O Ninja De Branco.

21 Capítulo 21 — O Resgate de Walter.


PARECIA QUE ERA TOTALMENTE REAL O QUE EU TINHA SONHADO. O TASHIKIRO-SENSEI parecia muito real para mim do que apenas um sonho.

Eu não estava mais dormindo, estava acordado, mas eu não queria abrir os olhos. Ainda estava pensando em tudo aquilo que ele havia me ensinado. E sem contar que, pensando na noite anterior...

Tommy e eu estávamos em algum parque — eu já estivera nele antes. Ele havia se declarado para mim e eu, como não conseguia esconder a verdade dele, também havia, parcialmente falando, me declarado para ele. Tínhamos conversado sobre como esse romance seria dali para frente e havíamos nos beijado. Com isso, Tommy e eu começamos a nos beijar intensamente e a ideia de ir para a casa dele foi inteiramente dele, não minha — mas eu não quis ir. Preferi ir para outro lugar e ele decidiu ir para um motel comigo. Dá para acreditar? Não!

Enfim... depois disso, você pode imaginar. Tommy e eu tivemos uma noite incrível. Aquilo não foi apenas um ato carnal. Ele demonstrou amor, carinho e delicadeza e eu não pude deixar de retribuir a altura. Pode até parecer bobo, mas ele tinha sido super fofo comigo perguntando se eu estava bem, confortável e ele também respondendo quando eu perguntava a mesma coisa — ele quem mais perguntava, mas tudo bem, isso não vem ao caso.

Depois de uma longa noite nos amando, Tommy decidiu comprar alguma coisa — no caso resolveu pedir alguma coisa no motel (não me pergunte como ele conseguiu comida, água e diversas guloseimas) — e assistimos a um filme que estava passando na tevê a cabo, pois não estávamos com sono.

Tommy era lindo sem roupas. Tinha coxas excepcionalmente definidas, um corpo definido e com certos músculos e ele tinha pelos no peito — o que o deixava com mais cara de homem, mais sexy, a meu ver. Sem contar que sua cara quando me viu sem roupas foi engraçada. Foi uma mistura de vergonha e curiosidade, entre curiosidade e espanto. Mas ele logo se livrou disso quando começou a me beijar, passar a mão por meus cabelos, seguido de minha nuca, costas e descendo...

Contudo, quando finalmente abri os olhos, o vi ao meu lado esquerdo. Ele estava sentado na cama, encostando as costas na cabeceira da cama, com os lençóis enrolados da sua cintura para baixo. Ele ainda estava sem camisa.

— Bom dia — saudou-me ele.

Ri.

— Bom dia — falei também me sentando na cama e encostando à cabeceira da cama.

Ele ficou em silêncio por um tempo e eu também resolvi não dizer nada.

A noite passada parecia ter sido mágica. Eu não sabia exatamente dizer com qual precisão ficamos nos amando, mas eu estava totalmente cansado e disposto a dormir ainda mais e, ao julgar pela cara dele, ele também estava cansado e também estava com aparência de que queria dormir mais.

— Que horas são? — perguntei.

— Quase meio-dia — respondeu ele.

O QUÊ? — me pus de pé em um pulo e ele riu de mim. — Não tem graça, Tommy... Moira irá me matar — falei já pensando no discurso que ele iria fazer quando me visse.

Ele riu ainda mais e, pegando um travesseiro, joguei nele.

— É sério... preciso ir embora — assim que disse isso, ele fez cara de choro com um biquinho fofo. Ri.

— Antes de ir — disse ele —, tomaria banho comigo? — perguntara ele.

Ri balançando a cabeça em negativa, mas disse:

— Sim.

Ele comemorou com o braço e se levantou. Se outra pessoa — ou até mesmo Jeremy — tivesse se levantado da cama inteiramente nu, eu teria coberto meus olhos com as mãos, mas como era Tommy... eu não consegui. Eu já o vi pelado, já o senti pelado, então... aquilo os tornava totalmente íntimos. Sendo assim, eu não sentia mais vergonha, apenas consegui admirar ainda mais seu maravilhoso corpo.

Comecei a caminhar com ele para dentro do chuveiro e tomamos um banho. Bem, ao menos eu não consegui me banhar direito, pois ele ficava implicando comigo debaixo do chuveiro. Era bom sentir que eu o divertia, o distraia de tudo o que ele dissera estar confuso e atormentado na noite passada (conversamos bastante depois que nos amamos).

Tommy e eu estávamos totalmente prontos (depois dele querer namorar mais), descemos para a recepção do motel — ao menos eu, porque ele foi até a garagem tirar o carro dele —, e fomos para casa.

No caminho, Tommy começou a dizer que não poderia estar mais feliz depois da noite passada.

— Foi... mágico — disse ele repetindo o mesmo pensamento que eu tivera sobre a noite passada. E aquilo me deixou completamente feliz. — Eu estou feliz — dizendo isso, ele pegou, com a mão livre, em minha mão esquerda e a apertou com afeto.

