Tyler e Dylan estavam caídos no asfalto, no meio do caos provocado pelo caminhão. Sirenes ecoavam ao longe, pessoas gritavam, alguém chorava. Dylan foi o primeiro a acordar. Tudo ao redor parecia distorcido, os sons abafados, a visão turva.
Quando conseguiu focar, viu Tyler estendido no chão.
— Tyler… — chamou, se arrastando até ele.
Nenhuma resposta.
O pânico tomou conta. Dylan tentou reanimá-lo, sacudiu seus ombros, chamou seu nome várias vezes. Nada. O desespero aumentou quando percebeu que o celular havia sido arremessado para longe no impacto.
— ALGUÉM CHAMA UMA AMBULÂNCIA! — gritou, a voz falhando.
No hospital, o tempo parecia não passar. Dylan caminhava de um lado para o outro da sala de espera, incapaz de ficar parado. As mãos tremiam enquanto ele rezava em silêncio, pedindo para que nada de pior acontecesse. Tyler não havia acordado desde o acidente.
A culpa e o medo se misturavam.
Dia seguinte
A luz branca do quarto foi a primeira coisa que Tyler percebeu. Abriu os olhos com dificuldade, sentindo a cabeça latejar. Demorou alguns segundos para entender onde estava.
— Calma… eu tô aqui — Dylan disse rapidamente, se aproximando.
— O que aconteceu? — Tyler perguntou, confuso. — Por que estamos num hospital?
— Sofremos um acidente… — Dylan respirou fundo. — Bom, mais você do que eu.
Tyler fez uma careta e soltou um sorriso fraco.
— Claro… você e esse seu sarcasmo.
— O médico disse que você recebe alta ainda hoje, agora que acordou — Dylan explicou. — Então… podemos ir?
— Ok… só vou me trocar — Tyler respondeu, desviando o olhar para a porta.
— Ah… entendi — Dylan disse, sorrindo de canto, antes de sair do quarto.
Pouco depois, os dois deixaram o hospital.
Foi ali que receberam a notícia: o grupo do intercâmbio havia partido sem eles. Não havia reembolso. Nem ajuda. Se quisessem continuar em Nova York, precisariam de dinheiro — e rápido.
Sem muitas opções, recorreram à última coisa que esperavam.
— Parece que vocês voltaram — disse o diretor, ao vê-los.
— Sim… — Tyler respondeu. — E, se a proposta ainda estiver de pé, eu aceito.
O homem sorriu.
— Então está no elenco.
Agora, Dylan assistiria o amigo atuar em uma peça da Broadway — no mesmo Madison Square Garden onde tudo quase terminou.
Do outro lado de Nova York, alguém embarcava em silêncio.
Um olhar atento. Uma bagagem leve. Um destino claro.
Tyler e Dylan ainda não sabiam…
mas existia um “M” número dois.
E ele já estava a caminho.
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