O Misterioso caso Prescott

4 O Depoimento de Lisa Grant


Notas iniciais
A trama está cada vez se complicando. Será que Piotr conseguirá descobrir este mistério?

CAPÍTULO IV

O Depoimento de Lisa Grant

Piotr chegou a Scotland Yard após uma bela refeição. E encontrou Jim e Thomas conversando.

- É Piotr estava com a razão e nós estávamos errados.

Dito isto Jim olhou para o lado e avistou Piotr chegando.

- Bonjour mes amis, sobre o que estão conversando?

- Sobre o bilhete. Queríamos saber como você descobriu rapidamente — disse Thomas com certa curiosidade.

- Muito simples amigos, vocês não o viram, pois estavam entusiasmados com a pista. Logo ao ver a carta, percebi que estava envelhecida, e uma semana não é suficiente para um papel envelhecer. Agora chega de explicações temos que ir. Falta muita gente a ser ouvida.

Antes de ir Piotr pediu para que o Pfister pesquisasse sobre o testamento do morto.

Estavam agora na casa de Alfred Prescott, um dos netos de Mr. Prescott. Bateram na porta e foram atendidos pelo próprio dono da casa.

- Ah são vocês outra vez! Quantas vezes vou ter que dizer que não quero suas mercadorias — disse ele agressivamente.

- Calma senhor — apressou-se Piotr. — Acho que esta confundindo-nos com outras pessoas, nós somos agentes da Yard e estamos aqui para fazer algumas perguntas.

- Me desculpem. Me desculpem — disse ele constrangido. — Pensei que fosse mais um daqueles vendedores, que ficam importunando as pessoas com aquelas mercadorias ordinárias.

Piotr falou que o compreendia bem. Em seguida ele pediu para que entrassem e sentassem. Também ofereceu uma bebida que estava tomando, mas só Thomas aceitou. Conversaram um pouco sobre outros assuntos depois Piotr tornou a falar do motivo da visita.

- Mas o inquérito não já foi realizado? — disse Alfred adquirindo um tom mais serio e não descontraído como outrora.

- Sim, mas temos suspeitas que o suicídio de seu avô e a morte do filho, terem alguma ligação.

- Como assim? — perguntou ele novamente.

- Possa ser que seu avô foi assassinado — Piotr deu mais ênfase a palavra assassinado.

- Anh? Não, não acredito nisso — disse tomando um gole de sua bebida.

- Por que acha que ele realmente suicidou-se? — indagou Piotr.

- Ele tinha muitos problemas com o trabalho.

- A sua esposa não nos contou nada sobre isso.

- Meu avô não costumava a contar essas coisas.

- Então como você sabe?

- Um dia — começou ele. — Estava visitando-o e passei pela porta do seu escritório, o ouvi brigando com sua secretária, falava sobre problemas com contas e que estava sem dinheiro.

- Onde está essa secretária?

- Foi despedida — disse ele tomando mais um gole e continuou. — Acho que suicidou-se por que estava falindo.

- Hum — disse o detetive. — Você não parece muito comovido com a morte de seus parentes.

Alfred logo protestou.

- Estou um pouco triste sim, mas não tinha muito vinculo com eles. Ando sempre viajando e quando venho revê-los acontece uma tragédia dessas.

- E o seu tio. Sabe por que o mataram?

- Não sei por que fizeram isso com ele. Parece que estava visitando meu avô. — Piotr confirmou. — Nem cheguei a vê-lo.

Piotr levantou.

- Temos que ir. Muito obrigado pelo depoimento foi de muita ajuda.

Thomas o agradeceu pela bebida e depois saíram após ouvir o barulho da porta batendo Thomas falou:

- Será que foi ele? Quando você começou a falar do assunto ele pareceu muito desconfiado e aquela história da secretária, não acreditei e você?

- Realmente, pode ter sido ele — disse Piotr.

A viagem foi bastante longa até a casa de Igor Prescott o outro Neto do morto, Thomas pouco falou com Piotr, pois estava no volante. Ao chegar bateram na porta esperaram um pouco e bateram de novo.

- Parece que ele não esta, teremos que voltar outro dia — disse Thomas.

Mas logo depois a porta foi aberta por um homem que parecia ser o mordomo da casa.

- Boa tarde senhores o que desejam? — disse ele cordialmente.

- Você é Igor Prescott? — perguntou Thomas.

- Não sou o mordomo dele.

- Ele se encontra presente — atalhou Piotr. O mordomo confirmou. — Der isto a ele. — Disse estendendo o braço e entregando um cartão com seu nome e o de Thomas escritos nele como agentes da Scotland Yard.

O mordomo saiu deixando a porta aberta. Por ela se via alguns vasos, tapetes, armas e outros objetos que pareciam ser de uma coleção.