Retribui o afeto apertando sua mão e o olhei bem a tempo de ver um sorriso em seu rosto.

— Eu digo a mesma coisa — falei com certa felicidade em minha voz.

Ele sorriu radiante.

Depois de termos atravessado quase metade da cidade a caminho de volta para Starling City, Tommy passou pela cabine fotográfica e nós dois não podemos conter as risadas. Por minha parte, foi porque foi ali onde tudo começou e acredito que para ele tenha sido a mesma coisa. Passamos, também, pelo restaurante em que comemos e minha barriga roncou no mesmo momento.

— Está com fome? — perguntou ele olhando rapidamente para mim e voltando para a estrada.

— Sim, mas tenho que ir para casa, primeiro. Minha mãe deve estar louca. Que horas são? — perguntei já completamente esquecido das horas.

— Duas e quarenta e cinco — respondeu ele.

O QUÊ? — o olhei com os olhos arregalados. — Por favor... acelera.

— Pode deixar — disse ele rindo e acelerou o carro.

Não demorou muito para chegarmos a minha casa. Afinal, ela não era difícil de se encontrar e Tommy, tampouco, havia esquecido onde era a casa do seu ex-melhor amigo (ou ainda melhor amigo, sei lá).

Ele me deixou na porta e, assim que saí e fechei a porta do carro, ele me chamou de volta.

— O quê? — perguntei me apoiando na janela do banco do carona.

— Não esqueceu nada? — perguntou ele.

— Não sei... — tentei vasculhar a mente. — Esqueci? — perguntei franzindo a testa e com uma sobrancelha arqueada.

Ele sorriu.

— Sim. Isso... — ele se inclinou até a mim e me beijou demoradamente.

— Ah, sim... isso — ri corando. — Desculpe.

— Está perdoado — ele piscou para mim. — Quando iremos nos ver de novo?

— Bem, você tem meu número, não tem? — perguntei.

— Claro que eu tenho — confirmou ele.

— Então pronto... — falei. — Me mande mensagem de texto.

— Com certeza mandarei.

— Ótimo — dessa vez foi eu quem inclinou a cabeça para dentro do carro e o beijou.

Ele me puxou por um instante no momento em que eu ia saindo e me beijou com mais intensidade, me deixando completamente sem fôlego.

— Tchau... Tommy — falei ofegando.

— Até depois, Theo — disse ele tranquilamente e partiu com o carro.

Vi seu carro se distanciar e se distanciar e depois sumir de minha vista.

Assim que virei-me para minha casa, avistei, com certa dificuldade, uma Moira Queen completamente raivosa com seu rosto estava com uma tonalidade vermelha vindo em minha direção.

Eu sabia que ali seria o meu funeral.

Minha mãe estava a minha frente com as mãos em sua cintura e completamente raivosa. Ela parecia que cuspiria fogo, se duvidasse.

Onde você estava com a cabeça, rapazinho? Hein? — perguntou Moira após me arrastar pela orelha do portão até o sofá de casa.

Eu sentia minha orelha direita completamente dolorosa e quente.

— Autch, Moi... mãe! — reclamei esfregando a orelha.

— Está doendo? Ah, mas pode ter certeza que isso será menos do que sentirá! — disse ele e começara a me beliscar no braço.

Eu não sabia até quando ele me “torturaria” daquela maneira. Desejei não ter olhado para meus irmãos mas, assim que os olhei, os dois estavam completamente vermelhos de tanto prenderem o riso e eu revirei os olhos.

Onde esteve? — perguntou ela com raiva após ter me dado vinte beliscões.

— Ocupado — respondi esfregando o braço esquerdo.

— Ainda por cima é debochado! — disse ela me dando tapas, não muito forte, no braço direito. — Igualzinho ao seu pai! Mas que coisa!

Ela não sabia que aquela comparação iria me fazer rir e não consegui conter a risada.

— Tal pai, tal filho — falei rindo para ela.

Ela me deu outro tapa.

— Diga exatamente onde estava!

— Eu estive com o Tommy a tarde — comecei a falar. — Depois fui até o parque porque me estressei com uma coisa que aconteceu comigo e preferi não voltar para casa. Ponto — ela me encarava de braços cruzados, mas, de risos, eu consegui por uma postura séria em meu semblante.

Moira ainda residia de braços cruzados e começara a bater o pé no chão. Ela vestia um blazer vermelho com botões amarelos, saia vermelha e sapatos altos vermelhos. Ela parecia que estava pronta a sair ou chegar, ou coisa do tipo. Que seja!

— Está mentindo — disse ela semicerrando os olhos para mim.

— Estou.... bem, ao menos em parte. — confirmei. — Não vou lhe dizer onde estive. Acabou. Fim de discussão — a encarei serenamente.

Ela pareceu se irritar.

Argh! — reclamou ela. — Nada de sair de casa até segunda ordem, mocinho.

— Como quiser, senhora — fiz continência para ela, assim como se faz no exército, marinha, aeronáutica e etc..

