O Mito das Guerras Santas - Primevas
8 Capítulo 8 - Oposição
Notas iniciais
“A Ilha de Cristal, era um local afastado. Os dois meninos nasceram. Os dois eram idênticos, uma duplicada perfeita da mesma imagem. Quando o dia amanheceu apenas um dos bebês estava lá. Seu nome era Sraosha. O irmão desaparecido teria o nome de Aesma”
– Não posso permitir que vá sozinho Sraosha.
– Não quero ninguém comigo é um assunto pessoal e não uma missão oficial.
O cavaleiro que tentava demover o geminiano de ir sozinho tinha cabelos longos num tom de vermelho escuro, como os vinhos. Seus olhos eram da cor de âmbar, e ele tinha feição misteriosa e fria. Aquele era Melkabah de Áries.
– Quanto tempo nós somos companheiros de batalha?
– Melkabah, não adianta insistir.
– Pensemos de forma mais lógica, então, eu conheço Telúria, melhor que você ou qualquer um dos doze. Então eu posso diminuir e muito o tempo de você encontrar seu irmão.
O cavaleiro de Gêmeos ponderou. No fim o ariano tinha razão, Sraosha precisaria de alguém que conhecesse as terras de Telúria.
– Pois se Melka vai; eu também vou! — quem se aproximava era outro dourado.
O torso desnudo usava apenas calças e botas. Os cabelos cor de mel, ligeiramente jogados para trás. Seus músculos saltavam aos olhos de qualquer um.
– Evidentemente não posso deixar de participar de tal fato. — a voz erudita que surgiu em seguida era de outro cavaleiro de ouro.
Sentado sobre o ombreiro de um portal ainda não colocado estava um homem de cabelos escuros de reflexo azulado e olhos cor de ouro, a pele num tom esfumaçado diferente dos seres humanos.
– Canaã, o Punho de Athena e Selkh, o Escorpião Rei.
– Sraosha, se negar a mim e a eles viajarmos com você até Telúria estará perdendo mais e mais tempo.
– Então lembrem-se de uma coisa isto não é uma missão oficial. Terão de seguir os meus desígnios.
– Tudo bem…
Sraosha foi até Athena para pedir permissão para que a comitiva pudesse se deslocar do Santuário. Como o local ainda era de localidade oculta do exército de Áres, a deusa podia movimentar mais seus cavaleiros. E agora que o grupo dos dourados estava completo, o poder bélico do Santuário estava muito maior. Em breve todos os cavaleiros de Prata e de Bronze se reuniriam para a batalha contra o deus da guerra.
Após 10 dias no Barco da Esperança de Athena, os cavaleiros aportaram na costa das terras natais de Melkabah. Ali onde há quase 150 anos ele enfrentara o mais poderoso dos Generais Marinas, Baltier de Dragão Marinho.
“Os inimigos se encaravam, estudando a postura, o cosmo e o corpo um do outro. Melkabah era um guerreiro formidável, sendo por vezes considerado o mais analítico em batalha. O Marina, no entanto, foi quem fez o primeiro movimento. Avançando com um cosmo monstruoso o Dragão Marinho acertou um soco que fez com que o Ariano fosse arremessado para longe.
– Como imaginava seu poder é descomunal. Acredito que você seja o mais poderoso entre os Marinas.
– Não posso dizer o mesmo de você cavaleiro de ouro. Não sinto sequer uma fagulha do seu cosmo.
O cavaleiro de ouro se levantou, não parecia ter sofrido nem sequer uma lesão apesar do ataque feroz do guerreiro dos mares.
Melkabah estava lutando pela sua terra, e não deixaria que o Marina avançasse de forma alguma.
– Athena uma vez nos disse que quando lutássemos pelos que amamos e não por um motivo egoísta seríamos mais que meros soldados, nesse momento nos tornaríamos os verdadeiros cavaleiros da esperança. E hoje eu entendo do que se trata o que Athena estava falando…”
Os quatro dourados desceram do Barco da Esperança. O continente de Telúria estava diferente aos olhos de Melkabah.
– Sraosha tem alguma coisa muito estranha aqui…
O cavaleiro de Gêmeos logo entrou em estado de alerta devido ao aviso do Ariano.
– Também estou sentindo isso… — comentou Selkh.
