O Negrume

11 Mentirosa


Notas iniciais
Olá! Como prometido, aqui está um capítulo maior! Espero que estejam gostando. Boa leitura!!

No final de uma bonita estrada de pedras, ladeada por flores bonitas e um gramado bem cuidado, ficava a sede da fazenda da família Summers. O casarão de três andares era rústico, mas elegante. Com janelas grandes que permitiam que os ambientes internos captassem a última luz da tarde.

Edgar parecia inseguro. Fitava fixamente a casa no final do caminho. Seus braços estavam cruzados em uma atitude defensiva, e sua expressão era séria. Ele me divertia com esse medo bobo que tinha da família Summers!

Subi os três degraus da varanda que levavam á porta da frente, respirei fundo e pressionei o botão da campainha.

Alguns segundos depois ouço passos. Imediatamente sei que é uma mulher, pois minha mãe reproduzia o mesmo som ao andar de sapatos de salto fino. Por um segundo a lembrança é tão vívida que consigo sentir seu cheiro.

A porta se abre subitamente, revelando uma mulher alta, com cabelos loiros presos para trás em um coque. Tem um ar severo, do tipo que nunca sorri.

–O senhor tem visitas, pai. – ela anuncia nos olhando de cima a baixo. – Quem são vocês?

–Meu nome é Wendy. – respondo com a voz firme – Me mudei recentemente para a região, e gostaria muito de conversar com o Sr. Ernesto.

Ela olhou por um segundo com desconfiança para Edgar, que encarava seus sapatos. Porém, depois de mais alguns segundos um pouco constrangedores, abriu a porta para que pudéssemos passar.

Temos acesso à sala ricamente decorada, com escadaria de mármore e detalhes dourados por toda parte. Os sofás são cor de salmão, com direito a almofadas bordadas a mão. O jogo de chá que está sobre a mesa de centro combina perfeitamente com o padrão que estampa as cortinas.

Fotos de família enfeitam as paredes. A maioria mostra uma menina que parece ser a versão mais nova da mulher que nos recebeu, jogando tênis. Há também fotos de outra menina loira, essa tocando piano. Ah, sim, o piano de cauda longa que estava no fundo da sala, ao lado da cristaleira.

Um senhor de cabelos quase inteiramente brancos repousava em uma poltrona de frente para a lareira. Ele aperta ligeiramente os olhos para nos apreciar, enquanto pedimos licença e educadamente entrávamos na casa.

O homem faz sinal com a mão para que nós nos sentássemos no sofá próximo a onde ele se sentava.

–Estou verdadeiramente surpreso. Há muito tempo não vejo crianças entrarem em minha casa por livre e espontânea vontade para conversar comigo. A não ser que estejam aqui para se desculpar da vidraça quebrada na semana passada.

Edgar e eu nos entreolhamos.

–Bem, vejo que realmente querem conversar comigo. Nesse caso, desembuchem! – o homem diz, mais simpático do que poderíamos esperar, com um sorriso no rosto.

–Na verdade apenas eu queria conversar com o senhor –Digo, cautelosa –Meu nome é Wendy, e me mudei há alguns dias para a casa com o anjo na frente.

–Ah, certo. A casa. – ele suspira

–Sim. – digo e espero qualquer reação, mas ele continua quieto, me esperando falar. – Sei que o senhor já viveu naquela casa.

–Eu mandei construir aquela casa para a minha esposa. Minhas filhas nasceram e passaram a infância naquela casa. Fomos felizes ali... Até que a doença levou a Madeleine. Depois disso não consegui mais continuar a casa.

Até ali, nada de muito novo. Eu precisava saber mais.

–Eu preciso saber de uma coisa. Pode parecer uma pergunta estranha, mas eu preciso saber. – ele faz um gesto positivo com a cabeça e eu prossigo –Qual é a sua música preferida? Posso ouvir?

Edgar me olha como se eu estivesse louca, e Ernesto ri.

–Eu detesto música. Nunca tive esse hábito. –ele responde.

–Mas não tem nenhuma em especial? Tem certeza? – essa conversa estava me deixando mais confusa do que Edgar.

–Não, nunca. Quem gostava de música era a Madeleine. E se não se incomodam, eu estou cansado e não acho que posso dizer muita coisa sobre a casa. Sei o que dizem sobre o lugar, e posso afirmar que não sei nada sobre isso. Nunca tive nenhuma... experiência sobrenatural por lá, e não acredito nessas coisas. É isso que acontece quando as crianças não vão à igreja. Ficam inventando coisas.

Como um convite para nos retirarmos, a mulher loira abre a porta da frente com uma expressão não muito amigável. Edgar estremece ao meu lado.

–Até mais, então. Desculpe aborrecê-lo. – digo e ando até a porta, puxando Edgar pela manga do seu casaco.

Assim que pisamos do lado de fora a porta e trancada e Edgar volta ao normal. Seus ombros relaxam, e ele sorri aliviado.

–Se anima, Wendy. Não foi tão ruim, foi? – Edgar diz, sorrindo descontraído.

–Foi sim. Não descobri nada de útil, só que a Tia Lia mentiu para mim. Ele não ouve música.

–Não entendi – ele diz confuso –Porque essa coisa de música é importante?

–Isso quer dizer que Tia Lia está de alguma forma ligada ao que acontece naquela casa, e mais diretamente do que imaginava. Ela conhece a música que ouvimos aquele dia, no banheiro. Mas não Ernesto que a apresentou a música. Na verdade, talvez eles nem se conheçam. – desabafo

–Em uma cidade desse tamanho? Duvido. – Edgar checa seu relógio – É melhor voltarmos para casa. Amanhã começam as aulas, e precisamos nos preparar.

–Nossa, agora eu estou animada. – respondo sarcástica.

Logo nossos caminhos se bifurcam e eu me despeço de Edgar. Amanhã será um longo dia.

Notas finais
Gostou? Se sim, não se esqueça de comentar, adicionar aos favoritos e recomendar. Obrigada por ter lido até aqui S2. Mesmo as visualizações dos leitores fantasmas já são um grande incentivo para continuar escrevendo, mesmo quando tudo o que eu consigo pensar não faz sentido nenhum e estou me sentindo desanimada. Tudo sempre dá certo no final :)