Para Leah Clearwater, passar quase quatro meses sem se transformar deveria significar vitória. E, por algum tempo, significou. Ela contava os dias em silêncio como quem protege um segredo precioso: uma semana, três, dois meses, depois quase quatro. No fim do sexto mês trabalhando na mansão, ainda não havia cedido. Nenhum osso se rompendo e se refazendo em segundos. Nenhuma explosão de calor correndo pela coluna. Nenhum impulso selvagem de abandonar paredes, roupas, linguagem e civilidade. Nenhum uivo preso na garganta.

Quase parecia liberdade.

Quase.

No início, as mudanças vieram discretas. O cabelo crescera rápido e espesso, agora roçando os ombros em ondas escuras. A pele perdera parte da tensão constante. As feições, antes sempre endurecidas por prontidão e raiva, às vezes descansavam sem que ela percebesse. Os seios recuperaram suavidade. Os quadris pareceram mais cheios. Os músculos, ainda fortes, deixaram de viver permanentemente contraídos.

Ela se olhava no espelho e via algo que mal reconhecia: uma mulher.

Não apenas uma arma.

Não apenas uma fera domesticada à força.

Mas o corpo não esquecia tão facilmente o que fora moldado para ser.

Vieram cansaços estranhos. Pontadas profundas nas articulações. Dores que nasciam nos joelhos, subiam pelos quadris e se escondiam entre as costelas. Músculos rígidos ao amanhecer, como se tivesse corrido a noite inteira. Calor interno sem febre. A pele parecia quente demais por dentro, como se algo vivo tentasse sair.

Havia noites em que precisava andar descalça pelo quarto escuro, de short e regata, apenas para suportar a sensação de estar presa dentro da própria carne. Caminhava de um lado ao outro. Respirava. Fechava os olhos. Contava até dez.

Pensava em coisas humanas.

Contas.

Livros.

Faculdade.

Horários.

E, contra a própria vontade, pensava nele.

Na voz grave surgindo de corredores vazios. Na maneira como cada palavra dele parecia provocar e amparar ao mesmo tempo. Na presença invisível que aprendera a reconhecer sem ver.

Estranhamente, isso a acalmava.

O corpo reduzia a febre.

A mandíbula destravava.

As mãos paravam de tremer.

O que a irritava ainda mais.

Até que vieram os sonhos.

Sempre corria neles. Patas enormes esmagando terra úmida. Vento cortando o focinho. Cheiro de pinho, sangue, chuva, ferro, musgo. A floresta de Forks viva e hostil. Corria atrás de alguma coisa que nunca alcançava. Às vezes ouvia uivos ao longe. Às vezes vozes humanas chamando seu nome entre as árvores. Às vezes via Sam de costas e acordava com raiva antiga na boca. Às vezes via nada. Só corria até doer.

Acordava arfando.

Lençóis torcidos.

Coração disparado.

O quarto pequeno parecendo estreito demais para contê-la.

Mesmo assim, persistiu.

Queria ser normal.

Queria provar que podia escolher quem seria.

Queria vencer algo, nem que fosse o próprio corpo.

*****

Naquela noite, a tempestade chegou pouco depois da meia-noite.

Primeiro o vento.

Depois a chuva grossa batendo nas janelas antigas.

Depois trovões que faziam a casa inteira estremecer como um animal velho acordando contrariado.

As madeiras gemiam.

Tubulações ressoavam.

Alguma porta distante bateu duas vezes.

Leah mal dormira nas últimas quarenta e oito horas. Estava exausta de um jeito que o sono não curava. O corpo doía por dentro. As articulações pulsavam como se lembrassem daquilo que ela vinha negando havia meses. Os músculos pareciam grandes demais para a própria pele. Calor sem febre. Inquietação sem motivo.

Fera sem floresta.

Vestia apenas um short macio e uma regata fina, os cabelos escuros espalhados pelo travesseiro, ainda úmidos do banho tomado tarde demais.

