Notas iniciais
Leiam as notas finais,ok? Boa leitura!

A noite caíra por completo, o que só fez tudo piorar. As árvores pelo caminho pareciam que iriam nos engolir. No céu, nuvens cinzas e gordas trovejavam como se estivessem com raiva. Por um momento, imaginei ter visto um rosto se formar e nos encarar...

- É mesmo perto assim? — perguntei, olhando pelo mapa. Estávamos no caminho certo. Por que estaríamos dando voltas, então?

- Não entendo. — queixou-se John. — Acha que a Vingativa está fazendo isso?

- Não — respondi, olhando ao redor. O ambiente estava muito estranho. — É mais fácil que ela mexa com o lugar. Olhem.

E era verdade. Na escuridão, não se percebia muito bem. Mas, com os olhos atentos, era possível notar que algumas coisas mudaram de lugar.

- Tá legal... — Claire murmurou, um tanto aflita. — Isso não tá acontecendo...não estamos perdidos no meio do nada...

- Acho que estamos, Claire — falei, distraída. Foi quando percebi algo se mover pela caminhonete, e arregalei os olhos. — Acelera, John! Pisa fundo!

- Hã? — ele não entendeu, se atrapalhando com o volante.

Tarde demais.

A caminhonete chacoalhou com um solavanco violento, e gritamos. John acelerou, mas o motor apenas roncou como resposta, e não arrancou com a velocidade.

- Tá preso em alguma coisa! — disse ele.

Claire olhou para trás.

- Galera...é uma coisa enroscada no pneu!

Sem demora, saí da caminhonete. De fato, uma enorme raiz estava enrolada no pneu, fazendo com que a caminhonete pendesse e e atolasse. Olhei ao redor. Eu sabia que ela estava lá, embora não a visse.

- Vamos a pé. — decretei. — A Vingativa que se ferre! — falei alto para que ela escutasse.

Dando as costas para a caminhonete, escutei o motor roncar outra vez. Mal pude me virar antes de John gritar:

- Valerie...cuidado!

A caminhonete avançou pra me pegar. Com um impulso brusco, me joguei desajeitadamente para o lado. A caminhonete parou sozinha. Não havia ninguém dentro do carro.

A Vingativa teria respondido à minha provocação?

- Foi ela! — disse enquanto John e Claire me ajudaram a levantar. Através dos faróis acesos, vi a silhueta débil e sinistra da fantasma rancorosa de Annie.

Desviei os olhos quando uma buzina soou perto de nós. Em outra caminhonete, Steve e Sara desceram, e a Vingativa sumiu.

- Viemos ajudar. — Sara cruzou os braços.

- A Vingativa está aqui! — Claire contou, já amedrontada. — Ela quer nos pegar!

- Não podemos demonstrar medo. — Steve falou.

- Vamos andando — John olhou o mapa. — O cemitério está perto.

Observei Steve franzir o cenho enquanto John pegava minha mão. Seria mesmo verdade o que Claire falara? Steve realmente gostava de mim? A Vingativa sabia disso e por isso fizera aquelas ilusões?

O ambiente frio se acentuou. Um cemitério abandonado e cheio de névoa estava por entre cabanas repletas de galhos e plantas que se aglomeravam pelos seus escombros.

- É em uma dessas! — gritei. — Lila está em uma dessas cabanas!

- Lugarzinho legal pra se esconder... — zombou Sara.

- Shh. — fiz sinal de silêncio para escutar melhor. Qualquer barulho estranho, e eu saberia que era Lila. Os túmulos me intimidavam, é claro. — John. — sussurrei. — Isso era um vilarejo?

- Sim — respondeu ele. — Os corpos dos moradores foram enterrados aqui mesmo.

- Então, não devemos nos espantar se, por acaso, zumbis começarem a levantar e querer nos comer? — Sara ironizou outra vez.

- Escutei alguma coisa. — Steve disse.

- Eu também. — Claire concordou.

Virando as lanternas naquela direção, não consegui enxergar nada que se mexesse por ali ou algum barulho.

- Tem certeza? — eu me aproximei, embora tremesse um pouco de medo.

- Cuidado, Valerie. — John me advertiu.

Engoli em seco.

- Olá...? — murmurei.

A Vingativa estava por ali. Um susto àquela hora com certeza faria meu coração sair pela boca.

Encostei-me para iluminar o local. De súbito, uma mão agarrou meu pulso com firmeza. Eu gritei; alto e estridente. Logo caí no chão, puxando-o comigo. Logo vieram me ajudar, mas virei a lanterna para iluminar o rosto. Observei melhor.

Era Lila, descabelada e amedrontada.

- Lila! — eu a abracei meio desajeitada.

- Eu vi aquele espírito maligno, Valerie — ela disse, eufórica e ofegante. — Aquela...fantasma tentou me prender aqui!

- Eu sei. — falei. — Mas temos que ir.

