Notas iniciais
ooooi o/
espero que gooostem o/
boa leituta!

Acordei, perdida em um apartamento pequeno. Estava com alguns panos úmidos e quentes na minha cabeça. Não fazia ideia de onde eu estava. A última coisa que vi foram os dois corpos ensanguentados no chão e o frio que eu sentia. Depois disso, nada.

Com muita força, me levantei lentamente da cama, deixando cair os panos e o confortável cobertor de lã. Eu estava usando uma camiseta desconhecida. Sabia que não tinha aquela camiseta no meu guarda roupa, já que as roupas que eu tinha eram tão limitadas.

Enquanto ia para a cozinha a passos leves, já que não sabia onde estava, vi passos se aproximando. Alguém deve ter ouvido meus passos. À medida que os passos se aproximavam vi um homem de calça e sem camisa: Tom Kaulitz.

Na hora, eu percebi o que tinha acontecido. Ele tinha me salvado dos desconhecidos que tentaram me estuprar e tinha me levado para sua casa, onde eu passaria a noite.

Ele era incrivelmente magro e branco, mas de cabelos pretos. Tive que segurar um suspiro. Ele me viu e na hora abriu um sorriso amigo:

- Você acordou! Bom dia! Dormiu bem? Tive que dormir no sofá, sabia?

Eu mal conseguia abrir a boca, mas algo saiu finalmente.

- M-me desculpe, já vou embora.

- Relaxe! Fique mais um pouco e eu te pago um café da manhã. Como você pode ver, eu estou de bom humor hoje.

Até pensei em aceitar, mas nesse momento, lembrei de Julia e Herr Fritzwald. Eu tinha que voltar.

- Desculpe, não posso, tenho mesmo que voltar para casa. Obrigada por tudo, afinal. E obrigada por salvar a minha vida.

Ele me olhava com uma expressão triste, como se ele não quisesse que eu fosse embora. Nem eu queria ir embora. Queria ficar, passar o dia junto dele, abraçada, sem nunca soltar, acariciando seus cabelos pretos. Mas eu tinha que ir. Eu tinha que cuidar da Julia e de Herr Fritzwald, da loja, dar um sinal de vida milagroso.

Olhei para baixo e com um suspiro, fui sem olhar para trás. Ao chegar na porta, dei uma última espiada e não me segurei: Fui em sua direção e lhe dei um beijo em sua bochecha macia. Me afastei e vi o sorriso sem graça que se formou em seu rosto. Com coragem, saí.

O dia estava nevando levemente, era tão bom ver a neve. O caminho era longo até minha casa. No caminho, pensava em Tom. Na hora, uma imagem veio na minha cabeça: Meus pais e meu irmão. O que eu estava fazendo? Foi nessa hora que o meu coração entrou em conflito com meu coração.

Ele era inimigo! Graças a ele, ou seus amigos, não via meus pais há meses. Por que tudo isso? Por que nada era tão simples? Eu poderia facilmente me apaixonar por um alemão comum, mas me apaixono por um soldado soviético. Isso me fazia me odiar mais ainda.

E se eu tivesse que escolher entre ele e a minha família? Eu o amava, isso era certo, mas não podia me deixar cair ainda mais nele. Automaticamente comecei a chorar fraco.

Após um tempo de reflexão, finalmente havia chegado em casa. Ainda era de manhã e era possível que Herr Fritzwald e minha irmã ainda estivessem dormindo.

Levemente comecei a abrir a maçaneta fria e escorregadia. E sem fazer barulho algum, consegui entrar em casa. Na ponta dos pés e descalça. Era bom sentir aquele cheiro.

Finalmente, sem fazer nenhum barulho, cheguei ao meu quarto e comecei a me enfiar debaixo das cobertas, onde dormia Julia com uma respiração leve e serena.

Feliz de estar em casa, dormi com facilidade, escutando os pássaros cantarem.

Acordei, momentos depois com a voz de Julia.

- Anne! Acorda!

Feliz com aquela voz conhecida me acordando, resolvi reponder ao chamado.

- Olá, Julia.

- Acho que você precisa me explicar algumas coisas. Estou preparada para o pior, mas por favor, não esconda nada mais de mim.

Ela parecia muito mais madura do que antes.

- Certo, você tem razão, vamos lá – eu me sentei na cama, ao lado dela. – Primeiro de tudo, como você deve ter percebido, não vimos Frau Fritzwald há um tempo.

- Sim.

- Bem, ela está morta.

Ela continuou com uma expressão séria, como se entendesse. Eu não conseguia entendê-la, mas continuei.

- Ontem, eu saí sem dar notícias, simplesmente porque precisamos de algum dinheiro, então eu tomei conta da loja de bolos de Frau Fritzwald, e eu devo admitir que já temos algum dinheiro, mesmo com a quantia que vai pro governo. E, ontem ao sair – soltei um suspiro. – Eu quase fui estuprada por alguns bêbados.

Uma expressão de espanto tomou conta dela. Provavelmente não conseguia entender, curiosa, falou:

- E depois?! Como você se salvou?!

- Você se lembra daquele soldado que veio me trazer flores? Ele bateu nos bêbados e me levou para a casa dele, porque eu aparentemente desmaiei. Por isso que eu não voltei. Acabei de voltar, na verdade.

- Ai, Anne, você sabe o porque você não pode namorar esse soldado!

- Eu sei muito bem! Você não acha que eu também não estou confusa? Tudo está muito difícil, Julia. Ainda mais com a loja e tudo mais!

- Anne, posso perguntar uma coisa um pouco fora do assunto?

- Claro! Já estava perdendo a cabeça mesmo...

- Você faz os bolos que fazia quando estávamos em casa?

Eu dei uma leve risada.

- Bem, eu tento. Se quiser me ajudar a fazer, como nos velhos tempos, é aceita!

Nós duas rimos como não fazíamos há alguns dias. Apesar da diversão, por que ele não saía da minha cabeça?

Pela primeira vez, o muro estava fazendo uma outra divisão além da familiar. Por que tudo tinha que ser tão complicado em mim?

Eu o amava, apesar de ter medo de admitir para mim mesma. Eu o amava, e tinha medo. Medo dele, medo das consequencias, medo da divisão em mim. Medo. Sempre esteve presente em mim, mas agora estava maior. O que eu faria se visse ele? O que meu corpo me mandasse fazer, porque afinal, minha cabeça e meu coração estavam numa luta constante e aquilo me machucava.

Notas finais
reviews?