O Mistério De Scarabas
4 Tentar Correr Atrás
Notas iniciais
Coisas vao começar a esquentar..prestem atençao aos detalhes..¬¬
~le eu sendo misteriosa ~
Boa leitura...
Olhei para trás, mas não havia ninguém; embora sua imagem permanecesse no espelho. Ela era jovem; devia ter uns 19 anos. Tinha cabelos castanhos.
- Me ajude. — pediu ela. Podia sentir sua presença perto do meu ombro como um arrepio intenso.
- Valerie! — tomei outro susto quando Claire surgiu na porta do banheiro segurando um livro nas mãos. Atrás dela, surgiram Steve, Sara e vovó; todos alarmados. — O que foi?
- Eu...vi uma coisa... — sibilei, amedrontada. A garota do espelho tinha sumido.
- O que você viu? — Rebecca disse em um tom um tanto sugestionável.
- Tudo bem. — vovó me tirou de lá de dentro. — Querida, está gelada! — notou. Aquilo me assustou. Eu teria visto mesmo um fantasma? Não! Não era possível!
- Você viu um, não foi? — Rebecca se aproximou. — Foi ela? — ela agarrou um dos meus pulsos com força, e riu. — Eu avisei.
- Larga ela, Rebecca. — Lauren apareceu. — Não vê que ela está assustada?
- O que eu fiz pra você? — eu me soltei dela. — Você implica comigo sempre! Pra sua informação, meu pai ligou e eu estava frustrada. Satisfeita? — dei-lhe um sorriso sarcástico.
- Seu pai ligou pra você, Valerie? — vovó escutou, e eu suspirei.
- E não foi nada legal, como sempre.
- Bem...pelo menos ele ligou, não?
- Como meus pais se conheceram?
Ela se surpreendeu com a pergunta.
- Bem...foi aqui mesmo, no colegial. Tinham a sua idade. Na formatura, Sammantha descobriu a gravidez. Mas ela decidiu ir embora.
- Por quê? Meu pai encheu a cabeça dela?
- Não exatamente. — vovó foi cautelosa ao falar. — Sua mãe, de certa forma...era ingênua. Ela achava que se você se criasse aqui estaria condenada.
Era por isso que vovô Hector não gostava do meu pai.
- E...o que quer dizer com isso?
Vovó ponderou um pouco.
- Você não vai...
- Pronta pra hoje à noite, Valerie? — vovô Hector apareceu, sorridente. Ele não entendeu nossa expressão.
- Hoje à noite o quê? — murmurei.
- Você e seus amigos não podem ficar presos aqui. — explicou. — Hoje terá a festa da fogueira, e vocês deviam ir. Muitas pessoas estarão lá.
- Quem falou em festa? — Claire e Sara apareceram.
...[...]...
- Acho que ainda não está bom.
- Ah, Sara, vamos logo!
Claire e Sara brigavam atrás de mim. Eu não tinha a mínima ideia de como era essa tal festa na fogueira. Sara usava uma blusa vermelha e uma saia-calça preta, enquanto Claire usava um vestido bege simples.
- Estou bonita? — Sara perguntou para Steve quando saímos. Ele não pareceu muito interessado, e deu apenas uma olhada rápida.
- Sim. — respondeu sem delongas.
John nos levaria até lá. Ele piscou pra mim quando notou que eu o olhava.
- Ei, Valerie. — Steve se aproximou de mim, sorridente; olhando para meu vestido azul-claro. — Você está bonita.
Sorri como resposta.
- Tenham cuidado. — pediu vovô.
A festa acontecia no meio do parque de diversões, que estava bem movimentado por sinal. Uma música de batida sensual e envolvente tocava. Haviam várias grades de cerveja espalhadas.
- Hmm. — murmurei, brincando. — Estão querendo pegar os costumes da cidade?
John sorriu pra mim, e me puxou.
- Vem! Vou te mostrar que caipiras também sabem se divertir.
- Nunca disse que era um caipira...
Pessoas dançavam alegremente. Enquanto isso, Claire já começava a flertar com um garoto; e Sara e Steve dançavam num canto. Começamos a beber.
- O que deixou pra trás na cidade? — John me perguntou de repente.
Fiz muxoxo.
- Hmm...lembranças, talvez?
Ele riu.
- Estou falando sério.
- Eu também.
- Pensei que fosse o tipo de garota popular. — comentou. — E que tivesse um namorado.
Foi a minha vez de rir.
- Você se enganou.
