O Misterioso: Morte em Hollywood - Temporada 5
13 O Peso Fica
Dylan nunca foi bom em fugir.
Ele só aprendeu a aguentar.
Enquanto Tyler era levado, ele ficou parado tempo demais na calçada, observando o carro da polícia sumir na esquina. Não sentiu alívio. Nem choque. Só um cansaço antigo, daqueles que não passam com sono.
O galpão agora estava vazio. Luzes apagadas. Cabos no chão. Tudo parecia menor sem o barulho das câmeras. Como se aquilo nunca tivesse sido importante de verdade.
Dylan sentou no meio-fio e passou as mãos pelo rosto. Tremiam. Sempre tremiam quando ele lembrava daquela noite.
Evan.
O nome vinha sem esforço. Nunca foi embora.
Ele lembrava do cheiro de asfalto molhado, da respiração falha, do jeito que Evan tentou falar algo e não conseguiu. Tyler tinha dito que era melhor não chamar ajuda. Que ninguém ia entender. Que aquilo acabaria com tudo antes mesmo de começar.
Dylan acreditou. Ou fingiu acreditar.
O celular vibrou no bolso. Mensagens não lidas. Gente perguntando. Gente acusando. Gente que nunca tinha falado com ele antes, agora querendo respostas.
Ele não respondeu nenhuma.
Caminhou sem destino por algumas quadras até encontrar um bar quase vazio. Pediu qualquer coisa. O gosto não importava. Nada importava muito.
Na televisão acima do balcão, um vídeo curto passava sem som. O rosto de Tyler. A palavra Evan. Comentários subindo rápido demais.
Dylan desviou o olhar.
— Você conhece esse cara? — perguntou o bartender.
— Conhecia — respondeu. E era verdade das duas formas.
Quando saiu, já estava escuro. Ele sabia que, em algum momento, alguém bateria à sua porta. Sabia que teria que falar. Mas ainda não. Ainda precisava entender o que sentia sem o ruído do medo.
Chegou em casa e ficou parado na porta por alguns segundos, como se entrar fosse aceitar algo definitivo. Acabou entrando.
Sentou no chão da sala, encostado na parede. Nenhuma música. Nenhuma luz acesa.
Ele pensou em Tyler. Não como o culpado. Não como o vilão. Pensou no garoto assustado que conheceu anos atrás. Pensou em como os dois se perderam tentando seguir em frente sem olhar pra trás.
Dylan puxou o celular, abriu o bloco de notas e começou a escrever. Não pra postar. Não pra provar nada.
Só pra não esquecer de novo.
Quando terminou, salvou o arquivo com um nome simples:
“Evan Cole.”
Pela primeira vez em anos, Dylan não tentou apagar o passado.
Ele deixou ali.
Pesando.
Esperando.
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