O Ninja De Branco.

15 Capítulo 15 — O Encontro.


EU JÁ HAVIA TOMADO O MEU BANHO DE TODAS AS MANHÃS QUANDO VI UMA MENSAGEM de texto em meu celular vinda de Jeremy. Era a vigésima na semana e era a vigésima vez que eu o ignorava. Peguei o celular e olhei a mensagem do mesmo que dizia:

Sinto sua falta... por favor, fale comigo?”.

Fuzilei o celular furioso. Era estranho vê-lo dizer que sentia a minha falta, mas no mesmo momento em que sentia a minha falta, estava com outro. Bufei e joguei o celular em minha cama e fui para frente do espelho que havia ali perto.

Eu estava de toalha enrolada em minha cintura e com o resto do corpo totalmente descoberto. Vi as cicatrizes em meu abdômen, a longa cicatriz de minha virilha até o peito. Passei dois dedos por ela, alisando-a e fechei os olhos ao lembrar-me da sensação de ser perfurado pela espada de dois gumes do meu adversário naquele torneio. Aquilo havia sido falta de concentração, não conta. Mas eu o havia vencido. Eu era mais inteligente e forte. Isso me fez vencer, cortando parte de seu braço.

Passei os dedos em outra cicatriz que eu havia no peito esquerdo que ia até meu ombro. Aquela havia sido a pior de todas, porque...

— Deus! — disse a voz de Oliver.

— O que houve contigo? — ouvi Thea dizer logo em seguida.

— Não sabem bater?! — perguntei completamente com raiva e peguei a blusa de polo azul que estava pendurada em meu espelho comecei a coloca-la quando mãos me impediram de fazê-lo.

Desistir de brigar contra as mãos grandes e firmes de Oliver e senti Thea alisar as cicatrizes de minhas costas. Fechei os olhos ao seu toque quente em minhas cicatrizes. A cada toque me fazia recordar delas e aquilo era algo que eu não estava a fim de discutir no momento.

— Mamãe disse que havia bastantes cicatrizes... — começou ele.

— Mas não como essas... são horríveis. — disse ela completando.

Respirei fundo e me virei para eles verem logo a parte da frente. Ambos arregalaram os olhos. Thea pôs a mão na boca e Oliver encarou minhas cicatrizes como se os olhos fossem sair de suas órbitas. Ele estendeu a mão para tocar em minha cicatriz mais longa de meu corpo, mas eu não o deixei tirando sua mão que vinha em minha direção e balancei a cabeça em negativa.

— O que houve com você? — perguntou Thea.

— Prefiro não contar. — falei normalmente, já sem raiva.

— Mas isso... — ele começou a falar, mas conseguiu tocar em minha cicatriz mais longa. Tremi a seu toque.

Tirei suas mãos de mim.

— Não há “mas”. Eu não vou contar. Não quero contar e prefiro não contar. Entendeu? — falei calmamente levantando as sobrancelhas para eles e vesti a minha blusa. — Agora me derem licença... quero me vestir. — virei-me para o espelho e ajeitei minha camisa.

Eles ficaram ali por alguns instantes e saíram cochichando um para o outro. Provavelmente eles contariam para nossa mãe o quão grave eram essas cicatrizes. Mas quem se importa? Eu daria a mesma resposta que dei para eles, para ela. Eu sei que Oliver não contara nada das dele para Thea e Moira. Moira, minha mãe, não me obrigaria, e mesmo me obrigando, eu não contaria. Nem meu pai sabia desses cortes, então, era algo que eu só saberia como eles surgiram mais ninguém.

Terminei de me arrumar e saí de meu quarto. Desci as escadas e avistei minha mãe sentada na sala com uma mulher que vestia uma saia social, sapatos altos e blazer cor de salmão. Provavelmente alguma coisa na empresa ocorrera, pois Moira não era de trazer trabalho para casa.

Também não me importei, segui para a cozinha.

Avistei a Sra. Hampton à cozinha, mexendo nas panelas. Ela era uma senhora do bem e eu gostava de conversar com a mesma. Direcionei-me a ela.

— Olá, Sra. Hampton. — falei sorridente.

Ela me olhou e soltou um sorriso de mostrar os dentes.

— Ah, olá, Sr. Queen. Como vai o senhor? — perguntou ela, voltando a mexer em uma de suas panelas de prata.

— Vou bem... — falei ainda sorridente e me sentei na cadeira alta que tinha em frente à bancada da pia.

