O Mistério De Scarabas
5 O Passado de Scarabas
Notas iniciais
aqui está o capitulo!
Teremos explicações de como tudo começou..¬¬
Boa leitura.
Todos haviam levantado mais cedo na manhã seguinte — aliás, fui eu quem dormira demais. Minha cabeça doía devido à ressaca, e tomei uma ducha pra relaxar. Passara toda a noite tendo pesadelos horríveis com a morte da garota e o acontecimento sobrenatural.
Tinha mesmo algo acontecendo ali.
- Mais uma morte sobrenatural sem explicação... — Rebecca murmurou enquanto passava por ela. — Não deviam tê-la provocado...
- Eu não entendo... — vovô Hector parecia indignado. — Quem teria motivos para fazer algo assim?
Silêncio.
- Você sabe como são os jovens de hoje. — vovó disse rápido demais.
- Aqui é uma cidade-fantasma! — Sara afirmou convictamente. — Nada explica o que vimos ontem!
- Sara! — Steve a repreendeu.
- É verdade! — ela insistiu. — Não é mesmo, Valerie?
Fui pega de surpresa.
- Ah...sei lá. Bem...se foi um truque, foi muito bem feito.
Mas eu não tinha tanta certeza assim. Não me passava pela cabeça a ideia de que eu tinha visto um fantasma.
- Eu...estou com um mal pressentimento — murmurou Lauren.
- Foi só um acidente. — tentei tranquilizá-la.
- Ei, Valerie! — Steve me chamou. — Você...esteve no meu quarto ontem à noite?
- Não. — disse naturalmente. — Por quê?
Ele fez muxoxo, pensando.
- O que aconteceu, Steve? — eu perguntei mais séria.
Ele pareceu desentendido também.
- Você esteve no meu quarto...não? — disse, desconfortável.
Dei uma risada.
- Nunca estive no seu quarto. — garanti.
Ele engoliu em seco.
- Não entendo...talvez você tenha levantado e errado de quarto. — palpitou de repente, e desatei a rir outra vez.
- Totalmente sem chance — reforcei a ideia. — E nem venha me dizer que eu estava bêbada. Por que acha isso, afinal?
- Foi muito real, Valerie — afirmou ele.
- E por que seria justamente eu, e não Sara?
- Sei lá — ele respondeu rápido, gaguejando.
Estranhei. Na noite anterior, vira um certo alguém vigiar a fazenda...seria algum assaltante?
- Qual foi a desse cara? — John perguntou.
- Steve teve uma noite ruim. — omiti os fatos. — Essa tal aparição tá fazendo todo mundo ter pesadelos.
- Talvez não seja tão simples quanto pensamos — ele disse.
- Por quê?
- Porque essa coisa está por aí, Valerie. Existe um fantasma.
Engoli em seco. Iríamos ter mesmo que enfrentar aquilo para que deixasse todos em paz?
Um lampejo me veio de repente, e estremeci, me lembrando da fantasma no espelho.
- Prometa que não vai me achar uma louca. — disse-lhe.
- O quê?
- Na festa da fogueira, havia um...fantasma. — contei, olhando-o nos olhos fixamente. — A mesma fantasma que vi no espelho. Ela quer a nossa ajuda.
Ele olhou pela janela, pensativo.
- Então as lendas são mesmo verdade...a Vingativa existe mesmo.
- Ela me disse que ela não vai parar até se vingar. — eu continuei.
- E como ela era?
- Por quê?
- Vem comigo.
John me puxou pelas escadas até seu quarto. Remexendo em uma gaveta, ele pegou um livro antigo e surrado, com páginas amarelas e fotos em preto e branco.
- É essa? — ele me mostrou o desenho do rosto da garota que eu conhecia.
- Sim! — confirmei.
- Ela apareceu pra mim. — contou, guardando a caricatura. — Eu desenhei e guardei pra ter certeza. Sabia que ela apareceria de novo.
- E como vamos fazer? — perguntei.
Ele ponderou um pouco.
- Vamos esperar que ela faça contato. Aí saberemos o que fazer.
- Valerie?
Demos um pulo ao ver vovó parada no corredor. Ela sorriu ao ver John e eu juntos.
- Vou sair com seu avô. Ficarão sozinhos com Nancy e as filhas.
John e eu nos entreolhamos. Era a nossa deixa.
- Vou averiguar mais. — disse John, saindo do quarto pouco tempo depois de vovó.
Mas vovó talvez não tivesse noção do que estava acontecendo.
Quem seriam os próximos? Seria uma maldição? Se existia mesmo um fantasma, alguém tinha que pará-lo. Tudo parecia tão confuso — como se Scarabas transmitisse uma espécie de limbo onde, de uma hora pra outra, tudo mudava de figura.
- Pensando no que fazer?
A voz veio de lugar nenhum. Eu ficara sozinha no quarto. De súbito, o lado da cama onde estava sentada afundou. Pela luz do sol, pude ver a silhueta de um certo alguém se desenhar no ar quase que magicamente.
