Notas iniciais
Anteriormente em O Mito das Guerras Santas Primevas... Com Athena desaparecida a única chance dos cavaleiro de a encontrarem era o Cavaleiro de Pégaso que estava a beira da morte. Armegin, Kha e Ohm seguem rumo a Ilha de Thule, a fim de trazer com eles o homem conhecido como O Curandeiro. No mar Ohm fica para trás numa luta com um dos monstros remanescentes de Poseidon, vencendo a luta. Na ilha de Thule os cavaleiros se depararam com um andarilho que se interpôs em seu caminho. Armegin parte para luta e golpeado mortalmente. Kha e Ohm não tem saída senão lutar. Mais ficam perplexos quando o homem ressuscita Armegin e se revela Lúcifer, O Curandeiro.

Os cavaleiros se pegaram perplexos ante a revelação feita pelo homem. Ele retirou o capuz. Tinha cabelos negros, como as noites sem lua, os olhos como dois buracos negros que absorviam toda a luz sem devolver nada. Seu rosto era límpido.

O cavaleiro de ouro ainda no chão se mexeu, ainda sentia dores e tossiu limpando os vestígios de sangue na garganta.

– O… o que aconteceu?

– Armegin! — os prateados foram em direção ao Cavaleiro de Ouro.

– Como você fez isso? Ele estava morto!

– Como disse eu sou o Curandeiro que vocês procuram.

– Então você é quem Athena escolheu para ser o décimo terceiro cavaleiro de Ouro? — perguntou Armegin ainda meio tonto.

– Estive com Athena há muito tempo atrás, antes mesmo dos outros dourados se aliarem a ela.

“Athena descera ao plano material, pela primeira vez, aquele era seu reino agora. O lugar que protegeria mesmo que sua vida dependesse disso. Foi quando ela reparou no belíssimo homem que descansava no jardim florido da ilha de Thule. Se aproximou com delicadeza.

– Oi, sou Athena Deusa da Sabedoria e regente da Terra.

O homem abriu os olhos, ainda deitado. E vislumbrou a imagem da deusa. E ela se surpreendeu com a intensidade daquele olhar.

– Eu sou Lúcifer.

– Seu cosmo é intenso, poderosíssimo.

– Vindo de uma deusa acredito que seja um elogio. — ele sorriu.

– Escute, Lúcifer, em breve este mundo entrará em uma época de grandes guerras entre os deuses e com certeza em algum momento precisarei da ajuda de um homem poderoso como você.

– Deusa, tão logo precise de mim, estarei a sua disposição.”

– Eu não sabia que Athena, me concederia uma armadura de ouro.

– Athena está desaparecida. Ela foi atacada mortalmente por Áres. A deusa Niké interveio e ambas desapareceram no processo.

– E como posso ajudar visto que parece que a Deusa da Vitória salvou a vida de Athena, apesar do desaparecimento.

– Houve um cavaleiro que amenizou o ataque a Athena.

– Eles estão ligados pelo sangue que se misturou no ataque.

O Curandeiro ponderou.

– Este cavaleiro está à beira da morte…

– Apenas o poder dos meus amigos dourados o mantem vivo.

– Então acredito que eu possa ajudá-lo.

– Virá conosco ao Santuário? — perguntou Armegin.

– Sim. Prometi a Athena que lhe serviria quando ela precisasse de mim. Uma guerra e muitas gerações se passaram e Athena não me convocou, crendo ser necessário isto somente agora.

– Não conseguiremos nos transportar direto ao santuário. Estamos muito cansados.

O homem sorriu.

– Um dos meus talentos é ampliar o poder de outros. Acredito que se canalizarmos nosso cosmo poderemos ir direto para o Santuário.

Os dois se juntaram concentrando a energia no cosmo dos outros cavaleiros de ouro. Uma luz intensa os cercou.

– Então aqui é o santuário de Athena?

– Sim.

De repente um raio enorme veio do céu. Não havia mais luz. Era como se o sol houvesse se apagado.

– Odeio esse astro brilhante que o Apollo criou.

Era um homem numa primeira vista, cabelos negros brilhantes. Olhos serenos da cor do mar tropical. Sua armadura tinha adornos como asas, era negra e lustrosa. Em sua mão direita uma espada longa de lâmina preta como a armadura.

– Hades. O senhor do Submundo.

– O… o que Hades em pessoa veio fazer no santuário? — indagou Kha, ele era um cavaleiro, mas vislumbrar o deus dos mortos era algo que poucos homens fariam e viveriam para contar como foi e ele sabia disso.

– Vão! Tragam o cavaleiro que vocês querem que eu salve. — Lúcifer tinha um tom seco agora.

– Então você é Lúcifer, aquele que dizem ser o Curandeiro.

– E acredito que seja Hades o Deus dos Mortos, Imperador do Submundo e tio de Athena.

– Vejo que minha alcunha me precede. Mas me pergunto o que o mais poderoso dos seres abaixo dos deuses faz no Santuário de minha sobrinha, enquanto esta guerra estoura assolando a humanidade?

