O Misterioso caso Prescott
3 Inquérito e Esclarecimentos
CAPÍTULO III
Inquérito e Esclarecimentos
O inquérito desenrolou-se normalmente, os parentes do morto testemunharam e os empregados também. Sem muito trabalho o júri concluiu que Mr. Prescott suicidou-se por dose excessiva de cianureto por volta de 0,5 mg encontrado no copo ao lado de sua cama.
Acabado o inquérito todos foram embora, Thomas, Jim e Piotr ficaram conversando ao lado de fora.
- E então, encontraram alguma pista? — disse Jim esperando uma resposta positiva.
- Nada de concreto — disse Piotr.
- Na verdade encontramos isto — Thomas mostrou o bilhete rasgado a Jim, que ficou contente.
- Como não encontrou nada de concreto Piotr! — queixou-se Jim. — Isso prova que ele realmente suicidou-se.
Piotr protestou:
- O bilhete esta rasgado. Não podemos ter certeza! E há também outro indício, porém não quero precipitar-me dizendo se foi ou não escrito pelo morto.
- Eu acho que foi — disse Thomas.
- Eu também — concordou Jim. — Agora sabemos que as mortes não têm relação. Vocês devem abandonar o caso.
-Não! — Piotr contestou novamente. — Vamos ouvir ao menos os depoimentos dos moradores. Acredito que teremos um pouco de dificuldade, podem não responder alegando que o inquérito já foi feito, mas vou tentar o que for possível.
- Você é bastante teimoso Piotr, acho isso uma perca de tempo. Digo novamente que devem abandonar o caso.
- Pra mim tanto faz — disse Thomas
- Esperem até amanhã — disse Piotr. — E você Thomas insisto que venha comigo. Iremos confirma a questão desta carta, e verá que estão errados.
Após dizer isso saiu em direção a sua casa.
- Será que ele ficou bravo? — perguntou Thomas.
- Ele não gosta muito de ser contrariado, mas ele nunca fica bravo com estas coisas – fez uma pequena pausa pensou um pouco e respondeu. — Bem esperarei até amanhã e se não acharem mais provas fecharemos o caso.
- Ok — e Thomas acrescentou pensativo. — Olhe vou confiar em Piotr apesar de tudo. Ele é um bom detetive, nunca se engana.
***
Em casa, Piotr conversava com seu mordomo sobre o caso.
- O que acha disso Giuseppe? — Perguntou Piotr após terminar a narrativa.
- Eu acredito que o senhor está certo e deve continuar a investigação.
- Jim acha que estou errado.
- Ele que está enganado senhor.
- É o que penso.
Piotr caminhou até a porta de seu quarto, mas antes de entrar virou-se e disse:
- Você poderia entrar para Scotland Yard Giuseppe.
- Muito obrigado senhor, fico muito lisonjeado com a proposta.
- A propósito leve um copo de xerez ao meu quarto.
- Sim, eu levarei senhor.
Piotr entrou no seu quarto, procurou por uma caneta e colocou em ordem suas idéias no papel, ao terminar ficou satisfeito com o resultado depois bebeu o copo de xerez e adormeceu.
O dia amanheceu e Piotr acordou bastante disposto arrumou-se e tomou seu café, antes de sair o mordomo lhe desejou boa sorte.
- Espero que consiga — disse ele.
- Eu vou conseguir! — afirmou Piotr que foi em seu carro até a casa de Thomas.
Ao chegar uma empregada o atendeu e dissera que Mr. Raymond estava ainda na cama, Piotr pediu para acorda-lo. Depois a moça insistiu para que Piotr entrasse e espera-se lá dentro, mas ele preferiu ficar ali mesmo.
Algum tempo depois Thomas apareceu na porta, Piotr o saldou sorrindo.
- Bom dia! Dorminhoco.
- Bom dia Piotr! Não o esperava tão cedo.
- Cedo?
Ele olhou para o relógio, marcava 09h30min, mas não disse nada.
- Vamos temos muitos depoimentos a ouvir e então provarei que estou certo.
Entraram no carro e foram a Scotland Yard, o Superintendente Pfister estava lá, cumprimentou-os com alguma surpresa.
- Olá Piotr, o que fazem aqui? Não deveriam está ouvindo os depoimentos?
- Sim, mas precisamos saber onde se encontram essas pessoas.
- Hum — ele pensou um pouco. — A viúva e o primo de Simeon voltaram para mansão, os empregados não sei se já voltaram ao trabalho, os dois netos estão em suas casas, aqui os respectivos endereços.
- Obrigado — agradeceu Piotr.
Após saírem do edifício Thomas perguntou:
- Aonde iremos primeiro?
- Para a casa do morto e resolver logo a questão daquela carta. A propósito você esta com ela aí?
Thomas retirou-a do bolso e entregou a Piotr.
Chegaram à mansão, um jardineiro estava na frente cuidando do jardim, o chamaram se apresentaram como oficiais e pediram para entrar, ele saiu para falar com a dona da casa que estranhou a presença daquelas pessoas, mas permitiu a entrada.
