O Número um da França
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Notas iniciais
De repente toda a imagem que Milo havia criado da amazona se desfez, ela e Camus não namoravam mais, eram apenas amigos mesmo. Se sentiu idiota por não gostar da mulher apenas pela ideia que havia criado dela.
— Muito prazer, Milo! — O homem tinha um sotaque muito forte, com certeza era também era japonês. Ele estendeu a mão ao grego, em um aperto cordial. — Não deve ser fácil cuidar do Belle Époque, Camus é muito chato, não é?
— Eu apenas prezo pelo melhor. — Camus respondeu naturalmente, parecia não ter questões com o atual namorado de Saori.
— Fiquei muito feliz quando Camus nos contou que você ficaria responsável pelo Belle. — A morena continuou conversando com Milo, que ainda estava raciocinando sobre tudo. — Eu adoro o Saga, mas o modo como você cuidou dele, todo o carinho e empenho, foi excepcional, meus parabéns!
— Obrigado… — O loiro sorriu constrangido, não achava seu trabalho excepcional, só tinha feito o certo, bem feito. — Eu só fiz o que deveria…
Afrodite chegou em seguida, cortando a fala do grego ao o abraçar por trás afundando seu rosto na curva do pescoço dele, o cheiro de rosas inundou o ambiente. O rosto de Milo tomou quase do tom do cabelo do francês, este por sua vez, apenas bufou e rolou os olhos.
— Oi, gato! — Ele sussurrou e o soltou, virando-se para o japonês ao lado como se nada tivesse acontecido. — Aê Japa! Finalmente chegou! A Sa ia ter um parto se você não chegasse logo.
Milo não teve tempo de responder, sequer de se recompor quando foram avisados que o carro estava aguardando. Saori havia solicitado um carro de sete lugares para transportá-los. Milo, Camus e Afrodite se sentaram na última fileira de bancos enquanto Saori e Seiya ficaram na do meio.
Durante o caminho, os quatro amigos conversavam amenidades enquanto Milo os observava. Camus não parecia irritado com Afrodite como na noite que se encontram, descobriu que Seiya trabalhava com sistemas computadorizados para a Fundação Kido e iria se mudar para a Bélgica para morar com Saori após as olimpíadas, o avô dela não estava muito feliz com a ideia, então queria que se casassem.
Não demorou a chegarem ao destino.
Um carro normal? — Aioria os recebeu assim que a porta se abriu.
— Achei que pedir uma limousine seria demais. — Saori se justificou, aparentemente a jovem era bem extravagante.
Era uma casa até pequena, em um bairro mais moderno da capital inglesa, mas excelente para um jovem casal. O cavaleiro inglês recebeu Milo com um aperto de mãos e convidou todos a entrar.
— Que bom que aceitou o convite, Milo! — Marin abraçou o grego assim que o encontrou. Por mais que o primeiro encontro deles não tenha sido o melhor, ninguém parecia ter guardado ressentimento dele.
Camus foi ajudar Marin com a comida, enquanto os demais foram guiados para a sala de estar por Aioria, onde se juntaram e passaram a conversar amenidades. Milo pouco participava das conversas, mas estava muito interessado em conhecer mais dos amigos de Camus.
— Primeiro tenho que pedir desculpas pelo modo como nos comportamos na França. — Saori foi cordial. — Se você tivesse avisado alguém, Camus poderia ter problemas e nós também.
— Bem, se eu tivesse avisado, eu também poderia ter problemas… — Ele deu de ombros, já havia passado. — Então, acho que foi o melhor para todos.
Após alguns minutos de conversa e, ao notar o grego um tanto perdido, Saori decidiu apresentar um por um dos presentes, para que ele se sentisse mais confortável, começou apresentando o dono da casa.
"Aioria é o mais baby, com seus 23 anos de vida, monta desde os 6 e está no time principal do Reino Unido há 5 anos. Namora a maravilhosa Marin há 8 anos e continua enrolando ela. Sua cor favorita é amarelo, a bebida favorita é whisky, signo de leão, adora chamar a atenção e odeia que neguem algo que ele queira." Ele se levantou e fez uma reverência ao som de palmas dos demais.
"Afrodite tem 29 anos, monta desde os 8 anos e está no time sueco há 9 anos. Ele ainda não decidiu se prefere o Shura ou o Matteo, então fica nesse affair com os dois. É rosa vermelha do grupo, lindo, cheiroso mas venenoso quando quer. Sua cor preferida é rosa, signo de peixes, ama um martini mas não nega uma boa vodka. É o mais sensitivo de todos nós e o melhor ouvinte, mas odeia quando precisamos trazer ele de volta para a vida real" O loiro mandou um beijinho no ar para o grego que riu sem graça.
