Notas iniciais
Aos leitores que começarem a ler essa história, o início pode parecer um pouco confuso, mas aos poucos as peças vão se encaixando até chegar ao clímax.

Eu queria fazê-la em apenas um capítulo, mas ficaria ainda mais difícil de entender, então a dividi em capítulos, que não serão longos.

Capítulo 1

Daniel acordou e notou que estava preso em algo semelhante à um armário de madeira. Era tudo escuridão, seus olhos, mesmo abertos, nada enxergavam. As mãos estavam atadas, assim como os seus pés, não podia gritar pois sua boca estava amordaçada, estava totalmente imóvel naquele cubículo, numa posição desconfortável. No mesmo instante arrepiou-se com o pensamento de ter sido enterrado vivo, mas logo descartou essa hipótese, pois o ar estava circulando ali por uma pequena fresta. O rosto doía, era como se tivesse levado um soco e desmaiado, mas antes de tombar desacordado, lembrava-se perfeitamente aonde estava, na casa localizada em um milharal abandonado. Sabia das lendas que contavam sobre aquele lugar e, tomado pelo medo, começou a se debater contra a madeira fazendo barulho e tentou gritar, mas o que conseguia eram apenas ruídos abafados. Percebendo que ninguém o ajudaria, ele começou a rezar e aos poucos foi se lembrando daquele que foi o pior dia da sua vida.

Acordou cedo como de costume, levantou-se da cama. Desde que se separou da mulher, aquela cama parecia maior a cada dia, sabia que a culpa era toda sua. O seu jeito sempre voltado para o trabalho, a deixava sempre em segundo plano na sua vida. Até que depois de dois anos, ela não aguentou mais e decidiu ir embora de casa e voltar para sua cidadezinha de infância, após isso, se encontraram novamente apenas para tratar do divórcio e, já fazia mais de seis meses que não a via.

Tratou de esquecer essas lembranças que sempre o machucavam, fez sua higiene matinal, se vestiu apropriadamente e se dirigiu à padaria que ia sempre para tomar café antes de ir trabalhar.

Daniel era subgerente de um dos principais bancos da cidade, que sempre foi uma das maiores produtoras de milho do estado. Após a refeição, se dirigiu ao banco e, quando estacionou o carro, viu pelo retrovisor, três pessoas agindo de maneira suspeita, poderia ser paranóia sua, mas em todos esses anos trabalhando em bancos, aprendera uma lição: coloque olhos na nuca e desconfie de sua própria sombra, esses são os principais alvos de bandidos.

“Você está ficando louco Daniel” – pensava ele. Resolveu ignorar e adentrar no banco. Mal tinha entrado, quando suas suspeitas se confirmaram, três pessoas encapuzadas e com armamento pesado aproveitou um momento de descuido da segurança e renderam todos que estavam ali. Eles fizeram o serviço rapidamente, mas precisavam de alguma garantia caso a polícia os alcançasse. Eis que de todos presentes, que estavam agachados em um canto sem poder fazer nada, Daniel teve o azar de ser o escolhido para ser levado como refém.

“Puta falta de sorte” – pensava, enquanto os bandidos pegavam o próprio carro de Daniel e saíram em disparada.

Agora ele estava ali, naquele armário totalmente imponente e, com um medo que nunca havia sentido na vida. Se lembrava das histórias contadas sobre aquele milharal, talvez fossem apenas boatos, mas ainda assim assustavam. Muitas pessoas evitavam aquele lugar, diziam que um velho que morava ali desapareceu sem deixar rastros e que algumas crianças que costumavam pular a cerca do milharal e roubar espigas de milho do pobre velho ficaram em estado de choque, pois, segundo elas, o espantalho saltou da cruz e correu atrás delas.

Vendo o estado em que o filho se encontrava, o pai levou o garoto de volta ao local e atirou três vezes contra o espantalho, para provar a ele que aquilo era apenas um boneco semelhante a um homem, mas feito de palha. Mesmo assim, o garoto e seus amigos nunca mais passaram nem perto dali. Depois disso, o velho também nunca mais foi visto nas redondezas, mas o espantalho continuava no mesmo lugar.

Por um tempo, as pessoas que tinham coragem de passar pelo milharal, se queixavam do mau cheiro. Os mais curiosos que tentavam descobrir o que era, saíam assombrados. Segundo rumores, algumas pessoas entraram lá à noite e nunca mais foram vistas. Dizem que o velho reencarnara no espantalho e enterrava os corpos de suas vítimas, mas ninguém teve coragem de conferir.

Algo no fundo de Daniel lhe dizia que ele não sairia vivo dali. Foi então que ouviu passos, eram mais de duas pessoas. Provavelmente eram os bandidos, então ele resolveu ficar quieto, ou eles poderiam fazer algo muito pior. Os passos se afastaram e depois aproximaram novamente, espalharam-se e reuniram-se. O refém estranhou aquele silêncio e quietude que estava do lado de fora, os sequestradores não eram tão contidos assim. Voltou a ouvir passos, mas dessa vez, uma pessoa se aproximava de onde estava enclausurado. Bateram três vezes na madeira, como se estivessem esperando serem atendidos por alguém. Ficou receoso, sabia do que aquelas pessoas eram capazes de fazer. Ouviu todos os passos seguirem na mesma direção e, então, um abrir e fechar de portas e tudo ficou silencioso.

“Será que foram embora? E se abandonarem aqui, o que farei” – pensava em desespero. Sabia que acabaria morto se continuasse ali, foi então que começou a fazer mais barulho, se debatendo e soltando grunidos, já que não conseguia gritar, mas tudo foi em vão, ninguém o ouvia. Em uma atitude de pleno desespero, esfregou o rosto na parede de madeira do cubículo, foi tão forte, que sentiu a pele rasgar com o atrito, algumas lascas de madeira entravam em seu rosto, fazendo a dor aumentar ainda mais. De tanto tentar, finalmente a mordaça cedeu, cuspiu a parte que estava em sua boca e, quando finalmente sentiu a boca livre, gritou com todas as forças que possuía em seu pulmão:

- Por favor! Alguém me ajude! Faço tudo o que quiserem, mas tirem-me daqui! SOCORRO! SOCORRO!

Notas finais
Apesar de ainda estar no começo, esse primeiro capítulo pode ser fundamental para o entendimento do desfecho.

Aos que começaram, espero que continuem! Abraços!