— Você — ela apontou para meu irmão. — Fique de olho nele. Não o quero fora desta casa. — Quando ele ia abrir a boca, ela se virou para Thea e disse: — E você, me mantenha informada de tudo. Tudo mesmo. Não confio em Oliver completamente a respeito de disciplina.

— Obrigado, mãe... — disse Oliver indignado.

— Desculpe, querido, mas seu histórico não é confiável — ela sorriu para ele.

Assim que ela se virou para mim e me viu com a mesma cara com que havia despachado ela, ela saiu da sala completamente uma fera. Ouvi o barulho da porta se batendo e fechei os olhos, completamente aliviado, jogando a cabeça para trás no sofá.

— Ficou louco? — ouvi Thea perguntar.

— Ela realmente está uma fera com você — disse a voz de Oliver.

Dei de ombros.

— Eu não ligo — o que era tecnicamente verdade.

Eu não me importava o que Moira fez comigo, o que ela faz comigo e o que ela faria comigo. Simplesmente não me importava... no momento. Eu tinha mais do que fazer do que me preocupar com castigos bobos como aquele.

Ernie estaria uma fera comigo e isso sim era de se importar. Eu não fazia as minhas visitas fazia dois dias e ele provavelmente havia me mandado várias mensagens de texto falando sobre isso, me ameaçando e, possivelmente, me xingando.

Quando havia dado cinco da tarde e depois de ver as cinquenta mensagens de texto de Ernie me xingando, ameaçando e completamente preocupado comigo, eu decidir ir direto para a casa dele — após ter ligado e escutado ele me xingar até ficar sem palavras ofensivas para me dizer. Aquilo me fez revirar os olhos,

A primeira parte do meu plano de fuga era: sair pela porta da frente. Eu, na verdade, não daria a mínima para o que meus irmãos e Moira dissessem ou fizessem comigo se eu saísse de casa. Não valeria a pena nem tentar ouvir.

Após sair com uma mochila nas costas de meu quarto, andei pelos corredores (que como sempre estavam vazios) e desci as escadas. Chegando ao andar debaixo, fui diretamente para a cozinha pegar algo para comer. A sra. Hampton estava lá, como sempre, e conversamos por alguns minutos. Ela me ofereceu comida fresca, mas eu disse que preferia alguns biscoitos e uma garrafinha de água e uma de suco de laranja, eu estava com certa pressa.

Após pedir a localidade da casa de Ernie por mensagem de texto — ainda na cozinha —, ele me passou no instante seguinte e eu segui para a porta da frente de casa e assim que...

— Onde pensa que vai? — perguntou uma voz masculina atrás de mim.

Oliver.

— Sair — falei virando-me para ele.

— Não, nem pensar — disse ele com certo sorriso para mim.

— Sim, irei — disse tranquilo.

— Não, não irá.

— Quem irá me impedir?

— Eu.

— Tá bom — bufei e voltei para a porta...

Uma mão segurou meu braço e, no instante seguinte, eu já estava caído no chão com Oliver segurando meu braço. Aquilo me deixou com tanta raiva, que eu passei uma rasteira nele, fazendo-o cair e, no segundo em que ele caiu, eu já estava com os pés prendendo o seu pescoço e a sua mão que estava em meu braço estava imobilizada em minhas mãos.

— Não me teste — falei cuspindo de raiva.

Ele bateu três vezes em minha perna e o soltei.

Assim que ele se colocou de pé, ele partiu para cima de mim, mas eu já estava preparado.

No instante em que ele veio com o punho para mim, girei o corpo lhe dando outra rasteira e, antes que ele caísse, o pus de cara no chão e prendendo seus braços pelas costas.

QUAL É O SEU PROBLEMA? — perguntei com raiva.

— Solte-me! — disse ele entredentes.

— Não até você dizer o que quer com esse teatrinho ridículo — falei ainda com raiva.

— Não quero nada, me solte, ande! — disse ele.

Fiz força em seus braços e ele gritou de dor.

Ouvi passos no andar de cima.

— O que é que está... Oliver! — disse a voz de Thea. Olhei para cima e ela estava com as mãos na boca. — Solte ele, Theo! Mas o que aconteceu? — ela começou a descer as escadas.

— A culpa é dele, ele que começou... — falei imobilizando-o ainda mais, pois ele estava fazendo força para se soltar.

— Você ia sair — disse ele.

— Se queria me advertir, só precisava falar, não precisava ter vindo brigar — rebati. — Você me faz lembrar o Jason! — falei revirando os olhos de raiva.

Ele parou de se debater.

— Que-quem é Jason? — perguntou ele.

— Isso não é da sua conta — falei de má vontade.

Revirei os olhos e, com um golpe no pescoço, o desmaiei.

— Theo! — disse Thea chegando perto dele assim que saí de cima do implicante.

Respirei fundo e me acalmando.

— Bem, eu vou sair. Até mais — falei indo para a porta.

— Mas você não pode...

— Ao menos você é educada, irmã — falei para ela, voltando-me para a mesma.

Eu podia jurar que um sorriso iria se formar no rosto dela.

— Eu nunca segui regras. Diga a Moira que eu saí. Até mais.

