O Mistério De Scarabas
6 Sinais do Além
Notas iniciais
Em algumas partes, me inspirei em "A Mulher de Preto".
Espero que gostem, e boa leitura (:
Nos dispersamos, desesperados. Natasha não havia aparecido pra mim novamente, o que interpretei como um mal sinal. Será que Annie — a Vingativa — voltaria para assombrar os parentes de sua algoz?
De repente, escutamos um grito.
Correndo naquela direção, nos deparamos com Sara olhando perplexamente para a parede no corredor, onde uma mensagem estava grotescamente escrita; como se alguém tivesse arranhado a parede.
DEVIAM TER IDO EMBORA
- O que isso significa? — Claire perguntou.
- Significa que, o que quer que seja, não nos quer aqui. — respondi.
- Vamos embora! — Sara disse, pegando o celular.
- Shh! — Steve segurou a mão dela. — Ouviram isso?
Paramos, escutando. Lauren e Rebecca foram até a janela.
Foi quando senti algo agarrar meu tornozelo com força e me empurrar violentamente para o chão, onde caí de boca.
- Valerie! — Lauren gritou, desesperada.
- Não, Lauren! — Rebecca tentou impedi-la de correr até mim, mas não conseguiu. Lauren então foi agarrada pelo pescoço e sufocada por algo invisível.
- Solte minha irmã! — ordenou Rebecca.
Como enfrentar uma coisa que não se pode ver?
Lauren caiu, procurando ar. Tudo ficou quieto. Rebecca começou a reclamar:
- Eu falei para irem embora! Duvidaram de mim...agora estamos aqui, à mercê da Vingativa! — e me olhou com raiva. — Ela quer pegar você. Ela sabe que você é parente...
- Então se já sabia, por que não fez alguma coisa, hã? — eu a cortei. — Será que a Vingativa não é apenas um truque pra nos tirar daqui?
- Não brinque com ela — sua voz soou dura. — Será que não entendeu o que acabou de acontecer aqui?!
- Se não perceberam, temos um fantasma pra mandar para o inferno! — Sara nos repreendeu.
- Não será tão simples assim — foi Lauren quem disse, com um ar triste. — Muitos já tentaram...mas não conseguiram.
- Mas nós vamos. — disse, convicta e otimista.
Um trovão irrompeu altíssimo, abalando as estruturas da casa e nos assustando. Pelas luzes do relâmpago, meu sangue gelou ao ver a figura de alguém no corredor. Era uma garota alta, em um vestido cinza-escuro muito sujo e rasgado, com algumas manchas de sangue. Seu cabelo preto caía sobre seus braços, contrastando com sua pele branca. Não se podia ver seu rosto muito bem, mas ela perecia expressar raiva.
Natasha...onde você está!, pensei.
- Corram pra fora! — gritei.
A casa havia ficado escura de repente, e aquilo nos dava arrepios. A Vingativa parecia ter o controle de tudo. Mas como ela poderia fazer isso?
Fora da casa da fazenda, tudo só piorou. Uma grande névoa havia tomado conta das árvores que rondavam a entrada. Claire apertou minha mão com força, e engoli em seco.
- Socorro! — ela gritou de repente, e logo entendi o porquê.
Uma mão agarrava e puxava seu pé. O mais estranho, era que ela havia brotado do chão; do nada.
Era a mão de uma pessoa morta.
- Puxe com força! — orientou Steve, que começou a esmurrar com o pé a mão que agarrava Claire. Grunhindo e xingando, libertamos Claire e a mão sumiu.
Enquanto isso, a névoa havia tomado conta de tudo, como se fosse nos engolir.
- Mas que porra é essa?! — vociferou Steve.
- Isso não é normal... — murmurei, atenta. Lembrei-me da névoa no parque de diversões quando jogamos o tabuleiro Ouija. Na mesma noite, algo horrível aconteceu.
Seríamos os próximos?
As lanternas tremiam nas nossas mãos. Começamos a atravessar o bosque, quando Lauren parou.
- Não podemos continuar. — disse ela.
- Por que não? — Claire quis saber.
- Ela tem razão — Rebecca concordou com a irmã. — O rio está alto a essa hora. Talvez esteja tudo alagado.
- Está dizendo que estamos presos aqui? — Sara falou.
- Mas e vovó e vovô? Como voltarão? — eu disse.
Fez-se um silêncio desesperador. Meu coração batia muito rápido.
Até que Steve levantou a lanterna.
- Temos visita. — disse.
Seguindo seu olhar, nos deparamos com inúmeras pessoas paradas, nos observando. Todas elas tinham expressões carrancudas no rosto. Olhando melhor, notei que muitos deles estavam sujos de sangue; e percebi, em horror, que lá estava a garota que morreu no dia do tabuleiro Ouija.
Eles avançaram um passo.
- Essas pessoas estão...mortas? — Claire sussurrou.
- Para trás. — eu disse.
Quando nos viramos, outros deles haviam tomado de conta da entrada. Engolimos em seco.
- Estamos cercados! — disse Steve.
- Rápido! — eu disse. — Ignorem eles e corram!
Atravessamos as árvores às cegas. A entrada da fazenda estava tomada por uma névoa espessa. Se aquilo era pra nos amedrontar, não dei ouvidos.
- Valerie! — escutei me chamarem quando já estava dentro da névoa. — Volta!
- Não dá! — respondi, olhando para os lados, já perdida. — Vão nos pegar! Não parem!
Não esperei por eles, e continuei a correr. O silêncio perturbador me agoniava. Aos poucos, senti o chão sob meus pés mudar, e ficar mais mole e pastoso. Percebi então que estava em um pântano.