– Ora Hades, não insulte a inteligência de seu adversário. Ambos sabemos que Áres é um aríete para você, está manipulando o Deus da Guerra, para que ele enfraqueça Athena.

– A guerra dos irmãos é legítima! Eu nada tenho haver com isso. Se meu irmão quisesse teria intervindo e acabado com tudo isso poupando a humanidade. Mas ao contrário disso, o submundo recebe milhares de novas almas todos os dias. Contudo ainda não respondeu minha pergunta, Estrela da Manhã.

– Ora, vejo que conhece os títulos pelos quais fui conhecido no passado.

– Portador da Luz, não insulte a inteligência de seu adversário. Ambos sabemos que se refugiou na terra, mesmo que com motivos obscuros, e agora ressurgi aliado de Athena.

– E enfrentarei a todos se necessário.

– Pois bem. — o Deus dos Mortos se arremeteu num ataque rápido, porém conciso, atravessando Lúcifer com a espada. No entanto a imagem se desfez. Hades sorriu levemente. — Rápido.

– Eu ainda nem comecei… — agora quem partiu em ataque foi Lúcifer. Ele acertou um soco direto no rosto de Hades, que pareceu não sentir nada. — É digno de seriedade Imperador Hades.

Lúcifer estendeu a mão para o céu e foi quando um feixe de luz dourado saiu da casa entre Sagitário e Escorpião. O santuário inteiro sentiu o poder imenso que aquele cosmo continha.

– Ohm, quem a trouxe para cá?

– Acredito que Enoch a tenha trago quando foi a Lemúria.

Ele chegou… o mais poderoso entre os cavaleiros de ouro está no Santuário! — pensava Enoch consigo mesmo observando tudo do alto da casa de Peixes.

No centro do feixe de Luz que clareava a escuridão do céu criada por Hades estava a mais poderosa das Armaduras de Athena: a Armadura de Ouro de Serpentários. Atravessando a ilha de Temiscíra como uma estrela de brilho dourado ela chegou até Lúcifer.

– Athena, eu aceito servir-lhe… — ele disse para si mesmo.

A armadura se desfez encaixando-se no corpo do homem, o bastão a mão direita.

– Então você é mesmo um dos cavaleiros de ouro de Athena…

– Hades, porque quer me impedir de intervir pelo cavaleiro que salvou Athena?

– A morte é absoluta, Lúcifer, não será você que mudará isso.

– Ele ainda não morreu! Posso sentir o cosmo dele…

– Se não me vencer em poucas horas o cavaleiro de bronze vai estar nos meus domínios de onde nunca mais sairá e sem ele nada do que planejam se concretizará, ou você pensa que só porque passou despercebido de Áres que eu não percebi o esforço tremendo que os cavaleiros fizeram para trazer você até aqui? Este homem que está morto é peça chave para a solução de algum problema.

– Vamos acabar com isso Hades.

O deus avançou sobre o homem com seu poder gigantesco. O cavaleiro aparou o bradar da espada com o cetro dourado.

De certo, homem e deus estavam em um embate tenso.

Hades se desfez do entrave de armas saltando para trás, mas novamente bradou a espada desferindo um golpe de energia cortante. Lúcifer em resposta se desviou para o lado oposto. E uma rocha imensa foi destroçada pelo ataque de Hades.

O cavaleiro ergueu seu cosmo. E lançou seu ataque.

– Difusão Peçonhenta!

O orbe na ponta do cetro brilhou liberando uma cosmo-energia monstruosa. Hades, porém era um deus e amparou o ataque com uma das mãos. Percebendo a dificuldade uniu o segundo braço em defesa do golpe do Cavaleiro de Ouro.

Usando de seu poder divino ele arremessou o golpe para o céu. A esfera de energia subiu explodindo acima das nuvens.

– Você é realmente poderoso, Curandeiro. Mas Athena ainda não sabe que você não é humano, que é um dos Anjos.

– Hades, eu agora sou, Lúcifer de Serpentários. Cavaleiro de Ouro de Athena!

Com a batalha encerrada Lúcifer se encontrou com Kha e Ohm e junto deles os outros doze dourados.

– Este é Perseu de Pégaso.

– Este homem… — Lúcifer se interrompeu.

Ele estendeu o cetro sobre o corpo do cavaleiro, segurando-o como uma barra horizontal. Concentrou-se.

Perseu estava prestes a cair pelo Abismo das Almas. Quando sentiu o toque no ombro. O cavaleiro se virou só tendo tempo de ver a imensa luz que o cegava e mão forte que puxou-o da queda.

Ele tossiu como se emergisse de um afogamento, respirava rápido e entrecortado. O cavaleiro de Bronze de Pégaso estava vivo novamente. E com ele a chance de reencontrar Athena.

Notas finais
LÚCIFER DE SERPENTÁRIOS Muito mistério cerca o cavaleiro da constelação de Ophíucos. Ele foi o primeiro ser que Athena encontrou ao pisar no mundo dos homens, ainda antes da Guerra Santa de Poseidon. Lúcifer tem poderes de cura indescritíveis, podendo até mesmo ressuscitar os mortos que ainda não despencaram para o submundo. Obs: A imagem de hoje carece de fontes, créditos ao Autor