— Tyler… onde a gente tá? — Dylan perguntou, girando em círculos, completamente perdido.

Tyler respirou fundo, observando o horizonte cercado por água.

— Numa ilha. Não percebeu ainda?

— Uma ilha?! — Dylan passou a mão pelos cabelos. — Quem faria isso com a gente?

— Não sei… — Tyler respondeu, tenso. — Mas seja quem for, não vai parar. A gente precisa sair daqui o mais rápido possível.

Sem outra opção, começaram a caminhar em direção à montanha que se erguia no centro da ilha. O terreno era irregular, coberto por mato alto e pedras escorregadias. O silêncio incomodava — nenhum pássaro, nenhum inseto.

Foi quando viram alguém.

Uma garota, caída próxima a uma grande pedra, imóvel.

— Ei! — Tyler correu na frente. — Ela tá viva?

Dylan foi logo atrás.

No segundo passo de Tyler, um clique seco ecoou sob seus pés.

— Dylan… — a voz dele falhou. — Eu acho que—

A explosão interrompeu tudo.

A pedra ao lado da garota se despedaçou em um clarão violento. Fragmentos voaram pelo ar, a onda de choque os lançou no chão. Um jato de sangue manchou as rochas ao redor.

Silêncio.

Quando a fumaça baixou, não havia mais garota alguma. Apenas restos espalhados pelo chão.

Ainda atordoados, Tyler e Dylan se levantaram lentamente. O cenário ao redor parecia um campo de guerra improvisado. Nenhum deles conseguia falar.

O choque dizia tudo.

Desesperados, correram até os limites da ilha e tentaram escalar as cercas que a isolavam. Foi então que perceberam os arames farpados, grossos, reforçados, impossíveis de atravessar sem se mutilar.

— Não tem saída… — Dylan murmurou.

Com a noite se aproximando, algo ainda mais estranho aconteceu.

O chão tremeu levemente.

Uma mesa metálica subiu lentamente de um túnel escondido, trazendo suprimentos: água, barras energéticas, lanternas, alguns medicamentos. Sem pensar duas vezes, os dois correram e pegaram tudo o que podiam.

Não sabiam onde estavam.

Nem o que aquela ilha escondia.

O que não sabiam era que aquele lugar havia sido projetado em 1967, usado pelos militares para testes de sobrevivência extrema. Um laboratório a céu aberto. Um erro abandonado… até agora.

Em algum ponto da ilha, o Misterioso observava tudo.

Câmeras espalhadas por árvores, rochas e estruturas antigas. Microfones costurados discretamente nas roupas deles. Cada respiração, cada palavra, cada erro… tudo era registrado.

Ao amanhecer, algo acordou Tyler e Dylan de forma brutal.

Uma substância viscosa escorria por seus rostos.

Eles abriram os olhos em pânico.

Rosnados.

Dois cachorros enormes, deformados, com músculos exagerados e olhos opacos, os cercavam. A saliva escorria enquanto as mandíbulas se abriam de forma antinatural. O cheiro de carne e ferrugem era insuportável.

Experimentos fracassados.

Genética alterada.

Vacinas nunca concluídas.

Tyler puxou Dylan pelo braço e os dois correram desesperados pela mata.

Os cães pararam.

Esperavam.

Então, a voz ecoou pelos alto-falantes escondidos na ilha:

— Rubi… Clifford… peguem-nos.

Os cães dispararam.

A caçada havia começado.