Dizendo aquilo, voltei para a porta e saí de casa.

Assim que cheguei à rua onde Ernie morava, ele já estava me esperando do lado de fora de sal casa.

— Mas que demora! — explodiu ele. — Pensei que nunca iria chegar aqui.

Ri dele.

— Meu irmão surtou — expliquei. — Começou a querer brigar comigo quando eu saí de casa. Moira impôs um castigo em mim. Daí ele surtou quando eu disse que iria sair — falei revirando os olhos.

— Típico, não? — debochou, ele.

Dei de ombros.

— Enfim... onde esteve ontem a noite? — perguntou ele e desejei que não tivesse me perguntado.

Pensei se eu realmente pudesse contar para ele sobre Tommy. Bem, de uma maneira ou de outra, Ernie sabia do maior segredo que eu carregava e ele conseguia manter isso em sigilo, então eu acho que ele não deixaria a história sobre Tommy escapar.

Contei para ele tudo o que aconteceu, mas eu fiquei com um grande aperto no coração quando havia dito toda a história. Eu não sabia qual seria a reação de Ernie sobre aquilo tudo. Ele podia recusar as informações, então eu fui menos detalhista possível. Eu sabia que ele não era uma pessoa preconceituosa, mas mesmo assim, eu achava que ele não estava preparado para detalhes.

Então Ernie finalmente entendeu o porquê do meu sumiço.

— Desculpe — disse ele.

— Tudo bem — falei bagunçando seu cabelo e ele me deu um soco no ombro. Ri. — Então, onde é sua casa? — perguntei.

— No fim da rua — apontou ele para o fim da rua sem saída. — Não é como a sua, mas...

— Ah, por favor, né? — falei revirando os olhos. — Eu não ligo para isso, garoto. Eu dormia em um cubículo de sótão empoeirado.

— Eu não sabia dessa parte... — ele franziu a testa.

— Eu preferi não contar — ele assentiu quando disse isso. — Enfim, vamos?

— O.K..

Assim que chegamos ao fim da rua, Ernie me levou para a sua casa. A casa, de início, havia me lembrado da casa dos Parkers. Ela tinha dois andares, um sótão — o que me fez tremer por um instante por conta das lembranças do passado — e, segundo Ernie, um porão. A entrada tinha um jardim pequeno, porém bonito. Ela era branca com algumas partes azul-clara e ela era bem grande e larga para apenas duas pessoas. Era uma linda casa — como eu disse, fazia-me lembrar da casa dos Parkers, mas essa era mais linda.

Ernie girou a maçaneta e adentramos na casa. E eu fiquei surpreendido.

Na sala de estar, tinha dois sofás de três lugares, uma tevê de 42 polegadas e uma mesinha de centro. Havia quadros na parede atrás de um dos sofás. Havia, também, alguns porta-retratos com fotos de uma família feliz em um campo gramado. Aquela sala era inteiramente limpa, não era nada comparado ao chiqueiro da sala dos Parkers.

Quando olhei para o lado direito, vi a cozinha e ela era enorme e limpa. Tinha uma mesa para seis pessoas e também estava completamente limpa. A geladeira, o fogão, a pia... tudo estava completamente limpo.

A escada que ligava o segundo e o primeiro andar era de madeira e com dois lances de escada, sendo que havia um lance para repouso. Linda. Simples, porém linda. A verdade era que eu tinha uma queda para casas com escadas. Estranho, eu sei.

— Uau! — foi só o que eu consegui dizer.

— Bem, esta é minha casa — disse Ernie. — É simplezinha.

— Eu achei um máximo — falei com um sorriso no rosto.

— Ahn... obrigado — disse ele.

Quando o olhei, ele estava corado. Sorri para aquele moleque.

— Não há de quê — lhe dei uma piscadela.

— Bem, só não repare por ela estar totalmente limpa. Meu irmão tem TOC, então... — ele perdeu a voz no final da frase.

— Eu já falei para não ligar para isso — o repreendi. — Como eu disse, eu morava em um cubículo de sótão empoeirado. Casas extremamente limpas me surpreendem de uma maneira incrível. Afinal, era eu quem limpava a casa onde eu vivi.

— Sério? — perguntou ele com uma sobrancelha levantada.

— Sim — falei já me lembrando do tempo em que eu limpava toda a casa dos Parkers e menos o meu sótão, pois eu não tinha tempo (mas isso era outra história).

— O.K., vamos ao que interessa, está bem? — perguntou ele.

— Certo — concordei.

— Por aqui...

Dizendo aquilo, Ernie subiu as escadas e eu fui atrás dele.

No segundo andar, o corredor era deserto, porém tinha um tapete bonito que cobria o corredor inteiro e no final dele havia uma mezinha com um jarro de flores e um espelho. Havia quatro portas. Provavelmente três quartos e um banheiro. As portas eram de madeira maciça e envernizada, isso era notável.

— Vem, Theo! — disse ele puxando minha mão e me arrastando para um dos quartos que eu não vi qual era.

