome de meu pai. Eu não seria que nem Oliver, o tolo-maravilha que só sabia gastar o dinheiro da família com meninas e festa; Thea, a quem sempre parecia indefesa e não fazia nada; e minha mãe, a quem nunca haveria de fazer alguma coisa.

Claro, pai! dissera eu. É o que eu mais quero.

Então fará o que eu disse. Certo? perguntara ele levantando uma sobrancelha para mim e inclinando a cabeça para frente para poder me analisar melhor.

Engoli seco. Eu iria fazer de qualquer forma. Era o que meu pai havia dito para fazer e eu o faria de qualquer maneira. Faria de tudo para agradar e honrar o seu nome. Eu faria de tudo para o meu pai. Mesmo que isso custasse a minha vida.

O olhara fixamente nos olhos. O encarara de uma maneira que ele levantou as sobrancelhas e depois voltara ao normal.

Sim, pai. Eu o farei. falara eu com firmeza em minha voz.

Ele se colocara de pé eu me pus de pé, também, imediatamente. Encaramo-nos por um instante e ele me abraçara. Eu não havia entendido o porquê do abraço, mas o abracei.

Tenho certeza de que não me decepcionará, meu filho. dissera ele.

Não, não irei. dissera eu firmemente.

Meu pai começara a andar pelo parque e eu o segui. Ele andava devagar, como se quisesse que eu o seguisse de perto e foi o que eu fiz. Eu não queria sair de perto de meu pai, em momento algum. Ele valia muito mais do que estava vida.

Ele ajeitou seus cabelos brancos e em seguida o seu cavanhaque. Meu pai sempre tinha essa mania, ele sempre fazia isso, desde quando eu era pequeno.

Pai? eu o olhara e ele levantara suas sobrancelhas me olhando. O que quer que eu faça, exatamente?

É simples... limpe a cidade.

Mas... como?

Eu não paguei suas aulas de artes-marciais? perguntara ele e parara de andar, me olhando.

Sim, mas...

Então! dissera ele firme. Te pus na aula de esgrima também... pronto. Agora já sabe como. ele voltara a andar.

Eu não havia entendido. Meu pai parecera óbvio ao falar aquelas coisas, mas eu não conseguia captar a sua ideia.

Meu filho, há duas espadas no sótão de casa. Pode pegá-las e sei que fará bom uso. Não quero que mate ninguém, só faça justiça. Fui claro? ele parara e pusera suas mãos em meus ombros. Mas, se necessário... ele não finalizou mas eu entendi.

Sim, senhor. falei firme. Mas a dúvida não me faltou. Eu queria saber que justiça ele estava falando. Pai... que justiça você fala? Eu sei que quer que eu limpe a cidade, mas não me disse como. Não consigo entender.

Simples... dissera ele e voltara a andar no parque em direção a uma ponte que havia um grande rio abaixo dela Ponha medo! Faça-os devolverem o que tomaram. Nossa cidade está, a cada dia, mais... suja por estes homens... ele falara num tom raivoso. Vira seus olhos perderem o foco, o vira fechar os punhos com força e seus dentes trincarem.

De que homens você fala? perguntei vendo que ele não terminaria a frase de tanta raiva.

Ele respirara fundo duas vezes e o esperei. Meu pai e eu chegamos à ponte que ficava acima do rio e ele encostou-se ao pequeno muro que havia na ponte para não cairmos no lago.

Olhei para o rio e ele continuava o mesmo do que há cinco anos, desde a última vez que o tinha visto; água corrente, clara, havia até alguns peixes vivendo li. Algumas pessoas pescavam com seus filhos. Havia um casal com seus dois filhos; o mais novo estava pescando enquanto o mais velho havia tirado um peixe de dentro do rio. O mais novo não havia gostado disso. O rio realmente não mudara. Realmente parecia o mesmo. E eu gostava daquilo, não gostava muito de mudanças mesmo algumas sendo boas e agradeço por meu pai continuar o mesmo.

Há um porão em nossa casa... começara ele se você for ao porão e, mais precisamente, dentro de uma caixa embaixo da escada, você irá encontrar uma maleta.

Maleta? eu o interrompera e ele parecera não gostar nada disso. Desculpe.

Tudo bem... bom, como eu estava dizendo, dentro desta maleta, há um fundo falso dentro do bolso do zíper de fora dela. Nesse fundo falso, há um pequeno caderninho com um símbolo esquisito. Acredite, é realmente esquisito. ele rira consigo mesmo.

Franzira a testa para ele, mas fechei os olhos e balancei a cabeça em negativa aos risos com o seu senso de humor. Ele parecera, com todo respeito, um idiota. O que me fizera rir mais. Agora eu sabia de onde Oliver tira suas idiotices., pensara eu.

Tudo bem... o que há nele? perguntara eu depois de um pequeno período de silêncio.

Nada. dissera ele.

Oi? perguntei sem entender. Ele queria que eu pegasse um caderno sem nada escrito? Ele era louco?

Ele rira. Estranho.

Não há nada se não olhar corretamente. dissera ele piscando para mim.

O que quer dizer?

Sugiro que use luzes ultravioletas e óculos apropriados para a ocasião.

Experto.

Entendi.

Ou você pode atear fogo, mas tenho medo que você queime aquela porcaria de caderninho.

Eu rira.

Prefiro luzes ultravioletas e óculos apropriados. ele rira com a minha concordância com a primeira opção.

Experto... ele bagunçara o meu cabelo, que estava um pouquinho grande do que ele havia visto, sendo que da última vez que me vira, eu estava de cabelo baixo, parecendo o de Oliver.