- O tal Steve olha muito pra cá — reparou ele, parecendo incomodado. — Acho que ele é afim de você.
Bufei.
- Não mesmo. Ele e Sara se dão bem.
- Você tem certeza? — continuou. — Ele mal repara nela...
Eu sorri.
- Está com ciúmes de mim?
- Você nunca iria gostar de um cara como eu. — ele falou.
- Por que acha isso?
- Somos de mundos diferentes.
- Ei, vocês! — Claire gritou. — Não vem? — ela apontou para um grupo que sentava num canto escuro.
- Histórias. — John sorriu, animado de repente. — Em noites assim, gostamos de nos reunir e contar histórias de terror.
- Que sinistro. — brinquei.
Nos sentamos em meio aos outros, enquanto uma história já era contada.
- Quando eu era pequena, minha mãe me contava que tem um espírito rondando a cidade. — disse uma garota com a voz sombria, tentando nos assustar.
- Sempre ouvi falar que a cidade está sob o comando de espíritos — disse um rapaz. — Meu avô diz que foi uma maldição muito antiga.
- Valerie? — John me chamou. — Histórias terríveis, não? — zombou.
- Podemos ir para um lugar mais calmo? — disse. À princípio, ele estranhou, mas logo cedeu e nos levantamos e fomos na direção do brinquedo interditado.
- O que foi? — ele se preocupou. — Você não se assustou de verdade, não é?
Eu ri.
- Não. Quer dizer...mais ou menos.
- Como assim?
- Tem um retrato na casa da fazenda. — comecei a contar. — E isso me intrigou. Vovó e vovô não querem me contar, mas eu sei que tem alguma coisa. As pessoas falam de histórias de terror como se fossem reais.
Ele ponderou por um momento.
- Algumas talvez sejam.
- E o que quer dizer com isso?
- Não é de hoje que coisas estranhas acontecem por aqui. — contou. — E você está certa. Aquele retrato é de uma garota que foi assassinada misteriosamente há muito tempo.
- Como?
Ele suspirou e fez sinal para que eu me encostasse na grade ao lado dele.
- Vou lhe contar a história. Mas prometa que não vai surtar, ok? — eu fiz que sim e ele continuou. — A garota do retrato era amiga da irmã mais velha da sua avó.
Arfei.
- Mas por que vovó me esconderia isso?
- Sua avó é muito cética. — ele continuou. — Pelo que eu sei, é uma história muito antiga; sua avó ainda nem tinha nascido. O nome dela era Annie. Vê aquela escola trancada ali? — ele apontou para o prédio cinzento mais à frente. — Ela estudava ali há muitos anos atrás.
- E o que aconteceu? — quis saber. — Como ela morreu?
Ele suspirou mais uma vez.
- Bem...tudo o que sei é que ela foi pega numa "brincadeira" — ele pronunciou a palavra de forma hostil. — E morreu.
- E aí ela virou um fantasma que as pessoas acreditam que assombra a cidade. — adivinhei.
- Foi essa história que afastou muita gente daqui. — disse.
- E ninguém pode lidar com isso? — sibilei. — Sei lá...como tudo começou?
- Foi pouco tempo depois da morte dela — contou. — E as vítimas na maioria das vezes eram namorados. Todos com mortes horríveis.
- E...como era essa tal de Annie? — falei, embora com medo de citar o nome da Vingativa. Talvez Rebecca e a mãe estivessem certas em nos querer fora dali. A vila delas fora destruída por causa de um fantasma.
- Por que? — perguntou.
- Bem...eu meio que vi um fantasma. — engoli em seco. — E ela tinha...cabelos castanhos. — observando a reação dele, surtei. — Por favor, diga que não sou louca!
- Não, não é ela. — afirmou. — E o que ela queria?
- Ajuda.
- Meu Deus. — murmurou ele. — Tem outros fantasmas.
Eu suspirei.
- E agora? O que faremos?
- Hey! O que os dois estão fazendo?
Nos afastamos de imediato quando Sara pulou na nossa frente. Nem havia notado o quão perto estava de John.
- Vamos jogar o tabuleiro Ouija. — disse ela, animada.
- Esse jogo é mentira. — falei.
- Você quer pagar pra ver? — John me puxou na direção da festa; misterioso.
Todos estavam ao redor de uma mesa, onde o jogo estava posicionado, e todos pareciam ansiosos.
- O que estava fazendo com ele? — Steve me perguntou quando sentei entre ele e uma garota loira de cabelos cacheados.
- Conversando. — respondi.