Enquanto voltávamos, não pude deixar de processar as ideias na minha cabeça. Por que a Vingativa havia deixado Lila ilesa? Por que não preparou nenhum susto ou algo do tipo? Se ela queria tanto se vingar de Natasha e de minha mãe em mim, por que estava deixando a sorte escapar pelos dedos?

Talvez, ela era uma fantasma mais esperta do que eu imaginava.

...[...]...

De volta à fazenda, Lila soube de tudo. De Natasha, do que descobri sobre minha mãe e de toda a lenda que cercava Scarabas. Ela havia dito que encontrara o caminho mexendo nas coisas da minha mãe; antigos papéis secretos que ela escondia de vovó. Como era de se esperar, ela queria que eu saísse dali o quanto antes. Não queria que Lila soubesse de John ou da teoria de Claire sobre Steve.

Além disso, lhe expliquei sobre o que já tínhamos passado até ali. Então, juntos, tivemos uma ideia: encontrar o corpo de Annie e juntá-lo com o de Drew; seu grande amor, para que, assim, ela deixasse sua vingança. Mas somente Natasha poderia me dizer onde os corpos poderiam estar. A única certeza que tínhamos era de que o de Annie estava na escola. Por isso, tínhamos que ir até lá. Nisso, Natasha decidiu ajudar. Ela não se lembrava onde estava o seu corpo, mas daria um jeito.

Mais tarde naquele dia, Sara, Steve, Claire, John e eu fomos à antiga escola de Scarabas. O prédio estava abandonado há anos, e caindo aos pedaços. Uma aura estranha tomava conta do lugar. Preparamos lanternas e a maior coragem que podíamos.

- Tem certeza de que é seguro entrarmos aí? — perguntou Claire.

- É, essa escola é do tempo dos nossos avós. — observou John.

Imaginei Natasha estudando e andando por ali. O lugar cheio de vida e alegria, antes de tudo virar um pesadelo.

- O que a sua tia-trisavó fantasma disse à você, Valerie? — Sara quis saber.

Suspirei. Natasha não pareceu convicta da ideia de procurar os corpos, mas não queria desanimar agora que tinha chegado tão longe.

- Vamos em frente. — sorridente, dei um passo à frente para mexer no cadeado. Enferrujado, ele caiu. O antigo portão rangeu ao abrir. Logo vi o pátio com a grama velha e sem vida, e a fachada nostálgica da escola. Subimos as largas escadarias já repletas de plantas enraizadas nos contornos da entrada, além de teias de aranha.

- Que lugar sinistro... — murmurou Steve.

Forcei o cadeado da primeira porta, mas não abriu. Estranhei.

- Por aqui! — Claire abriu uma porta lateral num estrondo. Nos deparamos com o que parecia ser um refeitório. Mesas sujas e coisas estragadas estavam espalhadas. O único som era o de nossos passos ecoando.

- Eca! — Sara disse. — Esse lugar tá precisando de uma faxina urgente!

- Parece que aqui não tem nada. — John falou.

Claire iluminava fotos bem antigas emolduradas na parede da saída do refeitório de jovens em poses ultrapassadas em roupas do século XIX. Saindo de lá, fomos em direção às salas por um estreito corredor. Olhando pelas janelas de algumas delas, não reparei em nada de anormal.

- Aqui! — gritou Steve, abrindo uma porta emperrada de uma sala. Iluminando bem o local, pude ver fotografias de jornais noticiando fatos sobre a escola.

- Olhem isso. — disse quando avistei uma foto de minha mãe: ela, bem jovem, em uma roupa de animadora, sorridente. Ao lado dela, estava me pai, segurando uma bola de futebol, bem jovem também. As Cheers, 1992, dizia na foto.

- Sua mãe era líder de torcida e seu pai um jogador? — observou Sara, parecendo incrédula. — É, Valerie. Você vem de um berço popular, não?

Revirei os olhos e guardei a foto. John se virou de repente, iluminando a porta.

- Ouviram isso? Escutei uns passos...

- Eu também vi um vulto. — afirmou Claire.

- Será que tem algum fantasma aqui? — Sara quis saber.

- Vou olhar. — Claire saiu.

Assim que desviei a atenção, meus olhos caíram sobre um jornal em particular. Bem destacada, estava a foto de Natasha em uma postura arrogante e superior. Bem atrás dela, um pouco mais escondida, havia outro alguém observando tudo.

Seria a Vingativa?

Os mais influentes e ricos de Scarabas, a cidade do temor, 1924.

De fato, como dissera, Natasha foi bem popular quando viva.

Teriam se livrado de qualquer lembrança de Annie?

De repente, um grito me tirou de meus desvaneios.

Saímos correndo pela porta para avistar Claire caída no chão, segurando a lanterna tremidamente, quase pálida. Seguindo seu olhar de pavor, vi que não estávamos sozinhos ali.

Não era a Vingativa.

Era uma garota jovem, em um vestido preto típico dos anos 20. Tinha cabelos loiros opacos. Ela seria até bonita, se não fosse pela ferida horrível em seu rosto e um corte profundo em seu pescoço.

- Vão embora. — sussurrou.

- Corram! — eu disse.