- Parece que os empregados retornaram ao trabalho — lembrou Thomas.
Piotr concordou com ele e depois entraram na casa. A viúva estava esperando-os na porta.
Mrs. Prescott era uma mulher atraente, de beleza encantadora.
- Oi o que desejam? — disse ela, olhando para os dois estranhamente. — Por acaso houve algum problemas ontem que faltou ser esclarecido?
- Não senhora. Nós somos agentes da Scotland Yard, eu sou Piotr Gavronskii e este é meu parceiro Thomas Raymond. Estamos aqui, pois suspeitamos que o suicídio de seu marido e a morte do filho possa ter ligação.
- Eu achei que tudo aquilo já tivesse acabado — disse ela lúgubre. — Mas agora vocês vão começar tudo outra vez.
- Nós só queremos fazer algumas perguntas, prometo que serei breve senhora... Senhora...
- Emily, Emyli Prescott. Esta bem pode entrar
Todos estavam sentados Piotr começou a fazer algumas perguntas.
- A senhora morava aqui com ele certo?- ela anuiu. — E se conheceram um tempo depois da separação da ex-mulher. — Ela concordou novamente. — Há quanto tempo estão casados?
Mas dessa vez a resposta foi diferente.
- Por que esta fazendo essas perguntas?
- São apenas formalidades Mrs. Prescott — disse Piotr tentando acalma-la.
- Prefiro que vá direto ao assunto.
- Ok, me desculpe.
Thomas ao lado de Piotr já estava com o caderno na mão, esperando anotar algo que achasse importante.
- A senhora sabe de algum motivo para que levasse seu marido a cometer suicido?
- Não para mim ele parecia normal não sei por que ele fez uma coisa dessas. — disse isso com os olhos cheios de lagrimas. — Oh meu Deus quando me lembro que cheguei no quarto e vi seu corpo estirado na cama.
Piotr mudou de assunto.
- Seu marido tomava remédios?
- É ele tomava sim, para dor de cabeça. Ele sofria dores de cabeças intensas o médico recomendou que tomasse umas pílulas todos os dias.
- Ontem nós viemos aqui e encontramos isto. — ele pegou a carta rasgada. — Acho que não foi escrita pelo seu marido como meu amigo presumiu. A senhora podia nos confirmar?
Emily tomou a carta de sua mão, parecia nervosa.
- Isto não é da sua conta!
- Senhora. Precisamos saber, é muito importante. Foi seu marido que escreveu a carta?
Ela relutou um pouco, mas disse.
- Não.
Os olhos de Piotr brilharam suas suspeitas estavam corretas. Olhou para Thomas com ar triunfante, ele abaixou a cabeça.
- Por quem foi escrita? — insistiu Piotr. — Precisamos ter certeza.
- Já volto — disse ela levantando-se.
Logo depois desceu as escadas com o outro pedaço de papel na mão.
- Aqui, esta vendo. Essa carta foi escrita pelo meu sobrinho. Minha família gostava muito dele, mas só trouxe desgosto. Ele decidiu ir embora, deixou apenas esta carta para mim, pois me estimava muito. Nunca mais tivemos noticias dele.
Ela começou a chorar.
- Minha vida é uma lastima, só acontecem coisas ruins.
- Lamentamos muito — disse Piotr oferecendo um lenço. — Muito obrigado Mrs. Prescott, não iremos te aborrecer mais. Agora a senhora poderia chamar o senhor Haywood?
Ela meneou a cabeça, depois foi até a cozinha e o chamou. Do corredor vinha um homem grande e forte era Mr. Haywood.
- O que querem senhores? — disse ele após chegar à sala.
- Bom dia Mr. Haywood. Queremos fazer algumas perguntas, creio que a senhora Emily te explicou tudo lá dentro.
- Sim ela me disse o que vocês queriam. — ele caminhou até os dois e sentou-se.
- O senhor morar aqui?
- Não. Estava apenas visitando meu primo. Tinha vindo junto com Igor Prescott, mas ele já foi para sua casa.
- Igor Prescott é o neto de Simeon?
- É.
- Só uma curiosidade, conhece o motivo de seu primo ter escolhido essa casa para morar?
- Ah! Essa casa — ele sorriu. — Meu primo gostava de casas grandes, essa aqui em outro tempo foi uma pousada, ele tinha essa mania. — E acrescentou. — Coitado dos empregados. Ele também era muito avarento, estão vendo as condições da casa? Esta caindo aos pedaços. Mas ele não se importava só não queria gastar seu dinheiro.
- Bem então é isso. Estranhamos esta casa ser assim sendo ele tão rico.
- É todos estranham — riu novamente.
- O senhor sabe algum motivo dele ter suicidado-se? — disse Piotr entrando no assunto onde queria. Thomas ao seu lado anotava algumas coisas.
