O Mito das Guerras Santas - Primevas

5 Capítulo 5 - Em Lemúria, o último dos 12


Notas iniciais
Viajando com sua comitiva até o continente do extremo Sul, Pangea, Athena se encontrou com Anathema, conhecido como o Homem Sem Olhos. Anathema foi escolhido para vestir a Armadura de Aquário. Eles lutaram contra as bersekers que formavam a Tríade do Arco de Guerra. Quando a vantagem dos cavaleiros era clara as mulheres invocaram um monstro que chamaram de Quimera Leona. O poder do monstro era tão grande que os cavaleiros se viram obrigados a unir seus cosmos num único ataque. Porém as consequências foram extremas.

Havia dias que Athena estava reclusa em seus aposentos. Ágape deixara a casa de Libra e fora até o Star Hill.

Ao chegar à sala de Niké, vislumbrou a deusa sentada em seu trono.

– Senhora Niké, gostaria de ter com Athena.

A deusa se levantou com a sua lança empunhada na mão direita. Aquela era a lança forjada por Hefesto, chamada de Lança do Destino, capaz de matar deuses. Niké ocupava naquela época o posto que seria conferido aos Grandes Mestres.

– Ágape, não acho que seja necessário.

– Foi nossa culpa o que aconteceu ao continente de Pangea.

– Não há culpa, Cavaleiro de Libra. Vocês fizeram o necessário. Aquele monstro teria destruído completamente a terra a sua volta.

– Não na escala que fizemos. Afundamos metade de um continente.

– Não é culpa de vocês. — confessou Athena que chegava à sala. — Eu não mensurei quanto poder vocês tinham e o quanto as armaduras conferiam a vocês.
– Athena, ainda assim quero pedir o seu perdão.

– Ágape gostaria que trouxesse Anathema, Armegin e os outros cavaleiros até a minha presença.

Em algumas horas os onze dourados estavam diante da Deus Athena.

– Obrigado por virem novamente e tão prontamente. Quero dizer a todos vocês que são homens poderosos, dignos e justos. Homens que ou vieram até mim rogar por um bem maior ou eu fui até vocês, guiada pela luz que irradia de seus cosmos, para que lutassem em meu nome e entreguei a cada um de vocês uma Armadura Sagrada. Eu pessoalmente fui até Lemúria encomendá-las dos alquimistas. Os trajes que vestem são os mais poderosos criados a meu pedido, as doze sagradas armaduras de ouro. Banhadas por séculos pela luz solar. Como disse a Ágape, meu erro foi não mensurar seu cosmo interior e o poder que as armaduras conferem a vocês. Na minha última viagem, onde encontrei Anathema, acabamos tendo consequências inenarráveis no embate contra as forças de meu irmão Áres. De forma que me sinto na obrigação de acrescentar uma nova restrição aos códigos de honra dos Cavaleiros de Ouro. É expressamente proibido sobre a face da Terra que juntem seus cosmos contra um único inimigo. A união do poder de vocês é sem precedentes uma força quase divina, porém extremamente destruidora. Portanto, batizei esta técnica de união de cosmos proibida de “Exclamação de Athena”.

Uma vez que Athena se reunira com seus homens, ela e Niké foram ao continente de Lemúria. Os Alquimistas estavam no meio do processo da última ordem de armaduras as da classe de Bronze.

– Muito obrigado Kha, por me receber tão prontamente.

– Athena, estamos quase terminando a produção da última classe de armaduras.

– O trabalho de vocês é de extrema preciosidade.

– Nunca teríamos conseguido forjar o Oricalco sem sua sabedoria.

Kha era um homem maduro de cabelos longos presos num rabo de cavalo no alto da cabeça com uma única mexa lhe caindo ao rosto. Ele era o líder dos Alquimistas e foi para ele que Athena entregou a primeira Sagrada Armadura de Prata, a de Altar. Em seguida presenteou seu irmão Ohm com a Sagrada Armadura de Prata de Taça.

– Pai, conseguimos! — um jovem se achegou apressado.

– Athena, este é meu filho Enoch. — o jovem tinha os cabelos num tom de louro pálido quase branco. Seus olhos eram como os do pai num tom de preto profundo. Era alto e forte, músculos claramente conseguidos por seu trabalho na forja.

– O que é motivo de tanta empolgação meu jovem?

– Senhora Athena, conseguimos forjar a armadura de bronze mais poderosa.

Lá estava ela. Ainda brilhava pelo calor da fornalha de fogo fátuo. A sagrada armadura de Fênix. A chamada Armadura Imortal. Seu poder era inigualável em sua classe. Os alquimistas, a fizeram com um poder de regeneração infinitas vezes superior ao das demais armaduras.

– É maravilhosa! — exclamou a deusa realmente maravilhada. — Ham… Kha e quanto àquelas armaduras?

– A mais poderosa já está pronta. A décima terceira. As outras três terminaremos em breve, tão logo acabemos as de Bronze.

De repente, um som ensurdecedor ecoou por todo o local. Fogo se espalhou pela planície usada pelos lemurianos.

– Eu sou Daidalos. Capitão do Exército do Fogo Vermelho. Vim sob as ordens de Áres destruir tudo neste local.

– Athena, precisamos fugir, esconder as armaduras.

– Suas vidas são mais importantes!