Mal disparamos, e havia outro alguém no corredor. Dessa vez, um rapaz em farrapos, com parte do corpo queimado.

- A Vingativa não os quer aqui. — falou.

- Rápido, por aqui! — apontei para o outro corredor. Gritamos e corremos, e acabamos tropeçando e caindo logo em seguida depois de trombar em uma porta. Levantamos; gemendo e ofegantes.

Fui a primeira a notar que estávamos em uma espécie de sala de teatro e biblioteca.

- E agora? Como vamos sair? — Sara quis saber, andando pelo local. Enquanto isso, Claire foi até a janela.

- Pessoal... — a voz dela tremeu. — É melhor verem isso.

Indo até a janela, senti minhas pernas vacilarem por um momento. Estávamos no segundo andar, e lá embaixo, no pátio, estavam várias pessoas. De súbito, todos eles levantaram a cabeça e nos viram. Em seguida, começaram a entrar dentro da escola roboticamente.

Eu arquejei.

- Ah, meu Deus! — sibilou Sara. — Todos aqueles fantasmas...eles vão nos pegar!

- Calma. — disse Steve. — Alguma ideia?

- Vamos pular! — Claire disse, desesperada.

- Aquela porta. — eu apontei para a solitária porta do outro lado do corredor. A Vingativa estava me impedindo de chegar até lá. O que poderia ter lá de tão secreto? — Eu vou até lá.

- Não, Valerie!

Com passos largos e decididos, caminhei até ela. A porta estava trancada; como imaginei. Sem outra alternativa, peguei o primeiro objeto para arrombá-la. Quando voltei, a porta tinha sido aberta sozinha.

A Vingativa.

Larguei o que tinha em mãos. Os outros se juntaram a mim. Era mais um corredor, só que dessa vez, cheio de armários; provavelmente dos alunos.

A Vingativa foi esperta. Qual, dentre todos aqueles, seria o dela?

Steve e John colocaram um grande armário para barrar a porta. Aquilo nos daria tempo.

- Talvez tenha algo aqui de curioso. — Claire começou a fuçar os armários.

- E temos que ser rápidos. — acrescentou Steve. — Eles vão nos farejar. — apontou para a porta.

- Calma. — eu iluminei cada um dos armários. — Se eu fosse a Annie, qual desses seria o meu armário?

Um estrondo na porta fez os armários balançarem. Logo, várias mãos apalparam a janela e forçavam a porta.

- Rápido! — Sara começou a bagunçar e tirar coisas dos armários. — Os zumbis vão nos pegar!

Um vidro da janela se quebrou, e o armário que segurava a porta foi afastado um pouco.

Vamos, Valerie, pense!, forcei o meu cérebro.

Depois de outro solavanco, a luz da lanterna refletiu em uma coisa em um dos armários.

- Não dá! — John gritou. — Eles vão entrar!

- Espera! — eu o detive quando pegou no meu braço. Com um pouco de esforço, abri o armário para encontrar um diário. Apesar do tempo, ele parecia intacto; de capa dura e com uma fechadura bonita.

Era o diário de Annie.

Folheei as páginas e ri, sem acreditar. Ali estavam, enfim, todos os seus medos e segredos.

- Não acredito! — murmurou Claire ao meu lado.

- Vem! — Sara gritou, correndo junto com John e Steve.

Como zumbis, os fantasmas escancararam a porta e começaram a entrar. Fui a última a sair correndo, embora duvidasse que saíssemos ilesos dali. Meio desajeitada, observei a postura dos fantasmas. Eles não pareciam nos querer fazer algum mal.

- Você tá doida? — disse Claire quando lhe contei.

De repente, eu caí no chão, segurando firmemente o diário em mãos. O interessante foi que, logo depois, descobri que era o diário que me puxava.

- Aahh...! — gritei.

Fui arrastada pelo chão imundo do corredor. Em seguida, o chão vacilou sob meu corpo, e me vi cair quando o piso desabou. Me esborrachei como panqueca no piso do térreo; por sorte, bem na entrada. O diário ainda parecia ter criado vida, e era atraído como um ímã por algo invisível. Seria a sua dona?

Escutei passos perto de mim.

- Não se desespere. Eles só querem a sua ajuda. Como eu.

Não reconheci a voz. Através das mechas soltas do meu cabelo, vi uma garota se ajoelhar pra me ver melhor. Eu já a tinha visto em algum lugar...fotos...

Apertei o diário com força.

Era Jennie, filha de Cândida e melhor amiga da minha mãe.

Notas finais
Gostaram? Se assustaram muito? kkkk
Bem, eu sei que tem muita gente lendo a fic. Não vou deixar a fic em hiatus, mas decidi que vou adiantá-la um pouco, e que ela será de poucos capitulos mesmo.
Portanto, a fic não terá tantos capitulos quanto eu gostaria :/ ~todaschoram~
Então...me digam vcs: Sugestões? Dicas? Conselhos?
Please, deixe um review se ler. Eu o responderei com o maior prazer :)
Até o prox capitulo!