Assim que entrei em seu quarto, mais surpresa.

O quarto de Ernie era grande — não como o meu, mas grande. Tinha uma cama de solteiro para ele, um sofá de dois lugares de frente para a tevê de tela plana que ficava no canto direito do quarto. Havia um guarda-roupa enorme só para ele e, como era de se esperar, tinha um computador em uma mesa perto da janela, do outro lado do quarto. Ele tinha um aquário e uma cobra de estimação.

— Você é louco? — perguntei me pondo longe daquela cobra.

— O quê? — perguntou ele sem entender, sentando-se defronte ao computador.

— Vo-você... você tem uma cobra de estimação? — perguntei sentando-me ao seu lado.

— Sim, ué. O que tem o Leonard?

— Sério que deu a cobra o nome de Leonard?

— Poupe-me, Theo — ele revirou os olhos e voltou-se para o computador.

Ri dele.

— Por onde eu começo...

Ele começou a mexer no computador freneticamente. Ele mexia em códigos o tempo todo. Ele ia de mapa em mapa, de número em número, de foto a foto e de satélite a satélite. Ernie não parecia mais estar ali comigo. Aquela figura baixinha que eu gostava tanto havia sumido na atmosfera do planeta.

Eu já tinha visto Ernie em trabalho, mas como aquele, era totalmente sinistro. Ernie mexia seus dedos freneticamente no teclado, no mouse e era quase impossível de vê-lo piscar. Ou melhor, ele nem piscava! Era completamente um absurdo. Eu tentei falar com ele, mas temia que ele me chutasse ou me deixasse falando sozinho, então eu não fiz outra coisa a não ser ver aqueles códigos, mapas, fotos e satélites em silêncio para não atrapalhá-lo.

Depois de longos vinte minutos de puro tédio, Ernie havia parado a tela do computador em uma foto de uma casa com vários quadrados — uma foto via satélite de uma casa grande.

ACHEI! — disse ele alegre e se levantando da cadeira.

Franzi a testa.

— Achou o quê? — perguntei.

— Onde o seu padrasto está! — disse ele voltando-se a se sentar e totalmente feliz consigo mesmo.

Aquilo fez com que tudo ao meu redor parasse.

Eu não tinha reparado que Walter estava sumido há bastante tempo. Eu, como era notável, não era fã do cara, mas eu sempre o quis por perto por conta da felicidade da minha mãe. O queria em casa por conta dela. Ela era totalmente incompleta e não era totalmente feliz por conta do sequestro de Walter.

— Como foi que conseguiu isso? — perguntei sério.

— Bem — Ernie notou a minha seriedade —, eu andei reparando que sua mãe anda saindo muito com o pai do Tommy.

— Malcolm? Malcolm Merlyn? O pai do Tommy? — perguntei incrédulo.

— Sim, esse mesmo — disse ele e não parecia mais estar feliz.

— Continue — falei olhando-o seriamente.

— Eu pus uma escuta em sua mãe uma vez e, em uma oportunidade, consegui por uma em Malcolm. Consegui ouvir uma conversa de sua mãe com ele. Certo dia eu hackeei o telefone de Malcolm Merlyn. Ele tinha ligado para onde Walter está sendo mantido.

Era inacreditável.

— Mas como...? — minha voz falhou.

—Malcolm é o responsável de tudo. Acredito que sua mãe tem parte disso tudo, mas ele é o principal.

Era muito para digerir. Levantei-me da cadeira e fui até a janela do quarto de Ernie. A vista dava para rua, onde crianças estavam brincando de bola e andando em suas bicicletas. Era uma sena bem bonita, apesar de uma desgraça acabar caindo sobre mim.

O que eu faria? Eu não sabia. Mas tinha certeza que me sairia bem porque eu me dava bem em improvisos. Improvisar era à base de tudo para mim. Mas o sobrenome do homem que sequestrara meu padrasto me atormentava...

Merlyn.

Aquele sobrenome era o mesmo que o de Tommy. Eu não sei se olharia para o meu “quase-namorado” do mesmo jeito que antes. Onde eu estava com a cabeça?, pensei comigo mesmo. É claro que eu continuaria a olhar para Tommy da mesma maneira. Não era por causa de seu pai ter feito algo como aquilo, que eu tinha que olhá-lo diferente. Tommy não tinha nada parecido com o pai.

Agora eu tinha entendido finalmente o que Tommy queria dizer com Eu digo por que tenho motivos, Theo. Mas eu não acreditava que aquela frase se encaixasse nesse assunto de sequestro. Eu duvidava. Malcolm podia fazer qualquer coisa contra qualquer um, mas duvidava que seria essa pessoa horrenda que era com o filho.

— Onde eu encontro Walter?

Ernie indicou a foto via satélite no computador.

— Ele ligou para um complexo de apartamentos em Blüdhaven. Essa é a imagem de onde Walter está. Vai ser difícil. Tem segurança em tudo quanto é canto. É muita segurança para moradias de baixo custo. Há dois guardas em cada entrada — disse ele ampliando mais a foto.