– Além da “mais poderosa” ainda temos uma armadura de ouro conosco. Peixes.

Os animais que viviam em perfeita comunhão com os homens de Lemúria começavam a fugir. O medo ressoava por toda parte.

– Quem ousa atacar a paz deste lugar? — o jovem Enoch resolvera desafiar o inimigo.

– Meu nome é Daidalos de Capella.

O homem carregava consigo um estranho objeto com canos medianos e uma empunhadura. Ele a sacou da cintura.

– Isto é uma arma de destruição. Foi idealizada pelo próprio Áres. Não existe nada assim no mundo, nem existirá por longos milênios.

Áres era o Deus da Guerra, passava seu tempo a criar engenhos de armas de destruição. O que Daidalos carregava consigo era uma arma como as modernas, porém não usava pólvora ou balas, mas era disparada pelo cosmo. Aquela em especial fora batizada por Áres de Capella.

– Você está profanando este santuário. Nós de Lemúria temos profundo respeito pela natureza. Amamos tudo que nos é concedido pelos deuses e pelo Planeta. Você não tem o direito de destruir isto! — Enoch tinha a voz carregada num misto de ódio e tristeza.

O berseker gargalhou. Fez mira com a arma e disparou.

– Disparo da Morte!

A rajada de cosmo concentrada era praticamente sólida e com certeza destruiria o corpo de Enoch que estava sem nenhuma proteção. Porém ele esticou os braços e com o poder de sua telecinesia criou uma barreira que resvalou o ataque.

– Maldito! Como é possível? — praguejou o berseker.

– Eu sou Lemuriano. Sou mais forte ainda em minhas terras.

Os outros alquimistas se esforçavam para salvar as armaduras. Kha reuniu todos junto das instalações e transportou tudo com seu grande cosmo.

– Agora que meu pai levou todos daqui posso lutar de verdade.

Enoch era poderoso, mas mesmo ele não poderia enfrentar um berseker, ainda mais um com uma arma bélica desconhecida, porém o jovem estava disposto a dar sua vida pela causa de Athena.

– Eu não vou ter pena de um humano desarmado que me afronta. — novamente ele armou a mira. — Mil Chamas!

A arma disparou um sem número de esferas de fogo. Mesmo que Enoch quisesse, ele não poderia parar tal poder.

Ele fechou os olhos esperando a morte. Mas ao abri-los se deparou com uma barreira de pétalas negras. Acima dele uma das armaduras criadas pelos Alquimistas, uma em que ele havia pessoalmente trabalhado.

– A Armadura de Ouro de Peixes! O que são essas rosas? Elas não se destroem com o fogo…

Rosas Negras. Capazes de destroçar tudo que tocam com seus espinhos.

Enoch ouvia aquilo dentro de si. Era a armadura respondendo aos seus questionamentos.

Enoch você é meu escolhido. Aquele que ama a natureza, que consegue sentir o cosmo das coisas, animais, plantas… por isso sob as ordens de Athena lhe convoco a ser meu cavaleiro!

Enoch podia sentir que seu cosmo estava agora ligado ao da armadura. Ele saltou em direção a ela, que se desmontou se unindo parte a parte ao corpo do lemuriano.

– Como? Como isso é possível?

– É muito simples, Daidalos. As armaduras tem consciência… foram criadas para responder ao cosmo dos cavaleiros e rechaçar qualquer um que não seja digno de vesti-las. O único ímpeto das Sagradas Armaduras de Athena é proteger o planeta e a humanidade.

– Maldito!

Enoch… dê nome ao seu novo poder.

– Rosas… — ele se segurou por um momento… — Rosas Diabólicas Reais!

A tempestade de rosas e pétalas vermelhas inundou os céus e Kha observou a distância.

O berseker não tinha saída a não ser recuar, uma vez que não esperava se deparar com um cavaleiro de ouro entre os alquimistas de Athena.

Com a batalha terminada Athena regressou junto de Kha ao antigo local de produção das armaduras.

– Pelo visto não precisarei procurar por meu último cavaleiro, ele estava aqui o tempo todo.

– Athena, mas eu não sou…

– A armadura te escolheu Enoch. Não há mais o que dizer. — o tom de voz da deusa era complacente e doce. — A armadura incorporou sua essência enquanto você a criava. O amor pela natureza e pelos animais e com isso criou técnicas tão belas.

– Athena eu… me sinto honrado por poder servi-la, agora como seu cavaleiro.

– Kha, peço sua permissão para que seu filho venha comigo para o santuário e passe a ser um de meus doze cavaleiros mais poderosos. — o Mestre dos Alquimistas apenas afirmou com a cabeça e um sorriso terno.

Notas finais
ENOCH DE PEIXES Enoch foi o último dos cavaleiros escolhidos por Athena e justamente para vestir a armadura de Peixes. Enoch é o primeiro Lemuriano que se tornou um cavaleiro de ouro trajando as armaduras de seu povo. Athena escolheu Enoch em particular devido ao seu amor pelas coisas do planeta. Seu alto nível de espiritualidade fazia com que ele tivesse uma conexão anormal com plantas e animais podendo inclusive se comunicar com estes. Enoch era o mais puro dos cavaleiros de ouro. Sendo por vezes conhecido por sua piedade aos inimigos.