O Mito das Guerras Santas - Primevas
12 Capítulo 12 - Homem Deus
Notas iniciais
Os cavaleiros se pegaram perplexos ante a revelação feita pelo homem. Ele retirou o capuz. Tinha cabelos negros, como as noites sem lua, os olhos como dois buracos negros que absorviam toda a luz sem devolver nada. Seu rosto era límpido.
O cavaleiro de ouro ainda no chão se mexeu, ainda sentia dores e tossiu limpando os vestígios de sangue na garganta.
– O… o que aconteceu?
– Armegin! — os prateados foram em direção ao Cavaleiro de Ouro.
– Como você fez isso? Ele estava morto!
– Como disse eu sou o Curandeiro que vocês procuram.
– Então você é quem Athena escolheu para ser o décimo terceiro cavaleiro de Ouro? — perguntou Armegin ainda meio tonto.
– Estive com Athena há muito tempo atrás, antes mesmo dos outros dourados se aliarem a ela.
“Athena descera ao plano material, pela primeira vez, aquele era seu reino agora. O lugar que protegeria mesmo que sua vida dependesse disso. Foi quando ela reparou no belíssimo homem que descansava no jardim florido da ilha de Thule. Se aproximou com delicadeza.
– Oi, sou Athena Deusa da Sabedoria e regente da Terra.
O homem abriu os olhos, ainda deitado. E vislumbrou a imagem da deusa. E ela se surpreendeu com a intensidade daquele olhar.
– Eu sou Lúcifer.
– Seu cosmo é intenso, poderosíssimo.
– Vindo de uma deusa acredito que seja um elogio. — ele sorriu.
– Escute, Lúcifer, em breve este mundo entrará em uma época de grandes guerras entre os deuses e com certeza em algum momento precisarei da ajuda de um homem poderoso como você.
– Deusa, tão logo precise de mim, estarei a sua disposição.”
– Eu não sabia que Athena, me concederia uma armadura de ouro.
– Athena está desaparecida. Ela foi atacada mortalmente por Áres. A deusa Niké interveio e ambas desapareceram no processo.
– E como posso ajudar visto que parece que a Deusa da Vitória salvou a vida de Athena, apesar do desaparecimento.
– Houve um cavaleiro que amenizou o ataque a Athena.
– Eles estão ligados pelo sangue que se misturou no ataque.
O Curandeiro ponderou.
– Este cavaleiro está à beira da morte…
– Apenas o poder dos meus amigos dourados o mantem vivo.
– Então acredito que eu possa ajudá-lo.
– Virá conosco ao Santuário? — perguntou Armegin.
– Sim. Prometi a Athena que lhe serviria quando ela precisasse de mim. Uma guerra e muitas gerações se passaram e Athena não me convocou, crendo ser necessário isto somente agora.
– Não conseguiremos nos transportar direto ao santuário. Estamos muito cansados.
O homem sorriu.
– Um dos meus talentos é ampliar o poder de outros. Acredito que se canalizarmos nosso cosmo poderemos ir direto para o Santuário.
Os dois se juntaram concentrando a energia no cosmo dos outros cavaleiros de ouro. Uma luz intensa os cercou.
– Então aqui é o santuário de Athena?
– Sim.
De repente um raio enorme veio do céu. Não havia mais luz. Era como se o sol houvesse se apagado.
– Odeio esse astro brilhante que o Apollo criou.
Era um homem numa primeira vista, cabelos negros brilhantes. Olhos serenos da cor do mar tropical. Sua armadura tinha adornos como asas, era negra e lustrosa. Em sua mão direita uma espada longa de lâmina preta como a armadura.
– Hades. O senhor do Submundo.
– O… o que Hades em pessoa veio fazer no santuário? — indagou Kha, ele era um cavaleiro, mas vislumbrar o deus dos mortos era algo que poucos homens fariam e viveriam para contar como foi e ele sabia disso.
– Vão! Tragam o cavaleiro que vocês querem que eu salve. — Lúcifer tinha um tom seco agora.
– Então você é Lúcifer, aquele que dizem ser o Curandeiro.
– E acredito que seja Hades o Deus dos Mortos, Imperador do Submundo e tio de Athena.
– Vejo que minha alcunha me precede. Mas me pergunto o que o mais poderoso dos seres abaixo dos deuses faz no Santuário de minha sobrinha, enquanto esta guerra estoura assolando a humanidade?
– Ora Hades, não insulte a inteligência de seu adversário. Ambos sabemos que Áres é um aríete para você, está manipulando o Deus da Guerra, para que ele enfraqueça Athena.