– É uma energia muito poderosa. — completou o Leonino. — Vocês perceberam?
De repente o espaço em volta deles mudou, era como se tivessem ido parar numa dimensão de trevas. Não havia nenhuma noção de cima em baixo ou direções era só a escuridão macabra. Gemidos e gritos eram ouvidos vindos de todas as direções.
– Droga que tipo de técnica é essa? — se indagou Melkabah.
– Não é possível!
– O que foi Canaã?
– Não existe luz nesse lugar.
– Como assim? — perguntou Sraosha intrigado.
– Eu posso solidificar qualquer tipo de luz, por menor que seja sua propagação ou sua fonte. Aqui não existe nenhuma fonte de luz ou propagação dela.
– Então eu sei exatamente onde estamos. — concluiu Sraosha. — Aqui é o que os deuses chamam de Buraco Negro.
– E do que se trata esse lugar? — indagou Melkabah.
– Aqui não existe nenhum tipo de ação. A luz não penetra nesse local. Não existem formas. Nada reage aqui dentro. É o espaço fora do espaço… onde a Suprema Virtude não alcançou.
– Estamos no meio do nada… — concluiu Canaã.
– Alguém nos trouxe até aqui.
De repente Selkh avançou com tremenda velocidade e acertou com suas “garras” um local no espaço negro. O local pareceu se quebrar, revelando um homem. A imagem espantou aos quatro dourados.
– Sraosha?!
– Este é meu irmão Aesma.
A figura começou a rir compulsivamente indo de um riso tímido até uma risada quase demoníaca e aguda.
– Então você me encontrou irmãozinho.
– Como… como você sabe?
– Mestre Áres me fala de você desde sempre.
– Desde… sempre?
– É claro. Conheço toda sua história.
– E por quê? Por que nunca me procurou.
– Eu sou o único Comandante entre os Bersekers. Sou o único abaixo dos Generais, os quatro filhos de Áres.
O punho de Sraosha se fechou ao lado de seu corpo. Seu cosmo começou a queimar.
– Todos esses anos eu venho te procurando, tenho sofrido com seu desaparecimento. No entanto você sabia onde eu estava. — seus olhos marejaram.
– Áres me mostrou. Como você foi escolhido para permanecer no seio da família enquanto eu fui apenas descartado. Eu fui apenas um pedaço de carne jogado fora.
– Cale a boca! Eu não posso arcar com os erros de nossos pais! Eu te procurei queria reaver você ao nosso lar!
– Pare com isso Sraosha. Você é um guerreiro de Athena lute! — Aesma queimou seu cosmo. — Sinta o poder do Comandante de Áres. Que se apaguem as estrelas de vocês… Implosão Galáctica!
O cosmo de Sraosha respondeu.
– Sinta o poder da explosão de mil estrelas. Explosão Galáctica.
O poder dos inimigos reverberou dentro do Buraco Negro.
– Que poder descomunal! — alarmou-se Melkabah.
– E não podemos fazer nada, com nossas técnicas seladas por esse espaço.
– Temos de sair daqui! Ou vamos acabar pulverizados por tanto poder.
– Não podemos deixar Sraosha aqui. — afirmou Canaã. — Eu acho que tive uma ideia.
Sraosha continuava o duelo de energia contra Aesma. Era como se as técnicas de um e outro se anulassem completamente, em potência e intensidade.
– Pague, Sraosha, por ser o preferido!
– Você quem vai cair Aesma!
Os três cavaleiros que lá estavam começaram emanar seu cosmo.
– Canaã, é com você!
Ele pegou a iluminação gerada pelas armaduras douradas e solidificou a luz. Formou uma espécie de corrente e lançou na direção do Cavaleiro de Gêmeos.
– Sraosha… — ele puxou o amigo com a corrente de luz. — essa luta vai ficar para depois.
O cavaleiro de ouro pousou próximo dos amigos.
– Vocês…
– Nos destrua se quiser depois, mas nos tire daqui.
– Hermes!
Os cavaleiros estavam agora no Santuário. Eles se levantaram do pouso malfeito vislumbrando o horizonte em seus tons vermelho escarlate tingidos pelo por do sol.
– O horizonte está vermelho…
– É como o sangue.
– Sangue das guerras…
Athena estava na porta de seu santuário de onde vislumbrava tudo.
– Áres…

Fale com o autor