Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Primevas... Athena viajou a Lemúria a fim de se encontrar com Kha, o chefe dos Alquimistas, e conferir o andamento da produção das Armaduras Sagradas. Durante a visita o filho de Kha, Enoch, mostra a Athena a mais poderosa armadura de bronze criada, a de Fênix. O local é atacado por mais um Berseker, Daidalos de Capella. Kha transporta toda a vila dos alquimistas para outra parte de Lemúria e quem enfrenta o inimigo é Enoch. Na batalha o filho de Kha é protegido pela armadura de ouro de Peixes que o escolhe para ser seu protegido.

Athena estava preocupada com o ataque sofrido em Lemúria. Aquela arma era algo que nunca havia visto nem mesmo na batalha contra o poderoso Poseidon, o primeiro a descobrir como forjar o Oricalco. Áres era, com certeza, muito mais perigoso que seu tio. Sendo assim Athena precisaria tomar medidas mais drásticas. Antes de partir de Lemúria ela solicitou que Kha pessoalmente forjasse armas especiais que seriam acopladas a uma única armadura. Um das douradas. Posteriormente pediu que Niké convocasse dois cavaleiros em especial para uma missão diferente de todas dadas até o momento. Esses cavaleiros eram…

– Obrigada por virem Ixeon de Capricórnio e Sraosha de Gêmeos.

– Athena, estamos aqui ao seu serviço.

Ixeon era um dos guerreiros mais formidáveis do grupo de Athena, que participou da Guerra de Poseidon. Seus poderes canalizavam o cosmo de outras dimensões convertendo em escuridão que ele dominava com maestria em ataques extremamente potentes. Sua luta fora com o Marina de Scylla…

“Uma onda gigante vinda do oceano que hoje é o Pacífico Sul. As águas já recuavam formando o imenso paredão azul que avassalaria todo o Continente Escuro. Não havia para onde fugir ou correr. O guerreiro se postou ante os bancos de areia. Elevou seu cosmo ao máximo. A armadura que trajava tinha um tom de ouro velho. Na crista da imensa onda ele divisou a mulher em posição de oração. O poder que ele sentiu era tamanho que ele soube no mesmo instante se tratar de uma ilusão.

– Corte Imperial das Trevas!

O ataque singrou a onda partindo-a ao meio e junto dela a mulher. A onda quebrou sobre si mesma. E de um tornado com a imagem de seis bestas ele viu o guerreiro. Longos cabelos vermelhos como sangue, a Escama dourada. Os olhos furiosos que pareciam sedentos por sangue.

– Quem ousa impedir o castigo de Poseidon a este continente?

– Atos?”

Sraosha, por sua vez, era um guerreiro misterioso. Poucos, fora a própria Athena, sabiam o real motivo de ele ter se incorporado a batalha da deusa. Sraosha controlava o poder das dimensões abrindo portais para qualquer espaço criando dobras infinitas. Na batalha contra Poseidon Sraosha enfrentou seu pior inimigo até então…

“Seguindo ordens de Athena, Sraosha foi até as ilhas de Temiscira investigar um fato anormal que vinha acontecendo. Lá chegando, o cavaleiro se deparou com o canto das sereias que estava afundando todos os navios que passavam pela região. Alta rota de suprimentos para os Exércitos da deusa situados mais ao sul e ao leste. As sereias como eram chamadas eram também subordinadas de Poseidon. E estavam ali seguindo ordens de um Marina. Lúcio de Lynmades.”

– Gostaria que usando seus poderes vocês fossem até Avalon a ilha em outra dimensão. Hefesto meu irmão me disse que a mais poderosa das espadas foi forjada lá e precisamos dela para nos apoiar nesta guerra.

– Athena, tem certeza de que ousaremos pegar em armas?

– A única arma que poderá ser levantada nesta guerra pelos meus guerreiros. Chamam-na Excalibur.

Tão pronto Athena deu as indicações para os dois dourados ela mesma convocou 2 cavaleiros de Prata para se juntar a eles. Sargo era o cavaleiro empossado pela constelação de Sagita e Vivian a Amazona de Águia.

– Athena escolheu bem os cavaleiros que vão nos acompanhar. — comentou Ixeon. — Sargo o cego com a melhor pontaria do Santuário e Vivian a primeira amazona escolhida por Athena. — Ixeon tinha um tom de deboche, mas admirava ambos por suas habilidades únicas. — Vamos então Sraosha.

Ao contrário do Capricórnio, Sraosha era silencioso e sério. O cosmo de Sraosha aumentou e formou uma figura de muitas mãos em seu entornou. Segurem-se em Hermes. Senão poderão se perder nas dobras espaciais, estamos indo para outra dimensão é uma conexão muito mais complicada e com certeza haverá outros portais abertos em nosso caminho. O meu cosmo nos guiará para Avalon. — dizendo isso ele evocou a técnica que se tornaria nata dos cavaleiros de gêmeos. — Outra Dimensão!

