A transmissão continuava.

Não para milhões, não para o mundo inteiro — mas para gente suficiente.

Isso já era mais do que Tyler suportava.

O galpão parecia menor agora. As luzes improvisadas piscavam, uma falhando atrás da outra. Não havia gritos de fãs, nem manchetes gigantes. Só celulares ligados, pessoas comentando em tempo real, capturas de tela sendo feitas rápido demais.

— Isso vai dar problema… — Dylan murmurou.

Tyler sentia a boca seca. Não era medo de perder status. Era medo de perder o pouco que ainda tinha: um trabalho instável, contatos rasos, uma vida construída em silêncio.

Ele olhou para a câmera mais próxima. Não era profissional. Era barata. Tremia.

— O Evan morreu por nossa causa — disse, sem preparo, sem discurso. — A gente errou. E depois… piorou.

Dylan fechou os olhos.

Ninguém aplaudiu. Ninguém gritou. Só comentários surgindo em uma tela lateral, desconexos, confusos.

“isso é real?”

“mano, isso é pesado”

“chama a polícia”

O som de sirenes veio de longe. Alguém tinha chamado. Sempre chamam.

— A gente devia ter contado antes — Dylan disse, quase para si mesmo.

— Eu sei — Tyler respondeu.

Quando a polícia entrou, não houve espetáculo. Apenas procedimentos. Perguntas diretas. Olhares cansados.

— Vocês precisam nos acompanhar — disse um dos agentes.

As algemas não apertavam. Mas o peso era outro.

Do lado de fora, não havia flashes. Só curiosos. Um vizinho filmando da calçada. Um carro passando devagar demais.

Dylan ficou ali, parado, enquanto levavam Tyler.

— Você vai dizer a verdade? — Tyler perguntou.

Dylan assentiu.

— Pela primeira vez.

Na delegacia, o tempo perdeu forma. Tyler foi colocado em uma sala pequena, luz branca, cadeira dura. Um copo d’água pela metade.

Ele não era um vilão famoso. Nem um símbolo. Era só alguém comum que fez algo errado e achou que podia enterrar.

Horas depois, alguém entrou com um celular na mão.

— Isso aqui já tá rodando — disse o policial, mostrando um vídeo curto. Editado. Cortado. Sem contexto.

Tyler se viu ali, dizendo o nome de Evan. Só isso já bastava.

Naquela noite, não houve queda espetacular.

Houve algo pior.

Silêncio.

E o entendimento tardio de que alguns erros não precisam de palco pra destruir uma vida.

Basta alguém apertar “publicar”.