O Mito das Guerras Santas - Primevas
18 Capítulo 18: Deusas
Notas iniciais
Lúcifer estava sentado no topo do templo do santuário.
– O que faz aí, Lúcifer? — a voz vinha de trás do cavaleiro.
– Apenas meditando.
A visão do visitante era da cascata de petróleo que formava os cabelos do cavaleiro de ouro Serpentárius.
– São tempos difíceis… — divagou o homem. — Ficou sabendo da luta de Canaã.
– Não totalmente.
– Bom, totalmente ninguém ficou sabendo ainda, afinal ele não sai da casa de Leão faz alguns dias. O homem que ele trouxe ainda está lá?
– Disseram que foi uma luta intensa…
– Me diga Hermes, porque está no santuário?
– Ora! Não seja ríspido, Estrela da Manhã… porque falar assim com um deus? — a voz era de outra pessoa.
Com um cacho de uvas frondoso, os cabelos eram da cor de areia. O rosto impecável de uma beleza rara e hipnotizante.
– Baco.
– Você sabe que eu não gosto desse nome, Lú… eu ainda serei batizado com um nome belo como eu.
– Você prossegue fútil como sempre.
Hermes por sua vez tinha os cabelos azuis na altura dos ombros, o corpo esguio e o rosto de traços comuns, comparado a Baco poderia até ser chamado de feio. Ele não usava sua armadura apenas as sandálias aladas que eram o segredo de sua imensa velocidade.
– Lúcifer, porque resolveu servir Athena? Está comprando uma briga muito grande, até mesmo para você. Outros deuses fora Áres querem este reino para si e vão atacar com tudo que tem. Athena é ardilosa e poderosa, mas se deuses como Artêmis, Hefesto, Apollo… levantassem armas contra ela, você sabe tão bem quanto nós que ela não resistiria.
– Meu papel é cumprir a promessa que fiz a Athena. E cumprirei. Agora o que me intriga é dois deuses do Grupo dos 12 estarem aqui no Santuário.
– Foi muito fácil transpor essa fraca barreira que você ergueu, Arcanjo. Mas não estamos aqui sozinhos.
Esse cosmo!
Naquele momento Lúcifer sentiu um imenso cosmo próximo da casa de Áries.
–Droga! — o cavaleiro saltou como um raio caindo quase próximo à casa de Peixes.
– Uau, ele quer mesmo proteger Athena… — comentou Baco comendo mais uma uva.
– Mas ainda há motivos escondidos nesse ímpeto de Lúcifer em defender a hegemonia da deusa. — ponderou Hermes.
Lúcifer continuava sua trajetória descendo o caminho das doze das casas. Sua velocidade era impressionante! Já alcançava a casa de Libra quando se deparou com Ágape.
– Ágape!
– Asclépio! Você também sentiu esse cosmo?
– Sim! Vem da casa de Áries. Vamos!
Os cavaleiros continuaram o percurso agora juntos. Em dado momento Ágape deu por si que Asclépio estava muito a sua frente.
Como é possível tamanha velocidade?! É capaz de ele ser mais rápido que Canaã, o mais veloz entre nós!
Asclépio sincronizou seu cosmo com sua armadura na casa de Ophiucus. Respondendo ao chamado de seu protegido ela se desmontou indo até o corpo dele.
Lúcifer saltou numa cambalhota no ar. Estavam, agora, na casa de Gêmeos.
– Melkabah deve estar…
O que é esse outro cosmo de magnitude monstruosa!– Lúcifer estava mais apreensivo agora que um segundo cosmo gigantesco se manifestava na casa de Áries.
Quando finalmente vislumbraram a primeira casa zodiacal se depararam com Melkabah no auge de seu poder. Seus cabelos estavam eriçados poderiam ser comparados até mesmo a uma fogueira. Seus olhos brilhavam como se pura energia percorresse seu corpo. Com as duas mãos elevadas ele ostentava uma imensa esfera de energia, parecia uma bola de rochas incandescentes e das rachaduras emanava um brilho ígneo.
– O poder dele…
– É quase como o de um Deus… Melkabah tem a habilidade de controlar a matéria e a energia nela contida. Sempre tive curiosidade de conhecer a extensão real de seus poderes, mas aquilo?