Quando finalmente caiu no sono, foi arrastada para o pior sonho até então.

Corria em círculos sem encontrar saída. A floresta ardia em alguns pontos e congelava em outros. Árvores negras se fechavam ao redor dela. Algo enorme a perseguia entre os troncos, rápido demais para ver. Ela tentava mudar de direção, mas as patas falhavam. O chão virava lama, depois gelo, depois água escura.

Então ouviu alguém chamando.

Leah.

Outra vez.

Leah.

Não da floresta.

Vinha do quarto.

Ela lutou para emergir, presa entre sonho e vigília, debatendo-se nos lençóis.O corpo inteiro tensionado. Um som ferido escapando da garganta.

Do lado de fora, Adrian Thorne ouviu.

Ficou imóvel por um segundo no corredor escuro.

Nos últimos dias, Leah passara a dormir com a porta trancada. Dissera a Margaret, fingindo leveza, que não queria "acordar a casa inteira" caso sonhasse alto demais. Mas ele sabia que tinha algo a mais, só não sabia o que era.

Leah, por sua vez, temia transformar-se durante a noite. Temia acordar a loba entre paredes humanas. Temia a si mesma.

Outro baque veio lá de dentro.

A cama contra a parede.

Depois um gemido sufocado.

Depois seu nome.

— Adrian...

Algo dentro dele despencou.

Correu até a maçaneta. Trancada.

Chamou por ela.

— Leah.

Nada.

Forçou a maçaneta uma vez. Duas. A madeira antiga gemeu e resistiu.

Veio então um grito baixo, pior do que um grito alto: o som arrancado de alguém lutando contra um inimigo invisível.

Foi o bastante.

Não pensou nas cicatrizes.

Não pensou em ser visto.

Não pensou no homem que passou anos escondendo.

Só pensou nela.

Saiu para a varanda lateral sob a tempestade. A chuva gelada bateu-lhe no rosto e nas costas nuas como pedras pequenas. O vento tentou empurrá-lo escada abaixo. A janela do quarto dela estava apenas um palmo aberta, presa pelo trinco interno.

Insuficiente.

Segurou a moldura com uma mão e bateu o cotovelo no vidro com a outra.

A primeira pancada rachou.

A segunda quebrou.

Estilhaços misturaram-se à chuva.

Ele ignorou o corte nos dedos, alcançou o trinco por dentro, abriu a janela e atravessou o vão estreito como um homem daquele tamanho jamais deveria conseguir.

Caiu pesado no piso.

Levantou-se no mesmo instante.

Leah se debatia nos lençóis, presa entre febre e sonho, suor brilhando na pele, cabelo colado ao rosto, os joelhos nus chutando a coberta como se corressem de verdade.

Parecia lutar contra alguma coisa que só ela via.

Ou contra a loba que tentava voltar...

Ele atravessou o quarto em dois passos e segurou-lhe os ombros.

— Leah. Acorde.

Nada.

Os olhos fechados moviam-se depressa sob as pálpebras.

A respiração vinha curta, ferida.

— Leah.

Ela abriu os olhos de uma vez.

Escuridão.

Relâmpagos azuis atravessando as cortinas.

Respiração ofegante.

Mãos grandes em seus ombros.

Sem pensar, movida pelo resquício do pânico, Leah se lançou para frente e se agarrou ao corpo diante dela.

Braços ao redor de um torso quente e sólido como pedra.

Adrian enrijeceu instantaneamente.

Ela enterrou o rosto no peito dele, ainda tentando entender onde estava, buscando calor, chão, qualquer coisa que dissesse que saiu do sonho.

Ele cheirava a chuva, perfume caro e pele quente.

Molhado.

Tremendo não de frio, mas do susto de tê-la nos braços.

Os braços dele pairaram um instante no ar, como se não soubessem o que fazer.

Depois a envolveram com cautela brutal.

Como se pudesse quebrá-la.

Como se pudesse se quebrar.

— Está tudo bem — murmurou, rouco. — Foi só um pesadelo.

