O Ninja De Branco.

4 Capítulo 4 — O Término.


Notas iniciais
Desculpe pelo grande espaço na hora da escrita de Theo em seu diário. O site não deixou por do jeito que eu queria. Mas, mesmo assim... aproveitem.

JEREMY DEU PARTIDA NO CARRO ASSIM QUE EU HAVIA ENTRADO. ELE NOS CONDUZIU ATÉ a estação de trem sem reparar em meu rosto — o que agradeci bastante, porque se ele visse... bom, eu não queria nem pensar nisso.

Jeremy acelerou bastante quando entramos na avenida principal em direção a estação de trem e eu comecei a pensar no que dizer para ele. Ele não merecia passar pelo que estava prestes a acontecer. Jeremy sofreria muito e eu sabia disso, mas era a única maneira para eu poder partir.

Ele não estava sorridente dentro do carro, mas também não estava totalmente triste. Provavelmente ele estava rejeitando aquela informação de eu partir e deixá-lo aqui — o que me fez sentir um grande aperto no coração e pegar em sua mão livre que estava na macha do carro. Ele a apertou logo em seguida e me olhou rapidamente. Sorri.

Eu não sabia como começar aquilo, eu só queria que fosse rápido. Simples e rápido. Eu sei que ele não se sentiria bem com aquilo e não aceitaria de maneira alguma. Mas era necessário, eu tinha que terminar com ele, uma hora ou outra isso iria acontecer. Ele sabia que eu partiria qualquer dia, mas eu acho que não sabia que seria tão cedo.

Ele deu uma freada forte e estacionou o carro perfeitamente na vaga que havia ali no estacionamento da estação de trem.

Senti meu coração apertar novamente. Eu não sabia como começar a falar com ele a respeito do término de nosso namoro. Querer, eu não queria, mas a necessidade era enorme — eu não queria ver Jeremy preso a mim sem ao menos eu estar perto dele. Isso parecia errado e injusto. Sem contar que namoro a distância não nos ajudaria nem um pouco.

Ele saiu do carro e foi direto ao porta-malas. Aproveitei e saí do carro também.

Avistei a estação de trem e olhei ao relógio central que havia ali. Marcavam exatamente dez para as onze — eu não havia reparado o quanto havíamos demorado a chegar à estação. Provavelmente Jeremy nos fez demorar, para ver se eu pensasse mais sobre a minha saída da cidade.

— Jeremy? — chamei-o.

— Sim? — disse ele abaixando o porta-malas e trazendo a mala roubada dos Parkers para mim

— Faltam dez minutos... e eu não comprei o bilhete. Temos que ir! — aprecei-o, pegando a mala e batendo a porta do carro.

Ele pareceu nervoso, travou o carro e correu comigo para a bilheteria.

Assim que Jeremy pegou o bilhete para mim, fomos esperar o trem na ala de espera. Ele pôs a minha mala ao chão e pegou em minha mão, e a apertou um pouco.

Eu me perguntava se ele sentia o calor que eu sentia quando ele me tocava, quando me beijava, quando sorria para mim... ele era incrível e, mais uma vez, eu me achava um vilão nessa história toda. Ele não merecia sofre, eu sim, não ele.

— Jer. — falei olhando para ele ainda segurando em sua mão.

— Sim? — perguntou ele, enquanto massageava as costas de minha mão com o polegar. Ele olhou para mim e levantou as sobrancelhas.

Fiquei em silêncio por um minuto.

— Bom... você sabe o que temos de fazer... — comecei a falar e senti um formigamento e minha barriga.

— O que temos de fazer? — perguntou ele normalmente.

— Você sabe, Jeremy... — olhei para baixo.

Senti sua mão levantar meu queixo, forçando-me a olhá-lo.

— Não, não sei, Theodor. — disse ele me olhando nos olhos.

Desviei meu olhar do dele.

Respirei bem fundo e tomei coragem.

— Não... não... — não consegui terminar por um instante. Senti meus olhos lacrimejarem e eu engoli o choro por um momento. Minhas mãos começaram a suar, minha testa também...

— Não o quê, Theo? — ele voltou a levantar meu queiro e eu comecei a chorar.

