O Mistério De Scarabas
11 A Necromante
Notas iniciais
Ela me ajudou a levantar sem tirar os olhos dos meus. Mesmo com centenas de fantasmas alucinados me seguindo, não pude deixar de notar seu semblante.
- É muito parecida com a sua mãe. — disse ela.
- Como me encontrou? — perguntei, embora parecesse pálida de surpresa. — Você é...
- Sim, um fantasma — ela respondeu de imediato. — Como todos aqui. Pobres almas torturadas... — ela abaixou os olhos, e em seguida me olhou. — Sua mãe.
Eu me virei.
- O que tem minha mãe?
Seus olhos ficaram opacos, e ela me segurou com força.
- A Vingativa quer pegá-la. Precisa desse diário. Ela o quer de volta e está enfurecida.
- E o que ela vai fazer com a minha mãe? — eu quis saber, mais nervosa.
- Chame seus amigos precisamos sair daqui e conversar com calma.
Os fantasmas assassinos se manifestaram outra vez. Jennie tomou minha mão e saímos correndo.
- A Vingativa os invocou! — ela gritou, ofegante, correndo. — E quer destruir você! Ela está com muita raiva de você!
Meus amigos já estavam lá fora. Não entenderam muito bem o fato de eu estar de mãos dadas com alguém invisível.
Claire arregalou os olhos.
- Não me diga que é a famosa Natasha... — disse Sara.
- Precisamos correr; e rápido! — ignorei o comentário dela. — Esses fantasmas vão mesmo tentar nos matar!
- A Vingativa apareceu! — contou Claire. — Ela...ela provocou uma ventania lá dentro! Quase não saímos!
- Ouçam. — disse com cautela. — Essa história tem que acabar. Vai acabar. Nós todos, juntos, vamos reunir os corpos de Natasha, Drew e Annie. E a porra dessa vingança vai acabar!
- E como vamos fazer isso?
- Comigo. Vou ajudar vocês. — Jennie ficou visível. — Precisamos ler o diário. Lá, Annie contou o que pretendia fazer pra se vingar.
...[...]...
Depois de uma longa conversa, descobriu-se que Jennie na verdade fora uma necromante em vida. Naquela época, ela foi restritamente repreendida pela sociedade e acusada de bruxaria. Seu dom, na verdade, ajudou muito minha mãe; e por isso se tornaram amigas. Até tentou ajudar Annie...mas acabou morrendo por causa disso. Por sorte, seu dom prevaleceu além da vida.
Passamos a tarde inteira tentando decifrar o diário de Annie. Ela escrevia de uma forma não tão comum para a sua época. Como se fossem por códigos; enigmas. Era de se esperar que ela fizesse isso.
- Conseguimos esse maldito diário pra nada! — reclamou Sara.
- Só precisam saber onde estão os outros dois corpos — garantiu Jennie. — Annie está torturando as almas. Temos que libertá-las. Ela pegou Natasha.
- Natasha? — meu coração se apertou.
- E Sammantha. — acrescentou. — Ela está jogando pra valer.
- O primeiro passo é — Claire começou -, já sabemos onde o corpo de Annie está. Ele será o primeiro, certo?
- E onde vamos deixá-lo enquanto pegamos os outros? — eu disse.
- Eu cuido disso — John falou. — Posso levar para o celeiro. Garanto que ninguém lá vai mexer.
- E os outros dois?
- Vamos ver... — Jennie mexeu nas páginas. — Lembro-me de Annie falando algo sobre o lugar preferido de Natasha. De quando ela andavam juntas quando eram amigas... — ela fez força pra lembrar. — Ah, sim! Os concertos!
- E o que era isso? — Steve perguntou.
- Shows para a elite, meu bem — Jennie fez uma pose de mesura. — Ah, não.
- O que foi? — perguntei.
- Foi demolido. — contou. — Logo depois da morte das duas. Construíram aquele shopping no lugar anos depois.
- Então você acha que lá possa estar o corpo de Natasha? Ela não foi enterrada pela família?
- Já que ela não está aqui pra contar, eu direi — Jessie falou. — O corpo dela nunca foi encontrado. Como lá era o seu lugar preferido, provavelmente Annie a abandonou lá.
- Então vamos até lá.
- Primeiro, o corpo de Annie.
Voltamos à escola sombria; onde os fantasmas não pareciam estar mais. Lembrei-me da história de Natasha: Annie havia sido afogada na piscina em construção nos fundos da escola.
- Por aqui. — eu disse, me desviando do caminho que seguíamos.
- Aonde vai? — John me iluminou com a lanterna.
- Natasha disse que o corpo de Annie foi soterrado — contei. — Tomara que esteja intacto.
Os fundos da escola estavam sujos de entulhos e tábuas velhas. A piscina estava quase seca, e cheia de areia em uma parte isolada, onde havia criado uma lama dura. Chutei o lugar com o tênis, e percebi que parecia cimento.
- Vamos, temos que mexer aqui. — falei.
Me surpreendi ao ver o corpo de Annie. Estava intacto, a não ser pela sujeira. Enrolamos o corpo em um grande lençol velho e o colocamos na caminhonete. Na fazenda, John o escondeu por debaixo de feno entre os cavalos.
Suspiramos.
- E agora? — Claire disse.
- O corpo de Natasha. — Jennie respondeu. — O shopping é o nosso próximo passo.
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