Nós conversamos por um bom tempo. Ela me contou tudo sobre sua vida, sobre como era sua vida em Porto Rico e de como chegou à casa de meus pais. Uma história magnifica e encantadora, se assim posso dizer. Era engraçado o seu jeito de falar, falar o inglês como segunda língua e ainda com a influência do espanhol nela... tornava mais engraçado e divertido de se ouvir.

Eu não almoçava com eles, mas Moira havia me feito ter o nosso momento de “almoço em família” naquele dia. Quem se importa, não é mesmo? Aquela família não era exatamente um vaso de rosas. Eu fui. Almocei devidamente. Eles não tocaram no assunto de semanas sobre meu incidente em meu quarto e eu também preferi não comentar sobre ele. O que eu agradeci bastante por eles não quererem tocar no assunto.

Ernie e eu passamos à tarde à procura de novos nomes na lista em nosso QG, mas ele me deu a ideia de poder salvar a cidade, não só daquela lista no caderninho de meu pai, mas como também poder salvar a cidade do perigo de ladrões — uma proposta tentadora que eu tive que aceitar, por que... isso resultaria a mais corrida. E eu gosto de corrida, então... feito. Eu aceitei. Eu amava correr e me exercitar para o trabalho real sempre era bem vindo.

Contudo, eu havia conseguido impedir uma gangue de assaltar o shopping da cidade. Fora moleza. Eu só tive que cravar algumas shuriquens em três dos sete marmanjos, desmaiar dois e imobilizar mais dois. Moleza. O ruim foi o alvoroço que eles causaram; tiros, tiros e mais tiros, acertaram duas inocentes e conseguiram quebrar três vidraças de três lojas. Aquilo me deu raiva. Por sorte ninguém me parou no meio do shopping e eu consegui escapar como sempre.

Mas a noite foi melhor.

Ernie já havia me dado o nome de Hunter Kzhoter mais cedo naquele mesmo dia e já estávamos à procura de seus fins. Ele era um mercenário e suas vítimas era a família do restaurante chinês mais famoso da cidade. De alguma forma, isso tinha que parar. E eu iria impedir. Segundo Ernie, tudo iria ocorrer em um deposito próximo ao estabelecimento deles, não seria difícil de achar. Moleza.

Havia anoitecido tão rapidamente que Ernie e eu nem havíamos percebido. Nós dois estávamos tão concentrados em nossos... bom, nos computadores dele, que não notamos que já se passavam das sete e meia da noite.

— Você tem de detê-la! — protestou ele.

— Eu não sigo isso. Minha meta são os nomes na lista, Ernie. Nada mais. — falei secamente, terminando de por o quimono.

— Preste atenção... Helena Bartinelli veio para se vingar. Tenho certeza! O pai dela está preso e ela quer vingança. Não foi isso que soube quando seu irmão conversou com você? — ele me encarou.

Ele me pegou. Realmente Oliver havia tido uma conversa comigo sobre uma Helena Bartinelli que era obcecada por seu pai hoje cedo. Aliás, ela estava em minha casa mais cedo... interessante. Mas ela não faria uma coisa dessas, faria? Afinal, como ela bolaria um plano para isso?

— Sim. — foi só o que eu disse.

— Então! — ele agitou as mãos. — Você precisa vê-la, monitorá-la! — ele quase exigia.

Bom, eu sabia que se eu dissesse não, ele iria continuar insistindo, então...

— Tudo bem, eu irei. — falei, por fim e ele festejou. — Dê-me as coordenadas de onde eu tenho que ir.

— Tudo bem... — disse ele e voltou a mexer em seus computadores.

Terminei de vestir o quimono e saí dali sem fazer barulho — ele não notou isso.

Eu já estava correndo por um bom tempo. Ernie só havia me dado às informações de que eu precisava depois vinte minutos de corrida — o garoto tivera que invadir o sistema do FBI ou coisa do tipo. Ele é muito esperto!

Eu corria como um borrão. Ver as ruas, os carros, as pessoas como um borrão me acalmava um pouco. Eu não queria seguir essa nova onda de Ernie, mas o garoto sabia como me fazer trocar de opiniões rapidamente. Eu sabia que ele iria insistir nisso até não tiver mais fôlego para falar a respeito. Ele conseguia ser irritante quando queria ser. E não seria nada agradável, nem para mim e nem para ele se ele fosse irritante.

Por fim, depois de ter pulado sete prédios, quatro caminhões, seis carros e correr mais vinte minutos depois do que eu já estava correndo, cheguei ao local em que Ernie havia me dado às coordenadas.