A menina do espelho estava de volta.
- Por que só aparece pra mim? — perguntei.
- Porque acredita em mim. — respondeu. — Acho que ainda não nos conhecemos direito, Valerie.
Ergui as sobrancelhas, e ela sorriu.
- Sou Natasha, a irmã mais velha da sua avó.
Arquejei. De fato, possuíamos certos traços em comum.
- Não chegamos a nos conhecer. Eu morri antes de Beth nascer. — contou, tristemente.
- Como?
Ela olhou pela janela.
- Quer ouvir a história de Scarabas?
- Tenho todo o tempo do mundo.
Ela deu um leve sorriso.
- Eu tinha 17 anos quando tudo aconteceu. Na época, eu não imaginava que minhas atitudes fariam com que eu me arrependesse pra sempre.
" Scarabas era uma cidade cheia de vida e alegria. Eu morava na fazenda com meus pais, mas passava o dia com meus amigos. Na escola, eu era o que vocês chamam hoje de garota popular; e era apaixonada por um garoto chamado Drew. Tudo ia bem, até que, assim que decidi me declarar, uma nova família se mudou pra cá, e ela apareceu."
- Você quer dizer... — murmurei.
- Sim, a Vingativa. — ela disse. — Seu nome era Annie.
- A garota do retrato. — estremeci ao lembrar da expressão triste dela. — Mas...por que o retrato dela está lá?
Natasha engoliu em seco.
- Eu coloquei quando ainda era viva, para homenageá-la depois da sua morte. Na mesma noite, ela me matou.
- Como assim?! Ela matou você?!
Ela suspirou.
- Eu...não era uma boa pessoa quando era viva, Valerie. — explicou ela. — Talvez eu mereça mesmo estar presa aqui.
- Por quê? O que você fez? — instiguei, pensando que assim, conseguiria o que queria.
- Eu era uma garota mimada — começou. — Minha família tinha posses, e eu usava isso pra...humilhar os outros.
- E foi o que você fez com Annie? — perguntei.
- Bem pior — respondeu. — Eu a magoei.
" Como ela era nova na cidade, decidi ajudá-la. Logo nos tornamos amigas. Annie então começou a ser alvo de piada dos outros. Eu a defendia, embora não adiantasse muito. Comecei a me preocupar quando ela se calava diante das provocações. Ela não parecia ser o tipo de pessoa fria e calculista. Mas ela se revelou ser muito mais do que isso."
Esperei ansiosa.
- Fui atrás dela para conversarmos. — Natasha continuou, nostálgica. — Em uma festa no antigo parque de diversões, encontrei-a. Ela me contou que havia se mudado porque não conseguia fazer amigos e era muito solitária. Disse que todos que tinham zombado dela iriam se arrepender além da vida. E ela levou isso ao pé da letra.
- Quer dizer que ela prendeu vocês aqui? — sibilei.
- Isso foi minha culpa. — falou. — Ela não teria feito isso se eu não tivesse sido tão egoísta. Se lembra de Drew, o namorado que lhe falei?
Acenei com a cabeça.
- Eu o roubei dela. Não aceitei a ideia de que ele a amasse ao invés de mim. — ela continuou quando não falei nada. — Uma forasteira sem graça! — ela imitou perfeitamente o tom indignado. — Então, bolei um plano para que ela se afastasse. À princípio, algo inofensivo; mas que tomou um rumo trágico.
" Annie era extremamente tímida. Me aproveitando disso, eu a provocava como podia. Àquela altura, nossa amizade já estava acabada. Ela sempre me olhava com um rancor profundo, e eu tinha medo daquele olhar. Naquele momento, eu temi que ela realmente cumprisse a promessa. Se era assim que seria, todos pagariam pelo sofrimento dela."
- E foi aí que ela morreu? — eu disse.
- Sim. — lamentou Natasha. — Eu quis mudar de ideia, mas já era tarde.
" Havia combinado com uns amigos de darmos um susto nela na escola. Era fim de semana; ninguém estaria lá. Na hora marcada, me assustei ao perceber que Drew também participaria. Foi naquele momento que percebi o canalha que ele era, e que Annie e eu éramos duas idiotas por gostarmos dele. Enquanto isso, Annie já havia sido atraída com um bilhete falso de Drew. Nos escondemos nos fundos, onde haviam alguns entulhos para a construção da piscina. Annie apareceu e foi surpreendida com zombarias. Chocada, pedi que parassem, mas fui ignorada. Annie me olhou com um ódio profundo. Ela não entenderia, e não houve tempo para explicações. Ela apenas permaneceu calada. Foi então que me lembrei do que ela disse: se ela não foi feliz, ninguém naquela cidade seria.
Foram as suas últimas palavras.
Para silenciá-la, jogaram-na na piscina. Eu observei tudo, sem condições de fazer nada. Annie lutou pra respirar, mas se afogou mesmo assim. Fiquei estarrecida com aquela situação — havia fugido do controle. Annie morreu por acidente! Mas ela não compreendeu daquela maneira."
