Notas iniciais

Neste segundo Ato, os novos personagens começarão de fato sua crônica. Muitas coisas a fazer, e o futuro ninguém sabe.Apenas o escritor, correto?

“-Certo. Que bom que estão reunidos aqui. Convoquei cada um de vocês por vários motivos, e o que vocês têm em comum é que os três são novatos aqui na cidade e podem passar despercebidos procurando informações. Meu objetivo é simples, tenho informações que havia algo muito suspeito na maneira que Joana se matou, e quero que vocês descubram o que ocorreu de verdade. Vocês vão agir como detetives, mas não pensem que será tão fácil. Se fosse, eu contrataria detetives profissionais, que seriam melhores do que amadores. Não, vocês tem que ter em mente que seu baixo status na sociedade da Camarilla tem seus aspectos bons e ruins, e vocês devem se aproveitar deles.

Aqui estão três envelopes. Eles contém as pistas que encontrei e as pessoas com quem devem falar.Vamos à primeira:

“-Como eu mesmo presenciei, Joana naquela noite estava encantadora como sempre, carismática e feliz, até algum tempo antes de subir no palco. Com minhas habilidades, notei que sua aura estava calma, fria, bem diferente de momentos atrás, que estava pulsante e alegre. Notei também algo importante: ela sacou a arma com a mão direita, quando na verdade eu sei que ela era canhota.

Pode ser apenas um detalhe, mas talvez seja de ajuda à vocês.Mas isso me faz imaginar que ela poderia não ser ela mesma naquela hora...talvez estivesse sendo controlada. E existem poucos meios de se controlar uma mulher poderosa como ela.

Por isso um dos lugares que quero que vocês pesquisem é a casa de Augusto Giovanni, único membro do clã Giovanni nesta cidade. A filha de Augustus, Pandora, anunciou que está recrutando um mercenário para um serviço sobrenatural, então aproveitem essa deixa. Entendam, novatos, que entre os de nossa espécie ninguém entende mais de espíritos e possessão do que estes, por isso cuidado. Retirem todas as informações possíveis de como ela pôde ter sido controlada, mas cuidado com suas línguas! Já basta suas próprias almas atormentadas, não vão querer um espírito a mais lhes atormentando.”

“-Eu vou deixar vocês se conhecendo, eu preciso sair agora. Quando quiserem, podem começar a missão.”

“-Ah, mais uma coisa. A recompensa desta missão para vocês será discutida depois; ela depende do esforço individual de vocês.”

Ben, Fernando e Ravanna passaram alguns minutos conversando, pensando sobre a pista entregue e como proceder.

“É um bom começo a mansão Giovanni, mas não acredito que tenha sido algo tão sobrenatural assim.Há outros meios de conseguir informação” diz Fernando.

“Ah é? E como você vai fazer isso, sair batendo de porta em porta?” rebate Ben

“Não, brutamontes estúpido. Nunca ouviu falar do clã Nosferatu? Achei que seriam conhecidos seus, já que têm tanta coisa em comum. Eu não gosto deles, a aparência deles é horrível, mas eles têm informação. Se alguma coisa está acontecendo, eles sabem, então é melhor irmos procurar um daqueles ratos”

Neste momento, Ravanna se levantou:

“-Eu não sei vocês, mas eu não agüento ficar aqui parado nessa espelunca. Se vocês vão atrás de Nosferatu, fiquem à vontade para fuçarem no lixo, eu vou para a mansão dos Giovanni. É até melhor eu ir sozinho mesmo, nós de clãs independentes vamos nos dar melhor.”

“-Pode ir, até um nômade pode conhecer a luxúria de vez em quando. Venha comigo garoto, eu sei aonde encontrar um deles.”

Nisto, Ravanna seguiu para a mansão com seu carro, enquanto Ben e Fernando seguiram para “QUASE TUDO POR 1,99”, uma das lojas mais moribundas de um bairro afastado de Araraquara. A única que permanecia aberta à noite.

Ravanna chegou até os portões da mansão Giovanni, e tendo parado com seu carro longe, resolveu chegar mais devagar, à pé. Entrou no matagal vizinho aos muros altos de concreto e começou a fazer um estranho som com sua boca, sua voz afinando quase ao limite do som que um ser humano consegue escutar.

