O Namorado da Minha Ex
11 Capítulo 11
O mês passou rápido. Entre estudos, provas e treinos, as coisas pareciam que estavam voltando ao normal. Ou a um novo normal, pelo menos o clima não estava mais tão estranho entre Hugo e Fernanda e eu não me sentia mais tão incomodado de estar no meio dessa situação. Ainda assim tentava sufocar o que sentia por Hugo. Nesse período, nos aproximamos de um jeito que não esperava, e a ideia de dividir a barraca com ele durante os jogos universitários me deixava ansioso. Eu deveria estar focado nas competições, mas não conseguia tirar da cabeça que passaríamos três noites sob o mesmo teto de lona. Só de pensar, minha respiração ficava mais curta. Ao mesmo tempo, lembrava de Fernanda. O término era recente, e eu sabia que ela ainda carregava o peso daquilo.
Chegou o dia da viagem. Seguiríamos para uma cidade do interior, quatro horas de ônibus, se tudo corresse bem. Cheguei cedo, coloquei minha mala no bagageiro, e Hugo apareceu logo depois. Fernanda e Eduardo vieram em seguida. Trocamos cumprimentos breves. Fernanda entrou no ônibus e foi se sentar lá no fundo, ao lado de Eduardo. Hugo e eu ficamos juntos, mais ao meio.
— Acho que ela ainda prefere manter distância — ele cochichou.
— Pensei que vocês estivessem melhores — respondi, baixando a voz.
— Estamos, de certo modo. No dia a dia, sim. Mas uma viagem longa assim... seria demais para ela, acho.
— Entendo.
— Além disso, vamos dormir a maior parte do tempo, né?
— Verdade.
A viagem começou. Adormeci logo na primeira hora, encostado na janela. Em algum momento, sem perceber, minha cabeça pendeu para o ombro de Hugo. Quando acordei, já havia passado um bom tempo assim. Ele também dormia, mas despertou ao sentir eu me mexer.
— Desculpa, dormi encostado em você.
— Não tem problema nenhum — ele disse, bocejando.
— Não te incomodei?
— De jeito nenhum. Se quiser, pode voltar a dormir.
— Obrigado, mas acho que já dormi demais.
Ele concordou. A viagem, que deveria durar quatro horas, se estendeu para cinco por causa da chuva. Ao chegarmos, pelo menos o tempo já havia melhorado.
Logo que saímos do ônibus, montamos as barracas, organizamos nossas coisas e recebemos algumas instruções. Jantamos tarde, tomamos banho e nos preparamos para dormir. No dia seguinte, a competição começaria cedo. Dentro da barraca, Hugo começou a encher o colchão inflável. Ajudei.
— Você se importa se eu dormir só de cueca? É que eu tô acostumado a dormir assim.
— Não… claro que não… eu também — eu respondi, mas não consegui deixar de corar.
Corei ainda mais quando ele tirou a bermuda e a camiseta regata que ele vestia e ficou só com uma cueca boxer preta. Eu tentei disfarçar que estava vendo, mas não sabia se ele tinha percebido. Tirei minha bermuda e camiseta e também fiquei apenas de cueca. Nós deitamos um ao lado do outro. Embora a barraca não estivesse iluminada, eu podia observar suas tatuagens mais de perto, ele tinha várias nos braços, algumas nas pernas também.
— Você gosta de tatuagens, né? — eu perguntei mais como uma afirmativa.
— Pois é. Eu acabei começando com uma só e depois me viciei.
— E todas têm um significado?
— Algumas sim. Outras foi só porque eu gostei do desenho. — ele disse rindo.
Começou a falar algumas que tinham significados, como algumas que ele fez pra família, sua mãe, seu pai e sua irmã mais velha.
— Acho que não te falei que tenho uma irmã, né?
— Não lembro.
— Ela é cinco anos mais velha do que eu, mas sempre fomos muito unidos! Faz um tempo que ela foi fazer intercâmbio para a Austrália, deve ficar até o final deste ano.
— Que legal!
— E você tem irmãos?
— Não, sou filho único. Mas eu sempre quis saber como é ter irmãos.
— Ah, acho que tem que dar sorte. Eu e minha irmã quando éramos crianças, a gente brigava bastante, mas depois quando fomos crescendo, começamos a nos dar bem.
— Que bom!
— O papo tá bom, mas acho que é melhor dormirmos porque amanhã acordamos cedo.
— Sim, melhor dormirmos mesmo!
— Boa noite! Dorme bem! — ele disse sorrindo, me deu um beijo na bochecha e depois virou pro outro lado para dormir.
Eu fiquei sem reação, não estava esperando aquele beijo, mesmo que tivesse sido na bochecha. O gesto foi tão espontâneo que só consegui retribuir com um “boa noite” antes de me virar também.
***
Quando acordei, percebi que tinha me mexido à noite e acordei bem perto de Hugo, ele também tinha se mexido e estava dormindo com o rosto virado para o meu lado, sua perna encostando na minha. Eu fiquei por um tempo observando-o dormir. Até que o despertador dele tocou e ele acordou, me disse um “bom dia” entre bocejos e esfregou os olhos.
— Bom dia! Melhor já levantarmos porque o dia de hoje promete! — falei.
— Pois é! — ele concordou.
Tomamos café da manhã junto com o resto do time de atletismo e o pessoal das outras modalidades. Naquele dia aconteceriam as competições de atletismo, de vôlei e handebol. O bom é que pelo menos as competições de atletismo eram só um dia e estaríamos livres. A hora tinha chegado! Nosso time se empenhou bastante e conseguimos o primeiro lugar na corrida de revezamento! Eu e Hugo ganhamos o primeiro lugar!
— Não acredito que conseguimos! — gritou Hugo.
Ele me agarrou e me abraçou, me levantando alguns centímetros do chão. O suor da corrida misturava com o perfume dele e eu senti como se eu pudesse ficar ali naquele abraço pra sempre. Nossos amigos vieram nos cumprimentar, Fernanda também tinha ganhado no revezamento feminino.
— Parabéns, meninos! — ela disse muito orgulhosa.
— Parabéns também, amiga! — eu falei, abraçando-a.
— Parabéns, Nanda! — falou Hugo.
Eles também se abraçaram. Senti como se isso fosse um sinal de que as coisas estavam um pouco melhores entre eles, mas não sabia dizer ao certo.
Fale com o autor