O Namorado da Minha Ex
2 Capítulo 2
No dia seguinte, eu já tinha recebido alta. Fiquei internado em observação, fiz alguns exames, mas no fim os médicos concluíram que estava tudo bem. Então voltei pra minha rotina. Tive aula o dia inteiro e ao final do dia fui para o treino de corrida. Eu participava do time de atletismo da faculdade junto com Eduardo.
— E aí, cara? Já tá bem? — perguntou Eduardo.
— Já sim! Pronto pra outra! — respondi.
— Nem brinca! — falou Eduardo rindo.
Antes de começarmos o treino, o treinador disse que tinha um novo integrante no time e que ia nos apresentar. Claro, obviamente era quem vocês pensaram. O novo integrante era Hugo.
— Oi! — ele falou sorrindo pra mim e acenando.
— Oi! — eu respondi de volta sorrindo também.
Ele me cumprimentou com um abraço.
— Que bom que você já teve alta! Sério, eu não ia me perdoar se eu tivesse causado algo pior!
— Não se preocupe, tá tudo bem. Eu me recuso a morrer com uma bolada em um jogo de vôlei. — falei rindo.
Ele riu também.
— Seja bem-vindo ao time! Não sabia que você também corria.
— Eu tento, na verdade não treino corrida regularmente mas fiquei com vontade de começar a pegar mais firme.
— Entendi! Bom, então vamos lá!
Eu falei e saí correndo, ele correu atrás de mim.
***
O treino tinha acabado e tinha sido bem intenso. Deitamos na própria pista de treino para respirar um pouco.
— Nossa, eu realmente tô fora de forma pra correr. — disse Hugo.
— Para com isso! Você foi bem pro primeiro dia. Eu fui bem pior quando comecei, achei que eu ia morrer. — eu falei tentando animá-lo.
— Sei, sei. Eu já tinha visto você correr algumas outras vezes e sempre pensei “como esse cara corre tão rápido? Queria correr como ele um dia!”
— Ah para! — eu falei rindo.
— É sério! — ele sorriu.
A ideia de pensar que ele pudesse algum dia ter me visto correr e ter tido pelo menos algum interesse em mim me fez ficar um pouco… feliz? Eu não sabia dizer o que eu tinha sentido ao ouvir aquilo. De qualquer forma, não dei muita atenção aos meus pensamentos.
— Bom, vamos então? Eu acho que vou só pegar minhas coisas no vestiário, eu prefiro tomar banho em casa mesmo. Eu moro super perto.
— Sério? Eu também moro perto. Praticamente virando aqui a esquina da faculdade.
— Olha só, será que somos vizinhos?
— Vamos descobrir!
Fomos até o vestiário, pegamos nossas coisas e fomos andando até em casa. Realmente ele morava bem perto de mim, fizemos o mesmo caminho. Ao longo do caminho conversamos sobre alguns assuntos, mas nada de mais. Até que ele ficou sério de repente e falou:
— Posso te perguntar uma coisa?
— Pode sim, claro!
— Como é sua relação com a Fernanda? É que… bom… eu sei que vocês já namoraram, ela me contou…
— Não se preocupe. Nós somos super de boa com isso. A gente nem namorou tanto tempo assim. Na verdade a gente se conheceu no primeiro ano da faculdade, entramos na mesma turma. Começamos a nos conhecer melhor, ficamos amigos e depois acabamos namorando por um tempo. Quatro meses só, pra ser mais exato. Mas depois disso a gente decidiu que era melhor sermos só amigos.
— Então terminaram bem?
— Sim, muito bem. Ela é a minha melhor amiga.
— Que bom! Não queria que fosse estranho a gente ser amigo.
— Claro que não! Apesar de a gente ter se conhecido de uma maneira bem inusitada.
— Culpa minha!
Nós dois demos risada.
— Bom, ainda bem! Porque eu gostei de te conhecer, você parece ser um cara muito bacana. — falou Hugo.
— Você também! — falei.
— Aqui é a minha casa.
— Nós somos praticamente vizinhos mesmo, eu moro um pouco mais à frente.
— Olha só! Nós podemos até combinar de ir pra faculdade juntos!
— Claro! Podemos sim!
— Você me passa seu número?
— Passo sim, claro!
Passei meu número para ele e nos despedimos. Ao entrar em casa e ir até meu quarto, eu não sabia por que eu me sentia como um adolescente. Fiquei pensando nele, mas ao mesmo tempo eu sentia que eu não podia pensar muito. Logo que deitei na cama, recebi uma notificação. Era o Hugo.
“Oie! Salva meu número também”. Não pude deixar de esboçar um sorriso ao salvar o número e respondê-lo.
***
No dia seguinte, marcamos de irmos juntos até a faculdade. Como ele morava um pouco depois de mim, ele foi me encontrar em casa. Nos cumprimentamos com um abraço e eu não pude deixar de notar que ele estava muito cheiroso.
— Nossa, seu perfume é muito bom! — falei.
— Obrigado! O seu também! — ele disse sorrindo.
— Obrigado!
— Podemos trocar um dia, eu te empresto o meu e você me empresta o seu!
Eu concordei com a cabeça dando risada.
— Pronto pro dia de hoje? — ele me perguntou.
— Nem um pouco. Queria ficar dormindo, isso sim!
— Nem me fale, eu também!
Continuamos andando até que encontramos Fernanda no meio do caminho.
— Olha só, você dois! — ela falou, me cumprimentando com um beijo no rosto e depois dando um longo beijo em Hugo.
— Acredita que nós somos praticamente vizinhos? — perguntou Hugo.
— Claro que sim, eu já sabia disso. — falou Fernanda.
— E por que nunca me falou?
— Porque vocês nem se conheciam, não achei que meu namorado ia virar amigo do meu ex. — falou Fernanda rindo.
— Ei, não sou só seu ex, tá bom? Sou seu melhor amigo! — falei fingindo estar ofendido.
— Eu sei disso, seu bobo! — disse Fernanda bagunçando meu cabelo — E agora então eu vou andar de braços dados com os dois!
Fernanda então fica no meio de nós dois e entrelaça um dos braços no meu braço e o outro no braço de Hugo.
— Virou a dona Flor e seus dois maridos, agora? — falou Hugo zoando.
Nós três rimos e seguimos pelo caminho de braços dados.
Fale com o autor