O som distante das sirenes ainda ecoava na mente de Tyler quando o carro finalmente parou. Los Angeles seguia viva lá fora, indiferente ao caos que tinha acabado de explodir mais uma vez na vida deles. As luzes de neon refletiam no para-brisa rachado, criando um efeito quase hipnótico — bonito demais pra um lugar tão podre por dentro.

— A gente não devia ter vindo — murmurou Dylan, passando a mão pelo rosto suado.

Tyler não respondeu de imediato. Ele observava o retrovisor, esperando ver algo — ou alguém — surgindo do nada. Nada vinha. Por enquanto.

— Já era tarde demais pra isso no momento em que aceitaram a viagem — disse por fim. — Hollywood sempre cobra o preço.

Eles desceram do carro e entraram no prédio abandonado indicado no bilhete encontrado horas antes. Um endereço simples, escrito à mão, mas carregado de significado. Tyler reconheceu o símbolo desenhado no canto do papel. O mesmo de anos atrás. O mesmo erro que eles juraram nunca mais cometer.

O lugar cheirava a poeira, mofo e segredos enterrados. Cada passo ecoava como um aviso. Dylan mantinha a arma firme, mesmo sabendo que talvez aquilo não fosse suficiente.

— Você acha que é ele? — perguntou Dylan, em voz baixa.

— Se não for, alguém quer muito que a gente acredite que seja.

No fundo do galpão, um projetor antigo começou a funcionar sozinho. A parede ganhou vida com imagens tremidas: fotos, recortes de jornal, vídeos de segurança. Rostos conhecidos. Mortos. Desaparecidos. E no centro de tudo, eles dois.

— Filhos da p*ta… — Dylan sussurrou.

Uma voz ecoou pelo ambiente, distorcida, impossível de identificar.

— Hollywood ama histórias mal resolvidas. Principalmente as de vocês.

Tyler sentiu o estômago afundar. Aquilo não era só uma ameaça. Era um convite. Ou uma sentença.

— Você acha que controla tudo? — gritou Tyler. — A gente já acabou com isso uma vez!

A risada veio lenta, quase divertida.

— Acabaram? Ou só fugiram?

As luzes se apagaram de repente. Um estrondo metálico soou acima deles. Dylan puxou Tyler pelo braço no último segundo, desviando de uma estrutura que caiu do teto.

— É uma armadilha! — Dylan gritou.

Eles correram, o coração disparado, enquanto passos surgiam ao redor, invisíveis, mas próximos demais. Não dava pra saber quantos eram. Nem quem.

Ao alcançar a saída lateral, Tyler parou abruptamente. Do lado de fora, dezenas de câmeras apontavam pra eles. Um set improvisado. Luzes fortes. Silêncio absoluto.

— Bem-vindos ao verdadeiro show — disse a voz, agora mais clara. — Aqui, todo mundo assiste. E ninguém esquece.

Dylan encarou Tyler, entendendo finalmente o jogo.

— Eles não querem nos matar — disse. — Querem nos expor.

Tyler respirou fundo, sentindo o peso de tudo que foi escondido até ali.

— Então tá na hora de parar de correr.

As luzes se acenderam por completo. E, pela primeira vez, Tyler percebeu: o passado não estava apenas atrás deles.

Estava pronto para ser transmitido ao vivo.