Era uma grande casa, havia um jardim de entrada, com árvores altas — o que era bom para mim, pois iria facilitar bastante para eu me esconder —, e uma grande escolta a frente da casa. Seria um desafio, mas eu estava disposto a correr. Helena tinha que ser detida e eu prometi isso a Ernie. Eu iria detê-la. De uma maneira ou de outra.

Pus a mão no ouvido e disse à Ernie:

— Estou aqui.

Tudo bem... você já sabe o que tem que fazer. Mantenha-me informado. — disse ele. — Hey, Theo... tenha cuidado. — ele falou baixo.

Achei gentil da parte dele dizer para eu me cuidar. Mas eu não admitiria isso a ele, ele ficaria meio revoltado. Ele não gostava de baboseiras.

— O.K. — foi só o que eu disse e desliguei a ligação.

Pulei para o galho da árvore mais próxima a mim. Peguei impulso e pulei para o outro galho da outra árvore. Fui pulando de galho em galho até chegar à árvore mais próxima a casa, que me permitia avistar toda a guarda da frente.

Agora eu podia ver quantos tinham, havia sete em frente a casa. Puxei sete shuriquens de meu bolso e as preparei. Soltei-as em cada um deles. Ambos caíram ao chão quando as shuriquens acertaram seus peitos no local do coração. Fácil. O que era totalmente estranho, mas saí do tronco da árvore em que eu estava e fui até o chão.

Nada.

As coisas realmente foram mais fáceis do que eu imaginava ali, e não era para ser desse jeito. Algo estava errado.

Caminhei até a porta de entrada, pus a mão na maçaneta...

— Parado! — gritou uma voz grossa atrás de mim.

Não me mexi, apenas dei um sorriso debochado, mas ele não veria isso com o meu traje tampando quase meu rosto todo, apenas deixando os olhos de fora.

Virei-me lentamente até ele; ele estava vestido com um colete à prova de balas com as letras “FBI” cravadas na parte em que ficava seu coração. Ele estava com a mão em seu bolso, no mesmo local que estava sua arma. Levantei as mãos. Ele não estava tão distante de mim, apenas alguns passos.

Dei um passo lentamente.

— Fiquei parado! — disse ele um tanto nervoso. Sorri.

Dei mais um passo.

— Eu disse para ficar parado! — ele sacou a arma e apontou para mim.

Ri.

Dei apenas um chute em seu rosto e ele desmaiou ao chão. Fácil.

Voltei à porta e entrei a casa.

Havia um homem deitado ao chão de entrada com uma pequena flecha em seu peito. Algumas partes da escada que ficava de frente para a porta, estavam com pequenos buracos que deduzi serem de cartuchos de armas de fogo. Alguém estava ali. Alguém já tinha começado aquele alvoroço.

Helena. Só podia ser ela.

Subis as escadas rapidamente e vi a primeira porta a minha direita com um buraco onde deveria estar à maçaneta. Pus a mão em minha espada e a abri.

— Hey... — disse alguém atrás de mim e puxei rapidamente uma shuriquen de meu bolso e lancei na direção da voz.

Ele fora rápido, ele defendeu o meu ataque com alguma coisa metálica que fez minha shuriquen ricochetear em direção à parede. Ele atirou uma flecha, mas eu consegui tirar uma de minhas espadas e a rebati, e sua flecha foi de encontro com a parede também. Eu estava com minha espada à frente do meu rosto e inclinada para o lado esquerdo.

Aquele capuz verde, arco, flecha... aquele era o Vigilante.



— O que quer aqui? — ele estava com a voz distorcida. Provavelmente usava o mesmo aparelho que eu.



— Estou atrás de Helena Bartinelli. O que você faz aqui? — perguntei, também com a voz distorcida e agradeci a Ernie por isso.



— A mesma coisa. — disse ele abaixando o arco lentamente. Abaixei a minha espada lentamente. — Não temos tempo! Ela está indo atrás do que ela quer...



Ouvimos um disparo vindo de baixo, mas eu puxei uma kunai e atirei para baixo, sem tirar os olhos do Vigilante, e ouvi o gemido de alguém, e os tiros pararam. Começamos a ouvir passos.

— Eu cuido disso. Vai! — falei para ele e desci as escadas rapidamente, indo atrás dos agentes do FBI.

No andar de baixo, eu detive sete agentes do FBI, matando cinco deles e desmaiando apenas dois. Não era minha intenção matá-los, apenas causar um ferimento sério, mas não a morte. Mas, infelizmente, era preciso matá-los. Era a única maneira de eu não perder muito tempo.

