O Mito das Guerras Santas - Primevas
7 Capítulo 7 - Fidelidade
Notas iniciais
A imensa Fortaleza de Sinoh tinha o formato de uma pirâmide. Sua entrada na face leste, onde se encontravam Ixeon, Sraosha e os prateados, era tão minúscula que poderia ser chamada de secreta por alguns.
A missão dos cavaleiros era invadir o local e tomar a espada para si, levando-a consigo para o mundo dos homens.
Contudo Hefesto já havia advertido Athena de que os Magos de Avalon são alheios aos assuntos do Mundo dos Humanos e provavelmente não cederiam seu tesouro, mesmo que para a causa nobre de uma deusa do Olimpo.
Athena não viu nenhuma saída a não ser tomar o objeto mesmo que em empréstimo pretendendo devolvê-lo em seguida.
O que se seguiu foi um estouro de proporções nunca ouvidas em Avalon.
— Isso é um cosmo? — perguntou Ixeon.
— É o que parece. — respondeu seco Sraosha.
— Essa agressividade… esse ódio… essa sede de destruição.
— É um Berseker com certeza, garota. E se eles estão aqui é porque pretendem pegar a espada, de uma forma não tão sútil quanto a que planejamos.
Os cavaleiros avançaram sem hesitar, deixando Leda, a Fada de Ébano, a observar.
“Ixeon ainda encarava o antigo amigo que se unira as forças do Deus dos Mares.
— Atos, não vou lutar com você.
— Então morra Ixeon! — o Marina avançou. — Fúria do Lobo! — o cosmo do Marina envolveu seu corpo transformando-o num lobo gigante que avançou sobre a jugular do cavaleiro.
Ixeon respondeu segurando o focinho e as mandíbulas do animal. Deslizou a mão e o segurou no pescoço liberando a mão que se prendia ao focinho da besta. Com esta cerrou o punho e concentrou uma energia negra. Socou o ventre da fera que voou longe e retornou a forma de homem.
— Ficou mais poderoso do que nunca não é mesmo Senhor das Trevas… — aquele era o título pelo qual Ixeon era conhecido em suas terras. — Mas isso ainda não acabou…”
Dentro da fortaleza um caos completo se instalara. Os Magos de Avalon eram poderosos, mas não páreos para o poder bélico dos Bersekers. Havia um número, estimado por Ixeon, de 300 soldados rasos, que com certeza estavam sob o comando de algum guerreiro mais poderoso.
— Cavaleiros de Prata ajudem os magos a conterem o avanço dos soldados rasos. Nós vamos procurar o comandante deles e derrubá-lo.
Sraosha guiou os dois cavaleiros pelo senso do cosmo mais forte e ofensivo que sentia naquele local.
“- Como é possível? Meu irmão se tornou um assecla de Poseidon?
O Marina avançou sem hesitar o punho em riste e socou com todo seu poder o rosto do Cavaleiro de Gêmeos.
Sraosha procurara seu irmão por muitos anos. O irmão que havia desaparecido logo em seguida de seu nascimento. Aquele com quem compartilhava não somente a aparência, mas uma alma.
O Geminiano não tinha forças para atacar alguém que mesmo sem ter visto amava por toda vida. Ao passo que o Marina, desferia golpes de todos os tipos contra o guerreiro dourado.”
Os Cavaleiros de Ouro foram guiados para uma sala no centro da imensa construção. Lá um grupo de Magos criava uma barreira de cosmo-energia para impedir o avanço do dono do maior cosmo.
— Hei! Moleque!
Era um garoto, baixo, cabelos negros e lisos. Não usava elmo, mas trajava a Fúria completa. O torso totalmente protegido as ombreiras ogivais. Os antebraços e pernas também recobertos pela proteção. Preso as costas o garoto carregava uma lança.
— Cavaleiros de Athena?! — o garoto pareceu surpreso, mas um sorriso de satisfação dançou em seu rosto. — Como chegaram aqui?
— Sou Sraosha de Gêmeos, o Dobrador de Dimensões.
— Sou Ixeon de Capricórnio, o Senhor das Trevas. E você quem é moleque? — o Cosmo daquele garoto era anormal, violento e intenso como se pudesse estraçalhar tudo.
— Eu sou Lycan de Javelin. Vim sob as ordens de mestre Phobos tomar a Excalibur, a espada sagrada em nome de Áres deus da Guerra.
Era um garoto, os dourados não poderiam enfrentar um garoto. Nesse momento eles perceberiam que a hesitação fora um erro. O garoto sacou a lança e cravou no chão, seu cosmo se elevou e milhares de lanças idênticas brotaram do solo alvejando os cavaleiros.
— Droga! Como esse menino pode ser tão forte?
— Nossa hesitação foi um erro Capricórnio. Não podemos deixar nos enganar pela aparência de criança. Ele é um Berseker de Áres.