Ele me encarou nos olhos e olhei fixamente nos dele, mas nos meus havia lágrimas escorrendo.

— Podemos continuar juntos. — terminei a frase de uma vez. De início, parecia que eu havia tirado um peso de minhas costas, mas depois que vi sua reação, só me fez chorar ainda mais.

Ele abaixou a cabeça, se afastou um pouco e sentou no banco que havia atrás dele. Chorando, eu o segui, sentei ao seu lado ao banco e juntei minhas mãos.

Ele não disse nada.

Tentei pegar em uma de suas mãos, mas ele as afastou de mim por um breve momento, mas depois as segurou.

— Por quê? — perguntou ele entre uns soluços.

— Porque não acho certo você se prender a mim, sendo que eu não estou aqui.

— Mas há namoro a distância...

— Mas você sabe que não é a mesma coisa. — fiz uma pausa. Ele continuou segurando minhas mãos e me olhou.

Ele começou a ficar vermelho e começou a chorar. Aquilo acabou comigo. Ver as lágrimas caindo devagarzinho pelas linhas de seu rosto me fez sentir uma forte pontada no coração. Jeremy nunca havia chorado em minha frente antes, nem mesmo com a morte de sua avó recentemente.

Essa era a primeira vez que eu o via chorar e era a primeira vez que eu queria morrer de verdade.

— M-mas eu t-t-te a-am-mo. — disse ele entre os soluços e foi aí que mais lágrimas escorreram de meus olhos.

— Eu também... — respirei fundo. — E é por isso que eu não quero ver você preso a mim. Não quero ficar longe e ainda ter a esperança de ter você por perto a qualquer hora. Isso não vai acontecer, Jeremy. — ele pôs as mãos no rosto. — Jeremy... você tem que ficar livre de mim. Não pode se prender. Mesmo se houver namoro a distância, você sabe que não seria a mesma coisa...

— Mas valeria a pena tentar. — interrompeu-me ele.

— Sim, valeria, mas não seria a mesma coisa. — falei.

Naquele instante, o trem havia chegado e eu me coloquei de pé. Jeremy havia feito a mesma coisa.

Eu peguei a minha mochila que estava em meu colo e a pus nas costas. Ele pegou a mala e me deu. Peguei no mesmo instante e o olhei novamente. Ele havia parado de chorar, mas tinha a expressão de tristeza e de quem havia chorado muito no rosto.

Eu não consegui falar nada, apenas olhá-lo. Ele pôs as mãos no bolso e me olhou, mas abaixou o rosto logo em seguida.

— Eu te amo, Jeremy. — falei, por fim.

— Eu também te amo, Theodor. E muito. — ele se aproximou enquanto falava.

— Eu também... — também dei um passo à frente e ele me beijou.

O beijei como nunca.

Senti o toque de seus lábios macios nos meus e pus a língua, ele fez a mesma coisa. Joguei a mala no chão e passei minha mão por volta de seu pescoço e ele pôs uma em minha cintura e a outra em minha nuca, por cima do capuz de minha blusa de frio. Eu sabia que seria a última vez que eu sentiria aquele beijo de tirar o fôlego.

Nós não nos importamos para as pessoas que nos assistia, afinal, a cidade em que vivíamos era raro o índice de preconceito sexual. O que era bom, pois os pais de Jeremy não ligavam para a orientação sexual de seu filho. Tampouco que ele tinha um namorado.

Jeremy tentou brincar com meus cabelos de minha nuca mas ele não conseguiu por conta da blusa e parou o beijo, fazendo-me respirar — e não havia que estava sem fôlego até ele interromper o beijo. Ele também estava sem fôlego, pois quando o vi, ele puxou bastante o ar.

Beijamo-nos novamente e dessa vez, foi mais intenso...

Jeremy havia posto uma de suas mãos em minhas costas e deslizara até minha cintura, onde passou para a parte de trás. Aproveitei e fiz o mesmo. Passei minhas mãos por todo o seu corpo e ele havia feito o mesmo no meu. Sentir o calor de sua pele e tocando na minha era mais do que agradável. Eu queria que aquela sensação não acabasse, fosse para sempre. Sempre e sempre. Era como se o Sol estivesse entre mim e ele, liberando aquele calor que eu achava maravilhoso. Aquele calor...