Alguns minutos depois, três morcegos pousaram sobre ele, de prontidão para atenderem às suas ordens.

“-Só três? Bom, deve bastar. Vocês vivem por aqui, não é? O que podem me dizer desta casa, têm alguma entrada por trás, ou alguma rachadura aonde eu poderia passar?”

“...”

“Entendo. O único caminho é o portão principal, e existem “coisas estranhas” que não deixam vocês se aproximar muito da casa.Muito bem, podem ir agora.

Ravanna se levantou e voltou à rua, seguindo em frente ao portão.

A mansão, embora bem cuidada, possuía aquele aspecto de filmes de terror, com aquele frio na espinha de qualquer um que saiba que está entrando numa casa assombrada.

Os portões se abriram, e Ravanna caminhou até a porta da mansão, onde após dizer que havia ido pela proposta da Srta. Pandora, foi recebido por um homem de feições italianas, que o levou até uma grande mesa no hall.

Alguns minutos depois, Pandora desceu as escadas espiraladas, com seu vestido negro e cabelos tão pretos quantos seus olhos semi cerrados, que vinham até a cintura.

Ela sentou na outra ponta da mesa, e olhando para algum ponto nas sobrancelhas

do nômade disse:
‘-Olá, senhor. É um prazer recebê-lo aqui,é difícil encontrar algum membro que venha se aventurar nas artes necromânticas voluntariamente.”

“-Meu pedido é simples. Há um item valioso para mim no plano astral, e eu quero que você vá buscá-lo para mim.Um mago mortal hà muito tempo, cansado de viver em um mundo tão primitivo diante de suas habilidades, criou um jardim paralelo à este mundo, aonde ele podia descansar, meditar a fumar à vontade,sem interrupções, que é isso o que os magos mais fazem.Ele também guardava seus tesouros ali, e é nisso que eu estou interessada.

Ele já morreu há muito tempo atrás, e agora que sua mágica está desfalecendo, posso te transportar até lá. Eu lhe explico porque não irei eu mesma: No mundo necromântico, alguns espíritos ficam um tanto irritados quando você os obriga a te obedecer, então não posso me arriscar no campo deles.Se você consentir, começaremos sua viagem agora mesmo.

Em meio à velas e a um círculo, Ravanna permanecia em pé, porém um tanto nervoso, esperando que Pandora terminasse o ritual. Depois de dar algumas voltas em torno dele, ela recitou algumas palavras e empurrou com sua mão o peito de Ravanna, que teve sua alma saída de seu corpo instantaneamente, ficando apenas um fino fio ligando a este. O corpo dele começou a cair, mas Pandora o segurou e o colocou calmamente no chão. Então, ela olhou pra cima, sorrindo, e disse: “Como se sente? Não se preocupe, suas habilidades e força continuam as mesmas. Siga-me, abrirei o portal para você agora.

Perfurando seu polegar, Pandora avançou até uma parede e começou a contornar um arco em torno dele.

Ao terminar, a parte interior do arco começou a mostrar um véu cor azul-prateado, visível apenas a quem consegue ver os espíritos. O sangue na parede desapareceu, consumido através de sua mágica para abrir o portal.

“-Não tenha medo. Esperarei aqui você retornar..mas não se esqueça que embora eu possa segurar este portal, ele só permanecerá aberto até o amanhecer. Boa sorte.”

Ravanna se assustou com aquele mundo artificial.Era um belo e cuidado jardim com pássaros e um lago ao centro, com vários bancos em volta. Porém, com os anos seguintes e a mágica se esvaindo, a grama começava a pretejar em suas pontas e os pássaros estavam em números reduzidos, se comparados ao numero de casinhas que havia por ali.

Ravanna começou a procurar por alguma pista em meio àquele lugar, mas tudo parecia simples demais. Após uma hora procurando, e tentando se comunicar com os animais sem sucesso, resolveu sentar no banco para descansar. Quando abriu os olhos, notou algo de brilhante no lago. Em meio aos cardumes de carpas, havia uma dourada mais brilhante que as outras, seu próprio corpo emanava uma luz que aquecia aquela água cristalina.

