O Mistério da Morte de Joana Cartringer
1 Prólogo e Ato 1
Notas iniciais
Este é meu primeiro trabalho como escritor amador, e procurei retratar como funciona o jogo de Rpg Vampiro: A Máscara. Basicamente, o texto foi feito como uma narração de um jogo, ou seja, o leitor pode imaginar os jogadores sentados à mesa, rolando seus dados, escolhendo suas ações e o Mestre lhes dizendo o que ocorre. Boa Leitura!
Prólogo
“There\'s a lady who\'s sure all that glitters is gold And she\'s buying a stairway to heaven”
Led Zeppelin, Stairway to Heaven
Em meio ao som do piano e vozes no ar, a noite neste clube VIP de Araraquara segue devagar. É um encontro de artistas, e cada personagem da noite tem um ar encantado e tentador, mas isso não é coincidência. Em meio à uma reunião de membros autodenominados Toreador, ser talentoso é um requisito básico, e aquela é uma noite em homenagem à uma mulher que tem se destacado perante a sociedade noturna.
Joana Cartringer avança pelo palco, e as vozes vão se silenciando conforme ela chega ao centro. Até Mateus, o representante do clã na cidade, está ali olhando para ela. Mas ele nota algo estranho...Os olhos de Joana estão desfocados.Ela chega ao meio do palco e..
Não houve tempo de reagir. Muitos gritaram, e todos ficaram paralizados em seus lugares quando Joana retirou uma arma de seu vestido e atirou em sua própria testa, virando poeira quase instantaneamente.
ATO 1
“Uma nova manhã se aproxima..”
A noite está acabando. Ben chega à sua Kitinete e depois de três meses fora, ela permanece como a deixou. Mas está para amanhecer, e agora que isso é um problema é melhor começar a ser prático. Finalmente, aqueles cobertores que ele recebeu de sua mãe terão algum uso, e eles vão para a janela, que deve ser totalmente coberta, e até a fresta da porta não deve deixar passar luz.
São cinco e meia, ele deita na cama e se encobre....e depois xinga, lembrando que não precisa mais se aquecer, que a única coisa que o esquenta agora preenche também seus pesadelos e temores; mas de agora em diante...uma nova vida surge. Como vai explicar essa mudança para todos? Deveria fugir dali? Se dar por morto? Afinal, tecnicamente ele estava...Aquele “senhor” não tinha pensado nessas conseqüências? Ou ele espera que ele cuide disso sozinho, como um teste?
“-Droga, velho! Você me disse que me deu uma nova vida, mas tudo o que posso fazer é deixar tudo pra trás!”
Enquanto Ben tenta pôr seus pensamentos em ordem, um sono vagaroso mas poderoso começa a cair sobre ele, como uma areia movediça...ele achou que podia passar o dia pensando no assunto, mas não se pode ser rebelde contra uma maldição de mais de dez mil anos. É melhor dormir.
Ben acorda ao cair da noite, com a mesma sutileza dos últimos dias: salta da cama, suando frio, ainda desacostumado com as cenas bizarras de tudo que tem acontecido e esperando que tudo tenha sido apenas um sonho.Não foi.
Seu coração não bate mais, e ele só respira por força do hábito. Seu senhor diz que isso é bom, ajuda a esconder sua identidade, agora que ele é um...qual era a palavra? Membro. Que raios de hipocrisia é essa? Ele é um maldito chupador de sangue e sabe muito bem o nome que se tem esse tipo. Dá pra acreditar?
Pelo menos a história de uma sociedade organizada chamada Camarilla é mais realista que um vampiro num castelo ou que brilha na luz. Luz...será que com o tempo ele esquecerá como ela é?
Em meio a estes devaneios a campainha toca. É Henrique, o servo de seu senhor na porta. Os anos de trabalho no submundo renderam cicatrizes naquela pele negra e espessa, e Bem suspeitava que o cabelo afro cheio de dreads cobria mais do que uma simples face.
“-Venha Ben, o Senhor Decker lhe arranjou sua primeira missão como criança da noite.”
“E a curiosidade matou o gato...”
Ravanna adora seu jeito solitário e gatuno de ser. Não tem casa, não tem chefe, não tem correntes, só tem a aventura de viver.Mas este estilo de vida zombeteiro o levou a uma bela encrenca..
Agora Ravanna está sentado no chão.”Jogado” seria uma palavra melhor. Quem diria que a janta com aquela mulher formidável resultaria nisso? Mas o que aconteceu, pra começar? Ela é uma princesa, ou algo parecido, pra ele estar preso ali?