- Vamos nessa! — a garota loira ao meu lado começou. — Vocês conhecem as regras. Vamos ver se alguns espíritos se manifestam.
Alguns deram risinhos, e posicionamos o dedo no copo. Dei uma olhada para John, e senti um calafrio em seguida. Fechamos os olhos afim de esperar qualquer reação.
Nada.
- Tem alguém aí? — a garota ao meu lado perguntou. O copo não se mexeu. — Se está aí, espírito, mexa o copo!
Depois de alguns segundos, nada aconteceu. Houve alguns suspiros e risadinhas.
- Isso é roubada! — um garoto reclamou.
- Shh! — outro alguém fez. — Acho que escutei alguma coisa...
- Esse jogo é uma fraude. Nós só nos manifestamos quando queremos. Acha mesmo que os vivos podem mandar em nós?
Eu me arrepiei por inteira. A voz estava nas minhas costas. Me virei devagar, sem que ninguém notasse.
Atrás de mim, estava a garota que vira mais cedo no espelho.
Ela sorriu, me cumprimentando.
Me controlei pra não gritar. Os outros não a viam — caso contrário, estariam surtando também.
- Quem é você? — falei por entre dentes trincados, para não dar bandeira. Minha vontade era de sair correndo dali.
- Já disse. Quero sua ajuda.
- Vo-você...é um...
- Fantasma? — ela riu. — Nunca viu um, não é? Sorte sua que não é a Vingativa; já estaria morta.
- Ela está aqui também? — eu disse. Minha sorte era que todos estavam conversando, e eu não parecia estar falando sozinha.
- Só você pode me ajudar — contestou ela. — Nossos espíritos estão presos na cidade. Se a derrotarmos, estaremos livres.
- E por que eu? — falei um pouco alto demais, e a garota desapareceu de uma só vez. Suspirei. Eu devia ter imaginado aquilo.
- Você tem que ir embora. Ela está aqui! — a garota voltou de repente, e dei um pulo.
- Valerie? — Steve me olhou. — Tudo bem?
- Hmm. — murmurei, inquieta. Ele riu.
- Você tá com medo?
- Há! — a garota ao meu lado gritou. — Eu senti alguma coisa!
Olhei para os lados em torpor, e nada da garota-fantasma. Talvez ela estivesse certa.
- Senti um arrepio... — gemeu Claire.
- Eu também. — disse Sara.
Meu olhar encontrou o de John. Será que ele a tinha visto também?
Eu também comecei a sentir um arrepio. Notei também que uma estranha névoa começava a tomar conta do lugar.
- Pessoal... — gemi, apontando.
- É ela — disse a garota ao meu lado. — A Vingativa.
John e eu trocamos olhares de novo.
- Manifeste-se! — ordenou a garota, com o dedo no copo. — Se quer nos fazer mal, mexa o copo para a direita. Se não quer, mexa para a esquerda.
Esperamos ansiosos pela resposta. O espírito reagiria?
Por fim, movido por uma força invisível, observamos a garota arquejar.
- Não consigo tirar minha mão! — gritou.
Vimos então o copo se mexer sozinho para a direita.
Gritamos e saímos correndo. A garota continuou lá. Pouco tempo depois, olhei para trás. Ela tinha levantado e corrido, mas o copo foi violentamente jogado na direção dela, se quebrando em vários pedaços. Um deles cortou-lhe a garganta, e ela caiu morta.
- Temos que voltar! — avisei.
- Não dá! — John me empurrou pela frente, e saímos do parque.
Tudo ficou silencioso enquanto ofegávamos.
- Ok. Isso foi muito sinistro! — Claire falou.
- Aquela coisa...matou a garota? — Steve disse.
- Não vamos comentar com ninguém. — John disse como resposta. — Acreditem; será pior.
- Será pior se escondermos! — falei. — Temos que ir atrás disso! O que esse espírito quer?
Não houve resposta.
Aquilo não foi um truque.
De volta à casa da fazenda, não demos nenhum palpite sequer. Além do mais, todos estavam dormindo.
- Por que está tão tensa? — Rebecca me deu o maior susto aparecendo no meio do corredor segurando uma vela.
- Por que você gosta de me assustar? — mudei de assunto, tentando me acalmar.
Ela deu um sorriso enigmático e sumiu.
No meu quarto, notei que havia uma figura lá embaixo. De onde tinha surgido?
Parecia estar nos observando...
Do nada, ela desapareceu.
Notas finais
ate o prox cap!
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