Notas iniciais
Mais um capítulo! Espero que gostem!

Hugo me envolveu nos braços e tentou me acalmar, mas ele mesmo também não parecia estar calmo.

— A gente vai enfrentar tudo isso juntos, lembra? — ele disse.

— Eu sei. E eu quero estar com você, de verdade. Mas não sei se isso é suficiente. Sinto falta dos nossos amigos, da liberdade que a gente tinha antes, das coisas simples que agora parecem impossíveis.

— Eu te entendo. Eu também sinto falta da vida que tínhamos antes.

— Acho que nos precipitamos — murmurei. — Talvez tivéssemos que ter esperado mais antes de mergulhar de cabeça.

Hugo não respondeu, apenas olhou para mim. Seus olhos brilhavam úmidos, e eu senti as lágrimas escorrerem pelo meu rosto sem controle. Nos abraçamos em silêncio, dois corpos tremendo juntos, e choramos até o choro se esgotar.

— Por mais que eu não queira admitir… acho que você tem razão — ele disse, a voz embargada entre soluços. — Talvez a gente precise de um tempo.

Nos abraçamos de novo, como se aquele fosse o último abraço. Então Hugo se afastou um pouco e perguntou, quase num sussurro:

— Será que podemos pelo menos nos despedir?

Não respondi. Apenas o beijei. Foi um beijo longo, desesperado, como se eu pudesse parar o tempo com a boca. Fomos nos desfazendo das roupas aos poucos, sem pressa e com pressa ao mesmo tempo, como se precisássemos gravar a pele um do outro na memória. Sabia que era uma despedida, mas naquele instante eu só queria que o mundo inteiro sumisse e restasse apenas aquilo.

***

No dia seguinte, eu estava arrasado. Não conseguia fazer nada além de ficar deitado na cama, pensando em tudo que tinha acontecido nos últimos tempos. Desde o começo, como eu e Hugo nos conhecemos daquele jeito inusitado, ele acertando a bola de vôlei na minha cabeça e me levando pro hospital, como a gente começou a se aproximar enquanto ele namorava Fernanda. E, claro, como as coisas desandaram quando fomos flagrados dando nosso primeiro beijo durante os jogos universitários. Apesar de tudo, houveram momentos bons, mas pensando como um todo parecia que a nossa história não tinha mesmo como dar certo. Tive que me segurar durante o dia para não mandar mensagem para ele. E era apenas o primeiro dia sem ele.

Chamei Eduardo para vir em casa, não queria incomodá-lo, mas eu realmente estava precisando de um amigo.

— Oi, amigo! Como você está? — perguntou Eduardo logo que chegou.

— Eu estou péssimo! — respondi.

Ele me abraçou e nos sentamos no sofá da sala.

— O que aconteceu? — ele quis saber.

Eu não tinha contado para ele o que tinha acontecido, só disse que eu e Hugo havíamos terminado, fiquei de contar pessoalmente. Então eu contei, disse que foi uma decisão minha e Hugo aceitou.

— Apesar da decisão ter sido minha, eu não estou nem um pouco feliz com isso.

— Eu entendo.

— Mas não dava mais pra mim. Você viu como o pessoal tratou a gente na festa, não viu? Eles não foram rudes, mas ao mesmo tempo não interagiram com nós dois, apenas foram educados.

— Eu vi. Essa situação é bem complicada mesmo, mas eu não sei se vocês fazendo isso vai adiantar alguma coisa.

— Eu também não sei. Mas eu acho que estava criando uma dependência emocional dele. Tudo estava indo rápido demais. Por mais que doa, acho que será bom um tempo afastado para que nós dois possamos pensar em tudo que aconteceu.

— Talvez seja bom mesmo. — Eduardo concordou.

Ele me fez companhia por mais um tempo, tentando me distrair. Assistimos a uma série juntos, comemos pizza e por algumas horas eu pude esquecer um pouco de tudo aquilo que estava me angustiando.

Notas finais
Até o próximo capítulo!