"Seiya também tem 29 anos, nunca subiu em um cavalo na vida, tem péssimo gosto para roupas, mas um ótimo gosto para mulheres, Trabalha desde os 18 anos para meu avô, nos conhecemos no primeiro dia dele na fundação, mas estamos juntos só há 3 anos. Sua cor favorita é vermelho, signo de sagitário, a bebida favorita é saquê. Ama viajar e odeia home office" O japonês riu da última informação, fazendo um joinha.
"Euzinha, Saori, tenho 28 anos, monto desde os 4 anos, compito pela Bélgica e pelo Japão por conta da minha dupla nacionalidade. Minha cor favorita é branco e exatamente por isso só tenho cavalos tordilhos. Meu signo é virgem, amo drinks com saquê, amo plantas e sou muito perfeccionista, mas odeio que me falem isso." Ela fez uma pose ao terminar de se descrever, todos aplaudiram também.
Marin e Camus chegaram no momento em que ela iria descrever a ruiva.
"Marin tem 24 anos, é engenheira. Tem um ótimo olho para cavalos, mas um péssimo gosto para homens, tadinha. Também é pisciana, a melhor ouvinte que alguém pode ter, vai tentar te ajudar com todos os seus problemas mas se você fizer algo errado não venha culpá-la. A cor favorita é azul celeste, ama um sex on the beach bem feito — entenda como quiser. Gosta de tudo muito bem arrumado e odeia ter que acordar de manhã." A inglesa não entendeu o motivo da descrição mas riu junto de todos ao ter seu drink preferido mencionado.
— Bem, Camus você já conhece mas eu me recuso a dar a ele o privilégio de não ganhar uma descrição. — Ela riu da cara de contrariado do francês.
"Camus tem 28 anos, monta desde os 8 anos e está no time francês desde os 18. Só é carinhoso com o Belle Époque, com o restante do mundo é mais frio que uma pedra de gelo. Sua cor favorita é azul, signo de aquário, cozinha tão bem quanto monta, bebe qualquer coisa que colocarem na frente dele, principalmente se tiver vodka. Odeia que digam o que ele tem que fazer, mas adora fazer isso com os outros, gosta de ficar sozinho mas não deixa de sair com a gente em nenhuma oportunidade. Também odeia dirigir e é uma das poucas coisas que ele faz realmente muito mal" Camus riu, não podia dizer que a morena estava errada. O fato de dirigir mal era algo bem constante na vida do ruivo.
— Agora você conhece todos nós! — Ela abriu os braços em comemoração. — Ninguém combina com ninguém, todos deveríamos nos odiar, mas estamos aqui, como o melhor grupo de amigos do mundo!
— Eu acho que Milo deveria se apresentar para nós também. — Afrodite disse como quem não quer nada e Aioria concordou. Não queriam expor o novato, mas por que não?
Milo ficou um pouco receoso, gostava de ser o centro das atenções, mas não sabia ao certo como se descrever.
— Ah, bem… — Ele começou sem jeito. — Milo, 29 anos, veterinário desde os 22 anos e trabalho na federação grega há 4 anos… Montei poucas vezes na vida, sinto que não levo jeito. Sou de escorpião, minha cor favorita é bordô, não sei se tenho um drink preferido, mas gosto muito de cerveja. Gosto de estar em grupo e odeio que não levem minhas opiniões em consideração… Acho que é isso.
Todos comemoraram quando o grego terminou, ele riu, não eram pessoas tão ruins no fim das contas.
Marin e Camus haviam ido avisar que a comida estava na mesa. Ela fez cordeiro assado com batatas e Camus escolheu um vinho tinto de Bordeaux para harmonizar. Milo poderia chorar de alegria com a escolha de prato: carneiro é uma das comidas mais tradicionais na Grécia e, por mais que a preparação fosse diferente, tinha o gosto de casa que ele tanto precisava.
— Vocês, pessoas de pouca classe, não se importam, mas escolhi esse vinho por ser encorpado e denso, tende ao amadeirado e tem sabor intenso de frutas escuras. — Camus explicava, servindo sua taça, enquanto apenas o grego prestava atenção vislumbrado pelos conhecimentos do ruivo. — Ele complementa a diversidade de sabores do cordeiro.
Todos comiam enquanto discutiam amenidades, aparentemente havia um voto de não conversar sobre as provas, o que permitia um ar descontraído entre eles, mesmo estando no meio de uma competição.