Em meio aos homens grandes que guardam a porta, um homem com terno azul marinho e gravata vinho entra na sala, e mantém uma distância de Ravanna. Aparentemente mais por nojo do que por medo.
“-Vamos lá. Eu não quero ter que piorar as coisas para o seu lado. Mas você foi o ultimo a ter contato com minha querida Joana e eu quero que você seja bem detalhado..”
“-Quem porra é essa de Joana? Eu não fiz nada! Me deixa em paz!”
O homem de terno franziu a testa. Seus olhos negros se tornaram castanho-claro, e Ravanna sentiu todo seu corpo querendo se jogar para frente, numa posição de reverência total ao homem.
“Você não pode nos enganar. As câmeras filmaram vocês dois conversando no bar hoje à noite. Responda para mim, você a machucou? Não? Sabe de alguma coisa sobre ela?”
Ravanna em estado de puro pânico por poder aborrecer aquela figura, balançava a cabeça frenéticamente, tentando se lembrar de algo útil.
“Não, meu senhor! Ela era só uma mulher agradável que pagou um pouco de sangue para um pobre moribundo como eu!”
O mundo voltou a existir para Ravanna, enquanto ele caia no chão sem vontade e o homem virava de costas, aborrecido. Após um momento, ele se virou de volta:
“-Tsc, não tem jeito.Venha, aproveite que eu recebi uma boa ligação e estou de bom humor.”
Os dois seguranças levantaram Ravanna, e o conduziram até um hall, aonde o ‘chefe’ já estava sentado bebendo algo numa taça que parecia vinho.
“Acho que começamos com o pé errado. Por favor, sente-se. Eu sou Mateus, e estou muito interessado em saber sobre a bela morena com quem você jantou.”
Ravanna tentava se lembrar de tudo, mas nada parecia mais do que conversa fiada. Mateus explicou que aquela mulher era uma Toreadora de muita importância, embora um nômade de um clã fora da Camarilla como ele não entendesse como essas coisas funcionam. Mateus tinha a suspeita de que ela não havia se matado, e precisava encontrar respostas.
“É triste, porém não posso te deixar ir embora assim, sem mais nem menos. O povo demanda explicações, e o que pensariam de mim se deixasse nosso único suspeito ir embora? Terei que te deixar por alguns dias aqui.”
“Es..espere! Eu posso ajudar! (o mero sinal de ter que permanecer em cativeiro era demais para Ravanna ficar calado) -E se eu lhe ajudasse a encontrar o que deseja?”
“Isso..seria interessante..”
Mateus deu um sorriso de esguio.É incrível como um jogo de palavras funciona melhor do que cordas com um boneco.
“Rosas regadas com sangue.”
“-O que?! Suicídio?!”
Fernando não podia acreditar. Como a grande Joana poderia ter feito uma coisa dessas? Tão bela e tão estimada por todos, o que levaria aquela antiga alma a tomar a própria vida? Isso não estava certo.
Ele se dirigia até a casa de Roberta, a pobre pupila de Joana e amiga de infância para consolá-la.
“Oh, Fernando! Eu não consigo acreditar! É impossível! Como isso pôde acontecer!?”
As lágrimas dela escorriam pelo seu rosto, manchando seu belo vestido branco com gotas vermelho púrpura.
“Não se preocupe, minha irmã. Eu encontrarei respostas. Saberei porque ela fez isso, pode confiar em mim.”
Enquanto Fernando ensaia sair do quarto, Roberta puxa sua manga:
“-Não, eu não quero que você se machuque! Ainda somos novos demais, não podemos fazer nada!”
“-Roberta..toda Camarilla está afoita. Muitos suspeitam do que aconteceu, eu tenho que procurar saber.”
“...está bem..espere..Este é o telefone de Mateus, ele me ligou e disse que se eu precisasse de algo, era só falar com ele...Ele é poderoso, pode te servir de ajuda”
Fernando pegou o telefone na mão e foi embora.
Saindo da casa, pegou seu celular e ligou para Mateus. Ele pôde sentir o interesse de Mateus ao ver que ele estava muito interessado em ajudar.
“Foi bom você me ligar. Estou montando um pequeno grupo de novatos para cuidar deste caso. Venha até minha casa, discutiremos tudo aqui.”
Notas finais
Espero que tenham gostado! Como no jogo em si, os Atos se desenvolvem baseados na ação de cada jogador individualmente, então boa parte da história envolve apenas jogador-mestre ou jogadores-mestre, e é claro, coadjuvantes-jogadores-mestre.Esperem novos personagens(jogadores) para os próximos atos!
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