O Mito das Guerras Santas - Primevas
13 Capítulo 13 - A Morte Dos Deuses
Notas iniciais
— O… o que aconteceu?
— Jovem se tranquilize. — Lúcifer apaziguou a euforia de Perseu.
— Athena… eu a salvei?
— Não. Mas nos ajudará a salvar.
— Do que está falando? Quem é você?
— Meu nome é Lúcifer, eu sou o Décimo Terceiro Cavaleiro de Ouro, o cavaleiro de Serpentários.
— Perseu, você agora tem uma ligação sanguínea com Athena, e por tal, você pode nos ajudar a encontra-la.
— O que preciso fazer?
— Se deixe guiar, seu corpo vai buscar o de Athena.
O cavaleiro de bronze se levantou com um pouco de dificuldade começou a caminhar e percebeu que sentia uma vibração e seu corpo se movia na direção dela.
— Lúcifer, temos de segui-lo. — o dourado confirmou com a cabeça.
Kha, Ohm e Lúcifer seguiram Perseu. Se movimentavam agora rápido, todas as funções do corpo de Perseu haviam retornado totalmente. Atravessaram a floresta que cercava o santuário. Chegaram a um vilarejo do outro lado da ilha.
Quando estavam prestes a entrar se depararam com duas figuras a frente, usavam mantos vermelho escuro.
— Quem são vocês? — indagou Ohm.
Eles se livraram dos mantos. Eram Ênio e Anteros.
— São os filhos de Áres!
— Vão deixem ele comigo. — afirmou Lúcifer com confiança.
— Não! Vocês são cavaleiros de Prata e Ouro, se alguém tem chances de tirar Athena daqui são vocês. Eu ficarei e irei detê-los o quanto puder.
— Perseu…
— Kha, ele tem razão. Nossa missão é levar Athena de volta ao santuário.
— Confio este combate a você, Perseu de Pégaso.
Quando Lúcifer tocou o cavaleiro ele viu a imagem do rosto de uma mulher. Olhos serenos e cabelos lilás e longos. O dourado sorriu. Sumiram no ar.
O embate agora, era entre o Pégaso e os filhos de Áres.
— Você é o cavaleiro que o Curandeiro salvou da morte…
— E também o idiota que saltou na frente da lança de nosso pai para salvar Athena. — Anteros exibiu uma feição de deboche.
— Cavaleiro, o que acha que poderá fazer contra nós? Somos deuses e você um mero cavaleiro de Bronze.
— Vou detê-los aqui até que os outros possam salvar Athena e leva-la de volta ao Santuário.
Os dois deuses riram alto da audácia do humano.
— Anteros, deixo que você comece.
Anteros se adiantou, movimentando-se com extrema rapidez. Perseu não teve se quer tempo de desviar, a esfera de cosmo lhe atingiu o estômago. Os olhos do cavaleiro perderam o foco.
— Você é realmente poderoso.
Anteros deu um riso sarcástico...
— Isso é o começo. Em breve todos os seus sentimentos serão substituídos pelo vazio. Você não será capaz de sentir mais nada. Esperança, coragem, confiança… se parar e olhar para dentro poderá sentir cada um deles se apagando dentro da sua alma. Esse é o verdadeiro efeito do meu ataque; Obliteração da Alma. Tudo vai morrer dentro de você. Em breve não sentirá nem mesmo ódio, medo ou angústia... você não será nada além de uma casca oca.
A dor era o que dominava o corpo do cavaleiro de Pégaso agora... o ataque de Anteros ia destruindo cada sentimento que existia nele.
Kha e Ohm continuavam a seguir Lúcifer.
Aquele garoto… o poder dele era grande, muito diferente de um cavaleiro bronze. O sangue de Athena deve ter se misturado ao dele.
Se isso aconteceu, ele agora tem o Ikhor correndo nas veias. Talvez fosse ele a melhor opção para aquela luta.
— É por aqui! Venham! — Lúcifer virou à direita.
Pégaso caiu de joelhos não tinha força ou ânsia para lutar.