— Já escolheu os lugares pra Festa, Saori? — Afrodite perguntou em um determinado momento. — Vai ser aqui, não é?
— Sim!! Só precisamos escolher uma data. — A amazona sentada de frente para o sueco parecia muito animada. — Sugestões?
— Precisa ser antes do evento teste em Versailles, a federação não vai me liberar se estiver perto. — Camus pontuou, com a aproximação da olimpíada, os chefões estavam cobrando ainda mais do ruivo.
— Por mim está ótimo. — Aioria disse enquanto mastigava e ganhou uma cotovelada de Marin, engoliu forçado. — Nem compensa para você voltar, Dite.
— Com certeza, querido. — Afrodite apoiou o queixo no dorso da mão, encarando o francês. — Tenho certeza que tem um cantinho na casa do Camus para mim…
— Não tem. — Camus o cortou e todos riram com um "maldoso" dito pelo sueco em seguida.
Milo não sabia ao certo sobre o que estavam discutindo, mas já havia ouvido Mime comentar sobre a tal "Festa", apenas sabia que era a folga de Camus. O evento teste seria na segunda semana de janeiro, seu tempo na França estava tão perto e tão longe de acabar, tinha um turbilhão de sentimentos cada vez que pensava nisso.
— Milô? — O grego estava perdido em seus pensamentos, demorou para ouvir as pessoas o chamando, voltou à realidade apenas quando Camus o chamou em tom baixo, genuinamente preocupado. — Você está bem?
— Ah sim! Estava viajando, desculpem. — Ele voltou a olhar para as pessoas da mesa, levemente corado. — Sobre o que falavam?
— Você vai, não é? — Marin questionou, mas a cara de interrogação de Milo deixou claro que ele não sabia o restante do contexto.
— Na Festa! — Afrodite reposicionou o outro loiro no mundo. — Se Camus não ia te convidar, já era, nós convidamos.
Foi a vez do francês ficar sem jeito, não sabia se podia convidar o veterinário, talvez não permitissem que Milo deixasse o centro por conta de seu estágio e agora, pela responsabilidade com Belle Époque.
— Se meu chefe e a federação permitirem, não vejo por que não. — Ele virou o rosto lentamente para Camus, com olhos de filhote, como se aguardasse a autorização dele. O ruivo engasgou com o vinho.
— Não cabe a mim… — Ele disse tentando ficar sério após se recompor. — Belle Époque estará de folga, espero que nada aconteça para ele precisar do veterinário e, mesmo para os protocolos padrões, Saga estará lá.
— Está decidido, então! — Saori se levantou em um pulo. — Você vai!
Camus respirou fundo, não sabia se estava pronto para dividir aquela parte de si com o grego. Queria que ele fosse, claro, gostava da companhia dele, mas ainda era algo tão íntimo.
Após comerem, Aioria, Seiya e Afrodite ficaram responsáveis pela louça enquanto os demais voltaram para a sala, Milo chegou a se oferecer, mas eles negaram, disseram que ele era convidado e não deveria se importar com isso.
— Segunda semana de dezembro então. Vai ser uma Festa natalina!! — Saori comemorou, empenhada em enviar várias mensagens pelo celular. — Tenho que mandar os convites, confirmar os lugares e fechar o hotel.
— Não é um pouco em cima da hora? — Milo perguntou, parecia um evento importante, como ela conseguiria ajeitar tudo em tão pouco tempo?
— Querido. — Ela colocou a mão sobre o peito e ergueu o queixo. — Nada é tão em cima da hora que eu, e o dinheiro, não possamos resolver.
Camus, Marin e Saori ficaram discutindo sobre convidados, cardápio e outros detalhes, quando os outros chegaram, decidiram voltar para o hotel, ainda tinham uma competição pelos próximos dias, afinal.
Chegaram no hotel perto da meia noite. Saori e Seiya ficaram no 2 andar enquanto os outros três iriam para o sétimo. Afrodite estava muito animado pela presença de Milo no evento anual deles, embora o grego não tivesse noção do que esperar, estava feliz. Queria continuar convivendo com eles, eram pessoas legais, embora vivessem em uma realidade totalmente diferente da dele.
Após Afrodite ir para seu quarto, Camus e Milo ainda ficaram alguns segundos em silêncio, em frente à porta do quarto do francês. Ambos queriam dizer algo, apenas não conseguiam formular.
— Muito obrigado pelo convite… — Milo cortou o silêncio. Sem jeito. — Foi muito divertido, seus amigos são muito legais.
