Notas iniciais
Cap novo! (:
desculpem a demora.. =P
Ja tenho varios cap prontos, mas tempo pra postar é o que falta..
Espero que gostem. Fiz ele grande pra compensar.
Boa leitura (:

Na manhã seguinte, a chuva ainda continuava. O frio nos fazia não querer sair da cama. Claire já estava de pé, enquanto Sara ainda dormia profundamente.

- Ah, cara! — Claire reclamou, olhando pela janela. — Acho que não teremos passeio à cavalo...

Eu ri.

- Relaxa. Daqui a pouco a chuva passa. Anda, vamos descer. — disse, puxando o pé de Sara, que despertou num pulo.

Depois de muita insistência, tomamos banho e descemos. Steve conversava alegremente com o rapaz loiro, enquanto vovó botava a mesa ao lado de Rebecca, Lauren e a mãe esquisita delas. Vovô Hector olhava a chuva pela varanda, parecendo preocupado.

- Estou faminta! — Sara foi a primeira a sentar.

- Vovô? — eu me aproximei dele.

- Ah, querida. — ele sorriu, puxando uma cadeira para que eu me sentasse. — Eu estava...pensando na vida.

- E na chuva também? — brinquei.

- Sim. — ele respondeu num suspiro. — Nunca choveu assim antes por aqui. E o que me preocupa é o acesso da cidade. Se for destruído pela chuva, ficaremos isolados e presos.

Engoli em seco. Era realmente preocupante.

- Valerie! — gritou vovó Beth.

Todos comiam alegremente. Ainda tínhamos energia; o que era um milagre. A chuva não permitia que saíssemos. Rebecca e a mãe ainda me olhavam com repulsa, o que me dava medo.

Passei a observar melhor a casa. Ao redor de uma escrivaninha, haviam vários retratos antigos; de parentes distantes — e mortos há muito tempo. Mas meus olhos bateram em um retrato em particular.

Não era grande, e tampouco chamativo; mas o que se destacava era a menina na foto. Em um vestido de renda, ela olhava para a frente com uma expressão triste no rosto. Tinha cabelos lustrosos e pretos, e pareciam haver lágrimas em seus olhos.

- Chamou a sua atenção?

Dei um pulo de susto ao ouvir a voz de Rebecca próxima ao meu ouvido. Ela pareceu se divertir.

- Por-por que acha isso? — gaguejei, ainda com o coração na mão.

- Pessoas da cidade são curiosas — disse ela, sorrindo maliciosamente. — Aposto que o retrato dela mexeu com você...

- Rebecca. — Lauren se aproximou. — Deixe ela em paz.

Rebecca revirou os olhos e cochichou algo com a mãe, que sorriu.

- Acho que não sou bem-vinda aqui. — comentei.

Lauren suspirou.

- Elas são assim com todo mundo.

- Você sempre morou aqui? — eu puxei assunto.

- Nos mudamos há dois anos — contou ela. — Nossa casa foi incendiada quando... — ela interrompeu de repente.

Arqueei uma sobrancelha.

- Quando?

- Você não vai acreditar...

- Pode me dizer. — garanti.

- Houve um assassinato muito estranho. — ela disse depois de um tempo.

- Que assassinato? — fiquei curiosa.

- Era um casal de namorados. — ela falou. — Eles...morreram do nada. Foram encontrados no rio, afogados. Ninguém sabe o que foi.

Fiquei chocada. Isso era estranho.

- Eu sabia. Você não acredita. — murmurou ela. — Por isso as pessoas não gostam de vir aqui. Falam da...superstição. — ela engoliu em seco.

- Isso só é...um boato. — falei, embora nervosa.

- Não devia brincar com isso. É verdade. — Rebecca disse, muito séria. — E se não for embora, é bem capaz que seja pega também. A chuva é um sinal dos espíritos. Eles estão furiosos. Não querem vocês aqui.

- Vejo que já ficaram amigas! — vovó sorriu.

-Não somos amigas. — declarou Rebecca, se afastando.

- Por que elas não gostam de mim? — perguntei me referindo à Rebecca e a mãe.

- Elas são meio que...supersticiosas. — vovó disse rápido. — Acreditam em uma crendice popular daqui.