— Só tem um telhado? — olhei para a foto via satélite arqueando uma sobrancelha para ela.

— Não tem prédio ao reodor, nem casa... nada.

— Isso não irá me impedir — falei. — Não sou o Super-Homem para sair voando. Eu sei correr. Dou-me bem em terra firme.

Ele assentiu para mim.

Ernie já tinha fechado todas as informações codificadas para que seu irmão, quando chegasse, não bisbilhotasse em algo que não deveria. Ele aproveitou para me dar às coordenadas e as informações que precisava antes de fechá-las, no caso. Que seja!

Não demorou muito para seu irmão chegar.

Ernie e eu estávamos sentados no sofá, analisando as coisas para o resgate de Walter mais a noite, quando Alex chegou. Alex era um homem que aparentava ter trinta e poucos anos. Tinha cabelos pretos até a sua testa, olhos verdes, tinha a tonalidade de pele igual à de Ernie, era de estrutura alta e era um tanto forte. Era um homem bastante bonito.

Ele veio até nós, beijou a testa de Ernie — o que o fez corar — e apertou a minha mão em comprimento.

— Ahn... Alex, este é Theo. Theo, este é o meu irmão, Alex — disse Ernie.

— Prazer em conhecê-lo — disse Alex. — Finalmente é bom conhecer você. Ernie fala muito de você.

— Espero que tenham sido coisas boas — falei rindo. — Prazer em conhecê-lo também.

O silêncio se ponderou.

— Ah, como foi na firma? — perguntou Ernie.

— Ah, como os outros dias — disse Alex indo para a cozinha. — Chato. E você, como foi o seu dia? — perguntou ele da conzinha.

— Chato também — disse Ernie e me dando um chute.

— Autch! — reclamei baixinho.

Eu sabia que ele não me perdoaria tão cedo sobre ter sumido.

Ernie e eu continuamos o nosso plano. Bem, ao menos eu o deixei falar, porque eu tinha certeza que não conseguiria fazer nada. Eu era bom em improviso. Nada mais. Além de ele saber disso, eu não fiz questão de dizer a ele. Eu não baixaria a autoestima que ele teve ao achar Walter.

Contudo, quando caiu à noite, Ernie e eu fomos para o nosso QG e, assim que chegamos, em troquei. Ernie tinha dito algo para tomar cuidado quando fosse resgatar Walter, mas eu não ouvi, pois já estava distante o bastante para ter certeza se ele realmente tinha dito aquilo.

Depois que Ernie me passou as coordenadas do cativeiro de Walter por rádio, eu corri até lá — eu sei que poderia ter usado qualquer transporte para chegar até aquele local, mas eu não sabia dirigir um carro ou uma moto e eu não precisava daquilo. Eu tinha minhas pernas — mesmo o local onde Walter estava preso era a quase do outro lado do Estado, eu preferi ir correndo. Aquilo me deu tempo o suficiente para processar que o meu detestável padrasto havia sido sequestrado pelo pai de meu quase-namorado.

Quando cheguei, a primeira coisa que aconteceu foi Ernie falar em meu ouvido.

Theo, tenha cuidado... — dissera ele. — Está repleto de seguranças.

— Não se preocupe comigo, Ernie — o assegurei. — Em que andar ele está?

Não dá para saber. Walter não tem um dispositivo que eu posso rastrear.

— Obrigado mesmo assim.

Theo?

Suspirei.

— Fale, Ernie.

Tome cuidado, O.K.? — pediu ele meio tristonho.

Senti-me mal por ter suspirado. Eu sabia que aquela criança só queria a minha segurança, mas eu não estava com cabeça para pensar em segurança ou ter afeto por alguém naquele momento.

— Eu sempre tomo — falei e depois disso ele não disse mais nada. Tirei o dedo do dispositivo em minha orelha.

Não foi tão difícil assim chegar ao último andar.

Assim que cheguei à frente da casa, corri o mais rápido que podia e, antes que eu pudesse pular para o segundo andar, eu vi o corpo de um cara no chão do térreo. Ajoelhei-me até ele e ele não tinha pulso. Morto. Como eu já suspeitava. Alguém estava ali. Apoiando-me nas paredes, consegui chegar ao descanso da escada que começava no segundo andar. Não tinha ninguém ali, mas a porta que continha ali, estava entreaberta.

Hesitei em entrar, mas chacoalhei a cabeça para aquele momento de hesitação bobo e entrei.

O corredor era horrendo. Era longo e aparentava estar completamente sujo. As luzes do corredor eram tampadas com alguma coisa que eu não sabia dizer, mas aquilo fazia com que as luzes fossem verdes. Adentrei mais no corredor e vi mais uma porta estava aberta, ao meu lado esquerdo. Quando fui até a porta, era a escada e mais dois homens estavam caídos ali. Desci os degraus — pulando por cima dos homens caídos — e, quando cheguei ao andar de baixo, a porta que ligava ao andar também estava aberta.

Sem hesitar desta vez, passei pela porta e lá estava ele novamente.