— Não precisa agradecer… — O ruivo evitava encarar o mais alto, nunca foi de ficar encabulado, por que o grego fazia isso com ele? — Foi… Muito legal mesmo…
Ambos se viraram para abrir as respectivas portas ao mesmo tempo, mas antes que pudessem entrar, Camus chamou.
— Milô… — Ele não se virou. Sentia estar prestes a dar uma notícia horrível ao outro. — Eu não sei se a federação irá te liberar…
— Está tudo bem, eu sei. — Milo respondeu com um sorriso, então ele queria que ele fosse na tal festa. — Bonne nuit, Camus.
— Bonne nuit, Milô.
Ao abrir a porta o grego ouviu passos apressados e barulho de corpos caindo na cama. Chegou no cômodo a tempo de ver Shion e Saga se cobrindo para simular que estavam dormindo.
— Vocês estavam ouvindo por trás da porta? — Ele estava indignado, não tinha um minuto de privacidade nesse lugar.
— De maneira alguma. — Saga respondeu rápido, sem se mover.
— Jamais faríamos isso. — Shion completou.
Milo começou a rir e foi acompanhado pelos outros dois que aceitaram que seus disfarces haviam falhado.
O dia seguinte amanheceu nublado e com vento, havia chance de chuva então todos estavam de olho no céu e na previsão meteorológica. Camus seria o primeiro a entrar e Belle Époque estava ansioso pela mudança repentina de tempo. Milo acompanhou o conjunto até a distensão e só retornou às cocheiras quando ele foi para a largada.
— Esse tempo é péssimo para o cross. — Saga disse olhando ansiosamente para o telão que mostrava o percurso do francês. Milo estava ao seu lado e apertava as mangas do casaco.
Em um determinado momento, enquanto passava por uma parte do percurso sem saltos, Belle Époque se assustou com um galho que balançava mais forte, ele parou de repente e ergueu os membros anteriores, causando um desequilíbrio no cavaleiro. Todos que assistiam prenderam a respiração, mas Camus se manteve na sela e conduziu para que o cavalo continuasse o percurso, precisaria compensar esses segundos perdidos nos saltos.
Durante todo o restante do percurso era possível notar que o cavaleiro conversava com seu cavalo, o incentivando antes dos saltos e comemorando após. Fez as opções que custavam menos tempo e conseguiram terminar dentro do ideal, apesar do susto.
Ao retornar às cocheiras, Milo foi os receber. Camus desmontou e abraçou o veterinário ao lhe entregar as rédeas se seu cavalo, ele estava mais pálido do que o normal. Inicialmente o grego ficou sem reação, mas logo respondeu ao abraço com carinho, o cheiro do francês encheu os pulmões do loiro, seu coração batia rápido, eles permaneceram assim até a respiração do menor voltar ao normal.
— Obrigado. — Ele disse apenas, ao se desvencilhar do abraço e seguiu sem olhar para o grego.
Milo seguiu com o cavalo para o banho, respirando fundo para se controlar, nesses dias mais frios, eles eram banhados com água quente, mas ainda assim era um banho rápido apenas para retirar o suor. O veterinário o alongou durante o procedimento, acabando por ficar um pouco molhado também, mas não se importou, precisava mesmo diminuir a temperatura do seu corpo. Em seguida, colocou uma capa pós banho e levou o garanhão para a área de secagem coberta dentro da cocheira.
Pode ver Camus conversando com Saori e Afrodite no padoque, ambos pareciam ansiosos também. O vento não dava trégua.
Misty preferiu ir mais devagar, evitar que Fígaro se assustasse era muito importante pois ele talvez não conseguisse voltar ao percurso caso acontecesse. Terminou acima do tempo ideal com 5 pontos de penalidade, mas estava feliz, não se importava de ser o descarte dessa vez, só queria garantir o bem estar de seu companheiro e terminar o percurso.
Elga e Ego terminaram com 2 pontos de penalidade por tempo, mas sem maiores problemas. Cardon terminou dentro do tempo, embora tivesse tido problemas para controlar o cavalo que fez o percurso todo muito assustado e algumas vezes correndo mais do que o necessário.
— Isso é absurdo! — Saga estava possesso. Houveram diversas reclamações de várias equipes, porém a organização da prova negou interrompê-la ou trocar a data. — Só vão parar a prova quando alguém se machucar?!
Dentre os amigos de Camus, Afrodite fez um tempo poucos segundos maior do que o Francês, Queen Blood Rose coiceava após os obstáculos o que quase derrubou o sueco algumas vezes. Goddess of War estava mais tranquila, mas a ansiedade de Saori fez com que ela a segurasse de mais, tendo penalidade de 4 pontos. Lightning Plasma apresentou um refugo por conta de um galho que caiu no momento da apresentação do salto, o que fez Aioria perder alguns segundos importantes, terminando com 3 pontos.