Do nada, a lama começou a se mexer, e de lá surgiu uma mão que me agarrou. Gritei e bati com a lanterna para que me soltasse.
- Me deixa em paz! — ordenei.
- Valerie! — escutei uma voz longe me chamar, e decidi voltar pra fazenda. Se continuasse por ali, provavelmente seria pior. Havia me perdido dos outros, e estávamos dispersos.
Trôpega, voltei para onde meu senso de direção me dizia. Comecei a escutar uns barulhos estranhos.
Escutei uma garota gritar; e em seguida, cascos de cavalo. Houve uma gritaria e choradeira. Depois, o barulho ficou mais forte, e fui naquela direção.
- Tem alguém aí? — disse.
De repente, alguém tocou minhas costas e soltei um grito.
Era John.
Meu coração quase parou.
- O que está fazendo aqui? — ele quis saber.
...[...]...
Vovó e vovô haviam voltado. Disseram que aquela névoa era normal por ali em época de chuva. Mas nós sabíamos que não. O mais estranho, era que tudo voltou ao normal depois que eles chegaram. A névoa logo se dispersou, e as pessoas mortas que antes estavam ali, tinham desaparecido. A casa voltara como antes. Não havia mais rastro molhado no chão, nem nada escrito na parede ou vidros trincados. Tampouco, as luzes voltaram a piscar.
- Fantasma esperto... — murmurou Claire, desconfiada.
E ela estava certa. Não haviam vestígios de fantasma por ali. Nenhuma prova. Seríamos rotulados de loucos.
- Ainda não entendo o que estavam fazendo ali, crianças. — vovó disse.
- É o que estou dizendo! — Sara vociferou, alterada. — Tem uma assombração nesse lugar! Nós quase morremos hoje!
- E não foi nossa imaginação. — Claire acrescentou antes de mais nada.
- Eu...eu quero ir embora! — Sara discou no celular.
Vovó olhou de mim para Rebecca e Lauren.
- Isso é verdade?
- Vovó — eu disse com calma. — Nós não fizemos nada. Aquela...coisa...é que veio atrás de nós.
- Eu vi tudo! — constatou Rebecca. — Era a Vingativa! Tenho certeza.
Vovó tinha uma expressão preocupada — ela sabia o que estava acontecendo, mas não queria acreditar. Discretamente, ela e Nancy foram até a a cozinha, onde as segui.
- Eu disse que visitantes trariam mau agouro e causariam isso! — Nancy reclamou.
- Pare com isso. — vovó disse baixinho. — Não é culpa da minha neta. Essa história é bobagem! Isso não existe!
- Beth, você sabe muito bem porque isso está acontecendo. — Nancy disse séria. E olhou pelos lados e falou baixinho. — O espírito da sua irmã. Ela está aqui. E a Vingativa quer se vingar! Você conhece muito bem a história...
- Não temos culpa do que minha irmã fez! — vovó revidou. — E é melhor que Hector não saiba de nada. Ele iria mobilizar a cidade inteira!
- Pois trate de resolver isso logo. — Nancy decretou. — O que esses meninos disseram aconteceu mesmo, Beth. Eles não iriam inventar.
- Darei um jeito.
Houve uma batida na porta, que fez com que eu saísse do lugar. Lá fora, a chuva caía bem forte. Vovô Hector havia saído. Até a chuva parecia ser algo de outro mundo: o vento parecia querer arrancar as árvores como se estivesse com raiva, e o tempo e as nuvens pareciam ter vida própria.
Um vozerio na porta chamou nossa atenção. Vento frio e pingos de chuva entraram pela porta aberta, onde vovó e Nancy recebiam uma pessoa. Estávamos todos em um canto, tentando acalmar nosso medo enrolados em mantas quentes.
- Entre, entre! — vovó convidou, alegre.
Vi uma senhora entrar na sala e se deparar conosco. Era ainda uma mulher que aparentava ser forte ainda, apesar da idade. Colocando suas coisas num canto, ela tirou um manto que a cobria da chuva. Tinha cabelos grisalhos e curtos, e olhos bem atentos e misteriosos.
Ela sorriu pra mim.
- Oh, Beth, não sabia que seus netos estavam visitando você.
- Sim, Cândida — vovó sentou com ela no sofá. — Minha neta Valerie e os amigos dela vieram passar as férias aqui. — ela nos apresentou. — Mas o que foi que houve por lá?
Cândida se entristeceu.
- Está tudo alagado. Peguei o que pude pra vir pra cá.
Nos entreolhamos. A chuva havia piorado!
- Mas é claro que pode ficar aqui. — vovó concordou sem pestanejar. — Que perigo! Soube que o filho de Martha foi levado pela enchente...
Engoli em seco. Uma "enchente" fantasmagórica, com certeza.
O toque do meu celular me tirou de meus devaneios.
- Com licença. — falei. — Lila? — atendi.
- Valerie, estou indo pra aí. — ela disse, e parecia estar ao volante.
- Não! — disse de imediato. A chuva estava perigosa. Lila correria riscos. — Lila, está chovendo muito aqui. Você pode...
- Não importa, darei um jeito. — ela disse. — Você não pode ficar aí sem mim. Sinto isso.
Mal pude contestar antes que ela desligasse.
- O que foi? — Steve havia saído de fininho da conversa.
- Lila — suspirei. — Ela está vindo pra cá.
- Mas a chuva pode pegá-la — ele disse. — E tem essa enchente! É perigoso.
- Não sei o que fazer. — desabafei. — Sinto que tudo isso vai só piorar.
Notas finais
Alguém aí ficou com medo? ¬¬ hihi
prox cap, mais revelaçoes!
até la
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