Me arrepiei por inteira.
- Ela foi atrás de você, então?
- A piscina estava em construção, e o corpo dela foi soterrado — contou. — A família a procurou, mas foi dada como desaparecida, e depois...morta. Quando eles foram embora, senti um peso terrível nas costas. Na fazenda, tomada pelo remorso, peguei o único retrato dela e coloquei na parede. Então, escutei barulhos estranhos. Choraminguei, caminhando pelo corredor, até que vi a porta da frente bater com força. Amedrontada e sozinha, eu a abri, mas não havia ninguém. Quando me virei, vi um rastro molhado no chão. Alguma coisa havia entrado. Caminhei devagar, até que fui puxada e arrastada por uma força invisível com violência até meu quarto, e notei que era o espírito perturbado de Annie, e implorei para que ela parasse. Ela havia matado todos os outros. Enchendo a banheira, ela me matou afogada também."
Parei, em choque.
- Então, tudo se resume a isso? Por isso ela mata casais? Porque ela não foi feliz no amor?
- E você precisa ter cuidado — alertou. — Ela sabe que está aqui e que é minha descendente. Pode querer fazer algum mal.
- E ela fica livre pra desfilar por aí?
Natasha fechou os olhos.
- Tem que ir embora, Valerie.
- Não! — disse. — Você tem que seguir em frente. Deve haver alguma maneira. A cidade não pode ficar assim.
- Você não entende? — sibilou. — Eu mereço isso. Minha vida foi horrível; fui cruel com Annie.
- Sabe, eu nunca acreditei nessa coisa de...espiritismo. — falei, olhando para a imagem de Natasha, que não refletia. — Mas desde que minha mãe morreu...eu não sei. Às vezes, sinto que ela está perto de mim, e que quer me dizer alguma coisa.
Natasha pensou um pouco.
- Depois de algum tempo que morri, sua avó nasceu. Eu acompanhei tudo de perto, e queria que sentissem a minha presença. Mas era melhor que não me vissem. Eu poderia protegê-los, e estava feliz com isso. Sua mãe deve se sentir assim também. — ela sorriu pra mim. — Ela está perto de você, acredite.
Minha reflexão nostálgica foi interrompida por gritos histéricos de Sara.
Natasha desapareceu, e fiquei sem saber o que fazer.
- Valerie!
Desci as escadas.
- Mas o que...
Sara estava pálida. Parecia ter tomado um grande susto. Ela apertava a mão de Steve com força.
- Dá pra ouvir você lá do pomar... — Claire reclamou.
- Uma coisa...uma coisa...agarrou o meu pé! — contou Sara aos sussurros, enquanto Lauren lhe dava um copo d´água. — Steve e eu estávamos no riacho conversando...e do nada senti algo me pegar! Parecia que queria me puxar pra dentro da água!
- E você viu o que foi? — quis saber.
- Não deu. — Steve respondeu por ela, menos abalado. — Ela gritou e pulou pra se livrar daquilo. — e riu, se lembrando.
Sara se virou pra ele, furiosa; e tremendo com o copo na mão.
- Não acho graça nenhuma!
- Espera aí — eu pensei, ligando os pontos. — Você ao menos pôde sentir o que foi? — perguntei.
Sara pensou, e levantou o olhar, quase pálida novamente.
- Acho que foi uma...mão!
Silêncio.
Rebecca me dirigiu o olhar, quase como se dissesse com os olhos: está pensando o mesmo que eu?
- Não, Valerie. — Claire falou. — Nem venha com essa história desse tal fantasma...isso é impossível!
Então eu me lembrei. Sara e Steve. Namorados. Vingativa.
- Meu Deus. — murmurei.
- Quero ir embora. — pediu Sara. — Não gosto desse lugar!
- Vocês têm que ficar alertas. — avisei, séria. — Steve, você disse que viu...uma miragem...no seu quarto? — eu me lembrei.
- Eu vi você no meu quarto, Valerie — ele disse.
- O quê?! — Sara olhou de mim para ele. — Que história é essa?!
- Não era eu quem estava lá — tratei de arrumar as coisas.
- Então que era?
- A Vingativa. — foi Rebecca quem falou, sorrindo maliciosamente.
- Você é louca! — Sara a repreendeu.
- Tem mesmo algo estranho acontecendo. — falei. — Não podemos simplesmente dar as costas. Tudo o que vem acontecendo não pode ser somente fruto do acaso.
- E o que você sugere, então?
Eu ia responder, mas as luzes começaram a piscar.
- Depressa! — sussurrei. — Peguem lanternas!
Nos espalhamos, enquanto o fenômeno continuava. Ouviu-se uma risada seca em algum lugar. Trêmula, eu apontava para qualquer coisa que se movia.
Quando nos juntamos novamente, os vidros da janela começaram a trincar.
- Corram! — gritei.
Notas finais
prox cap tera muuuuito susto! preparem o coração! ~le eu fazendo risada má~
até lá..
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