Ele juntou mais o seu corpo ao meu. Fazendo nos encostarmos de uma maneira que parecia que estávamos ligados um do outro. Não hesitei de abraçá-lo e deslizar minhas mãos pelo seu corpo. Ele percebeu o que eu estava fazendo e acariciou minhas costas de uma maneira forte, porém agradável.

Deslizei minhas mãos pela sua coxa...

— Theo... — disse ele.

— Sim? — perguntei de olhos fechados.

— Seu trem... está prestes a partir... — disse ele ofegante.

Eu não ligava para aquele maldito trem que interrompera o meu momento feliz com o meu namorado. Ele que se exploda. Ele era o vilão nessa história e eu comecei a odiá-lo. Mas lembrei-me para o que era aquele trem e Jeremy não interromperia o que começamos se não fosse algo sério. Abri meus olhos e o olhei. Ele me olhou de volta e deu um risinho nervoso.

— Ah... — falei me recompondo e pegando minha mala e minha mochila.

Ele me olhou novamente e quase chorando.

— Jer... por favor, não. Tente não chorar...

— É difícil. Meu único amor indo embora e terminando comigo no mesmo dia? O que queria de mim, Theodor? — perguntou ele com certa raiva em seu tom de voz.

— Amo quando você fica irritado, sabia disso? — falei num tom sério, mas ri para ele.

Ele não resistiu e riu também.

— Sim... umas cinco vezes. — ele riu de novo e me beijou demoradamente na boca, e depois nos separou. — É melhor você se apressar. — ele indicou o trem em minhas costas e o comecei a ver pessoas embarcando nele.

— O.K. — falei e, pegando minhas coisas, subi o peque lance de escadas que havia no trem e entrei no mesmo. Virei-me de costas e o olhei. Eu vi que ele começaria a chorar mais cedo ou mais tarde, então eu disse antes que eu começasse a chorar também: — Te amo, meu Jeremy.

— Também te amo, meu Theodor. — disse ele me jogando beijo.

Joguei beijo para ele também e entrei no ônibus chorando.

Lá dentro, havia vários acentos vagos e fiz questão de me sentar e um acento que havia janela para poder ver se conseguia visualizar Jeremy mais uma vez e consegui. Assim que me sentei no terceiro acento que tinha janela da entrada, eu podia vê-lo. Joguei minha mala no acento que ficava defronte a mim e pus minha mochila em meu colo. Acenei para ele e tirei o capuz de meu casaco e tirei meus óculos por um instante.

Sorri para ele, mas ele não havia feito o mesmo, só me encarou de uma maneira de quem procurava algo em mim. Não entendi o que ele queria dizer com aquela expressão e, de repente, ele arregalou os olhos e ficara com a cara totalmente raivosa.

Ele pôs as mãos nos bolsos em busca de alguma coisa e ele tirou seu celular de seu bolso esquerdo e começou a mexê-lo. Assim que ele parou, meu celular havia soado o alarme de uma mensagem de texto.

Peguei meu celular e aproveitei para colocá-lo para vibrar. Vi o símbolo da mensagem no visor e a abri.

O que houve com o seu rosto?, dizia a mensagem ele e olhei-o novamente.

Ele havia cruzado os braços e me encarava feio. Pus o meus óculos de volta e o celular vibrou, revelando mais uma mensagem sua.

Não adianta mais você esconder, eu já vi. O que houve, Theo?, perguntou ele.

Droga!, pensei comigo mesmo. Eu havia esquecido completamente desse treco em meu rosto. Eu havia esquecido completa e totalmente disso. Passei muito tempo pensando em escondê-lo e por um pequeno deslize, revelei o que não queria. Droga!

Não foi nada de mais. Apenas bati com o rosto na pia do banheiro quando estava saindo da casa dos Parkers. Nada com o quê se preocupar. Acalme-se!, respondi sua mensagem. Era mentira? Completamente. Mas eu não daria motivo a Jeremy para ele arrumar briga com Jason. Nem pensar. Fiquei olhando-o para ver sua reação quando ele lesse.

Ele mexeu no celular. Ficou olhando para ele alguns segundos e depois balançou a cabeça em negativa. Ele começou a digitar.