O que me fez pensar... se meu pai havia dois filhos e uma filha, porque não pedira para eles e pedira para mim? Oliver era mais velho e eu sei que ele faria qualquer coisa que o nosso pai mandasse; Thea, nem tanto, mas ela não o desobedeceria de uma maneira extrema e não consigo enxergá-la como... justiceira.

Pai? eu pusera os cotovelos no murinho da ponte e minhas mãos em meu queixo.

Sim? perguntara ele.

Por que eu? eu realmente queria saber.

Ele não respondera, de início. Ele pensara um longo tempo. Não era uma pergunta difícil, eu acho. Ele podia, simplesmente, me dizer o motivo. Dizer que Oliver era tonto o bastante para usar uma espada e Thea não tinha tais habilidades quanto eu. Mas, ao invés disso, ele disse:

Porque eu sei que não falhará.

Aquilo me fizera sorrir.

Não falharei. dissera eu com firmeza em minha voz. O que me surpreendeu, porque fora firmeza demais.

Desapontar meu pai seria uma coisa tremenda e totalmente cruel. Eu sabia que se eu falhasse, eu o desapontaria e certamente eu não queria isso. Eu não sabia se ele me perdoaria, ou se nunca mais haveria de falar comigo novamente.

Mas...

Mas...? ele levantara as sobrancelhas para mim.

E se eu falhar? perguntara fitando o rio e trincando os dentes. Senti meus membros pararem de se mexer. Receber uma resposta negativa acabaria comigo naquele exato momento.

Ele me pegara pelos ombros e me fizera olhar em seus olhos.

Theodor Jasper Queen, você não irá falhar. dissera ele. Eu confio e acredito em você, meu filho. Sei que conseguirá fazer isso. Você irá fazer isso e não me decepcionará. Sei disso.

Mas e se eu...

Então falhou. dissera ele dando de ombros. Ao menos você tentou e provou que me honrar é o que mais te importa. E é isso que eu mais amo em você, meu filho. Eu nunca ficaria bravo contigo, meu filho. Mesmo se você falhasse nisso. Eu não ficaria. Nunca. Jamais! Eu te amo. Eu não exigiria demais de você. Peço isso a você porque eu sei que você irá conseguir. Sei que irá. ele me encarara nos olhos.

Ouvir aquelas palavras havia me tocado de uma maneira inacreditável.

Meu pai me amava e não ficaria bravo comigo se eu falhasse. Eu também não o desapontaria. Eu cumpriria o que ele havia me pedido. De qualquer maneira eu faria. Disso eu tinha certeza. Eu honraria seu nome e não o desapontaria.

Ele me abraçara e eu o abraçara de volta, forte. De ambos os lados. Eu pudera sentir uma gota de sua lágrima cair em meu ombro, mas eu também já estava chorando.

Ele parara o abraço e jogara a cabeça de lado e me olhara ainda com expressão tristonha.

Dê uma chance a sua mãe, meu filho. ele me olhara com uma expressão triste. Ele estava jogando sujo, ele sabia que eu não gostava quando ele ficava triste. Ela está tentando ser melhor do que antes. E dê uma chance a seus irmãos, também. Eles merecem você e você os merece. finalizara ele, ainda tristonho.

Ai, eu odiava essa cara dele...

Pai...

Sua mãe te ama, Theozinho. Ela faria de tudo por você e seus irmãos e eles fariam de tudo por você, assim como eu sei que fará de tudo por eles. ele pusera a cabeça jogada de lado e me olhara com quem iria chorar. Meu filho, por favor?

Eu não conseguia negar nada do que ele me pedia.

Suspirei.

Tudo bem, pai. Tentarei dar uma chance a eles. prometi.

Ele sorrira e voltara a sua expressão normal e sorridente, e me abraçara.

Sentir aquele abraço, também parecia ser o último, assim como parecia que seria a última vez que eu o veria. Aqueles anos que ele não aparecera acabaram de sessarem. Meu pai estava comigo e não me deixaria, ele estaria presente em minha vida.

Meu pai parara de me abraçar e começara a andar se afastando de mim. O que me fez curvar a cabeça e franzir a testa.

Hey, pai? o chamara.

Sim? ele se virara e me olhara.

Aonde vai?

Embora.

Arregalei os olhos.

Por quê?

Porque eu estou morto. Tenho que ir embora. Aquilo me espera. ele apontara para a sua frente e pude ver que o fim do parque estava total e completamente branco, e iluminado por uma luz branca no céu. Perguntei-me como eu não conseguia ver todo aquele branco em todo o parque.

Eu franzira a testa de novo procurando alguma coisa para falar.

Pai... o senhor... morreu? perguntara olhando para ele com os olhos arregalados.

Sim, meu filho. dissera ele normalmente.

Então... isso não passa de um sonho? Então é por isso que eu o vejo maior do que antes? eu não havia reparado, mas agora eu podia ver minhas mãos; mãos de quando eu tinha oito anos de idade. De quando ele me trazia aqui para eu brincar... realmente era um sonho.

Sim. Mas isso não significa que não pode ter sido verdade ou realidade, não? eu havia entendido. Ele sorrira para mim dando uma piscadela e eu sorrira de volta.

Ele voltara até a mim, batera em meus ombros duas vezes.

Eu te amo, meu filho. dissera ele.

Eu também te amo, pai. o abraçara rapidamente e ele retribuíra o abraço, beijando-me no rosto.

Ele se virara e fora de encontro com a luz.