O espaço se abriu formando um nódulo em torno deles. Todos estavam presos ao ser formando pelo cosmo de Sraosha, a quem ele chamou de Hermes. Navegar, era essa a palavra que mais bem se adequava ao que eles faziam ali, pelo tecido do espaço era algo indescritível. Naquele lugar as noções de esquerda e direita, cima e baixo não se aplicavam. Não havia profundidade ou noção de amplitude daquele local. Ali era o que o próprio Sraosha explicou o espaço fora do espaço.

Era como estar no meio do universo e viajando a uma velocidade tremenda. O que somente Sraosha sabia era o segredo de tal velocidade…

Os cavaleiros de prata estavam maravilhados com tal façanha do Cavaleiro de Gêmeos, Ixeon por sua vez, fora mandado muitas vezes para as batalhas na companhia de Sraosha afinal o poder dos dourados era perfeitamente complementar.

– Hei Sraosha! Tem certeza de que não nos perderemos?

– Ixeon, por algum acaso já nos perdemos alguma vez?

– Eu nunca fui com você para outra dimensão.

– Para tudo há uma primeira vez… — comentou o geminiano lacônico.

Avistando uma fonte de luz muito brilhante que Ixeon e os prateados julgaram ser o Sol, Sraosha dobrou a rota de cosmo numa inclinação descendente. O espaço pareceu se afunilar, apesar de não poder haver esta certeza.

– Segurem-se firme em Hermes!

Uma luz cegante envolveu a todos… quando desapareceu os cavaleiros se viram flutuando sobre uma ilha. As proporções dela eram tão grandes que poderia facilmente ser chamada de continente.

– Bem vindos a Avalon… — saudou Sraosha.

Desceram flutuando verticalmente e pousaram em meio a uma floresta muito densa.

– Onde nós estamos? — perguntou a amazona.

– Eu não faço ideia… — afirmou Ixeon categórico.

– Athena me deu instruções precisas de que deveríamos descer na Floresta das Fadas Menores. Encontrar com Leda, filha de Melina, a líder das Fadas Menores, com Hefesto irmão de Athena.

– É pelo visto a coisa já está bem traçadinha na sua cabeça.

– E como encontraremos essa Leda? — perguntou o Prateado de Sagita.

– Athena me deu isto. — Sraosha trazia consigo uma pepita de Oricalco.

As Fadas Menores eram seres minúsculos do tamanho de um beija-flor só que com asas translúcidas que batiam rapidamente. O metal de maior preciosidade para elas era exatamente o Oricalco, abundante naquelas eras no Mundo Humano. Tão logo farejou o metal a pequena fada apareceu em meio a um grupo de outras fadas, atraídas pela preciosidade. Sraosha já tinha instruções de como identificar Leda entre as demais entidades. Era a única delas da pele cor de ébano, os cabelos eram volumosos, mas num tom de dourado estonteante, o mesmo que se repetia em seus olhos.

– Acredito que sejam enviados de minha tia Athena.

– Sraosha de Gêmeos.

– Ixeon de Capricórnio.

– Vivian de Águia.

– Sargo de Sagita.

A fada os cumprimentou ainda flutuando. Afastou as outras entidades e os guiou floresta adentro. Depois de algum tempo de caminhada, o sol já havia transcorrido todo seu percurso e a noite já se iniciava.

– Ali está… — apontou a fada. A imensa fortaleza se erguia com magnitude diante deles.

Aquela era fortaleza dos Magos de Avalon. Chamada pelos habitantes do local de Fortaleza de Sinoh. Fazia tempo que os dourados se deparavam com tamanha magnitude.

“- O que você está fazendo, Atos?

– Ixeon… meu velho amigo de infância. Eu não acredito que me depararia com você. Ainda mais trajando isto. — o adversário apontou para armadura de Ixeon. — Indício claro de que somos, pois, adversários nessa contenda.

– Atos, não quero lutar com você…

A gargalhada do Marina era sarcástica.

– Lutar? Mas não vamos lutar Ixeon. Eu vou apenas aniquilar sua existência e prosseguir com os planos do Imperador Poseidon.”

“Sraosha se aproximou da área onde as sereias se posicionavam ainda camuflado. Suprimia seu cosmo ao máximo.

– Se der mais um passo eu acabarei com você cavaleiro de Athena.

Sraosha pressentiu o perigo; desapareceu e apareceu novamente mais afastado do inimigo.

– Engenhoso…

O cavaleiro de Gêmeos tinha agora uma visão clara de seu algoz. As escamas douradas. Era um Marina. Porém o puro espanto tomou conta do geminiano ao vislumbrar o rosto do adversário.

– Meu irmão?!”

Notas finais
IXEON DE CAPRICÓRNIO Ixeon é o único dos cavaleiros do continente de Yamí (Yami corresponde ao centro-norte da América Latina), o Continente Escuro. Por passar tanto tempo vivendo em Ankhor, a capital de Yamí, ele aprendeu a dominar as trevas. Devido a esse poder das trevas interior, a armadura de Ixeon parece brilhar menos que as demais. Athena descobre em Ixeon o poder de canalizar energias de outras dimensões. E designa o guerreiro para uma missão em Avalon para conseguir a sagrada Excalibur.