O Mundo de Caio
1 Uísque duplo
Notas iniciais
Tudo começou depois de uma bela noitada com os amigos. O nosso protagonista, que por enquanto chamaremos de Caio, jura que voltou para casa e dormiu no sofá... ou pelo menos parte da noite. Mas, ao acordar, acaba dando de cara com um lugar completamente diferente do seu apartamento. Quando Caio abriu os olhos, ele notou que o lugar onde se encontrava estava completamente vazio, mas vazio mesmo. Tudo que havia era um espaço em branco, sem paredes, sem teto, sem delimitações... tudo estava vazio, a não ser por sua existência.
—Mas que diabos? – se perguntou o rapaz.
Não fazia a menor ideia de como havia parado naquele lugar, se é que aquilo poderia ser chamado de lugar. Se pôs de pé, olhando ao redor. Estava tudo realmente vazio. Tentou se lembrar dos últimos acontecimentos: nada veio à sua mente.
—Droga! Será que eu bebi demais?
Começou então a se lembrar da última noite. A última coisa que se lembrou foi de um copo de uísque duplo em sua...
—MAS QUE MERDA É ESSA?! – gritou o rapaz ao notar o copo de uísque em sua mão.
Estava ali. Um copo de vidro, com uma dose dupla de um uísque envelhecido. Não sabia a marca, mas fez o que faria a maioria das pessoas: entornou o líquido para dentro de sua boca.
Sentiu o gosto forte descer sobre a sua boca, um gosto familiar. Tentou lembrar-se de alguma memória associada aquele sabor, mas nada lhe veio à mente. Respirou fundo, e tentou perceber mais daquele lugar. Não havia mais nada, a não ser ele e o copo de uísque agora vazio. Talvez se tentasse criar alguma coisa...
—Mas o quê? Será que posso criar qualquer coisa nesse lugar?
Começou a pensar em coisas que poderia querer. Um copo de uísque parecia tão pouco, tão fútil... foi então que lhe veio à mente a ideia de algo a ser criado. Caio abriu a boca e gritou:
—OUTRO COPO DE UÍSQUE! AH, ACONTECE MESMO!!!
Ficou maravilhado. Entornou o líquido do copo que apareceu na outra mão e tentou colocar os dois, vazios, no chão. Mas não havia chão, e os copos despencaram para o infinito. Foi aí que percebeu que ele não estava pisando em algo sólido, mas aparentemente em constante queda, mas sem perceber.
—AAHHH! CHÃO, CHÃO, CHÃO, CHÃÃÃÃÃÃÃOOOOOO!!!
E, como mágica, o espaço se dobrou e criou algo sólido. Caio sentiu a dor ao cair de cara naquele novo chão criado, onde viu estilhaços dos copos que havia soltado anteriormente.
—Uísque duplo! – disse enquanto se levantava e um terceiro copo com uísque surgiu em sua mão.
Depois de virar o copo, Caio começou a pensar se tudo aquilo não estava sendo fruto de sua bebedeira. Então, ao pedir o quarto copo, Caio desejou também grama, céu azul, árvores, nuvens, vento, água e outros elementos naturais. E assim, com mais uns cinco copos de uísque duplo, Caio criou seu universo particular. Entretanto, ainda havia muito a se criar e é nessa história que embarcaremos a partir de agora.
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