- Realmente não, para mim estava tudo bem.
- Eles costumavam brigar?
- Também não, só mesmo as brigas de casal, nada de anormal.
- Certo — Piotr tentou ir por outro lado. — Sabe algo sobre Matthew Prescott por que ele foi assassinado?
- Nunca soube de problema nenhum. Ele era um cara correto.
- O que ele fazia aqui já que morava no Canadá?
- Ele também veio visitar o senhor Simeon.
Piotr achou isso interessante.
- Mr. Prescott tinha mais filhos?
- Sim. Mais dois com outra mulher.
- Sabe por que separou-se?
- Não. Não sei ao certo. Bom, acho melhor voltarmos ao assunto de sua visita.
Piotr desculpou-se e prosseguiu.
- Quantos empregados trabalham aqui?
Tom estranhou a pergunta, mas pensou um pouco e contou nos dedos.
- Trabalham quatro definitivos e alguns vêem quando fazem à limpeza da casa.
- E quando ocorre a limpeza?
- Normalmente as sextas-feiras, ai contratam esses ajudantes.
- Todos os empregados definitivos se encontram presente?
- Não. A arrumadeira esta de folga.
- O senhor conhece bem, o quadro de funcionários.
Tom ficou meio embaraçado, mas se explicou.
- Na verdade já estou aqui há um tempo por que minha casa está em reforma.
- Agora o senhor poderia chamar algum dos funcionários?
- Ok. Chamarei a cozinheira e sua ajudante.
- Obrigado.
Após Tom sair, Thomas foi logo perguntando.
- O que acha deles em?
- Não conseguir muita coisa. Espero que melhore com os empregados. E você o que acha?
- Penso que eles...
Thomas foi interrompido por duas mulheres que entraram na sala, uma delas era bastante gorda com cara de pudim a outra um tanto magra. Eles cumprimentaram-nas e pediram para que sentassem. A mais magra parecia ter medo de alguma coisa, seus olhos estavam arregalados.
- Não precisa ter medo — atenuou Piotr. — Iremos fazer só algumas perguntas.
Ela ficou mais calma.
- Quem é a cozinheira?
A mais gorda disse:
- Eu sou a cozinheira, ela é minha ajudante.
- Há quanto tempo trabalham com eles?
- Três anos, senhor.
- Vocês não costumam ver seus patrões, não é verdade?
- Sim, nós ficamos apenas na cozinha. Mas já vimos à senhora Emily por que ela costuma às vezes nos levar o pagamento, mas o senhor Simeon nunca vimos.
A magra apenas concordou tudo com a cabeça.
- Então, não sabem de nada que tenha levado seu patrão suicidar-se.
- É não sabemos.
- Não ouviram nada estranho?
- Não. A casa é muito grande, só ouvimos algumas coisas quando eles falam alto.
- E quando eles falam alto?
- Quando eles brigam senhor — disse a gorda baixinho e olhando para os lados. — É melhor não falar da vida dos patrões, eles podem nos demitir.
- Não se preocupem, eles não vão nos ouvir. Como você disse a casa é grande.
Thomas parecia interessado na confissão da cozinheira, estava preparado para fazer mais anotações.
- Eles brigavam muito?
- Sim quase todos os dias?
- Quando eles começaram a brigar?
- Há algum tempo — ela ainda olhava para os lados.
- Alguma vez vocês conseguiram ouvir sobre o que falavam?
- Não. Quando a vozes aumentavam sabíamos que estavam brigando, mas não entendíamos nada.
Piotr estava contente com a descoberta precisava investigar mais sobre isso.
- Obrigado pela ajuda.
- De nada senhor. Mas por favor — ela implorou. — Não contem o que dissemos a eles.
- Fique tranquila, não contaremos. Agora você poderia chamar o senhor Haywood novamente?
- Vou chamar.
- Muito Bom em Piotr! — atalhou Thomas ao saírem.
- É só fazer as perguntas corretas, melhor ainda quando estão dispostos a falar. Ela parecia fascinada a cada pergunta, estava achando emocionante tudo isto.
- Já a outra — Thomas sorriu. — Parece que não.
Mr. Haywood estava de volta a sala.
- O que estão precisando?
- Gostaria de saber o endereço da arrumadeira. Não quis importunar Mrs. Prescott novamente.
- Esperem um momento, irei pegar.
Pouco depois ele voltou com o endereço.
- Muito obrigado. Ah! Só mais uma coisa.
- Sim?
- O jardineiro Trabalha todos os dias no jardim?
- Não, apenas dois dias da semana, as terças e quintas. É só? — disse ele apressado.
- É já estamos de saída, muito obrigado mais uma vez pela colaboração.
Piotr fez uma grande mesura e retirou-se
Do lado de fora o jardineiro ainda estava trabalhando, passaram pelo portão e entraram no carro.
- O jardineiro? — disse Thomas. — O jardineiro não vai interrogá-lo?
- Agora não, estou com muita fome.
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