Não, não relaxo. E também não acredito. Quem foi? Jason ou o idiota do Norbert?, dizia a sua mensagem. Essa era a primeira vez que eu havia visto Jeremy mencionar o nome do Sr. Parker.

Não irei contar, assim como não quero que vá procurar encrenca por mim, Jeremy. Eles não sabiam que eu tinha namorado e tampouco iria sair da casa deles. Acalme-se!

Jeremy não pareceu se acalmar quando leu a minha mensagem. Eu também não esperava que ele se acalmasse. Ele era meio esquentadinho.

Tá, eu não irei, mas me diga quem foi?, ele ainda estava de braços cruzados para mim. Parecia incrédulo todas às vezes que via o meu rosto. Ele não parecia que não iria fazer nada.

Jason., foi só o que mandei. Eu realmente confiava em Jeremy e sei que ele não me deixaria na mão, mesmo ele mostrando aquela cara raivosa para cima de mim.

Por que não me contou? Eu merecia saber, sabia?, ele pôs um emoticon de uma carinha triste no fim da mensagem.

Porque eu sei como ficaria, sei o que faria e capaz do que iria fazer se soubesse quando eu te contasse., pus um emoticon triste no final de minha frase na mensagem também. Jeremy, prometa que não fará nada. Por favor?, mandei a mensagem perguntando

O trem dera partida.

O.K. Tudo bem. Eu te prometo!, mandara ele de volta.

O trem começara a pegar mais velocidade e eu fiquei nervoso. Eu sabia que depois que o trem pegasse velocidade, eu não veria mais Jeremy novamente. Nunca. Aquela pontada no coração voltara e com mais intensidade do que antes.

Eu te amo, Jeremy. Sempre fui feliz com você. SEMPRE! Não houve um momento em que fui infeliz com você. Desculpe-me por não conseguir te dar presentes do mesmo valor que você havia me dadovocê sabia das condições em que eu vivia. Eu realmente te amei como nunca havia amado ninguém. E eu ainda te amo, Jeremy Schmidt!, enviei para ele e senti uma lágrima escorrer de meu olho direito.

Vi ele começar a ficar vermelho novamente.

Ele começou a digitar e enxugava o rosto com as costas das mãos, às vezes.

Eu também te amo, Theo. Como nunca amei ninguém. Você foi o rapaz em que eu realmente fiquei perdidamente apaixonado. Com você eu me sentia completo e minha vida fazia sentido, muito sentido. Eu tive outros dois relacionamentos antes de você, e sabe disso. Mas com você eu realmente fui feliz e não se desculpe por nada. O que gastei não me fará falta alguma e foi para a pessoa que eu mais amo nesse mundo: você. Vou sentir sua falta, meu amor. Eu te amo MUITO, Theodor Queen!, recebi sua mensagem e comecei a chorar.

Jeremy também estava chorando quando eu o olhei. Ele enxugou um pouco de seus olhos com as costas das mãos e me deu um pequeno sorriso torto — era o que eu mais amava.

Ele acenou para mim e acenei de volta.

O trem pegou mais velocidade e fez Jeremy sumir da minha vista.

A única coisa que eu sabia naquele momento era chorar.

Eu precisava escrever, precisava do diário que meu pai havia me deixado o mais rápido possível para desabafar e foi o que eu fiz.

Peguei o diário em minha mochila, juntamente com uma caneta e comecei a escrever...

23 de setembro de 2011



Querido Diário,



Primeiramente, me perdoe por ter demorado a voltar a escrever em você. Lembro-me que a última vez que conversei contigo havia sido no mês de meu aniversário deste ano — completando seis anos que meu pai não me visita. Perdoe-me por isso...

Bom, eu estou a caminho de minha verdadeira família. Dá para acreditar nisso? Minha verdadeira família. Sei que não dá para esconder a minha excitação para encontrá-los. Não via a hora de encontrar meu pai novamente e perguntar o porquê de seu sumiço — isso foi uma das razões por eu arrumar encrencas na escola, ganhado algumas cicatrizes no corpo por conta das surras que eu levava (e são muitas) durante as brigas que eu arrumava na escola — mas eu não apanhava em todas —, de alguns torneiros e de minha automutilação. Mas isso é o de menos a dizer.