Assim que vi que mais nenhum agente do FBI, subi as escadas atrás do Vigilante, mas ele não estava mais lá. A porta que eu estava adentrando antes de ser interferido por ele, estava aberta. Adentrei ali e a janela também estava aberta. Presumi que eles haviam pulado a janela e pulei logo em seguida.

Foi fácil fazer o rolamento quando cheguei ao gramado com uma pequena descida. Avistei o Vigilante chegando bem a tempo de — deduzi que fosse — Helena, apontar a arma para um homem de roupa laranja que corria pelo gramado.

— Helena! — gritou o Vigilante. Era realmente ela.

Ela apontou a arma para ele, mas soltei uma shuriquen na mesma, acertando a arma. A arma caiu, mas ela pegou logo em seguida. Idiotice daquele que se dizia Vigilante da cidade não fazer nada quando ela soltou a arma.

Ela me olhou e fuzilara os olhos. Não me intimidei. Peguei uma de minhas espadas — que eu tinha guardado quando terminei de usar com os agentes do FBI — e fiquei em posição de ataque. Ela se virou para o Vigilante e disse:

— Você não irá atirar em mim. Você não é um assassino. Lembra?

— Mas você é. — disse ele.

Aquilo me deu raiva. Ele tinha o momento perfeito para detê-la e estava conversando? Eu não podia admitir isso. Ernie não me deixaria admitir isso. Aquilo era inadmissível!

— Por que tanta conversa? — perguntei já completamente raivoso. — Detenha-a!

Ela me olhou, riu e voltou a olhá-lo. O que me fez ter mais raiva ainda.

— Parece que você teve de obter ajuda. — ela riu novamente. — Pensei que trabalhasse sozinho.

— Não estou com ele. — falei já estando atrás dele e com a espada em seu pescoço. Ela tremeu quando sentiu a lâmina em seu pescoço. Pude ver o Vigilante arregalar seus olhos quando me viu. — Eu trabalho sozinho. Largue a arma. — falei firme.

— Você é rápido. — observou ela e se virou. — E quanto a isso... — ela me deu um chute no meio das pernas. Baixa! E logo em seguida me deu uma coronhada no rosto, mas aquilo não me desmaiou. Joguei-me no chão apenas para fingir. E funcionou. Eles não notaram que eu realmente estava acordado.

— E se eu deixar você ir, aquele sangue estará em minhas mãos. — ridículo da parte dele. Ela não deveria estar de conversinha afiada com ela. Ele tinha que detê-la! E já! Não era tempo de conversas, Helena Bartinelli tinha que ser detida, e tinha que ser agora! — Eu sinto muito. — finalizou ele.

Ouvi back próximo a minha e presumi que era a arma dela caindo ao chão. Ele tinha entrado em ação, finalmente!, pensei. Já estava na hora.

— Eu pratiquei esse movimento. — disse ela. Então ele tinha errado. Bela pontaria!, pensei. — Sabia que precisaria dele em algum dia. — disse ela e ouvi algo sendo jogado no chão e passos. — Você teria me matado. — disse ela. E seria bom se ele pelo menos fosse pelo menos ótimo nisso, pensei e comecei a ouvir sons de luta.

Eles deveriam estar lutando de verdade, pois ouvia gemidos e alguns impactos no chão com a queda de um deles. Torci para que ele fizesse pelo menos ser o corpo dela batendo sobre a grama.

Gemidos e mais impactos. Eu queria estar levantado para poder interferir, mas aquele não era o momento. Eu deixaria o fazer aquilo tudo para ele ser lembrado. Eu não queria levar toda a fama, eu só queria fazer aquilo que Ernie queria que eu fizesse hoje e voltasse para a minha rotina de sempre: persegui os delinquentes que estavam com os seus malditos nomes no caderninho que meu pai havia me dado.

Mais um impacto.

— Já chega! — disse ele.

— Parados! — outra voz feminina invadiu o lugar e presumi que ela era uma agente do FBI, pois mais ninguém falaria daquela forma se não fosse um agente do FBI. Passos, passos e mais passos. — Abaixe isso. Vire-se. Devagar. — continuou ela.

Ouvi o som de algo ser posto no chão e logo em seguida um som ao meu lado e o barulho de uma arma. A arma! Helena tinha pegado a arma!

Um tiro, um gemido e um grito vindo do Vigilante:

— Não!

Abri os olhos, me pus de pé rapidamente e disse:

— Vou atrás dela. — e corri.