Ao final, muitos cavaleiros menos experientes acabaram caindo, mas não houve nenhum acidente grave. Pandora e Radamanthys competiram pelo time alemão e terminaram com um e dois pontos de penalidade. Camus ficou em primeiro no ranking geral, seguido por Afrodite e Aioria, mas ninguém estava realmente feliz, nunca era bom competir em situações adversas, os riscos eram muito maiores do que os benefícios.
Com o fim da prova e tudo mais tranquilo, Camus estava lendo, sentado em sua cadeira de camping, à frente da baia de Belle Époque enquanto ele recebia seu soro e massagem. Milo havia passado alguns óleos essenciais na baia, que deixaram o cavalo (e o cavaleiro) mais tranquilo.
— Milô… — Ele disse de repente, sem se mover.
— Hnm? — O veterinário seguiu seu trabalho, também sem se virar para o cavaleiro.
— Você não tinha 28 anos? — O ruivo perguntou naturalmente e, então, o grego parou o que fazia para olhar para ele, já tinha notado essa particularidade do francês: perguntar coisas repentinas em momentos aleatórios.
— Ah… Sim. — Ele riu, voltando ao seu trabalho. — Meu aniversário foi na segunda semana de novembro.
Mais especificamente, no dia em que Belle Époque apresentou a cólica. Ele não se importou de não comemorar, até porque não havia comentado com ninguém. Seus pais e amigos da Grécia o parabenizaram e, para ele, já era o suficiente.
— Por que não nos falou? — O francês abaixou seu livro, virando a cabeça para olhar para o grego.
— Tínhamos coisas mais importantes para nos preocuparmos no momento. — Ele acariciou o pescoço do cavalo, que estava completamente relaxado. — Não ligo muito para isso também, não é legal ficar velho.
Camus não falou mais nada e o assunto morreu ali.
Ao final do dia, as federações foram avisadas que haveria mudança da pista da prova de salto para a pista indoor, evitando problemas com as intempéries climáticas. Para alguns cavalos era melhor, para outros não, mas fazia parte da prova lidar com essas adversidades.
O último dia de prova amanheceu claro, porém ainda com bastante vento. O reconhecimento da pista abriu antes, para dar mais tempo das equipes formularem suas estratégias.
Em uma pista fechada, consequentemente menor, os cavalos têm menos espaço de galope e precisam de mais impulsão na hora dos saltos, o que torna a tomada correta das distâncias ainda mais importante. Provas indoor eram comuns no salto, mas raras no concurso completo, só não eram tão complicadas pois a maioria dos cavalos treinava em pistas fechadas nos meses mais frios.
— Podíamos terminar logo, né? — Mime disse enquanto prendia Ego na baia pelo cabresto. — Quero voltar logo para a França, essa cidade é deprimente.
— Temos uma prova para ganhar ainda. — Sorento terminava de colocar as boleteiras em Fígaro, que não estava muito a fim de ajudar. — Mas que saco cavalo! Você usa isso todos os dias, pra que dar tanto trabalho para por?!
Milo riu e foi ajudar o amigo, Belle Époque estava tranquilo, já preparado. O time francês estava na liderança, mas o time sueco não vinha tão atrás e, como eram mais experientes em pistas cobertas, poderiam virar a qualquer momento, assim como os times inglês e belga que estavam empatados em terceiro.
O percurso não estava fácil, havia muitas curvas fechadas que levaram muitos conjuntos a cometer faltas. Todos os suecos zeraram, o que era uma baita vantagem, mas permaneciam em segundo por conta das notas das provas anteriores.
Misty e Elga também zeraram, o descarte foi novamente de Cardon que cometeu uma falta no segundo obstáculo após uma curva errada. Camus seria o último e estava muito mais tranquilo do que no dia anterior. O grego o acompanhou até a entrada da pista.
A passagem do conjunto foi perfeita, cadenciada e sem surpresas, garantindo mais um ouro para o time Francês. Novamente, no desempate individual, Camus não teve problemas, terminando no menor tempo e sem faltas. Seria muito difícil desbancá-los nas Olimpíadas.
A etapa FEI de Hipismo Completo de Londres terminou com o Time Francês em primeiro, o Time Suéco em segundo e o Time Britânico em terceiro. No individual o ouro também ficou com Camus e Belle Époque, a prata com Afrodite e Queen Blood Rose e o bronze com Aioria e Lightning Plasma.
Terminadas as comemorações, era o momento de preparar os cavalos para voltarem para casa.
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