Não havia muito tempo para esperar. Ainda faltavam três deles. Os Exércitos de seu algoz já causavam medo e destruição por todo seu amado planeta.

Eles se teletransportaram para o mais perto possível de seu destino, Drakala, o Templo de Eos. A deusa queria ter com o rei daquelas terras.

Athena estava acompanhada de dois de seus Cavaleiros de Ouro. Ashur de Sagitário e Salem de Virgem. Salem foi quem os transportou para o local. O homem alto de cabelos da cor das areias litorâneas era conhecido por ser um poderoso espiritista podendo se comunicar com os mortos através da arte da Necromancia. Ashur por sua vez fora o primeiro a jurar lealdade à deusa e tão somente ela conhecia a extensão dos poderes do cavaleiro.

– Não acredito que o rei seja uma ameaça. Vocês não deveriam ter vindo comigo. — disse a deusa.

– Athena, não podemos arriscar que esteja a mercê dos asseclas de seu irmão por nada. — rebateu o cavaleiro de Sagitário.

– De qualquer forma acredito que vocês facilitem a comunicação com ele. Salem você que é um diplomata nato me ajudaria?

– Claro Athena, se acredita tanto que esse homem possa se tornar um de nós.

– Sim. Ele será um dos meus cavaleiros dourados.

Aos olhos de qualquer um Athena era apenas uma mulher de cabelos castanhos. A não ser o poder de seu cosmo que era radiante e avassalador. Qualquer mortal tinha aquela sensação ao se aproximar da deusa.

Eles caminharam por 5 dias desde o ponto em que Salem os transportara. Ashur era um guerreiro fantástico e salvo para comer não havia parado por nada durante a caminhada, Salem por sua vez o acompanhava de perto.

Finalmente eles avistaram o Templo grandioso. Feito num formato circular a construção era encimada por uma abóboda imensa num tom de azul pungente.

– Finalmente... aqui estamos.

Athena se aproximou do imenso portão duplo, tinha um tom de dourado que saltava aos olhos. E parecia com as armaduras envergadas pelos cavaleiros.

– Quem se aproxima dos portões de Drakala? — perguntou um dos guardas.

– Eu sou Athena, Deusa da Sabedoria e da Guerra. Vim até aqui para ter com teu rei, Thithonos.

O guarda encarou a mulher de baixo a cima. Quando os olhos deles se encontraram ele sentiu o que todos os mortais sentem na presença de um deus. Era como se estivesse de frente para explosão de um universo inteiro.

– Senhora… — ele hesitou — precisamos… anuncia-la… é… ham…

– Vá guerreiro. — Salem percebeu que o guarda havia se deparado com a imponência de Athena e perdido o prumo. — Deixe seu posto e avise a seu rei que a deusa Athena quer ter com ele. Eu e meu companheiro trataremos de defender seus portões.

Salem era de fato um estadista e conseguiu que o guarda fosse anunciar a visita. Aos olhos comuns ambos, Ashura e Salem eram homens normais, afinal nenhum e nem outro trajava sua armadura de ouro.

Em pouco tempo Athena adentrava os portões de Drakala. Por dentro o templo era sustentado por imensas pilastras brancas. O piso era de grandes quadrados de mármore. Havia estátuas da deusa Eos espalhadas por todos os lados no percurso que Athena fez até a sala principal onde presidia Thithonos.

Quando chegaram no recinto Athena pode ver o espectro de luz que acompanhava Thithonos; tinha formas curvilíneas perfeitas, os cabelos num esvoaçar anormal, como se estivesse submersa em águas, seus olhos não tinham íris. Athena sentiu pelo Cosmo que se tratava de Eos.

– Acredito que seja Athena. — o homem de cabelos prateados longos sentado no trono adornado pelo espírito disse.

– Sim e você é Thithonos rei de Drakala.

– Correto. Vejo que continua intrigada com Eos.

– Ela é uma deusa. E cá está disposta a tudo pelo seu amor. — Athena suspirou. O que despertou algo dentro de Thithonos devido a seu tom admirado de dizer aquilo.

– Porque veio ter comigo Deusa da Sabedoria?

– Acredito que saiba que meu irmão Áres ameaça este mundo com seus guerreiros Berserkers.

– Uma Guerra Santa como chamaram. Exatamente como a que destruiu o povo Atlante. — ele meneou a cabeça em sinal negativo. — Estamos bem, Athena, como pode ver. Seu irmão não ousaria nos atacar tendo Eos ao nosso lado.