Aquele capuz verde, arco verde e flechas verdes. Lá estava o Vigilante novamente, travando uma batalha com mais de seis homens.

Quando um, que ele havia abatido, se levantou e preparou para atacá-lo pelas costas, tirei uma kunai de meu bolso e joguei nas costas do homem. Ele caiu morto, é claro, fazendo um barulho surdo, porém audível.

O Vigilante virou-se para trás — assim que abateu um último cara a sua frente — e me viu surpreso, ao menos foi o que eu achei, pois eu não conseguia ver seu rosto. Ele apertou um botão no peito e eu fiz o mesmo — eu sabia que ele havia ligado o dispositivo que distorcia a voz e eu não era louco de revelar a minha verdadeira voz também.

— Você aqui? — perguntou ele.

— Digo o mesmo — falei imóvel.

— O que faz aqui? — perguntou ele vindo em minha direção.

Eu não tinha reparado, mas ele era um pouco maior do que eu. Ele tinha quase a mesma estrutura de Oliver, se não a mesma estrutura. Confuso.

— Venho atrás de uma pessoa — respondi e comecei a ouvir passos.

Inclinei a cabeça para trás.

— Vem vindo gente — disse a ele.

— O quê? — ele parecera incrédulo por conta do seu tom de voz. — Como você...

E no segundo instante, eu só consegui ouvir um tiro, mas o atirador errou. Assim que eu virei-me rapidamente, já havia pegado uma kunai de meu bolso e jogado a mesma no coração do atirador. Tudo isso numa fração de segundo. Ele caiu feito uma pedra.

— Respostas depois — falei para ele, tirando minhas espadas das costas e p fitando o grande grupo que se formou a minha frente.

Deveria ter uns quinze homens ali, mas eles não eram páreos para mim. Eu conseguiria abatê-los fácil, fácil. Era questão de minutos e todos eles estariam no chão, assim como aquele que eu havia matado.

— É, respostas depois. Tem uns aqui comigo — disse ele.

— Certo...

Dizendo aquilo, parti para cima dos quinze que me esperavam.

Como eu disse, eles não eram páreos para mim. Eu nem precisei usar muito a espada, apenas as usei para tirar das mãos de um sujeito careta que apontava para todos os lados na procura da sombra rápida que se movia como um raio (neste caso, eu).

Os três primeiros caras foram os mais fáceis de abater. Um veio para cima de mim com um soco inglês, o outro tinha uma corrente e o outro tinha um bastão com pregos embutido.

O primeiro cara vinha com o punho preparado para me dar um soco, mas eu consegui bloqueá-lo com o antebraço e não desejei ter feito aquilo. O impacto do soco inglês em meu antebraço foi grande, doloroso. Mas eu não demonstrei dor, apesar de ter doido bastante, amenizei aquilo e, assim que o bloqueei, dei uma rasteira nele e, antes que ele pudesse encostar-se ao chão, chutei sei estômago com o calcanhar e assim ele caiu, cuspindo sangue.

O segundo cara veio com a corrente. Ele tentou ser esperto jogando a corrente em minha direção, mas foi inútil, pois eu havia pegado uma de minhas miniespadas e travei a corrente dele. Ele soltou a corrente e partiu para cima de mim, mas era inútil. Assim que ele chegou perto, eu lhe dei uma cotovelada na barrida, um soco em seu nariz e depois, com um giro, chutei seu peito e ele voou para trás, derrubando mais dois e ambos bateram com a cabeça na parede, com força, e desmaiaram no chão. Sendo assim eu consegui abater quatro caras.

Quando o terceiro cara se aproximou, eu tive sorte, mas não saí ileso. Em um movimento vacilante meu, ele conseguiu acertar o bastão em meu braço direito. Aquilo me fez prender o grito de dor que eu senti — eu podia ser um grande ninja, mas eu era humano, apesar de tudo. Contudo, eu consegui tirar o bastão dele com um chute e o bastão foi direto ao encontro do rosto de um cara que tentou se intrometer em nossa briga pelo lado direito. Ele caiu no chão morto e, antes que o real dono do bastão pudesse me dar um soco, eu segurei seu braço e o quebrei, torcendo-o e logo em seguida quebrei seu ombro. E o joguei no chão, onde ele ficou reclamando de dor. Ele me fura e ele quem chora?

Os outros seis foram acirrados, mas não impossíveis de combater. Eu pensei que poderia abatê-los tranquilamente, mas não tive tanto sucesso — eu até podia, se ao menos eu tivesse com o braço totalmente cem por cento. Mas a única preocupação que tive — depois de quebrar o pescoço de dois com movimentos fáceis e quebrar as pernas de um com movimentos rápidos —, foi quando os três últimos vieram juntos para cima de mim.

Fácil, porém acirrado. Eles vieram para cima como loucos, um no meio e os outros dois em seus respectivos lados.

Agachei-me e preparei o chute. Quando o do meio veio para perto, chutei seu queixo e ele havia ficado tonto. Ótimo!, pensei. Parti para cima dele dando dois socos em sua barriga, um em seu rosto, lhe dando uma rasteira e, assim que ele chegou ao chão, chutei sua cabeça e ele não se mexeu mais.

