Notas iniciais
Olá pessoal! Mais um capítulo, espero que gostem!

Começava mais um dia, era uma sexta-feira. A semana tinha sido longa, eu estava bem cansado, por isso queria muito ir a uma festa da faculdade à noite pra me divertir. Chamei Eduardo, meu melhor amigo para ir.

— E aí, vamos na festa hoje? — perguntei para ele.

— Festa? Ai to cansado!

— Ah para com isso, cara! Parece aqueles velhos…

— A idade chega para todos!

— A gente tem a mesma idade.

— Pode até ser, mas acho que meu corpo é mais velho que o seu.

Eu dei risada, mas mesmo assim estava chateado porque queria ir à festa, mas não queria ir sozinho.

Enquanto eu tentava convencer Eduardo a ir comigo, nós avistamos Fernanda e Hugo.

— Oie! — falaram os dois ao mesmo tempo.

Eu e Eduardo respondemos o cumprimento.

— O que tá rolando? — queria saber Fernanda.

— Eu tô tentando convencer o Edu a ir à festa de hoje comigo.

— Melhor desistir… — falou Eduardo.

— Então vamos, Nanda?

— Ai bem que eu queria, mas faz tempo que não volto pra minha cidade e queria aproveitar que na próxima semana não tem prova e eu vou poder ver meus pais com mais calma. Já até comprei as passagens. Foi mal, Re.

— Tudo bem, você eu perdoo. — falei olhando para Eduardo.

— Ai como ele é dramático! — falou Eduardo.

Hugo riu e disse:

— Eu posso ir à festa com você!

— Sério? — eu fiquei sem saber direito como reagir.

— Sim, também queria ir. E já que esses dois aqui não vão, a gente faz companhia um pro outro.

— Ótimo! Todo mundo feliz então? — perguntou Eduardo.

— Hum, não pense que vou esquecer, tá? “Senhor velho que não vai mais à festa”. — falei para atazanar Eduardo.

— Ele faz o drama dele! Certeza que deve ter um monte de gente do time de atletismo que vai nessa festa também e da nossa turma. Você vai poder até ficar com vários gatinhos e gatinhas…

— Para com isso! Eu quero ir mais pra dançar, tá bom?

— Sei…

— Bom, mas tá resolvido então! Eu e você vamos na festa, fechado? — perguntou Hugo estendendo a mão para mim.

— Fechado! — eu falei pegando na mão dele.

Eu não sabia direito como me sentir com relação a isso. Eu e o Hugo, nós dois indo juntos para uma festa. Isso seria estranho? Eu não sei por que seria, afinal éramos amigos agora. Mas mesmo assim, eu achava que já estava na hora de admitir que sim, eu tinha um crush nele. É, eu tinha um crush no namorado da minha ex. Quais as chances disso dar certo? Nenhuma. Mas bom, o jeito era tentar não misturar as coisas. Éramos amigos e iríamos a uma festa juntos apenas como amigos. E quem sabe o Edu tinha razão. Teriam várias pessoas lá, quem sabe não rolaria algo com outra pessoa.

***

“Hey! Vamos juntos pra casa? A gente podia fazer um esquenta antes da festa, o que acha?” — era uma mensagem de Hugo durante a última aula.

“Pode ser! Quer ir na minha casa? É um pouquinho mais perto kkkkk” — eu respondi.

“Combinado então!”

Nós estávamos sentados não muito longe. Nos olhamos e sorrimos confirmando o combinado.

A aula chegou ao fim alguns minutos depois. Eu saí da sala e fiquei esperando-o lá fora com Eduardo. Depois de um tempinho, Hugo sai da sala junto com Fernanda.

— Partiu esquenta, então? — perguntou Hugo todo animado.

— Partiu! — respondi.

— Juízo vocês dois, hein? — disse Fernanda brincando.

— Ainda vão fazer um esquenta? Haja juventude! — exclamou Eduardo.

— Você é que tem espírito de velho, o que eu posso fazer? — falei dando risada.

— Bom, então vamos! Boa viagem, meu amor! Avise quando chegar na casa dos seus pais, tá bom? — disse Hugo se despedindo de Fernanda com um beijo.

— Pode deixar! Divirtam-se vocês dois! — falou Fernanda.

Nós nos despedimos de Fernanda e Eduardo e saímos da faculdade.

— Até trouxe uma roupa reserva pra me trocar depois. — comentou Hugo.

— Que prevenido você!

— Mas é claro, eu não sabia se o esquenta ia ser na minha casa ou na sua.

— Como se você morasse muito longe e não desse pra ir lá se trocar né? — eu ri.

— Mas economiza tempo! Só vou ter que tomar banho na sua casa…

— Ah não, aí não pode

— Poxa…

— Tô brincando, é claro que pode! — eu disse rindo.

— Que bom! — falou Hugo sorrindo.

