O Muro
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Notas iniciais
Desculpa a demoooora de mais de 3 meses, mas enfim, ta ai
Boa leitura o/
– Julia, vou sair hoje. Você fica com Herr Fritzwald, ok?
Com a morte de Frau Fritzwald, eu sabia que eu teria que arranjar dinheiro. Herr Fritzwald ja estava velho, e Frau Fritzwald trabalhava numa loja de bolos. Ela era a dona e quem fazia os bolos. O governo provavelmente tomaria o lugar, se eu nao intervisse. Eu faria os bolos, e os venderia a um preço um pouco maior. Precisavamos do dinheiro. Segundo Herr Fritzwald, ele teria feito o enterro sem nós, então hoje eu tomaria posse da loja.
– Vai ver o seu soldadinho de merda, é?
Ela ainda estava brava comigo, mas eu tinha que esclarecer as coisas com ela.
– Julia, sem palavrões dentro desta casa! Voltarei de noite, e se você continuar com esse linguajar aqui dentro eu te faço escovar os dentes com sabão, entendeu?! Eu vou sustentar essa casa agora! Mereço respeito!
Julia parecia assustada e eu sabia que tinha passado dos limites.
– Me desculpe. Sério, eu só estou nervosa, mas você não precisa entender o porquê. Quando chegar eu te explico tudo, mas agora preciso sair.
Eu a deixei em casa, e fui direto para a loja, que ficava perto do bar onde tinha encontrado Tom Kaulitz. A porta estava aberta, então não tinha sido muito difícil. À medida que fui entrando, o sino da porta tocou. O lugar estava frio e deserto.
Acendi as luzes, liguei o aquecedor, e por um momento refleti se aquilo era certo. Bem, precisava do dinheiro ate o muro cair, e depois disso, venderia a loja.
Continuei a minha pequena exploração. Tirei os bolos que estavam estragando, e os joguei fora, e achei escondido o livro de receitas de cem páginas, e provavelmente, cem anos. As páginas estavam amarelas, duras e se desintegrando e tomava o maior cuidado para virá-las.
Peguei o bolo mais fácil que achei para tentar fazer. Eu era boa em cozinhar, cozinhava o tempo todo quando morava com meus pais do outro lado de Berlim, mas fazia muito tempo.
Depois de uma hora, aprendendo a usar todos os utensílios ultrapassados de Frau Fritzwald, comecei a fazer o primeiro bolo, e ainda era de manhã. Tinha que fazer mais sete bolos para alcançar o que queria. Cada bolo seria 10 marcos. Só assim, conseguiria fazer um bom dinheiro no final da semana, com uma quantia indo para o governo, e o bastante para poder sustentar sua irmã e Herr Fritzwald.
Depois de alguns instantes, ouviu o barulho do sino da loja tocar e teve que deixar seu trabalho para atender seu cliente. Ao sair da cozinha, viu uma idosa com os cabelos grisalhos entrando em passos lentos.
– Bom dia, minha jovem. Onde está sua avó?
– Infelizmente, senhora, Frau Fritzwald faleceu.
– Oh, bem, queria entregar o dinheiro dos bolos à ela. Sempre fiquei devendo, mas agora eu tenho dinheiro.
De certo modo, o jeito que ela contou isso me pareceu muito engraçado e começamos a rir.
– Bem minha jovem, tenho que ir.
E com um sorriso quase banguela, a senhora se foi frio adentro.
Olhei para as minhas mãos e vi duas notas de cem marcos. Quase pulei de alegria, mas guardei para mim mesma e continuei a fazer o que tinha que fazer.
Alegria era algo que não sentia quase nunca. Como uma morte nos força a fazer coisas que nos surpreendemos? Era esquisito sentir isso de novo, um sentimento inovador. As coisas começariam a mudar, finalmente. Ou pelo menos eu esperava que sim. Quem sabe a loja me distraísse um pouco...
Consegui fazer o primeiro, o segundo e o terceiro rapidamente e os colocava na vitrine. Vieram alguns fregueses, mas nada como a velhinha engraçada que havia passado mais cedo.
Alguns reclamaram do preço, mas eu expliquei um pouco da minha situação e estes se acalmaram.
Era de noite, e eu estava para fechar a loja. Desliguei tudo, deixei apenas o refrigerador com os bolos ligado. A noite estava muito fria, mas do que o normal.
A rua estava normal, sem quase ninguém, apenas com a iluminação das luzes e outras luzes de bares e clubes de fundo. O caminho para casa parecia tranquilo e normal.
No meio do caminho, comecei a ver alguns vultos atrás de mim, mas continuei andando tentando ignorar. Ao andar mais alguns metros, passei em frente a um beco e algo me empurrou e eu caí no chão. Ao me virar, vi dois homens desconhecidos, gritando:
– Tira a roupa! Tira a roupa agora!
Sem reação, continuei onde estava, sem me mexer, apenas suando frio. Um deles chegou perto de mim e falou quase sussurrando:
– Se você não quer tirar, nós tiramos para você!
Eu comecei a gritar por socorro desesperadamente enquanto eles chegavam mais perto e começavam a rasgar minhas roupas. Gritei e gritei e gritei e eles já haviam conseguido tirar meu pulôver, me deixando apenas com meu sutiã, e começaram a rasgar minhas calças, quando uma sombra chegou correndo e começou a bater nos dois sujeitos. Eu estava perdida, morrendo de frio e com medo e lembrei do que minha mãe me disse: “Se um dia você tiver medo, feche os olhos”.
Segui o que minha mãe me disse e os cobri com a minha mão gelada. Até que o barulho parou. Resolvi tirar a mão dos meus olhos e vi uma mão estendida para mim. A sombra me disse:
– Rápido, não temos muito tempo!
Eu reconhecia aquela voz, e com uma segurança repentina, segurei as mãos na mão daquele ser misterioso. Não conseguia ver nada, só vi que a sombra me cobriu com um agasalho e voltei a ver quando saí do beco. Olhei para trás e vi os dois deitados no chão, com sangue e provavelmene inconscientes.
Com medo, olhei para a pessoa ao meu lado e o reconheci apenas por um olhar: Tom Kaulitz.
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