— Anteros, isso foi de péssimo gosto da sua parte. Sabe que eu não acho graça é retalhar um corpo vazio. — Ênio parecia muito irritada.
— Eu não tenho culpa se me deixou atacar primeiro.
Os deuses já haviam passado pelo corpo de joelhos de Perseu. De repente sentiram uma pegada firme em seus pulsos.
— Ham?!
— Todos… os meus sentimentos… podem morrer. Mas tenho alguns indestrutíveis. — ele arremessou os deuses de volta. Os corpos das divindades se chocaram contra duas árvores. Ele se movimentou muito rápido de modo que Ênio mal pode desviar-se sendo atingida no ombro e a árvore atrás dela foi completamente estraçalhada pelo cavaleiro.
— Esse homem… é um demônio!
— Vocês apagaram tudo que havia de bom agora só me resta minha fé em Athena e minha esperança de salvar esse mundo. E para isso irei trucidar vocês!
Um feixe de luz e Ênio não conseguiu fazer nada, o cavaleiro de Pégaso passou por ela sem deixar rastro. Atrás da Deusa do Horror o cavaleiro finalmente parou com um coração pulsante nas mãos. Ênio cuspiu uma quantidade monstruosa de sangue. Quando olhou para baixo percebeu o rombo em seu peito.
— Como… — a voz falhava, era um sussurro — como um mero cavaleiro de bronze pode derrotar a mim que sou uma deusa?
Lúcifer chegou a uma casa simples. Do lado de fora se ouviam os gritos de uma mulher. Eles adentraram sem pensar.
— O que está acontecendo?!
A mulher estava em posição de parto e de fato iria dar a luz.
— O bebê está nascendo… eu não tenho ninguém meu marido morreu… — mais um grito decorrente das contrações. — eu… eu preciso de ajuda.
Lúcifer tocou a barriga da mulher, fazendo amenizar a dor. Mas naquele instante ele viu que o corpo da grávida estava em colapso. Ele a olhou com complacência.
—Kha. Ohm. Guardem o lado de fora da casa, não sabemos o quanto o Pégaso consegue segurar os deuses.
— Sim! — responderam em uníssono.
Lúcifer se abaixou tomando as mãos delicadas da mulher entre as suas.
— Que bela sua armadura! Deve ser um dos cavaleiros da Deusa Athena. — ele afirmou com a cabeça e a mulher soltou mais um guincho estridente. — Você já sabe… — mais um grito forte e ela fez força novamente. — Eu não vou resistir a esse parto. Mas quero que cuidem de meu bebê. Se for menino coloque seu nome de Odisseu e se for menina quero que se chame Amara.
— Sim… — o tom de voz do cavaleiro era doce.
O cavaleiro de Pégaso pisou no coração de Ênio esmagando-o por completo.
— Você é poderoso, mas Ênio era molenga. Eu posso ter acabado com seus sentimentos bons, mas isso não te torna mais forte que eu, Anteros o Deus do Antiamor!
Anteros fez menção em atacar, mas era tarde o cavaleiro de bronze já estava muito perto.
— Meteoro de Pégaso! — socos múltiplos de força monstruosa acertavam o corpo do ser divino. O sangue começou a brotar pela boca. A última visão de Anteros foi o punho de Perseu que arrancou sua cabeça com um soco certeiro.
O cavaleiro caiu de joelhos, se apoiou com as duas mãos no chão.
Lúcifer, Kha e Ohm voltavam do vilarejo. Nos braços do dourado um bebê. Cabelos lilás ainda ralos, estava envolto em uma manta.
— Pégaso, acredito que você é o maior merecedor de vê-la.
— Esta é… esta é Athena?
— Sim. Athena é esta menina, que a partir de hoje também chamaremos de Amara.
O cavaleiro de bronze tomou o bebê nos braços, ainda fatigado pela luta violenta com os deuses. Estava encostado numa pedra.
Ele encarou o ser dócil e indefeso em seus braços.
— Eu protegerei você, por todas as eras. Não importa quantos anos passe, eu estarei lá para protegê-la Athena… Amara.

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