Mesmo sem saber a verdade, ele sabia que não era só um pesadelo.

A voz reverberou contra o peito nu dele.

Nu.

Leah congelou.

Ergueu a cabeça lentamente.

Um relâmpago iluminou o quarto por um segundo inteiro.

E ela o viu.

Adrian Thorne ajoelhado junto à cama, sem camisa, cabelos claros molhados e desalinhados, o corpo enorme ocupando espaço demais no pequeno quarto. Maior do que imaginara. Mais largo, mais alto, mais brutalmente sólido do que qualquer homem comum.

Maior até do que Emmett Cullen lhe parecera um dia.

O peito vasto subia e descia sob respiração contida. Ombros largos demais para a porta estreita. Braços fortes marcados por linhas antigas de cicatrizes. As queimaduras e marcas desciam do pescoço pelo ombro esquerdo, atravessando parte do peito e costelas em mapas irregulares de pele repuxada, clara em alguns pontos, avermelhada em outros, antiga e ainda feroz.

O rosto estava metade em sombra.

Mas, o bastante aparecia para mostrar tensão crua nos traços.

Exposto.

Vulnerável de um jeito que ela jamais imaginaria naquele homem que vivia escondido.

— Está tudo bem — insistiu, a voz mais rouca do que pretendia.

Em sua concepção, ainda pequena da verdade da vida daquela mulher, eram seus monstros arranhando as grades. E o monstro dele atravessando chuva e vidro para alcançá-la.

Quando Leah ergueu o rosto para vê-lo no clarão do relâmpago, Adrian percebeu a verdade mais perigosa da noite: o monstro dela não temia o dele.

Leah percebeu que ainda o abraçava.

E que ele a deixava.

Devagar, levou a mão ao peito dele, como se pedisse permissão sem palavras.

Sentiu o calor sob a palma. O batimento forte. A textura desigual das cicatrizes misturada à pele lisa.

O corpo inteiro dele reagiu. Uma tensão percorrendo músculos acostumados ao controle.

Adrian puxou o ar fundo.

Ela ergueu a outra mão até o rosto dele.

Os dedos tocaram a linha áspera que atravessava a face, subiram pela têmpora marcada, contornaram o maxilar firme, coberto pela barba curta.

Nenhum gesto de pena.

Nenhuma hesitação.

Só curiosidade suave e algo mais profundo que ela mesma não sabia nomear: desejo e reconhecimento, talvez.

Ele fechou os olhos.

O quarto inteiro pareceu prender a respiração.

Leah percebeu então que ele tremia levemente, não de medo, mas de contenção.

Porque ela estava de regata fina demais, joelhos nus sob o lençol desfeito, cabelo espalhado, pele quente de sono e pesadelo.

Porque ele a segurava perto demais.

Porque meses de desejo silencioso agora tinham peso e temperatura.

— Adrian...

Foi a primeira vez que disse o nome dele assim.

Baixo.

Sem ironia.

Quase íntimo.

Os olhos dele abriram de repente. Escuros de alguma fome cuidadosamente acorrentada.

Quando os dedos dela desceram outra vez pelo peito largo, ele segurou seu pulso. Não com força para machucar. Com urgência para se salvar.

A mão dele envolveu quase todo o braço dela. Respirou fundo uma vez, depois outra.

Leah sentiu a respiração dele bater em seus lábios.

Perto demais. Se qualquer um dos dois se movesse um centímetro, tudo mudaria.

— Volte a dormir — disse ele, rouco.

Ela não se mexeu.

— Fica.

A palavra saiu antes que pudesse impedir.

Verdadeira demais.

Nua demais.

Algo atravessou o rosto dele.

Surpresa.

Desejo.

Dor.

Depois, sem dizer nada, Adrian soltou-lhe o pulso devagar e se levantou da beira da cama numa única linha poderosa de músculos e sombra.

Alto demais.

Grande demais.

O quarto pequeno demais para contê-lo.

