A porta se abriu.

Eu e Tyler seguimos o policial em silêncio, sem saber o que nos aguardava. O corredor era estreito, frio, iluminado por lâmpadas antigas demais. Alguns metros à frente, ele parou. Nós também.

Estranhamos.

À nossa frente havia apenas uma parede lisa. Nenhum quadro. Nenhuma porta. Nada.

O policial não explicou.

Apenas sacou a Glock 17.

BANG.

BANG.

Os disparos ecoaram pelo corredor. A parede se despedaçou sob o impacto das balas de calibre 9mm. Poeira e estilhaços tomaram o ar.

Quando a fumaça baixou, vimos.

Aquilo não era uma delegacia.

Havia um espaço oculto atrás da parede. Um local secreto.

O policial atravessou primeiro. Depois fez um gesto para nós.

— Quero que vocês olhem tudo. Se reconhecerem algo… me avisem.

O lugar parecia um galpão improvisado: monitores ligados, arquivos espalhados, fotos presas nas paredes.

Foi Tyler quem falou primeiro.

— Dylan… vem ver isso.

Era uma fotografia.

Quando reconhecemos quem estava nela, já era tarde demais.

Ela gritava.

Implorava por socorro. Chorava. Suplicava para não ser machucada.

— Não… por favor… não faz isso comigo!

O M não respondia.

Apenas observava.

Tyler e eu sabíamos exatamente quem estava em perigo.

A pista era clara demais para ignorar.

Corremos com o policial até o carro. Em menos de dez minutos, chegamos ao galpão indicado. O lugar era isolado, silencioso demais, errado demais.

Algo estava fora do lugar.

Quando o policial contornou o prédio, parou de repente.

— Gás… — disse, sentindo o cheiro no ar.

Não houve tempo.

— CORRE!

A explosão veio logo depois.

O impacto lançou destroços para todos os lados. Parte da estrutura voou. O estrondo pôde ser ouvido a quilômetros de distância.

O M tinha conseguido exatamente o que queria.

Mais tarde, Tyler recebeu um e-mail.

O assunto dizia apenas:

“Para Tyler.”

Querido Tyler, Se você está lendo isso, é porque já sabe alguma coisa sobre mim. Mas a verdade completa virá em breve… quando eu abrir sua barriga e fizer você engolir seus próprios órgãos.Até breve. Aproveite o vídeo. — M

Tyler abriu o arquivo.

O que viu o deixou sem reação.

Fechou o notebook devagar.

— Eu vou vingar todos — disse, baixo.

Dia seguinte — 07:00

A manhã estava fria. Cinzenta. Depois da explosão, nada parecia aliviar o peso sobre nós.

Sabíamos: aquilo não tinha acabado.

Um serial killer ainda nos caçava.

Enquanto caminhava, Tyler se perdeu em uma lembrança que nunca tinha dividido comigo.

“Então ela está aqui?

Preciso ir até lá amanhã.”

Tyler escondia algo.

E isso não ficaria escondido por muito tempo.

Sem avisar ninguém, entrou no carro e seguiu até o local onde o vídeo havia sido gravado.

Na porta do galpão, havia um bilhete.

Parece que estamos brincando de Sherlock Holmes. Mas aqui não é ficção. Você não vai me achar em 90 minutos. Talvez leve meses. Talvez anos.Sei que dói perder alguém. Mas ela só fingia ser santa. Então dei um ponto final nela.— M

Tyler arrombou a porta.

Lá dentro, uma figura feminina estava sentada em uma cadeira, de costas para ele. Imóvel. Silenciosa.

Ele se aproximou devagar.

Cada passo parecia um erro.

Estendeu a mão.

Estava prestes a virar a cadeira quando—

CRACK.

O golpe veio por trás.

Um pé-de-cabra atingiu sua cabeça.

O mundo girou.

Tyler caiu no chão.

E a escuridão o engoliu.