Eu estou ansioso para ver meus irmãos e esse novo padrasto que minha mãe tem.

Thea parece uma irmã quase igual a mim: meio chamativa, temperamental, e meio revoltada, e, uma coisa que eu não era e nunca fui ser: popular. Ela tem o perfil de ser uma filha perfeita, ou eu estou enganado sobre isso tudo?; Oliver não parece ser o filho perfeito, muito pelo contrário. Pelo o que andei lendo a respeito dele, ele é um riquinho metido a besta, festeiro e parece que não tem cérebro, só pensa em festas, gastar o dinheiro da família e mais nada; eu não quero saber de minha mãe. Ela nunca foi importante para mim, nunca mesmo. Ela não me visitava de forma alguma — exceto em meu aniversário de oito anos quando ela apareceu com meu pai e mal falara comigo, só falou que me amava e que se sentia culpada de me deixar com os Parkers e blábláblá —, não me telefonou em meus aniversários, só o meu pai. Ela nunca e nem será alguém de importância para mim. Só algo muito milagroso mudaria essa ideia que tenho dela de minha cabeça; não sei nada sobre esse padrasto e nem me importo em saber, mas pelo que eu sei, todos estavam bem com ele dentro daquela mansão.



Eu me preocupo com Jeremy. Será que ele se sentirá bem? Será que foi certo eu terminar com ele? Era o certo terminar com ele para ele ser livre de um relacionamento que não daria certo à distância? Como ele estará sem mim e sem notícias minhas? Eu não quero nem pensar nisso, mas é o certo a fazer, não é? Eu sei que fiz o certo. Mas me dói pensar que ele poderia seguir em frente e eu não. Eu sou preso ao Jeremy de tal forma que você não imagina. Ele me deu tudo: felicidade, amor, carinho, ouvidos quando eu mais precisei... ele era/é o namorado perfeito e que qualquer um pediria. Eu não me sinto bem sabendo que ele está triste. Ele não merece tristeza, somente felicidade. E eu estraguei tudo, tenho certeza disso.

Eu só queria que ele estivesse comigo, sabe? Estivesse comigo em Starling City, morando comigo, que conhecesse minha família e principalmente meu pai — eu sei que meu pai não é preconceituoso, porque eu havia contado de minha opção sexual para ele quando tinha onze anos. Sei que era cedo, mas eu tinha que dizer. Não achava justo ele não saber disso. Entenda-me, ele não me via direito e não sabia nada sobre mim? Não era justo. Ele precisava saber e eu contei. Tenho certeza de que fiz a coisa certa, também, em contar.

Enfim, eu estou a caminho da mansão dos Queen. Não sei como cegarei lá e falarei que sou um Queen. Acho que eu irei fazer o que me der em mente — eu sempre funciono melhor assim: no improviso. É a melhor forma de eu me sair bem em um plano, eu acho. Mas quem se importa?

Irei dormir agora, tenho uma viagem meio longa até a casa de minha família e eu estou terrivelmente cansado, com costelas quebradas — provavelmente — sobrancelha cortada, e com dor no rosto por conta do hematoma que Jason me fez o favor de me por na cara.

Enfim, querido diário. Até outro dia e obrigado por me deixar desabafar contigo novamente. Prometo voltar a escrever. Boa noite!

Theo.

Eu havia terminado de escrever em meu diário que meu pai havia me dado desde criança. Eu estava exausto. Só tive noção disso quando bocejei e me espreguicei. Guardei o diário em minha mochila, juntamente com minha caneta. Tirei os óculos de meu rosto e os guardei em sua caixinha e os coloquei na mochila também. Abaixei o capuz de meu casaco e encostei minha cabeça na janela.

Tentei não pensar em Jeremy, pois as lembranças dele chorando vieram em minha cabeça com bastante intensidade e eu não queria relembrar aquele momento. Tentei pensar em meu pai me recebendo de braços abertos em sua casa e com um sorriso de orelha a orelha, e me abraçando bem apertado como ele sempre fazia quando me visitava. Eu amava meu pai, isso não era dúvida.

Fechei meus olhos e fiquei pensando nessas coisas, e eu adormeci logo em seguida.