– É como recriar uma estrela!
– Você não vai avançar nem mais um centímetro. Conheça o poder das estrelas! Criação Estelar!
– Ele arremessou! — Asclépio estava atônito — Como ele conseguiu arremessar aquela coisa densa e massiva?
Ágape cruzou os braços demonstrando satisfação em poder testemunhar o poder do cavaleiro de Áries.
A imensa bola de energia avançava contra o inimigo de Melkabah.
A mão estendida. A esfera estelar parou seu avanço. Tremeu. E começou o caminho de volta em direção ao cavaleiro de ouro. Todos estavam paralisados…
– Temos de impedir! Se aquilo atingir Melkabah ele será aniquilado.
Asclépio e Ágape fizeram menção em se mover na direção de Melkabah, mas pararam repentinamente.
Era como sentir a explosão de uma galáxia. O ressonar da energia… pura como se emitida da própria fonte.
A esfera parou novamente e se ergueu aos céus.
– Maldita! Como se atreve, Athena?!
Julian despertou na casa de Leão.
– Finalmente você acordou.
– Canaã. O que eu estou… onde eu estou?
– Na casa de Leão. Athena me ordenou que eu o trouxesse para cá até que se recuperasse.
– Athena… aquela garotinha era Athena, mesmo?
– Ao que se parece sim. Neste momento está havendo um embate na casa de Áries.
– Espere… e porque você não foi para lá?
– Athena me deu ordens restritas para que ficasse aqui. Eu sou obediente à deusa que me salvou.
– Porque confia tanto que aquela garota é a deusa Athena, ao que sabíamos ela estava morta.
– Isso era o que vocês sabiam. Nikki, a deusa da Vitória, salvou Athena no último instante. Deu sua própria vida para que a alma de Athena reencarnasse como era de vontade da Deusa. E então Athena se fez humana.
– E ela é aquela garota?
– Sim. Ninguém mais nesse planeta poderia parar o ataque mais poderoso de um cavaleiro de ouro. Salvo Mestre Asclépio talvez, mas Athena com certeza poderia impedir um ataque de qualquer um de nós, dos doze juntos, se caso os 88 cavaleiros atacassem nada mudaria.
– Ela me salvou.
– E agora você é um de nós…
Não era mais uma garotinha. Era uma moça, talvez tivesse entre 12 e 14 anos. Os cabelos maiores no meio das costas. Trazia consigo um báculo maior que ela. Amarrado a ele duas faixas pendiam. Seu vestido esvoaçava em meio à aura de seu cosmo dourado, pleno e imponente.
– Como você foi capaz de resistir à lança de Áres?!
A garota não respondeu apenas se virou para seu cavaleiro que caíra esgotado. Ela tocou seu rosto com doçura e acalentou seu sono.
– Senhores, por favor, levem este home para dentro da casa de Áries.
– Mas Athena…
– Eu estou lhes pedindo… não se preocupem comigo. Estarei bem.
Novamente ela se levantou, se voltando agora para sua inimiga.
– Afrodite, a deusa da Beleza e do Amor. Não esperava que viesse pessoalmente ao meu santuário.
A mulher era alta, tinha cabelos louros abundantes. Seu elmo era uma tiara ladeada por dois ornamentos de pássaros. Ostentava ombreiras ogivais em tom de prata. E um cinturão que lhe protegia toda parte da cintura envolvendo a lombar. O vestido se estendia numa saia esvoaçante.
– Você está diferente Athena! O que aconteceu com você desde que resolveu sair do Olimpo?
– Diga o que veio fazer aqui, Afrodite.
– Eu, vim pegar a sua cabeça e a do seu cavaleiro…
Ela avançou trazia consigo um punhal prateado. Veloz demais para que Athena pudesse se defender.
Um estalo, a adaga saiu voando girando no ar. Do alto da casa de Áries a deusa vislumbrou uma silhueta com asas empunhando um arco.
– Não pode ser!
Próximo a Athena pousou o cavaleiro de Pégaso.
– Tudo bem,Amara?
– Perseu…
– Afrodite, é não permitirei que avance contra a deusa Athena!
– E quem é você? — indagou a deusa.
O guerreiro saltou.
– Eu sou Ashur de Sagitário, o Cometa de Ouro!

Fale com o autor