Os corredores subterrâneos eram sufocantes: estreitos, abafados e quentes como um deserto sem fim. Tyler e Dylan corriam contra o tempo, pés arrastando poeira e os sentidos em alerta.

Eles finalmente localizaram uma porta marcada com a palavra SAÍDA. A respiração ficou pesada.

Tyler abriu a porta devagar, olhos atentos a qualquer sinal de guardas ou sensores de alarme. Nada se moveu. Nada apitou. Só o silêncio pesado.

Com cuidado, os dois se espalharam pela sala: cada um em um canto, prontos.

Ali, do jeito mais improvisado possível, colocaram as bombas caseiras que haviam montado na oficina — dispositivos programados para explodir em uma hora. Esse era o primeiro passo do plano para acabar com a C.D.T. e destruir tudo o que a empresa representava; toda a destruição, dor e mortes que ela havia causado.

Infiltrados

Vestuários improvisados, roupas encontradas na Oficina, sujas e desconfortáveis, mas suficientes para que pudessem se misturar.

O plano era claro: infiltrar-se na sala de arquivos do prédio principal. Lá estariam os documentos fundamentais — desde a data de início das operações da C.D.T. até os nomes de vítimas que a empresa havia perseguido. Eles não queriam apenas expor números; queriam as verdades cruéis que fariam o mundo inteiro virar os olhos para a C.D.T.

Sério? Faxineiros? — Dylan resmungou, passando a mão pelo uniforme que cheirava a pasta americana. — Não tinha nenhum técnico geral?

Tyler não se deixou abalar.

Para com essa frescura e vamos logo. — Ele agarrou o ombro do amigo com firmeza, olhando nos olhos dele. — Essa é a nossa chance.

Eles atravessaram a porta principal do prédio. A cena era ao mesmo tempo surreal e tensa. Corredores repletos de vassouras alinhadas e produtos de limpeza extramente caros — boatos diziam que o dono tinha uma obsessão doentia por perfeição absoluta. Se encontrasse sujeira, dispensava a pessoa responsável imediatamente… e às vezes de maneiras bem piores.

Mas não havia tempo para distrações. Eles seguiram em frente, guiados pelas placas dos corredores.

Sala de Câmeras

Dylan foi o primeiro a entrar. A sala estava quente, luzes piscando; telas alinhadas exibiam ângulos de toda a empresa.

No centro, um homem de aproximadamente trinta anos dormia inclinado sobre uma mesa de controle.

Ei, Tyler… — Dylan cochichou.

Tyler entrou empurrando o carrinho de limpeza. O homem acordou num sobressalto, olhos arregalados.

Sem hesitar, Tyler se lançou sobre ele e, em um movimento rápido, desferiu uma cotovelada certeira. O homem caiu no chão — inconsciente, um hematoma escurecendo sua pele.

Uau… desde quando você tá assim tão forte? — Dylan disse, meio surpreso.

Instinto de sobrevivência. — Tyler murmurou, sem perder o foco.

Precisavam agir rápido. Antes de desligar os monitores, eles arrastaram o corpo para dentro de uma caixa grande no canto e a fecharam. Então, Dylan pegou um canivete enferrujado que tinham achado na Oficina e, com mãos cautelosas, começou a desligar a energia e cortar os fios, enquanto Tyler observava a porta.

E agora? — Dylan perguntou.

Desligamos tudo por aqui. Se alguém notar, vai demorar até que a ajuda chegue. — respondeu Tyler.

Área Principal

Essa parte do prédio era impressionante: corredores largos, painéis de vidro, mesas repletas de computadores modernos. No fim do corredor, uma placa chamava atenção: SALA PROIBIDA — o lugar onde os arquivos mais sensíveis deveriam estar.

Era exatamente ali que eles precisavam estar.

Mas infiltrar-se naquela área era mais difícil do que imaginavam. Para despistar, os dois entraram em um banheiro e trocaram de uniforme, agora com roupas que os faziam parecer seguranças — o suficiente para enganar olhares rápidos.

No corredor, ouviram vozes. Um homem discutia com o assistente sobre alguém que havia cortado os fios na sala de câmeras, algo pior havia acontecido ali — e parecia que ele precisava acompanhar o homem até lá. A tensão subiu, mas os garotos mantiveram o foco e continuaram.

Justo quando iam sair do corredor, uma voz cortou o silêncio:

Ei, vocês! — chamou um chefe.

Os dois congelaram.

Preciso que vocês limpem o andar X6.

X6? — Dylan repetiu, confuso.

Vocês estão de brincadeira comigo? É a Área Proibida! — O homem resmungou com irritação.

Era perfeito — a porta de entrada para o que buscavam. Eles seguiram o chefe, crachás em mãos, cada passo levando-os mais fundo na verdade sombria que procuravam.

Sob o Inferno da C.D.T.

A sensação era como estar preso em um jogo mortal sem vidas extras.

A cada passo, Dylan sentia a verdade pressionar seu peito. Ele precisava contar a Tyler… antes que fosse tarde demais. Mas o destino parecia ter outros planos.

Passos ecoaram atrás deles. Uma mão tocou seus ombros.

Antes que pudessem reagir, um soco derrubou os dois.

Quando acordaram, estavam amarrados em cadeiras, frente a frente, sujos e confusos — tentando juntar os fragmentos da memória do que acontecera.

Homens mascarados, todos vestidos de preto, cercavam-nos.

Então enfim… vamos conhecer as queridas vítimas que conseguiu matar um dos nossos. — Um dos homens começou, voz fria e cortante.

Dylan ficou furioso:

Vão se ferrar! Me matem logo! Me cortem em pedaços, façam o que quiserem! — gritou ele com desespero.

Ah, Dylan… — interrompeu o chefe — não era o momento certo.

Como vocês sabem meu nome? — Tyler perguntou, confuso.

O chefe sorriu maliciosamente:

Dylan… você ainda não contou? Ele é um de nós.

Antes que pudessem reagir, Dylan interrompeu:

Deixa que eu mesmo explico.

Cinco Anos Atrás

Dylan não era sempre assim.

Ele era um garoto comum, estudava, saía com amigos no clube de cinema… até conhecer Tyler, um dos líderes de uma fraternidade influente no campus.

Com o tempo, aquela amizade mudou-se em algo tóxico: Dylan trocou seus amigos por pessoas que só se interessavam por festas, bebidas e ostentação. Lealdade virou teatro.

Pior ainda, ele foi usado… e depois planejavam incriminá-lo em uma brincadeira brutal que teria consequências terríveis na história de todos no campus.

Quando Dylan foi diagnosticado com transtorno de personalidade múltipla, tudo desandou. Misturou realidade à vingança e jurou se vingar de Tyler e dos outros.

De volta ao presente, a cena estava tensa. Tyler encarou o Dylan que havia sido peça central de um plano maior do que jamais imaginara — uma verdade que doía e transformava tudo.

Você é um doente psicótico e precisa de ajuda! — Tyler explodiu de raiva e confusão.

Eu posso ser, mas fiz o que achei necessário… — Dylan respondeu com sarcasmo sombrio.

Notas finais
Espero que tenham gostado! Ansiosos para o próximo?