Leah sentiu perda imediata quando o calor dele se afastou.

Ele deu um passo em direção à porta.

Foi então que ela viu o sangue.

Escorria da mão esquerda, pingando dos nós dos dedos para o assoalho em gotas escuras.

Leah se ergueu no mesmo instante.

— Você está machucado.

Adrian olhou para a própria mão como se a tivesse esquecido.

— Não é nada.

— Mentira.

Ela afastou o cobertor e desceu da cama antes que ele pudesse impedi-la. As pernas nuas tocaram o chão frio. O short curto subira durante o sono. A regata fina deixava uma faixa de pele morena à mostra na cintura. O cabelo revolto caía pelos ombros, quente e escuro.

Adrian permaneceu imóvel.

Mais por autopreservação do que por obediência.

Leah aproximou-se e segurou-lhe o punho com cuidado.

Virou a mão para a luz breve de um relâmpago.

Cortes nos nós dos dedos.

Na lateral da palma.

Vidro.

Os olhos dela foram até a janela quebrada ao fundo, a chuva entrando em fios frios pela abertura irregular. Depois voltaram para ele.

— Você fez isso para entrar.

Ele não respondeu.

Não precisava.

Leah respirou fundo, uma emoção estranha apertando-lhe a garganta.

Havia homens que diziam coisas bonitas.

E havia homens que atravessavam tempestades e vidro quebrado quando você gritava no escuro.

Ela puxou a regata pela barra e a tirou num gesto rápido, ficando apenas de top escuro, simples e justo ao corpo. O tecido fino marcou-lhe a respiração acelerada, a linha firme dos ombros, a cintura estreita ainda aquecida pelo sono.

Rasgou a própria camisa em uma faixa longa e se aproximou outra vez. Fez aquilo sem cerimônia. Sem malícia. Com a praticidade de quem crescera cercada pelos rapazes da matilha, acostumada a sangue, cortes, ossos deslocados e urgências resolvidas com as próprias mãos. Durante anos, os ferimentos tinham sido apenas problemas a tratar.

Corpos masculinos, apenas corpos. Força, apenas força.

Mas Adrian não era apenas um corpo.

E isso a desestabilizou no instante em que chegou perto demais.

Ele era enorme mesmo parado. Bonito de um jeito quase ofensivo. O tipo de homem que parecia pertencer a ambientes melhores, mulheres mais suaves, vidas mais elegantes. A mandíbula firme, os traços severos, o peito largo coberto por cicatrizes que de alguma forma só o tornavam mais impressionante.

Leah sentiu a velha insegurança erguer a cabeça dentro dela.

Nunca seria o tipo de mulher que um homem assim escolheria.

Era alta demais.

Bruta demais.

Temperamental demais.

Trazia raiva demais nos ossos e passado demais nas mãos.

Mulheres como ela não terminavam nos braços de homens como ele.

Ainda assim, ali estava.

Perto o bastante para sentir o calor da pele dele.

Perto o bastante para perceber que Adrian prendeu a respiração quando ela se aproximou.

Leah envolveu a mão ferida com a faixa improvisada, concentrando-se no que sabia fazer. Seus dedos tocaram a palma larga, os pulsos fortes, as articulações feridas.

Cada contato era breve, mas parecia íntimo demais.

— Você está tremendo — murmurou, sem erguer os olhos.

— Estou tentando não.

Ela levantou o rosto devagar.

— Não o quê?

— Querer coisas inconvenientes. — Os olhos dele desceram até a boca dela e voltaram. A voz saiu baixa, áspera.

Antes que se humilhasse mais, impediu que Leah continuasse.

Parou.

— Você está bem agora?

Leah olhou para os lençóis torcidos, para o espaço vazio onde ele esteve com ela e para o próprio peito ainda disparado.

Soltou uma risada baixa, sem humor, quase incrédula.

Como poderia estar bem, depois daquilo?

Depois de vê-lo.

Depois de tocá-lo.

Depois de descobrir que o homem que a assombrava em pensamentos era ainda pior ao vivo.