Ouvi os passos dos outros dois e, antes que eles pudessem por as mãos em mim, pulei dando um mortal para trás. Assim que pousei no chão, segurei em suas cabeças e bati uma na outra, várias vezes até que eu visse sangue e, quando vi o sangue sair de suas orelhas e de suas cabeças, os soltei.

Os quinze estavam mortos e a dor no braço veio logo em seguida.

Quando virei-me para ver o Vigilante, ele ainda estava combatendo uns três, mas eu não me meti, o deixei lutar. Eu já havia interferido demais em suas batalhas. Não iria interferir de novo, aquela luta não era minha.

Assim que ele conseguiu terminar com o último batendo sua cabeça na parede três vezes, ele me olhou e veio até a mim novamente.

— Bom trabalho — falei analisando o corpo dos um, dois, três, quatro... seis... dez... doze... dezessete caras.

Senti uma pontada de injustiça. Ele combateu dezessete e eu quinze. Não gostei muito dessa desvantagem de dois a mais para ele. Para mim, podiam vir vinte que eu não ligava. Estava com muita raiva que era capaz de enfrentá-los de novo — logicamente que os enfrentaria nessas condições, mas preferia ter meu braço novinho novamente.

— Nada mal você também — disse ele, mas já não olhava para mim, mas olhava para os corpos atrás de mim. — Você me faria uma boa ajuda...

— Não — o interrompi antes que ele realmente fizesse o pedido. — Eu trabalho sozinho.

— Bem, ao menos eu tentei — disse ele dando de ombros.

Bufei ao ouvir a resposta dele.

— Você está sangrando — disse ele apontando para o meu braço direito.

Assim que olhei meu braço, o branco que era o meu kimono estava na mistura de vermelho vivo com branco.

— Ah, isso? — analisei aquilo e realmente iria doer depois. — Não é nada. Eu teria...

Uma kunai passou por meu ombro esquerdo e acertou em cheio a lâmpada que estava próxima a mim e dele.

Puxei uma de minhas espadas e virei-me para ver de onde a kunai tinha vindo e, no instante em que virei, vinha outra kunai em nossa direção, mas consegui bloqueá-la com a espada.

Quando olhei para frente, lá estava ele. Aquele quimono preto igual ao meu, as duas espadas a mão, luvas pretas e seu rosto era todo coberto com uma mascara preta que ele usava e não o pano do quimono. Seu quimono também era todo preto. Tudo nele era preto. Aquele era o Ninja De Preto.

Ele avançou para nos, começando a pegar velocidade e tirei uma shuriken em questão de um segundo do bolso e joguei em sua direção de seu rosto no mesmo instante — eu sabia que se ele pegasse velocidade seria quase impossível de combatê-lo, ao menos eu sabia disso porque eu era completamente igual — e ele parou de correr imediatamente.

Ele ficou girando suas espadas a minha espera. Eu sabia que ele não iria lutar contra o Vigilante. Eu era o seu alvo e eu sabia que ele só sairia dali se um de nós (eu ou ele) fosse morto.

— Vai — falei para o Vigilante.

— Eu posso ajudar...

— Não! — o cortei. — Essa luta não é sua. Ele só irá lutar comigo. Eu sou o seu alvo.

— Como pode me expulsar? — perguntou ele. — Nem sabe o que eu ia fazer aqui...

Ele era tão idiota quanto Oliver. Se alguém entrevistasse o Ninja De Branco um dia, eu, com certeza, diria que o Vigilante era tão idiota quanto Oliver Queen.

— De qualquer maneira, suma daqui! — sibilei para ele.

Ele ficou em silêncio por um instante e tudo o que consegui fazer era estudar a posição do Ninja De Preto. Ele tinha a mesma posição de ataque que a minha, a mesma linha de raciocínio. O mesmo timbre de velocidade, mesmas armas... era quase impossível ele ser assim. Quase, não... era impossível!

O Vigilante pôs a mão em meu ombro direito e aquilo me fez sentir uma dor aguda no braço. Reprimi o urro de dor na garganta, não deixando escapar nada.

— Nos vemos por aí — disse ele.

— Tá bem — foi só o que eu disse sem olhá-lo e comecei a ouvir os passos dele diminuírem atrás de mim.

O Ninja De Preto continuava parado e eu não atrevi a me mover. Eu sabia que os golpes dele poderiam ser iguais aos meus, as armas eram iguais as minhas, mas eu duvidava que ele tivesse recebido o mesmo treinamento que Tashikiro-Sensei havia me dado.

— Bem, parece que só restou a gente — disse ele e também estava com a voz distorcida.

— É — falei completamente sério.

— Então que dê início a nossa batalha — disse ele.

— Que comece a batalha.

Dizendo aquilo, eu corri em sua direção como um borrão e ele correu na minha direção, também como um borrão. Sendo assim, nós dois começamos a travar a maior batalha de nossas vidas.