- Que crendice?

- Não precisa se preocupar...é tolice. — garantiu ela.

- Lauren me disse que andam acontecendo mortes estranhas por aqui. — eu disse, séria. — Me preocupo. Isso é verdade? É por isso que elas vieram pra cá?

Vovó pareceu aflita.

- Isso foi há muito tempo.

- E de quem é aquele retrato? — apontei.

- É uma história muito antiga. — contou ela. — É uma amiga minha. Ela...morreu muito jovem.

Meu coração amoleceu.

- Sinto muito.

- Tudo bem, querida. — ela falou. — Isso tudo é intrigante, não é? Uh, parece que a chuva está passando...vão aproveitar um pouquinho.

Aquela história me pareceu um tanto estranha. Vovó ficara nervosa demais. Havia algo que ela não queria que eu soubesse. Talvez, Lauren fosse a única com quem eu pudesse contar.

- Oi. — o rapaz loiro se aproximou enquanto eu observava a chuva cessar um pouco; garoando fino. — Acho que ainda não me apresentei. Sou John. Trabalho aqui.

- Valerie. — disse-lhe.

- Quer provar? — ele me ofereceu uma caneca de leite. — Direto da fonte.

Ele esperou que eu provasse, e disse:

- Quer que eu te mostre a fazenda? A chuva parou um pouco...

- Tudo pra não ficar aqui dentro.

- Não vão muito longe! — vovô advertiu na varanda.

O chão estava empoçado de lama; ainda bem que eu usava botas. John me mostrou o pomar, e até umas casinhas que haviam nos fundos, as quais eu não conhecia. Segundo ele, elas serviam para abrigar pessoas que perdiam suas casas na enchente. Um pouco mais atrás, avistamos os estábulos, onde vários cavalos elegantes comiam tranquilamente. Em seguida, John me levou para um riacho de água límpida, que ficava em um morro alto, de onde se podia ver uma parte da cidade.

- Você conhece bem a fazenda. — comentei enquanto tirávamos as botas para molharmos os pés.

- Cresci aqui. — contou ele, nostálgico. — Meus pais foram para a cidade depois que fugimos da nossa vila.

- A mesma vila de Rebecca e Lauren? — quis saber.

- Sim. — confirmou. — Seus avós nos abrigaram. Sabe...as pessoas da cidade não gostam daqui. Falam mal. Sem ofensas. — desculpou-se.

Dei de ombros.

- Quem fala mal nunca experimentou estar num lugar como esse. Eu nasci aqui. — contei. — Só fui para a cidade porque minha mãe fugiu com meu pai. — engoli em seco. — E morreu por causa disso.

- Sinto muito — lamentou ele. — Seu pai deve estar chateado por estar aqui.

Eu bufei.

- Ele mal sabe que estou aqui.

- E pretende ficar aqui por um tempo?

- Eu queria. Muito. — suspirei. — Mas tudo aqui lembra a minha mãe. Na cidade eu fico mais ocupada.

- Você acredita que cidades pequenas têm uma história por trás? — ele perguntou de repente.

Pensei por um instante; pega desprevenida.

- Bem...as pessoas falam daqui.

- E você acredita no que dizem?

- Nunca parei pra pensar. — eu me intriguei. — Rebecca me disse que não sou bem-vinda qui.

Ele riu alto.

- Rebecca e a mãe, Nancy, são muito supersticiosas. Já Lauren nem tanto. Ela é ingênua; se apega fácil.

Eu olhei para o horizonte.

- Soube que houve um acidente no parque de diversões daqui. E Lauren me contou de várias mortes esquisitas também.

John se aproximou.

- Você vai acreditar no que eu disser? — seu tom de voz mudou; enigmático.

- Depende. — eu disse.

Ele abraçou os joelhos.

- Quando eu era criança, sempre escutei lendas acerca da cidade. Superstições que meus pais ouviram dos meus avós.

- Lembro-me de ter escutado algumas também. — argumentei.

- Então, de certa forma, você acredita? — perguntou.

- Você acredita? — emendei. — Não sei dizer; você cresceu aqui.

- Não sei se era pra me assustar, mas sempre ouvi falar que a cidade é assombrada. — contou ele, e depois riu. — Eu nunca vi nenhum. Você já?