Ravanna se levantou e começou a tentar se comunicar com ela, mas em vão. Parecia que por mais que tentasse, era como..se ela não o entendesse como os outros! Ravanna era um homem paciente, mas havia chegado ao seu limite. Pegou um graveto pesado, mirou bem e...Acertou em cheio. O graveto atravessou o peixe luminoso pelo meio, e ele começou a afundar.

Logo, Ravanna percebeu que não era o peixe que afundava, mas todo o jardim estava sendo sugado até o peixe.

Ravanna abriu os olhos, e, assustado, se viu dentro de uma catedral. Ele olhou para os símbolos nas janelas, mas não conseguia entender nenhum.

De repente, um altar começou a se mover em sua direção. Havia uma vela em cada uma de suas quatro pontas, e no meio dele havia algo sob um pano preto.

Uma voz começou a ecoar:

“Bem aventurado é aquele que procura pelos grandes tesouros desde universo, mas será você capaz de consegui-lo?”

Inscrito na coluna do altar, estava assim:

“Para os grandes tesouros destrancar,

Grande poder você deve possuir.

Mas poder sozinho não pode tudo te dar,

É necessário saber pensar e agir.”

Ravanna retirou o pano de cima do altar, e viu um copo de ouro totalmente simples, acoplado em outro igualmente simples. uma nova inscrição surgiu:

“Agora, sem seus poderes você deve conseguir

Suas habilidades de nada irão adiantar.

Os dois copos você deve separar,

Sem nem ao menos seus dedos encostar.”

“Cuidado com o sol; queima a pele.

Cuidado com a falta de sangue; será dominado pela fome.

Cuidado com o excesso de sangue, a visão e o cheiro do sangue; será dominado pela fome.”

Atravessando a madrugada, Ben e Fernando seguiam para a loja de carro, pelos bairros mais pobres da cidade. De repente, um carrinho de mercado surgiu em frente ao carro, e Fernando teve que brecar bruscamente. Quando Ben desceu do carro, foi abordado por dois homens mal vestidos, com sorrisos cheios de malícia no rosto.Um deles puxou uma faca e disse:

“-Perdeu, moleque!Vai passando a carteira aí!E nem tenta fazer nada não, senão eu te furo!”

Mais dois homens surgiram e puxaram Fernando de fora do carro, que caiu na sarjeta.

“Haha, vamos dar uma lição nesses playboys sem noção!”

Fernando fechou os olhos e se concentrou, começando a se levantar calmamente. Seu sangue começou a ser bombeado pelo corpo todo, fortalecendo-o.

“-Pelo jeito, a noite vai ser longa...”

Ben nunca foi um garoto de brigar na sua vida mortal, mas após o treinamento com seu mestre, se sentia confiante. As habilidades passadas de membro para membro de seu clã eram claramente especializadas em luta corpo-a-corpo, e uma derrubar dois homens não parecia um problema.

Com uma velocidade sobre-humana, Ben desferiu um empurrão nos dois, que foram jogados um metro pra trás.Ben começava a se excitar com a batalha, mas queria se manter sob controle.O homem com uma faca na mão desferiu um golpe, mas o vampiro segurou sua mão e a torceu, quebrando seu braço e deixando a faca cair. O homem urrou de dor, e desferiu um soco com o braço esquerdo, mas para seu espanto a face de Ben nem se mexeu.Ben se pegou rindo da situação.

Sem ele perceber, porém, o outro homem havia pego a faca do chão, e este desferiu um golpe em suas costas.

Fernando se virava lentamente contra seus dois atacantes. Ele sabia que não ganharia em uma briga, ainda mais com estes dois homens que eram bem maiores do que ele. Então se preparou para resolver a situação da forma em que todos do seu clã são versados: Com terror.

À luz dos postes, seus atacantes viram suas pupilas dilatarem, seu dentes se transformarem em afiados caninos e ele soltar um sibilo grotesco: Uma inesperada transformação de alguém aparentemente inofensivo em uma monstro horroroso e atormentador, que eles não esqueceriam com facilidade.

Um deles, em um frenesi de medo, saiu correndo rua afora, mas o outro homem, que já segurava uma faca em suas mãos, avançou contra o Toreador.