— Bom, então acho que a gente pode passar no mercadinho que tem aqui no caminho pra pegar umas bebidas.

— Demorou!

Passamos no mercado, compramos algumas cervejas e salgadinhos e fomos para minha casa.

— Fique à vontade! Vamos tomar uma já e colocar o resto na geladeira. — sugeri.

— Fechou! — ele concordou.

Começamos a beber cada um uma latinha de cerveja e guardamos as outras para mais tarde. Coloquei uma música para ouvirmos.

— Não acredito que você gosta dessa banda! — disse Hugo.

— Mas é claro! A melhor banda que existe!

— Também acho! Mas a Fernanda não vê muita graça.

— Eu bem sei!

— Parece que ela tem o azar de escolher namorados que gostam dessa banda!

— Eu até fui no show deles que teve no fim do ano passado.

— Eu também!

— Olha só, a gente tava no mesmo lugar então. Pena que não nos conhecíamos ainda.

— Uma pena mesmo! Mas agora no próximo show que tiver deles, nós vamos juntos!

— Combinado!

Continuamos conversando e bebendo. Já estávamos na terceira latinha cada um quando resolvi colocar uma música mais dançante.

— Vamos dançar! Se acostumar com a hora da festa. — falei.

— Mas essa música é pra dançar em dupla e eu sou uma negação pra dançar.

— Vem cá que eu te ensino então! Já fiz aula de dança por um tempo, sabia?

— É mesmo? Você é cheio de surpresas!

Então eu comecei a ensiná-lo a dançar. Quando peguei na mão dele para conduzi-lo parecia que o mundo tinha parado de girar e que todo o resto não existia mais. Só existia nós dois ali naquela sala, dançando. Olhamos um nos olhos dos outros, eu sentia como se fosse uma faísca saindo dos olhos dele. Não era possível que eu estivesse imaginando coisas. Olhamos cada vez mais fixamente, se aproximando cada vez mais. Não sabia se era a música ou a bebida que começava a fazer efeito, mas eu sentia que ele olhava cada vez mais para mim, como se me convidasse. E eu queria. Queria muito. Mas claro que eu não podia, por isso desviei o olhar. Nesse momento a música acabou, eu me soltei dele. Estávamos um pouco suados, não sei se por causa da dança ou se pelo efeito da bebida ou os dois.

— Foi divertido! Você dança bem! — ele disse.

— Você também não foi tão mal.

— Para de mentir! — ele falou sorrindo e bebendo um pouco mais de cerveja.

Ficamos algum tempo em silêncio, apenas bebendo. Mas não foi um silêncio constrangedor, foi um silêncio que se dá entre dois amigos que se sentem confortáveis um com o outro e não precisam preencher o silêncio com palavras.

— Quer comer os salgadinhos? — eu perguntei depois de um tempo.

Hugo acenou afirmativamente com a cabeça enquanto dava mais um gole na cerveja.

***

Depois de bebermos e comermos um pouco, começamos a nos arrumar. Deixei o Hugo tomar banho primeiro. Depois que ele saiu do banho, eu entrei.

Nos arrumamos rápido e já estava chegando a hora da festa. Não era muito perto então pedimos um carro de aplicativo.

— Pode deixar que eu chamo pra ir, você pode chamar pra voltar. — sugeri.

— Tá bom! — ele concordou.

Pedi o carro e depois de alguns minutos um motorista aceitou. Entramos no carro e depois de uns vinte minutos chegamos ao local da festa.

— Parece que chegamos um pouco cedo demais, a festa ainda tá bem vazia. — constatou Hugo enquanto entrávamos.

— Pois é! Bom, mas podemos ir conhecendo o local, pegar alguma bebida…

— Logo depois de ter feito o esquenta antes de vir. — ele riu.

— Acontece… — eu ri também.

— Bom, eu pago um drink pra você. — ele disse.

— Ah é? Assim do nada?

— Bom, acho que depois de eu ter te acertado com uma bola de vôlei e ter feito você desmaiar e parar no hospital, eu acho que tô te devendo pelo menos uma bebida.

Eu não consigo conter uma risada.

— Justo! Eu aceito a bebida. Vou pegar a mais cara que tiver. — eu disse, brincando.

— Você quem manda!

Fomos juntos para pegar a bebida. Não escolhi a mais cara, obviamente. Peguei só uma caipirinha. Depois voltamos para a pista de dança.

Continuamos dançando até que começou a tocar uma música daquela banda que nós descobrimos que nós dois gostávamos.

— Não acredito! Essa música! — gritou Hugo.

— Pois é!

Então dançamos juntos, olhando um para o outro. Nos aproximamos cada vez mais e eu não conseguia parar de olhar pra ele, como se eu estivesse hipnotizado. Queria que a música durasse pra sempre. Logo que acabou, continuamos a dançar outras músicas. E essa é a última coisa que eu me lembro.