Ao dar de cara com Tyler, Dylan virou o rosto e saiu apressado em direção às escadas rolantes. Não disse nada. O barulho da estação engolia qualquer tentativa de conversa. Descendo para pegar as bolsas, os dois sentiram algo estranho, difícil de explicar, como se estivessem sendo observados no meio da multidão. Ninguém parecia suspeito, mas a sensação não ia embora.

No caminho até o hotel, a chuva começou de repente. Forte, constante, como se não tivesse fim. As ruas de Nova York refletiam as luzes dos carros e dos prédios enquanto trovões ecoavam entre as avenidas. Já no hotel, a tempestade continuava do lado de fora, com relâmpagos iluminando a cidade por segundos rápidos e inquietantes.

A noite caiu pesada. Dentro do quarto, o silêncio entre os dois era desconfortável. Depois de um tempo, Dylan respirou fundo e resolveu falar.

— Ok… eu falo. Quando eu passei mal e fui ao banheiro… alguém falou comigo. Disse que, se eu continuasse andando com você, eu ia sofrer junto.

Tyler ficou imóvel por alguns segundos.

— Ah, não… — murmurou. — Tá tudo acontecendo de novo.

— Mas a gente vai sair dessa — Dylan continuou. — Não vamos agir como crianças e ficar sem se falar.

Tyler assentiu, tentando acreditar.

A noite seguiu estranhamente normal depois disso.

No dia seguinte, ainda cansados, eles saíram para tomar café em uma das lanchonetes mais famosas da cidade. Dylan pediu um hambúrguer com batatas fritas e um refrigerante grande. Tyler pediu um chá tradicional.

— Tão tradicional assim o seu café da manhã? — Tyler provocou.

— Eu tô pouco me fodendo pra tradição — Dylan respondeu de boca cheia, com um pouco de queijo escorrendo pelo canto da boca.

— Porra… fala baixo — Tyler disse, segurando o riso e disfarçando a vergonha.

Por alguns minutos, parecia que eram apenas dois amigos aproveitando a cidade.

Depois do café, decidiram passear antes do intercâmbio começar oficialmente. Ao passarem pelo Madison Square Garden, resolveram quebrar algumas regras e entraram escondidos. Lá dentro, o espaço era imenso, silencioso, quase solene. Empolgados, subiram no palco.

— Senhoras e senhores… — Tyler começou a improvisar, abrindo os braços.

Palmas ecoaram de repente.

— Bravo. Bravo. Bravo.

Os dois se viraram assustados. Um dos diretores estava ali, observando.

— Já estamos saindo — Dylan disse rápido.

— Não precisam — o diretor respondeu, sorrindo. — Gostariam de participar da peça que estou produzindo?

— Não, mas obrigado — Tyler respondeu. — Estamos só de férias.

O sorriso do homem demorou a desaparecer.

Do lado de fora, tudo aconteceu rápido demais. Um caminhão surgiu em alta velocidade, vindo direto na direção deles. Os dois se jogaram no chão no último segundo. O caminhão perdeu o controle e bateu com força contra a parede. Estilhaços e pedaços de metal voaram para todos os lados. Pessoas gritaram. O impacto ecoou pela rua.

Deitados no chão, com o coração disparado, Tyler e Dylan se entreolharam.

Não era coincidência.

Nova York não era um recomeço.

Era apenas o próximo palco.