A agilidade de Fernando lhe permitiu escapar do primeiro golpe, mas falhou no segundo ataque – O bandido abrira uma ferida de 15cm em seu braço direito, e caiu encima dele, imobilizando-o.

“-Que tipo de aberração é você?!” – disse o ladrão, se preparando para um golpe certeiro –

Fernando tentava se livrar dele, e então percebeu uma sombra atrás do seu atacante.Quando este percebeu, já era tarde demais: um taco de beisebol acertou a cabeça dele em cheio, caindo então inconsciente no chão. Fernando apertou os olhos para enxergar contra a luz e viu a silhueta de uma mulher, apoiando o taco no ombro.

“Oh, meu querido. Invadir território dos outros já é ruim, e ainda precisar de ajuda? Esse lugar é barra pesada, não é para o seu tipo aqui.”

Ela era loira, com os cabelos rebeldes até os ombros, camisa e jeans rasgados, que caiam bem naquela figura selvagem, com os olhos sobrenaturalmente felinos e lábios com batom negro.

Fernando recobrou-se do susto, e se levantou. Começou a lamber sua ferida, e a concentrar seu sangue para fechar o machucado. Quando terminara, nenhum sinal de machucado restava.

“Eu sou Natasha, e esta é minha área. Não podem caçar por aqui, e este é seu único aviso.”

Um som alto surgiu atrás dos dois:

“- ...RRAAAAAHHGHH!!!”

Oi dois se viraram e tiveram o mesmo pensamento:

“Ai, merda.”

Ben sentia seu sangue escorrendo pelas costas,a dor se espalhando, e com todas suas forças deu uma cotovelada no bandido, que caiu de costas no chão. Sem pensar direito, retirou a faca e golpeou o bandido no peito, fazendo o sangue jorrar em sua cara. Aquela sensação foi intensa demais, e então a Fome tomou conta dele.

A partir deste momento, Ben perdeu total consciência de seus atos; virou um animal irracional, sedento por sangue, e cravou suas presas no pescoço do pobre bandido, acabando com sua vida miserável.

O outro bandido entrou em pânico, e gritar foi sua sentença de morte. Ben saltou encima dele, matando-o tão rápido com a dentada na jugular que este mal teve tempo de reagir.

Toda a visão de Ben estava vermelha, e ele só via a necessidade de saciar totalmente sua sede.

Aproveitando distração, Natasha apareceu por cima com um salto, empunhando o taco de golfe para um golpe certeiro na cabeça. Mas Ben fora treinado para manter-se em prontidão, e rolando para o lado se safou do golpe, que espatifou o taco e o chão.

“-Tsc, calminha aí, garotão. Senão vou ter que te machucar...muito.”

Fernando correu para o carro e pegou seu revólver. Não queria machucar Ben, mas precisava imobilizá-lo para fazer voltar ao normal sem matar mais ninguém.

Natasha se agachou em uma posição de batalha, como um cão. Suas unhas começaram a crescer, afundando no concreto enquanto aumentavam. Ben não esperou mais e partiu com seus punhos pra cima dela, preparado para ir com tudo.

Fernando se posicionou atrás de Ben no sentido oposto ao de Natasha, e desferiu alguns tiros nas suas costas. Os tiros o acertaram em cheio, mas ele apenas de desequilibrou um pouco e continuou correndo pra cima da vampira do animalesco clã Gangrel.

Quando estavam ambos a poucos metros de se colidirem, Fernando deu uma vantagem de iniciativa para Natasha: Usou sua habilidade e magicamente chamou atenção para si mesmo de Ben, que sentiu uma vontade incontrolável de olhar para trás.Este milésimo de segundo de distração foi o suficiente: Natasha cravou suas unhas no asfalto e retirou duas grandes pedras, uma com cada mão, e as atingiu em cheio na cabeça de Ben.

Ele caiu desnorteado no chão, mas sua visão não estava mais vermelha.

Notas finais

Um tanto longo, é bom comentar que cada Ato é como um 360º na mesa de jogo: Cada jogador teve sua ação, mantendo assim um "Ato" como uma "rodada".