Dei de ombros.

- Acredito que existe uma explicação para tudo. Ainda não sei dizer como minha mãe morreu.

- Dizem que existe um fantasma na cidade. — contou ele.

- Que doidera. — eu ri. — Então...acho que ele vai querer me expulsar. — fui irônica.

John riu e me olhou de uma maneira estranha e única. Do nada, peguei o amuleto que Lila havia me dado.

- O que é? — ele disse.

- É pra me proteger. — expliquei.

- Já vi alguns desses por aqui.

- Sério?

Um vento forte passou por nós, e parecia que ia chover novamente, então fomos obrigados a sair e voltar correndo e rindo.

Rebecca estava na varanda, e me observou, um pouco encharcada.

- Você conversou muito com John. — observou ela.

- Vocês...são namorados? — eu disse.

- Isso vai despertar a fúria dela — Rebecca continuou a falar estranhamente. — Não vai demorar muito. Tudo vai começar outra vez. — a cada passo que ela dava, uma frase. — Por isso você tem que ir embora daqui. Serão os próximos.

Franzi o cenho.

- Os próximos de quê? Do que está falando? — ela me assustava. Muito.

Ela deu um sorriso irônico.

- A menina do retrato. Ela vai destruir todos pra se vingar.

- Você...você é louca! — gaguejei, recuando.

- Não adianta ter amuletos de proteção. — continuou. — Isso não vai fazê-la parar.

Comecei a correr para dentro de casa e subi para o quarto, deixando-a falando sozinha.

Gemi quando esbarrei em alguém.

- Calma. — era Steve. — Parece que viu um fantasma.

- Aquela garota, Rebecca. — contei. — Ela me assusta.

- Não ligue. Ela quer nos expulsar daqui.

- Não sei... — murmurei. — Ela estava me avisando de alguma coisa.

- Ei — ele segurou meu rosto com as duas mãos. — Estão enchendo sua cabeça de coisas, Valerie. — ele arqueou as sobrancelhas. — O que você e...aquele cara...estavam conversando?

- Sobre a cidade — contei naturalmente.

- Devia ficar longe dele mesmo assim.

- Por quê?

Fui interrompida quando meu celular tocou.

- Valerie! — era a voz histérica de Lila. — Você está bem?

- Sim — respondi, meio ressabiada. — Eu...não deveria?

Pude escutá-la suspirar.

- Tive um mal pressentimento.

Revirei os olhos. Bem típico dela.

- Seu pai está aqui. — ela falou.

- Eu não quero falar com ele. — disse rápido; embora, logo depois, escutei o telefone chiar.

- Valerie. — a voz do meu pai parecia diferente. — Pensei que me avisaria que estaria aí.

- Eu avisei! — resmunguei, enraivecida.

- Não gosto desse lugar — ele disse rispidamente, sem o menor pudor. — Se queria férias, por que não ir para um resort?

Meus olhos encheram de lágrimas. Como ele podia falar assim?

- Seria muito mais confortável do que ficar aí. — ele continuou quando não falei nada. — Como pode preferir esse lugar?

Aí eu não aguentei.

- Porque foi nesse lugar que você conheceu a mamãe! Eu nasci nesse lugar! Porque eu me sinto melhor nesse lugar do que com você!

Steve me olhava perplexo, e o telefone voltou a mudar.

- Então devia ficar aí! — meu pai esbravejou. Pude ouvir Lila tentar contê-lo.

Desliguei o telefone e desatei a chorar de vez.

- Calma, Val — Steve me tranquilizou.

- Meu pai é um idiota! — eu gritei, enxugando as lágrimas.

- Valerie! — era a voz de vovó. Apressada, me levantei para que ela não me visse.

- Vou atrasá-la. — Steve disse.

- Obrigada. — agradeci.

Procurei ser o mais natural possível. Corri para o banheiro para lavar o rosto.

Assim que me olhei no espelho, vi uma garota atrás de mim, e soltei um grito.

Notas finais
Gostaram? comentem, por favor! nao seja um fantasminha! Dá trabalho escrever capitulos, viu? ¬¬
preparados para enfrentar fantasmas? entao nao percam o prox cap! (:
Xero