– Ele ousará.

– Não tenho interesse na sua Guerra, deusa. Peço que se retire do meu Templo.

Mas Athena não desistiria daquela forma.

– Tenho duas coisas que peço que leve em consideração. A primeira é que Áres não hesitará em destruir esse lugar bem como matar sua amada Eos. Seria uma afronta ele permitir isso em seu reinado. — Athena falava do amor entre o homem e a deusa. — O Segundo fato é que meus guerreiros me informaram que Hades está apoiando meu irmão em sua derrocada.

Nesse momento os olhos de Thithonos brilharam.

– E por isso reúne guerreiros para lutar?

– Eu sozinha não conseguiria enfrentar Hades e Áres. Eles são os deuses mais cruéis.

– E o que acha que posso fazer Athena?

– Em primeiro lugar você é imortal. — Interveio Ashur. — Imortal, mas não jovem para sempre. Sua história é clara para mim

Nesse momento Thithonos percebeu que estava diante dos então famosos Cavaleiros de Ouro

– Pois bem Athena, aceito teu pedido com uma condição, eu poderei me alimentar nos combates e se houver algum enlace com Hades eu não sigo ordens.

Athena ponderou e afirmou com a cabeça.

Thithonos se levantou em sua majestade e apertou a mão de Ashur e Salem em seguida se ajoelhou diante da Deusa enquanto Eos sorria para Athena.

Algumas horas depois Thithonos o rei de Drakala se preparava para deixar seu Templo. Agora ele era um guerreiro, um combatente das forças de Athena e nisso encontrara sua oportunidade de vingar-se de Hades e dos deuses.

Quando saíram do Templo os cavaleiros se depararam com uma horda de soldados, eram subordinados de Ares.

Liderando aquele pelotão estava um homem de cabelos brancos longos da cor da neve. Vestia uma armadura escarlate de adornos pontiagudos e uma capa longa num tom de vermelho mais escuro.

– Quem são vocês que se prostram diante de meu templo? — perguntou Thithonos, num tom discursivo.

O homem que claramente liderava o pelotão deixou um leve sorriso escapar de seus lábios.

– Eu sou Phobos, filho de Áres. Sou deus do Medo e General do Batalhão de mesmo nome.

Naquele momento Athena havia sido pega desprevenida. Ela nunca imaginaria que um dos filhos e generais de Áres fosse atrás dela em Drakala.

– Vamos acabar com vocês! Deixem Athena para mim. — Ele conjurou uma espada enorme de lâmina também vermelha com desenho diferente formando pontas ao longo de toda extensão da ponta a base da empunhadura. — Esta, Athena, é a Terror Carmesin minha espada divina e será ela a última visão que você terá, assim como foi de todos dos vilarejos atrás de nós, no caminho até aqui.

Naquele momento o punho de Thithonos formou uma bola ao lado de seu corpo.

– O que você disse?… — ele sussurrou entre os dentes. — Como ousa atacar meu povo?! — o gritou o ecoou trespassando todo o pelotão.

O rei saiu em disparada com os punhos fechados e sem nenhuma arma. De repente ele estava no meio do pelotão. Sua mão envolvia a garganta de um soldado que tentava desesperadamente soltar a pegada monstruosa de Thithonos. Eos por sua vez circundou o corpo do guerreiro. Ela colocou delicadamente as mãos na face aterrorizada do homem e fez um movimento como se puxasse algo. Foi quando Athena e os outros cavaleiros viram a alma dele se separar do corpo. Condensada na forma de uma esfera, Eos a entregou para Thithonos que a ingeriu.

– Athena, ainda posso me alimentar? — agora a deusa entendia do que se tratava o acordo deles. Não disse nada, porém invocou a deusa Niké que trouxe consigo a Armadura de Ouro.

– Vista-se, Rei Thithonos, para a batalha. Vista-se Thithonos de Câncer!




Notas finais
THITHONOS DE CÂNCER Thithonos o guerreiro escolhido para representar a constelação de Câncer. Thithonos era rei das terras de Thuatha (que engloba todo noroeste europeu adentrando o território russo até metade de sua extensão atual), seu reino tinha como centro o templo de Drakala um santuário destinado à deusa-titã Eos, por quem Thithonos era apaixonado.