Mais bonito.

Mais real.

Mais perigoso.

— Não.

A resposta saiu simples.

Honesta demais.

Ele virou o rosto só o suficiente para fitá-la por cima do ombro.

Um relâmpago cortou o quarto novamente.

A cicatriz no perfil dele brilhou um instante.

Depois a sombra voltou.

Leah estendeu a mão antes que pudesse pensar melhor.

Segurou o pulso dele.

— Fica.

A palavra saiu mais baixa dessa vez.

Menos exigência.

Mais pedido.

Adrian permaneceu imóvel.

Ela sentiu a tensão correndo pelo braço dele, a batalha silenciosa entre ir embora e ceder.

Então Leah o puxou de leve, pela mão.

Não teria movido outro homem daquele tamanho um centímetro.

Mas, ele voltou como se já tivesse decidido, observando o gingado dos quadris femininos.

Sentaram-se na cama outra vez.

Mais perto.

Leah puxou-o mais uma vez, insistente, até que ele cedeu por completo e se deitou sobre o travesseiro ao lado dela.

Depois a trouxe para junto de si com firmeza silenciosa, acomodando-a contra o peito largo como se o gesto lhe fosse natural há anos.

Ela hesitou só um segundo.

Depois cedeu inteira.

Encostou o rosto nas cicatrizes quentes do peito dele.

Sentiu o coração forte e constante.

O braço enorme envolvendo sua cintura por cima do cobertor.

A mão ferida repousando protegida entre os dois corpos.

Os dedos pesados da outra mão afundando devagar em seus cabelos.

A fera dentro dela, enlouquecida havia semanas, silenciou no mesmo instante.

Nenhuma dor.

Nenhuma febre.

Nenhum impulso de correr.

Só paz.

Só o estranho reconhecimento de casa em algo que deveria assustá-la.

Adrian fechou os olhos por um instante.

Queria mais.

Queria beijá-la até esquecer o próprio nome.

Queria passar a boca pela pele quente do ombro dela, pela curva da garganta, pela cintura que agora se encaixava contra ele.

Queria tudo o que vinha desejando em silêncio há meses.

Mas, conhecia demais o idioma dos traumas.

Algumas feridas não suportavam pressa.

Alguns corpos precisavam primeiro aprender que toque podia significar abrigo.

Então se limitou ao essencial.

Segurá-la.

Acalmá-la.

Ficar.

— Isso é absurdo — murmurou Leah contra a pele dele.

— Concordo.

— Não estou falando de você.

— Que pena.

Ela riu baixo, sonolenta, como se ainda não acreditasse que aquele homem arrogante e escondido estivesse ali, deitado em sua cama, servindo de travesseiro humano.

Ele passou os dedos pelos fios dela, desajeitado como quem nunca fizera aquilo e ainda assim acertava.

— Durma.

— Vai sumir quando eu acordar?

Pausa.

O peito dele subiu sob a bochecha dela.

— Antes de você abrir os olhos.

— Covarde. — Leah já estava afundando no sono, quando murmurou.

— Prudente.

Ela ergueu o rosto só o bastante para encará-lo no escuro.

— Medroso.

— Realista.

— Eu posso morder.

— Eu contava com isso.

Leah sorriu de verdade dessa vez.

Depois afundou novamente contra ele.

Já escorregando para o sono, murmurou:

— Meu monstro gosta do seu.

O braço dele apertou-a um pouco mais.

Dessa vez, Adrian não respondeu.

Apenas inclinou a cabeça e depositou um beijo leve no topo dos cabelos dela.

Tão breve que poderia ter sido imaginação.

Quando Leah acordou horas depois, a tempestade havia ido embora.

O lugar ao lado ainda guardava calor.

Mas Adrian Thorne desaparecera.

No travesseiro, porém, havia um fio claro de cabelo dele preso ao tecido.

E dentro do corpo dela, pela primeira vez em meses, nenhum desejo de se transformar.