Fora do prédio, a chuva caía com a fúria de um mundo em colapso. Relâmpagos rasgavam o céu noturno, iluminando aliados que agora pareciam fantasmas em meio à tempestade.

Tyler estava exausto, o corpo marcado e dolorido pelos golpes dos capangas de Dylan e pelos risos cruéis dos líderes que os cercavam. Dois homens enormes desferiam pancadas, sem piedade, enquanto Dylan observava com um cigarro aceso nos lábios.

— Calma, meus garotos — disse Dylan, voz cortante —. Quero uma tortura duradoura, não uma morte rápida.

O olhar de Tyler mal se sustentava entre a força e a dor, o cabelo colado ao rosto ensanguentado.

— Você quer me matar? Então faça logo — respondeu ele, voz arrastada.

Matar? Eu quero torturar você primeiro… — Dylan finalizou, estendendo a ordem — Levem-no para o quarto.

O Quartinho

Arrastado pelos capangas, Tyler foi conduzido pelas entranhas sombrias do subsolo — um labirinto sujo, infestados de ratos, com lâmpadas falhando que piscavam como olhos cruéis observando cada passo.

Ele foi atirado contra o chão sujo enquanto esperavam pela chegada de Dylan, que avançava com passos firmes, porém tensos, ecoando naquele corredor estreito.

Quando finalmente alcançou o amigo, Dylan ajoelhou-se ao lado dele, o desespero tingindo cada palavra:

— Tyler… você está bem? Eu sinto… eu sinto tanto. Eu vou explicar tudo! — implorou ele, a voz embargada.

Tyler, ainda lentamente se erguendo, rosto marcado pela dor, murmurou:

Por quê? Eu… eu não lembro nada disso.

Dois Anos Antes

Dylan respirou fundo e, com um olhar pesado de culpa e estratégia, começou a revelar seu plano:

— Eu fiz tudo isso para que conseguíssemos enganar a C.D.T. — ele explicou —. Eu te coloquei lá por um motivo: derrubar o sistema deles juntos, como irmãos… — continuou ele com voz baixa — Fingi que você era um babaca e que me traumatizou por anos. Eles caíram na armadilha, pensando que tinham encontrado um jovem psicótico de dupla personalidade... mas não era nada disso.

Presente

Tyler olhou para Dylan com expressão confusa:

Então por que estamos aqui? E como você conseguiu se infiltrar e… ser amigo deles? — perguntou ele, ainda tentando juntar os pedaços da realidade.

— Eu prometi que, se tivesse acesso a tudo, pagaria o que quisessem assim que você estivesse morto — respondeu Dylan, olhos fugindo por um segundo antes de se fixarem novamente.

— Então… você ainda não pagou? E por qual motivo? — insistiu Tyler.

Claro que não… prefiro não falar sobre isso agora. — respondeu Dylan, evasivo.

Um dos capangas bateu na porta, entrando na sala fria de concreto para avisar que queriam Dylan no gabinete no final do corredor — e que algo ruim poderia estar prestes a acontecer.

Gabinete

Ao entrar na sala iluminada por lâmpadas frias, Tyler e Dylan foram recebidos por um homem idoso sentado em um canto.

— Olá, senhor… ou devo dizer, jovem Dylan? — perguntou o homem com voz afável demais.

Antes que alguém pudesse reagir, Dylan caminhou até um armário antigo e o abriu com determinação. Dentro havia uma carabina poderosa.

Num movimento preciso, Dylan ergueu a arma e abriu fogo. Cada disparo ressoava como justiça violenta: os corpos dos líderes e chefes caíam um a um sobre o chão, banhando a sala em um rastro escarlate. O império que se erguia há anos caiu em segundos — e por um garoto infiltrado, escondido por baixo de todos os planos secretos.

Quando o último corpo tombou, Dylan largou a arma no chão e correu até um dos grandalhões mortos, arrancando a chave da cela onde Tyler fora mantido.

Olá, Tyler. — ele disse, abrindo a porta.

Tyler não acreditou nos olhos:

Meu Deus… você está vivo! — exclamou, abraçando o amigo com força.

— Claro que sim — respondeu Dylan — eu os matei… agora vou tirar nós daqui.

Quando se aproximaram da saída… uma voz irônica cortou o ar:

Onde vocês pensam que vão com tanta pressa? A festa nem começou!

Ao se virarem, ambos perceberam que não havia apenas alguns capangas — havia muitos, incontáveis. Em instantes, Tyler e Dylan foram dominados, jogados no chão sem chance de reação.

A mulher que agora se aproximava deles, arma em punho, sorriu com selvageria fria:

Vocês acharam mesmo que aqueles eram os chefes? Ou que tinham derrubado os maiores da minha empresa? — ela zombou.

Sua…? Quem é você? — Tyler conseguiu perguntar, atônito.

Eu sou a criadora da Central de Tormentos. — ela respondeu, como se aquela frase soasse natural. — E esses? Esses são meus capangas reais. Os outros que vocês eliminaram? Só eram fachada. Bodes expiatórios.

Notas finais
No próximo capítulo...Tyler e Dylan tentam fazer uma troca justa com o governo mas, algo sai errado e consequências vem á tona.