— Sim. Sou um dos Quatro Capitães do General Phobos.
Os cavaleiros ficaram surpresos ao ouvir que o garoto era um Capitão.
— Como disse não podemos nos deixar levar pelas aparências, Ixeon.
“Sangue escorria da boca e do nariz de Sraosha. Seu corpo estava dolorido pelos ataques do Marina, mas ele não conseguia revidar. Não poderia levantar uma mão se quer para o seu irmão.
O que está fazendo? — a voz ecoava de dentro da sua mente. — O que está fazendo Sraosha? Ele é seu inimigo…
— Ele é meu irmão não posso atacar ao meu sangue!
O que está falando ele não é seu irmão. Você me disse que tinha um irmão gêmeo, mas este Marina nada tem haver com vocês.
— Do que está falando, Hermes?”
Ixeon avançou com um ímpeto brutal. Seu braço direito estava recoberto por uma camada negra.
— Punho de Escuridão!
O Berseker esticou a lança que aparou o golpe do cavaleiro, mas seus pés se encravaram no chão formando buracos.
Os magos continuavam a manter a barreira para impedir que o inimigo chegasse ao altar onde descansava a espada sagrada.
— Sraosha, preciso de cobertura aqui!
O cavaleiro de Gêmeos abria bolsas no espaço por onde Ixeon entrava e saía atacando o soldado de Áres por todos os lados.
— Maldito! O que você está fazendo?
A velocidade de Ixeon combinada com a técnica de Sraosha fazia com Lycan perdesse o sentido.
— Couraça de Espinhos!
O cavaleiro foi acertado por pelos menos 7 das lanças que formavam a couraça em volta do Berseker. Sendo arremessado de costas na barreira. As feridas começaram a queimar.
— O que está acontecendo?!
— É muito simples a lâmina da Javelin deixa uma lasca em sua ferida. E ela vai começar a queimar até que seu corpo queime por inteiro. Esse é o terror da minha lança. Originalmente eu pertencia ao Batalhão do Fogo Vermelho, mas Mestre Phobos me ofereceu o cargo de comando.
— Hei! Ixeon, sua única chance de anular o poder do cosmo dele é entrando na barreira dos magos.
Droga Sraosha tem razão.
Ele se arrastou de costas. Seu corpo imergindo na barreira. Mas o Berseker não deixaria sua presa escapar. Ele se movimento velozmente atacando com a lança uma, duas, três vezes. A entrada de Ixeon havia aberto a brecha que o inimigo precisava. Os magos estavam mortos. Apenas o mais antigo, que já estava moribundo conseguiu se mover.
— Você me parece honrado guerreiro. Pelo meu poder a mim concedido quero que se apodere da Espada Sagrada, a Excalibur. — A espada flutuou como se tivesse vida própria. Encontrou a mão do guerreiro dourado.
— Essa espada é minha! — vociferou o berseker.
Ixeon criou uma barreira que iria segurar por muito pouco tempo. Para evitar os ataques de Sraosha o inimigo fez com lanças alvejassem o Geminiano.
Ixeon tomou uma decisão drástica. Usando a lâmina da espada arrancou seu próprio braço esquerdo. Incorporou a lâmina no lugar no membro extirpado e a envolveu com as trevas formando um braço artificial. Ele se ergueu, era como se a espada houvesse renovado o poder de seu cosmo.
— Como pode ter conseguido tanto poder?
— A espada… ela está aumentando o meu cosmo. — Ixeon parecia outro homem. Brandiu o braço de trevas destruindo as lanças que atacavam o companheiro. — Hei! Srao, o que você acha de usar aquele ataque.
O cavaleiro de Gêmeos uniu a palma das mãos o cosmo intenso em torno de si.
— Sinta o poder da colisão das galáxias! Explosão Galáctica!
O cosmo do cavaleiro de gêmeos era tão intenso que explodiu todo o andar superior da Fortaleza. Em questão de segundos Sraosha, Ixeon e os cavaleiros de prata estavam seguros a Hermes, ascendendo na direção de um buraco negro… passagem para casa.
De volta ao Santuário Sraosha e Ixeon foram se apresentar a Athena.
— Minha deusa, aqui está Excalibur a espada sagrada. — ele desfez o braço de trevas revelando a lâmina que ocupava o lugar de seu antebraço. — Atena se surpreendeu. Sem que nenhum dos cavaleiros se manifestasse ela sabia que havia sacrifícios para que a missão tivesse sido cumprida.
— Fique com ela, Ixeon. Se conseguiu incorporar esse objeto místico ao seu braço amputado é porque realmente a merece. No mais só precisava que ela estivesse em nossas mãos. E Sraosha… eu tenho um algo para você também, tão valioso quanto a Excalibur. — a deusa se achegou e sussurrou em seu ouvido. — Aesma.
Sraosha sabia o que Athena havia descoberto.

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