- Veja aquilo Piotr — disse Thomas apontando para um objeto esquisito e cheio de pontas.

Os olhares curiosos de Thomas foram interrompidos pelo mordomo que se colocou na frente da porta.

- Ele não quer recebe-los — disse ele.

- Diga que queremos fazer só algumas perguntas — disse Piotr, mas o mordomo tornou a falar.

- Senhores ele disse que é para irem embora e não voltarem mais aqui.

- Está certo, nós iremos, mas diga a ele que isso só o torna mais suspeito.

O mordomo disse que o faria e fechou a porta.

- Foi ele Piotr, não quer falar deve ter alguma culpa.

Piotr apenas balançou a cabeça. Estavam novamente no carro dirigiram-se para a casa de Lisa a empregada. Ao estacionar o carro avistaram uma bela moça varrendo a calçada.

- Boa tarde senhorita — disse Piotr falando com a garota. — Você é Lisa Grant a arrumadeira de Mr. Prescott?

- Sim sou eu. E quem são vocês? — perguntou ela temerosa.

- Pardon mademoiselle por não ter me apresentado-se logo. Eu sou Piotr Gavrosnkii e esse é Thomas. -

Thomas a cumprimentou com um leve movimento da cabeça. — Somos detetives, queremos fazer algumas perguntas. Temos suspeitas que Mr. Prescott não cometeu suicídio, foi assassinado.

Lisa levou a mão à boca soltando uma pequena exclamação.

- Maldita hora que aceitei esse emprego — disse ela com indignação. — Mas venham entrem, não quero ser suspeita de ter matado meu patrão e seu filho. — Ela riu.

- Então já sabe da morte do seu filho? — perguntou Thomas.

- É todos devem saber. Vi pelo noticiário e deve está nos jornais também.

- Deve está realmente.

Após entrar ela pediu para que sentassem depois voltou para fechar a porta, encostou a vassoura num canto e sentou-se junto a eles.

- Podem começar — ela sorriu em sorriso encantador.

- Hoje pela manhã — começou Piotr. — Fizemos algumas perguntas a cozinheira e ela nos disse que seus patrões brigavam constantemente, mas não conseguiam ouvi-los já que a casa é grande. Cremos que você conseguiu, pois anda por toda a casa.

- É verdade — disse ela colocando as mãos nos joelhos.

Sobre o que costumavam brigar? — instigou Piotr.

- Herr... Bem...

- Não se preocupe — atalhou Piotr. — Este depoimento é muito importante e ficará entre nós.

- Isto pode prejudicar muito meu emprego. As pessoas não gostariam de contratar uma empregada que fica prestando atenção e contando aos outros suas conversas.

- Compreendo.

Ela resolveu falar.

- Eles estavam brigando todos os dias, acho que faltava pouco para se separarem. Quando começavam a brigar procurava me afastar para não acharem que estava ouvindo. Normalmente falavam de um testamento.

- Testamento? — indagou Piotr.

- É, sempre sobre um testamento, mas como disse não ouvia direito, pois me afastava. Aí os dois chegaram.

- Os dois você quer dizer Igor Prescott e Tom Haywood?

Ela confirmou.

- Após isso as brigas cessaram e Mr. Prescott suicidou-se, depois seu filho chegou e uma semana mais tarde ele foi encontrado morto. Oh! Que horror meu Deus, que horror — ela colocou as duas, mas no rosto. — Nunca tinha visto uma coisa dessas, amanhã pedirei as contas não quero mais continuar ali mesmo precisando.

Piotr estava pensativo, Thomas anotava tudo em seu caderno. O detetive tornou a falar.

- Você não percebeu nada diferente no dia anterior ao suicídio? Ou se Mr. Prescott estava de alguma forma diferente?

- Não, acho que não.

- Tente se lembrar, é de extrema importância.

Ela franziu a testa fazendo um esforço tentando se recordar de algo.

- Ah agora que o senhor disse isso, lembrei que ele não saiu pela tarde como de costume. E a cozinheira e sua ajudante foram chamadas para ir lá em cima aos quartos.

- Sabe o motivo dele não ter saído? E por que chamaram a cozinheira para o quarto?

- Não sei nada sobre essas coisas, não perguntei — ela o olhava estranhamente.

- Bem iremos pergunta a elas depois. A senhorita não viu ou ouviu mais nada?

Ele fez novamente um esforço pareceu se recordar de algo, mas calou-se.

- Sim? — disse Piotr tentando faze-la falar.

- Não é nada — disse ela levantando-se. — Irei ao banheiro já volto.

- Não estamos de saída, Je vous remercie de votre attention. E se lembrar de mais algo me ligue.

Ela os acompanhou até a porta e despediu-se.