– A guerra dos irmãos é legítima! Eu nada tenho haver com isso. Se meu irmão quisesse teria intervindo e acabado com tudo isso poupando a humanidade. Mas ao contrário disso, o submundo recebe milhares de novas almas todos os dias. Contudo ainda não respondeu minha pergunta, Estrela da Manhã.
– Ora, vejo que conhece os títulos pelos quais fui conhecido no passado.
– Portador da Luz, não insulte a inteligência de seu adversário. Ambos sabemos que se refugiou na terra, mesmo que com motivos obscuros, e agora ressurgi aliado de Athena.
– E enfrentarei a todos se necessário.
– Pois bem. — o Deus dos Mortos se arremeteu num ataque rápido, porém conciso, atravessando Lúcifer com a espada. No entanto a imagem se desfez. Hades sorriu levemente. — Rápido.
– Eu ainda nem comecei… — agora quem partiu em ataque foi Lúcifer. Ele acertou um soco direto no rosto de Hades, que pareceu não sentir nada. — É digno de seriedade Imperador Hades.
Lúcifer estendeu a mão para o céu e foi quando um feixe de luz dourado saiu da casa entre Sagitário e Escorpião. O santuário inteiro sentiu o poder imenso que aquele cosmo continha.
– Ohm, quem a trouxe para cá?
– Acredito que Enoch a tenha trago quando foi a Lemúria.
Ele chegou… o mais poderoso entre os cavaleiros de ouro está no Santuário! — pensava Enoch consigo mesmo observando tudo do alto da casa de Peixes.
No centro do feixe de Luz que clareava a escuridão do céu criada por Hades estava a mais poderosa das Armaduras de Athena: a Armadura de Ouro de Serpentários. Atravessando a ilha de Temiscíra como uma estrela de brilho dourado ela chegou até Lúcifer.
– Athena, eu aceito servir-lhe… — ele disse para si mesmo.
A armadura se desfez encaixando-se no corpo do homem, o bastão a mão direita.
– Então você é mesmo um dos cavaleiros de ouro de Athena…
– Hades, porque quer me impedir de intervir pelo cavaleiro que salvou Athena?
– A morte é absoluta, Lúcifer, não será você que mudará isso.
– Ele ainda não morreu! Posso sentir o cosmo dele…
– Se não me vencer em poucas horas o cavaleiro de bronze vai estar nos meus domínios de onde nunca mais sairá e sem ele nada do que planejam se concretizará, ou você pensa que só porque passou despercebido de Áres que eu não percebi o esforço tremendo que os cavaleiros fizeram para trazer você até aqui? Este homem que está morto é peça chave para a solução de algum problema.
– Vamos acabar com isso Hades.
O deus avançou sobre o homem com seu poder gigantesco. O cavaleiro aparou o bradar da espada com o cetro dourado.
De certo, homem e deus estavam em um embate tenso.
Hades se desfez do entrave de armas saltando para trás, mas novamente bradou a espada desferindo um golpe de energia cortante. Lúcifer em resposta se desviou para o lado oposto. E uma rocha imensa foi destroçada pelo ataque de Hades.
O cavaleiro ergueu seu cosmo. E lançou seu ataque.
– Difusão Peçonhenta!
O orbe na ponta do cetro brilhou liberando uma cosmo-energia monstruosa. Hades, porém era um deus e amparou o ataque com uma das mãos. Percebendo a dificuldade uniu o segundo braço em defesa do golpe do Cavaleiro de Ouro.
Usando de seu poder divino ele arremessou o golpe para o céu. A esfera de energia subiu explodindo acima das nuvens.
– Você é realmente poderoso, Curandeiro. Mas Athena ainda não sabe que você não é humano, que é um dos Anjos.
– Hades, eu agora sou, Lúcifer de Serpentários. Cavaleiro de Ouro de Athena!
Com a batalha encerrada Lúcifer se encontrou com Kha e Ohm e junto deles os outros doze dourados.
– Este é Perseu de Pégaso.
– Este homem… — Lúcifer se interrompeu.
Ele estendeu o cetro sobre o corpo do cavaleiro, segurando-o como uma barra horizontal. Concentrou-se.
Perseu estava prestes a cair pelo Abismo das Almas. Quando sentiu o toque no ombro. O cavaleiro se virou só tendo tempo de ver a imensa luz que o cegava e mão forte que puxou-o da queda.
Ele tossiu como se emergisse de um afogamento, respirava rápido e entrecortado. O cavaleiro de Bronze de Pégaso estava vivo novamente. E com ele a chance de reencontrar Athena.

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